Masp apresenta Talento Emergente

Foi pegando carona em estradas e percorrendo longos trechos a pé que Paulo Nazareth saiu de sua cidade natal, no interior de Minas Gerais, e chegou a Nova York. No trajeto, que durou seis meses e meio, ele vendeu bananas e gravuras simples (as frutas não raramente custavam mais do que as obras) e se deixou fotografar com famílias que conhecia pelo caminho. A performance lhe rendeu o título de Talento Emergente pelo Prêmio Masp Mercedes-Benz de Artes Visuais.

Ao lado dele, nesta primeira edição do projeto, está a veterana Anna Maria Maiolino – que, ao longo dos últimos 50 anos, transitou por diferentes linguagens, da xilogravura à instalação. Como um dos exemplos de sua importante trajetória, o museu exibe a instalação sonora ?Here & There? (que integrou a Documenta de Kassel 2012, na Alemanha), na qual ela declama um poema.

O prêmio era uma vontade antiga de Teixeira Coelho, curador-chefe do Masp, e que levou cinco anos para ser concretizada. Para a seleção, foi montado um júri que reuniu não só especialistas nacionais (Moacir dos Anjos e Paulo Herkenhoff) como internacionais, (entre eles, Chris Dercon, da Tate Modern, de Londres). “Nós aqui, dentro do sistema nacional de arte, poderíamos carregar para o prêmio preferências pessoais; com pessoas de fora, esse olhar é revitalizado”, diz Teixeira. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

ONDE: Masp. Av. Paulista, 1.578, metrô Trianon-Masp, 3251-5644. QUANDO: 10h/18h (5ª, 10h/20h; fecha 2ª). A bilheteria fecha meia hora antes. Inauguração: 21/12. Até 10/2/2013. QUANTO: R$ 15 (3ª, grátis).

Fonte: O Estado de S. Paulo

Fellini em SP

Em novembro de 1958, um jornal italiano publicou uma foto da jovem atriz libanesa Aïché Nana fazendo striptease na badalada casa noturna Rugantino, em Roma. A foto inspirou Fellini a escrever a cena em que a atriz Nadia Gray tira a roupa em A Doce Vida (1960), obra-prima do cineasta.

“Na época em que foi lançado, muita gente pensou que A Doce Vida era contra a igreja. É revolucionário, uma história desconstruída. Um filme até hoje muito moderno, o meu favorito de Fellini”, diz Sam Stourdzé, curador da exposição Tutto Fellini, que chega agora a São Paulo.

A imagem da atriz, guardada por décadas no acervo pessoal de Fellini, é uma das relíquias que poderão ser vistas na mostra, que já passou por Bolonha, Roma, Barcelona, Madri, San Sebastián, Moscou e Toronto. Ao todo, estarão expostos cerca de 400 itens, entre fotografias de bastidores, entrevistas, trechos de filmes, cartazes e revistas de época e desenhos feitos pelo cineasta.

“Pretendemos revelar o processo criativo de Fellini, mostrando quão genial ele foi ao traduzir o que via ao seu redor – a realidade foi uma grande fonte de inspiração, que ele transformou em fortes imagens cinematográficas”, diz.

A exposição conta também com uma seção dedicada especialmente às mulheres. Sob o nome de “The City of Women” (“A Cidade das Mulheres”, título de um de seus filmes), explora os diferentes tipos presentes na obra do diretor, em especial Anita Ekberg, Anna Magnani e Giulietta Masina, com quem foi casado durante 50 anos.

“As mulheres foram extremamente importantes em sua obra. Quando dizemos ‘Fellini’, sempre se pensa nelas. Elas aparecem de todos os tipos: prostitutas, namoradas, mães, esposas – estão sempre lá, bizarras e excêntricas”, diz Stourdzé.

Como destaques da mostra, aponta os recém-descobertos frames coloridos do clássico filme (1963). Além disso, ressalta: “Esta é a primeira grande mostra dedicada a ele em um museu, e há muito material inédito. Talvez o highlight seja o ‘Livro dos Sonhos’, reunião de desenhos que Fellini fez de seus sonhos durante 30 anos”.

Na ocasião, também será lançado o catálogo Tutto Fellini (Edições SESC SP/ IMS, R$ 65), composto por 184 páginas com fotos de cenas de filmes, cartazes de divulgação, gravuras feitas pelo cineasta e imagens dos bastidores.

Tutto Fellini
Local: Sesc Pinheiros
Endereço: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros – São Paulo
Data: de 06 de julho à 16 de setembro
Horário: terça a sexta, das 10h30 às 21h; sábados, das 10h30 às 21h; domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Entrada: franca

Fonte: Revista Cult

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