#NascidaEm1985 – parte 8 – “Exagerado”

Hoje a #NascidaEm1985 é de um artista nacional sensível, transgressor, um dos compositores que me inspira: Cazuza! Em 1985, ele deu o primeiro passo de sua carreira solo, após brigar com o Barão Vermelho durante a gravação de um álbum. Assim, a música “Exagerado” nasceu, em 1985, como faixa-título do primeiro álbum solo desse grande cara.

A série de documentários “Por Trás da Canção”, do Canal Bis, exibiu um episódio que fala sobre a história da composição dessa música, que contou também com a colaboração do Ezequiel Neves, empresário dele. Nessa ocasião, Leoni comentou que Cazuza pensava em fazer da música, cuja letra estava pronta, algo que lembrasse o bolero, mas o arranjador não concordou e decidiu levar para o lado do rock mesmo. E ficou incrível! Letra e melodia se complementam para levar ao público esse tom visceral e profundo do Cazuza, um grande letrista, entre meus favoritos!

Acho que essa ideia de “E por você eu largo tudo/ Vou mendigar, roubar, matar/ Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais/ Exagerado/ Jogado aos teus pés/ Eu sou mesmo exagerado/ Adoro um amor inventado” é muito leonina, cheia de drama e paixão, e também atemporal. Essa é a mágica da composição, você escrever uma obra de arte com a qual as pessoas se identifiquem, não importando a época. Isso faz de um artista o porta-voz de sua geração e também do espírito humano.

Vale a pena conferir o “Por Trás da Canção”:

Sobre minha parte cantora e compositora…

por Mariana Paes, editora do Catarse Musical

Desde o início do blog, relutei em divulgar aqui meu trabalho como cantora e compositora. Nem sei ao certo o motivo mas o fato é que hoje me dei conta da situação e decidi reverter.

Tanto no SoundCloud quanto no My Space, vocês podem conferir algumas canções que realmente fazem parte da minha vida, com arranjo do maestro Douglas Berti, querido amigo com grande sensibilidade e referências bem bacanas. Então, fizemos uma salada que incluiu Christopher Cross, The Police, Kiss e Van Halen em versões bem light, com piano bem desenhado, e a intenção de ser tão visceral quanto delicada.

Já a música “Tão” é nossa composição, produto de um momento de fossa (mas não sou como a Adele. Minha terapeuta me alertou: não “precise” da tristeza pra compor, exercite compor sobre assuntos positivos, para não “viciar” nela ou “buscar coisas ruins” em momentos de bloqueio criativo).

Agora estou em um novo momento, com umas 15 músicas já compostas com o Rogério Maçan, cantor e compositor excepcional, amigo que foi meu professor e depois chefe e parceiro de composição. Para testar uma das músicas compostas, a inscrevi em um concurso de compositores e acabamos ficando entre os 15 finalistas (foram 150 inscritos). Infelizmente, por incompatibilidade de agendas, não pudemos competir na final, mas vimos que realmente o trabalho tá ficando bacana e tem potencial para entrar no mercado de uma forma bem legal. Sem pressa, estamos finalizando as músicas para depois gravar suas versões finais. Então… em breve, novidades.

Enquanto isso, curtam as músicas que estão no SoundCloud e no My Space

Google lança site para criação de música

Quem navega pela internet com o browser do Google ganhou um site para criação musical que funciona de forma colaborativa. Basta escolher um instrumento e chamar os amigos para tocar junto.

No “JAM with Chrome” há 19 opções de instrumentos, de violões, baixos e guitarras até kits de bateria e teclados. Dá para tocar no modo fácil, clicando nos botões com ajuda do mouse, ou no “pró”, em que se toca pelo teclado.

O Google usou recursos como HTML5, a API Web Audio, Websockets, Canvas e CSS3 para criar a página. Para saber mais, acesse aqui.

Fonte: Olhar Digital

São Paulo Exposamba prorroga inscrições

As inscrições para a primeira edição da São Paulo Exposamba foram prorrogadas até o dia 6 janeiro. Agora, todos os compositores do país têm até 6 de janeiro para concorrer a prêmios que totalizam R$ 240 mil. A ampliação do prazo procura atender a pedidos de compositores de todas regiões do país, que, devido às festividades de fim de ano, não têm conseguido gravar vídeos com suas músicas.

As inscrições de sambas inéditos dos mais diferentes estilos, como samba-enredo, samba-canção, pagode, partido alto, gafieira, samba de terreiro etc. podem ser feitas gratuitamente até o próximo dia 29 por meio do cadastro. Tire suas dúvidas:

O que é a São Paulo Exposamba?
A São Paulo Exposamba é uma grande mostra de samba que irá reunir 1.000 composições inéditas de sambistas de todo o país, com a finalidade de revelar novos artistas e premiar as melhores composições. A ideia é, ainda, estimular a participação dos artistas e incentivar a criação de sambas, em todos os estilos, valorizando esse ritmo tão brasileiro.

Quem pode participar?
Todos os compositores, de todos os estados do Brasil. Para isso basta ter um samba inédito. No caso de compositores menores de idade, estes serão representados pelos pais ou responsáveis – que devem fornecer autorização assinada para participação na Mostra.

Como posso me inscrever?
Primeiro você precisa fazer o seu cadastro, ler o regulamento e aceitar suas condições. Na sequência poderá fazer a sua inscrição. Para isso é preciso postar um vídeo com a música que vai concorrer, e também preencher a ficha de inscrição com os dados pessoais – nome, endereço completo, telefone, celular, números do RG e do CPF válidos, nome da música inscrita e letra do samba inscrito.
Atenção: Você deve imprimir seu e-mail de confirmação de inscrição. Ela será seu comprovante. Importante frisar que este email não é enviado logo que o cadastro é finalizado e o vídeo enviado. Existe um processo de validação do material e inscrição, e quando ela for confirmada, o e-mail será disparado.

Moro fora de São Paulo. Posso participar da SP Exposamba?
Sim, compositores de todos os estados podem participar, inscrevendo suas músicas pelo site.

Posso indicar um intérprete para defender meu samba?
Sim. Os compositores de São Paulo e de outros estados podem defender seu samba ou indicar um intérprete na fase de pré-seleção.

Como devo fazer o vídeo para inscrever a minha música?
O vídeo para inscrição na Mostra pode ser bem simples, uma gravação doméstica, ou algo mais produzido. Os formatos podem ser variados: “3g2”, “3gp”, “3gp2”, “3gpp”, “asf”, “avi”, “divx”, “dv”, “dvx”, “f4v”, “flv”, “h263”, “m4e”, “m4v”, “wmv”, “mov”, “movie”, “mp4”, “mpg”, “mpeg”, “qt” ou “rm”, com no máximo 50 (cinquenta) megabytes, contendo a execução do samba inscrito.

No vídeo, o samba deve ser cantado pelo autor ou outras pessoas podem interpretar a música a ser inscrita?
O samba pode ser cantado pelo autor ou autores, ou por outro intérprete.

A inscrição é gratuita?
Sim, totalmente gratuita.

Quais tipos de sambas podem ser inscritos na Mostra?
Serão inscritos sambas de qualquer estilo: samba de roda, partido alto, gafieira, pagode, samba de breque, samba-canção, samba-rock e outros estilos.

A música precisa ser inédita?
Sim, essa é uma condição para participar da Mostra.

Com quantos sambas posso participar da Mostra?
Cada concorrente pode inscrever apenas uma música. Se o concorrente tiver parceiros, cada parceiro pode inscrever outra composição, cada um, é claro, com seu cadastro.

O samba pode ser de autoria de quantos compositores?
A composição pode ter no máximo 3 (três) autores.

Como fico sabendo se minha inscrição foi validada?
Você receberá um comunicado, via e-mail, com a validação da sua inscrição.

Como fico sabendo o local e a data da apresentação da minha música na fase de pré-seleção?
Todas as informações, comunicados e notícias serão publicados no site www.g1.globo.com/saopauloexposamba

Como farei a minha apresentação? Terei que ter os músicos?
Você pode defender sua composição com seus músicos, ou apresentar seu samba com os músicos oferecidos pela organização da Mostra São Paulo Exposamba.

Estão previstos ensaios?
Sim. Os sambas concorrentes terão direito a ensaio programado pela Organizadora, a ser realizado pela banda regida pelo maestro Ivan Paulo, que também será o responsável pelos arranjos.

Como será a Mostra São Paulo Exposamba?
Os sambas inscritos e validados pela comissão realizadora do evento serão avaliados em quatro fases: pré-seleções, seleções, semifinais e final.

Como será a pré-seleção?
Serão realizados 50 (cinquenta) eventos, em 42 localidades de São Paulo – duas casas de shows e 40 CEUs – Centros de Educação Unificados, da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo. Estas pré-seleções serão realizadas nos dias 7,08, 14, 15, 21, 22, 28 e 29 de janeiro de 2012.

Como será o júri dessa fase?
O júri será constituído por pessoas de cada uma das 50 comunidades de diferentes bairros de SP. Cada um desses júris será composto de professor (ou professora) de ensino fundamental, aluno ou aluna, pessoa ligada à música que não tenha composição inscrita na mostra, uma pessoa da terceira idade – sempre sob a presidência de um elemento indicado pela Realizadora.

Como será a fase de seleção?
Nesta fase serão apresentados os 100 sambas, em cinco noites, nos dias 30 e 31 de janeiro de 2012, e 2, 3 e 4 de fevereiro de 2012, na casa de espetáculos Tom Brasil, na capital paulista. Nessa fase serão selecionados 40 sambas, que irão para as semifinais.

Como vou saber em que dia meu samba será apresentado?
A Realizadora irá divulgar no site da Mostra São Paulo Exposamba a distribuição dos sambas nas cinco noites de seleção.

Quando serão as semifinais?
As semifinais acontecerão nos dias 09 e 10 de fevereiro de 2012, no Tom Brasil. Os 40 sambas apresentados serão gravados e disponibilizados na internet.

Como vou saber em que noite meu samba será apresentado?
A distribuição dos sambas concorrentes em cada uma das noites ficará a critério da Realizadora.

Quando os sambas selecionados na semifinal irão para a final?
Os sambas selecionados na semifinal irão para a final no dia 15 de fevereiro de 2012, no Tom Brasil, quando serão classificados do 1º ao 5º lugares, de acordo com a votação do júri e do voto popular .

Qual será o prêmio?
As 5 (cinco) primeiras composições vencedoras da fase final da Mostra, tanto as classificadas pelo júri, como as classificadas pela votação popular, receberão como prêmio, por ordem de classificação, respectivamente, R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais); R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais); R$ 20.000,00 (vinte mil reais); R$1 5.000,00 (quinze mil reais); e R$ 10.000,00 (dez mil reais), podendo haver pagamento de mais de uma premiação ao mesmo participante caso haja coincidência entre a escolha do júri e da votação popular.

Fonte: G1

Tom Jobim receberá prêmio por carreira no Grammy 2012

O músico brasileiro Tom Jobim e mais seis importantes nomes da música, entre eles Diana Ross e Gil Scott-Heron, serão homenageados na cerimônia do Grammy 2012, recebendo um prêmio por suas carreiras. Será a primeira vez que um artista brasileiro vai receber a homenagem. A 54ª edição do evento acontece no dia 12 de fevereiro de 2012, nos Estados Unidos.

Além de Jobim, Ross e Scott-Heron, o grupo de rock sulista Allman Brothers Band, a banda The Memphis Horns – ala de instrumentos de sopro que tocava nos discos da gravadora Stax – e os músicos de country Glen Campbell e George Jones também serão homenageados.

A Academia da Gravação costuma homenagear a cada edição um grupo de artistas por sua contribuição ao mundo da música. Entre os nomes que já receberam o prêmio estão Frank Sinatra, Duke Ellington, Rolling Stones, Paul McCartney, John Coltrane, David Bowie e Johnny Cash. Na edição de 2011, Julie Andrews, Dolly Parton e a banda Ramones estiveram entre os homenageados.

Fonte: G1

União Europeia sinaliza ampliação de duração de direitos autorais musicais

BRUXELAS/LONDRES (Reuters) – Os músicos devem vencer na semana que vem a disputa por um maior período de duração dos direitos sobre a sua obra, ajudando artistas e gravadoras num momento de declínio do faturamento no setor fonográfico, e deixando a Europa com uma legislação mais parecida com a norte-americana.

Artistas como Paul McCartney e Cliff Richard há anos pleiteiam a prorrogação do prazo de proteção da obra, que hoje é de 50 anos, mesmo que o artista ainda esteja vivo.

Um funcionário da União Europeia disse nesta sexta-feira, pedindo anonimato, que “embora alguns países sejam contra, parece provável que seja aceita a prorrogação da proteção dos direitos autorais de 50 para 70 anos”.

Ministros de países da UE devem votar a questão na segunda-feira em Bruxelas.

No ano passado, o faturamento do setor fonográfico mundial teve queda de 9 por cento, ficando em 15,9 bilhões de dólares. O declínio é atribuído à pirataria, já que 95 por cento das músicas baixadas na internet chegam ao consumidor de forma ilegal, segundo a entidade setorial IFPI.

“Ampliar o prazo de proteção para 70 anos reduziria a lacuna entre a Europa e seus parceiros internacionais, e melhoraria as condições para investimentos em novos talentos”, disse Frances Moore, executiva-chefe da IFPI, nesta sexta-feira.

Nos EUA, a proteção do direito autoral para músicas perdura por 95 anos após a gravação. No caso de obras escritas, o prazo é de 70 anos após a morte do autor.

Os catálogos mais antigos das gravadoras vêm sendo valorizados devido à facilidade da sua distribuição pela internet. Além disso, fãs mais velhos têm mais propensão a pagar pela música digital do que os adolescentes.

Mas Mark Mulligan, analista do setor fonográfico, disse à Reuters que o melhor que as gravadoras teriam a fazer seria voltar suas energias para os novos desafios da era digital.

“Será que foi inteligente ter investido tanto esforço para tentar defender o patrimônio histórico do setor fonográfico, quando as mudanças provocadas pela tecnologia exigem atenção? Existe o risco em dar tanto foco e se esforçar tanto para tentar proteger o que foi feito no passado”, comentou Mulligan.

Fonte: Reuters

O músico Cesar Camargo Mariano fala de sua formação autodidata, da paixão pelo cinema e da relação com Elis Regina

por Francisco Quinteiro Pires, de Nova York

Ao escrever um livro de memórias, Cesar Camargo Mariano apresentou-se como coadjuvante da própria história. Ele tem alma de artista. Sente muita dor quando alguém critica sua obra, como se sua existência estivesse em questão. Ele soube, porém, abdicar do egocentrismo para narrar suas experiências.

Memórias, que está saindo pela editora LeYa, é um exercício de humildade. Sem os parceiros que encontrou em quase 68 anos de vida, que completa no dia 19 deste mês, Cesar Camargo Mariano pode dar a impressão ao leitor de que não é um dos músicos essenciais da MPB.

O lançamento de Memórias será diferente. Em vez de sentar à mesa de uma livraria e distribuir autógrafos, concebeu um show com 14 músicas inéditas. O instrumentista sobe ao palco do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, nos dias 9, 10 e 11 de setembro.

No mesmo espaço, vai exibir alguns desenhos a lápis criados especialmente para o volume. Desde 1994, vive na cidade de Chatham, em Nova Jersey, a uma hora e meia da Penn Station, em Manhattan. Ele montou um estúdio no porão da casa, onde recebeu a CULT.

“Não tenho nenhuma pretensão de ser escritor”, diz. “Ao contrário do vinil, da fita cassete e do CD, o livro é a maneira mais eficiente de eternizar uma obra.” Camargo Mariano não tem vontade de que os outros sigam seus conselhos. “Quero apenas incentivar os jovens a prestar a atenção que eu prestei para ser músico.” Ser atento, segundo o pianista, é ter respeito pelo poder da música.

O amigo Alf

Adolescente, aprendeu o comportamento íntegro em relação à arte com um dos precursores da bossa nova, Johnny Alf, que viveu na casa de seus pais por sete anos. “Ela existe dentro de mim, mas não se submete a mim”, diz. Aos 14 anos, assistiu a um show do pianista na boate Golden Ball.

Na casa dos pais de Camargo Mariano, em São Paulo, o instrumentista era o responsável por buscar as crianças na escola. O pianista não dava conselhos, mas sua presença foi suficiente para Camargo entender “os bastidores da arte, as dificuldades e dramas de ser músico”.

Kubrick e Hitchcock

Por dois anos, a família cuidou de Alf, debilitado por uma cirrose hepática. Beth, uma das irmãs, parou de trabalhar para acompanhar a saúde do músico acamado. A mãe de Camargo Mariano guardou em caixas, legadas para o filho, folhas amassadas e rasgadas em que o hóspede anotou composições.

Em vez de música, o jovem instrumentista conversava com o compositor carioca sobre cinema. “Ele me ensinou a ser um telespectador exigente.” Camargo Mariano sempre revê os filmes de Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock. Lembra ter descoberto por acaso o trabalho de Johnny Mandel, “o maior dos compositores de trilhas sonoras”.

Certo dia, andando à toa pelas ruas de São Paulo, ele e o violonista Théo de Barros entraram à 1 da tarde em uma sala que exibia Adeus às Ilusões (1965). “Esperava um dramalhão com péssima atuação da Elizabeth Taylor.”

Protagonizado pela atriz e por Richard Burton, o filme de Vincente Minnelli tinha “uma trilha sonora absurda”, criada por Mandel. Os dois assistiram várias vezes ao longa-metragem, chegando à última sessão, das 2 da madrugada.

Anos depois, no estúdio onde gravou o disco Elis & Tom, Camargo Mariano conheceu pessoalmente o compositor norte-americano, de quem se tornaria grande amigo. Na ocasião, Mandel confessou ser fã do instrumentista brasileiro.

O cinema é inspiração para a técnica musical de Camargo Mariano. Antes de se tornar compositor de trilhas sonoras para filmes, novelas e minisséries, ele entendia como cinematográfico o processo de compor e arranjar.

Trilhas para filmes

“A letra e a melodia servem como roteiros para construir uma unidade que expressa os sentimentos e sonhos de um músico”, diz. “Por isso, foi automático fazer trilhas.” Ele compôs para Eu Te Amo (1980), filme de Arnaldo Jabor; Mandala (1987-1988), novela da Rede Globo; e Avenida Paulista (1982), minissérie da mesma emissora.

A paixão pelo cinema conduziu-o ao amor por Elis Regina. A convite de Ronaldo Bôscoli, que estava se divorciando da Pimentinha, em 1971, Camargo Mariano cuidou dos arranjos e da direção musical de uma temporada de shows da cantora no Teatro da Praia.

Às segundas-feiras, dia de folga das apresentações, Elis reunia amigos em casa para uma sessão de cinema. Eles alugavam filmes e um projetor do Museu da Imagem e do Som. Elis convidou Camargo Mariano para assistir a Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman.

Durante uma pausa para a troca dos rolos do longa-metragem, a cantora colocou um bilhete no bolso da camisa do pianista. Disse para ler depois de terminada a exibição. Ele não aguentou, saiu da sala escura e se trancou no banheiro para ler a mensagem de amor. O namoro começou. Tiveram dois filhos, os cantores Pedro Mariano e Maria Rita.

A parceria profissional entre Elis Regina e Cesar Camargo Mariano foi uma das mais bem-sucedidas da música brasileira e atravessou os anos 1970. O pianista produziu e arranjou os discos Elis (1973), Elis & Tom (1974), Falso Brilhante (1976), Elis (1977), Transversal do Tempo (1978) Essa Mulher (1979), Saudades do Brasil (1980) e Trem Azul (1981).

Nos ensaios para a temporada no Teatro da Praia, Elis fez uma confissão. “Quando escuto essa música, na hora que chega esse trecho aqui, me dá uma dor por dentro, aqui ó”, disse, ao mesmo tempo em que pousava as mãos sobre o ventre.

Elis referia-se, diz Camargo Mariano, a um acorde criado por ele para valorizar a interpretação. “Desde criança, sinto essa dor também por causa de certos acordes. É algo pessoal, intransferível. Só não sabia que outras pessoas sentiam algo semelhante, e a sensação descrita por Elis me ajudou a identificar o que eu próprio sentia e sinto”, diz.

A insegurança de Tom

Clássico da MPB, Elis & Tom (1974) provocou um dos choques emocionais mais fortes que Camargo Mariano já sentira. “Por causa da gravação desse disco, Tom Jobim transformou-se de ídolo em ser humano.”

A tomada de consciência sobre a personalidade do compositor de “Águas de Março” ocorreu ao longo de 22 dias de convivência, três deles para as gravações no estúdio.

Elis e Camargo Mariano chegaram a Los Angeles sem avisar. Tom Jobim não sabia de nada, e o compositor Aloysio de Oliveira não conseguiu localizar o compositor por telefone. “Foi uma situação ímpar, além de dramática.”

Aos 31 anos, Camargo Mariano teve de superar as inseguranças de Tom Jobim, então com 47. Mesmo sendo uma estrela, Tom sofria com a possibilidade de o disco fracassar. Queria ter controle sobre todo o processo e dispensar os arranjos e a direção musical do jovem pianista. A resistência foi grande, a ponto de Camargo Mariano dizer-lhe, com educação, que o disco era de Elis – e Tom apenas um convidado. Ilustre, mas ainda assim um convidado.

Quando ele terminou a mixagem das gravações às 5 da madrugada, levou uma fita com o material para o compositor. O arranjador insistiu para que escutassem. Ao ouvir o trabalho pronto, Tom chorou compulsivamente.

No dia seguinte, pelo telefone, confessou ao parceiro mais novo: “Vocês tomam banho de chuveiro, com água fria e corrente, eu tomo de banheira, com água morna, que vai se ajustando à temperatura do meu corpo”, relembra Camargo Mariano, imitando a voz rouca do maestro. Era uma metáfora para a insegurança de Tom diante daqueles jovens atrevidos.

Pai professor

Desde cedo, Cesar Camargo Mariano chamou atenção por seus dotes musicais. Influenciado por Nat King Cole e Erroll Garner, ele aprendeu a tocar de ouvido. Autodidata, teve suas primeiras lições de teoria musical dadas pelo pai. Aos 13 anos, não entendia direito as definições teóricas, mas no piano era capaz de executar de modo comovente o que lhe era pedido.

Boa parte de Memórias aborda a importância das relações familiares. O livro relembra a emoção do primeiro piano, de cor amarela e dispensado pela antiga dona.

O talento natural de Camargo Mariano desenvolveu-se na convivência com músicos da São Paulo do início dos anos 1960. Ele recorda a atuação por dois anos na Baiuca, casa de shows na Praça Roosevelt, no centro da cidade.

Sambalanço

Nas apresentações, tocava habitualmente um repertório de jazz, mas um pedido foi fundamental para a formação de seu estilo. Certa noite, alguém da plateia lhe pediu um samba. Ao tentar tocá-lo no compasso jazzístico, não teve sucesso. Quando introduziu a cadência do samba, acentuando o ritmo no tempo fraco da composição, foi aplaudido.

Nos anos 1960, formou com Airto Moreira e Humberto Clayber o Sambalanço Trio. Tornou-se uma referência para a bossa nova com performances no João Sebastião Bar, o templo paulistano daquele gênero musical nascente.

Na mesma época, ajudou a criar com o coreógrafo norte-americano Lennie Dale e o diretor Solano Ribeiro um espetáculo para o Teatro Arena. Depois de São Paulo, as apresentações foram para o Rio, resultando no disco Lennie Dale & Sambalanço Trio no Zum-Zum (1965).

Camargo Mariano acredita nos ensaios. É bom conhecer minuciosamente as manhas musicais para lidar com o improviso. Foi o que ele aprendeu ao trabalhar como arranjador e diretor musical de Wilson Simonal em programas da Rede Record, na segunda metade dos anos 1960.

Era comum o pianista ensaiar à exaustão e, na última hora, ver o repertório mudar. “É necessário jogo de cintura nessa profissão.”

Tendo trabalhado com os músicos brasileiros mais importantes – “só faltam Roberto Carlos e Gilberto Gil” –, Camargo Mariano ainda nutre alguns desejos, como um duo com Tony Bennett. “Não tenho muitas vontade em relação à nova safra brasileira, que está bem difícil.”

Enquanto não realiza o sonho, passa os dias no estúdio, de onde se comunica via Skype com os parceiros musicais. Os instrumentos eletrônicos estão sempre à mão para registrar as novas ideias. Ele reclama que da cabeça para o papel muita coisa se perde. “A criação da música é um drama que revolve as vísceras”, diz. “Mas só sendo assim para trazer dignidade à arte.”

Fonte: Revista Cult

Sting assinará canções de musical, diz New York Times

De acordo com nota publicada nesta sexta-feira (2) pelo jornal The New York Times, Sting escreverá canções para o musical The Last Ship, baseado no livro homônimo do renomado escritor Brian Yorkey. A história se passa na década de 1980 na cidade britânica de Newcastle, onde o músico nasceu.

“Será a primeira experiência dele neste gênero”, disse Yorkey sobre o ex-líder do The Police. “Ele está escrevendo algo em torno de 20, 24 canções incríveis para o espetáculo. Elas são claramente do estilo de Sting, mas, ao mesmo tempo, suficientemente musicais para o teatro. Não será simplesmente música pop atirada no palco”.

A peça trará como protagonistas um padre, um grande industrial e um operário.

Fonte: Terra

Profundo, espetacular – Análise das letras revela que Dylan se apoia na oralidade e metonímia enquanto Bowie usa a metáfora e a força

Em Não Estou Lá, filme sobre a vida de Bob Dylan dirigido por Todd Haynes em 2007, o ator Christian Bale, um dos vários intérpretes que encarnam o músico (sem muito compromisso de verossimilhança), canta a canção “The Lonesome Death of Hattie Carrol” (A morte solitária de Hattie Carrol), aparentemente à beira de uma estrada, enquanto trabalhadores rurais de braços cruzados e com semblante grave e marcado o escutam atentamente.

A canção “This Is Not America”, cantada por David Bowie (o próprio), soa enquanto o trailer do filme The Falcon and the Snowman, de John Schlesinger, de 1985, mostra sequências aceleradas e vertiginosas da vida de dois rapazes norte-americanos (Timothy Hutton e Sean Penn), passando por cenas de amizade, amores, perigos, perseguições, traições, até um desfecho dramático e misterioso, que insinua condizer com um lisérgico “This Is Not America” que se desfaz em “This Is Not a Miracle”.

Ambas as canções são inspiradas por histórias reais e ambas criticam a imagem ideal do norte-americano e da América: um país democrático e justo, onde todos têm oportunidades iguais e que dá espaço para que os cidadãos trabalhem e sejam livres.

O próprio filme The Falcon and the Snowman é baseado em livro de mesmo nome, e narra a história de dois rapazes típicos de classe média norte-americana. Amigos, os dois decidem vender segredos norte-americanos para a União Soviética. Um deles, um treinador de falcões, desilude-se com a política hipócrita da empresa de segurança em que trabalha e o outro encontra nesse comércio de informações uma fonte de renda segura para manter o vício em cocaína, donde o apelido “Snowman”.

Riqueza e pobreza

Já a canção “The Lonesome Death of Hattie Carol”, escrita em 1963, denuncia a então comentada morte de uma atendente de bar, Hattie Carol, por um jovem ricaço, filho de um latifundiário de tabaco, que, bêbado, decide agredir todas as pessoas que vê pela frente, inclusive a vítima, trabalhadora pobre, negra e mãe de dez filhos, atingida gratuitamente pela bengala do rapaz.

O jovem é condenado por assassinato em primeiro grau, preso em flagrante, mas, com a ajuda de bons advogados, acaba ficando somente seis meses na prisão.

O “sha la la la la”, que serve de fundo para o estribilho “This Is Not America”, já diz muito sobre a poética de David Bowie e, principalmente, sobre suas diferenças em relação a Bob Dylan, em cujas letras jamais se ouviria um “sha la la la la”. Isso não é exatamente uma crítica a David Bowie, mas uma constatação sobre o tipo de tensão que se estabelece entre letra e música em suas canções. Vejamos.

“This Is Not America” é uma crítica à América. Esta não é a América que esperávamos que fosse, que nos disseram que era.

Em seguida, em “This Is Not a Miracle”, numa crítica menos inocente do que a primeira e carregando numa paronomásia não muito original (America, Miracle), a crítica é feita ao assim chamado milagre americano, que parece nunca ter correspondido exatamente ao que se prometia.

A letra caminha e arma mais alguns trocadilhos, como acontece com os homófonos “peace” e “piece”, em que se brinca com a ideia de que o pouco que resta de paz em cada um não vai resistir ao passo atropelador da grande história, que não reconhece e nem se importa com as individualidades, como prometia a América.

Snowman, o homem de neve (e de pó), está derretendo por dentro e o falcão roda até cair ensanguentado no chão.

A letra relativamente breve, mas principalmente abrangente (com algumas rápidas menções aos indivíduos), ambicionando uma crítica à América como um todo, sem se deter nas particularidades individuais e com dezenas de repetições, um estribilho fortíssimo e o “sha la la la”, além do acompanhamento dramático de Pat Metheny e a voz estranha e andrógina de Bowie, mostram de que forma, em David Bowie, a letra serve muito mais à canção, à música, do que o contrário.

É como se a letra fosse um adendo (competente, mas secundário) à potência criada pelo poderoso conjunto sonoro, muito maior e mais significativo do que a fraca poesia.

Com a canção de Bob Dylan, embora também haja a crítica evidente ao sonho da América, especialmente porque foi escrita numa época em que o racismo era declarado e legal e a vítima de que se fala na canção era negra, as coisas se constroem de forma praticamente oposta à da poética de Bowie.

Pode-se dizer que o aspecto crítico, denunciador, vai se estabelecendo de forma metonímica, e não metafórica, como ocorre em “This Is Not America”. Dylan conta a história inteira, com todas as particularidades, ou seja, parte do pequeno para atingir o grande, sem declarar essa crítica explicitamente, mesmo que ela seja bem clara, daí a metonímia.

Dylan fica no particular, enquanto Bowie faz o caminho contrário, daí o lado metafórico. Snowman e Falcon, em Bowie, são como a América. Hattie Carol, de Dylan, é a América. É somente no estribilho – “mas vocês que filosofam a desgraça e criticam todos os medos, tirem os remendos de seu rosto, agora não é hora de lágrimas” – que se tece um juízo mais abertamente negativo à hipocrisia: da América, dos intelectuais omissos, do senso comum e até do leitor/ouvinte.

Remendos e lágrimas

No estribilho final, aliás, há uma mudança decisiva: “Enterre os remendos em seu rosto, agora é hora de lágrimas”. A forma como Bob Dylan (e também Christian Bale) canta a canção, acompanhado somente de seu violão e de sua gaita, numa melodia que se repete e quase se arrasta, na tradição do country/folk rural, mostra que, em seu caso, há uma integração orgânica entre a letra e a melodia, de maneira que uma se torna necessária à outra.

Partindo da história detalhada, sucessiva e bem particular, Dylan acaba atingindo a América por dentro, sem jargões generalistas, que só fazem “chover no molhado”. Tanto é verdade que a canção acabou gerando manifestações contra o acusado e retaliação por parte do próprio (como ocorreu também com outras canções do músico).

Dylan, com seu prosaísmo, a oralidade, as frases longas, os detalhes e a melodia igualmente “falada”, localiza-se na tradição dos contadores de histórias rurais, embora sua poética seja também muito urbana.

Bowie, com as generalizações, as repetições, o “sha la la la la” e os arranjos e a voz exuberantes e potentes, não narra; compõe versos curtos e quase soltos, que dependem, para sobreviver, da força da música a que eles servem.

É a América profunda, vista de onde ela acontece, e a América espetacular, vista da Inglaterra. Talvez Bowie, nesse caso, seja um daqueles que filosofam a desgraça e criticam todos os medos. Mas agora, como antes, não é hora para lágrimas.

Noemi Jaffe é doutora em literatura brasileira pela USP

Letra – This Is Not America
Esta Não É a América
por David Bowie, Lyle Mays e Pat Metheny
Esta não é a América, sha la la la la
Um pedacinho de você
A pequena paz dentro de mim
Vão morrer (Isto não é um milagre)
Pois esta não é a América
As flores não abrem
Nesta estação
Prometa não olhar
Por muito tempo (Esta não é a América)
Pois este não é o milagre
Houve um tempo
Uma tempestade que soprou tão pura
Pois este pode ser o maior céu
E eu não faço
A menor ideia
Pois esta não é a América, sha la la la la, sha la la la la, shala la la la
Esta não é a América, não, não é, sha la la la la
Boneco de neve se derretendo
De dentro para fora
Falcão gira em espiral
Caindo ao chão (Este pode ser o maior céu)
Tão vermelhas sangue
As nuvens de amanhã
Um pedacinho de você
O pedacinho dentro de mim
Vão morrer (Pode ser um milagre)
Pois esta não é a América
Houve um tempo
Um vento que soprou tão novo
Pois este pode ser o maior céu
E eu não faço a menor ideia
(Pois esta não é a América) sha la la la la
Esta não é a América, não, não é, sha la la la
Esta não é a América, não é não
Esta não é a América, não, não é, sha la la la

 

Letra – The Lonesome Death Of Hattie Carroll
A Morte Solitária de Hattie Carroll
por Bob Dylan
William Zantzinger matou
A pobre Hattie Carrol com uma bengala
Que ele girou em volta do dedo em que usava um anel de diamantes
Numa reunião da alta sociedade em um hotel de Baltimore
Os tiras foram chamados
E tiraram a arma dele
Enquanto o levaram preso até a delegacia
E autuaram William Zantzinger
Por homicídio em primeiro grau
Mas você que filosofa a desgraça
E critica todos os medos
Tire o pano de seu rosto
Agora não é hora para suas lágrimas
William Zantzinger, que aos 24 anos
É dono de uma fazenda de tabaco de 600 acres
Com pais ricos e abastados
Que o sustentam e protegem
E que tem relações nos altos escalões
Da política de Maryland
Reagiu ao ato que cometeu
Dando de ombros
Com palavrões e pouco caso
E sua língua fazia sons de raiva
Em questão de minutos estava livre, com fiança paga
Mas você que filosofa a desgraça
E critica todos os medos
Tire o pano de seu rosto
Agora não é hora para suas lágrimas
Hattie Carroll era empregada da cozinha
Tinha 51 anos de idade
E Tinha dado à luz dez filhos
Ela carregava os pratos e tirava o lixo
E nunca se sentou à cabeceira da mesa
E nem sequer falava com as pessoas à mesa
Ela apenas limpava toda a comida da mesa
E esvaziava os cinzeiros em outro andar
Foi morta por um golpe
Caiu assassinada por uma bengala que voou pelo ar
Que desceu atravessando a sala
Fadada e determinada a destruir todos os mansos
E ela nunca tinha feito nada para William Zantzinger
Mas você que filosofa a desgraça
E critica todos os medos
Tire o pano de seu rosto
Agora não é hora para suas lágrimas
No tribunal de honra
O juiz bateu seu martelo
Para mostrar que todos são iguais
E que os tribunais são honestos
E que não há pistolão
Nem influência ou persuasão
Que mesmo os nobres recebem o tratamento que merecem
Depois que os tiras os perseguiram
E prenderam
E que a escada da lei não tem degrau de baixo ou de cima
Ele encarou a pessoa que matara sem razão
Que simplesmente sentiu vontade disso
Sem qualquer aviso
E falou através de sua toga
Com voz distinta e profunda
E decretou com voz severa
Por castigo e arrependimento
Pena de seis meses para William Zantzinger
Oh, mas você que filosofa a desgraça
E critica todos os medos
Enterre o lenço fundo em seu rosto
Porque agora sim é hora para suas lágrimas

Fonte: Revista Cult

Lei americana devolve a artistas direitos sobre seus discos após 35 anos

Por Carlos Messias e Marcus Preto

Daqui a dois anos, a indústria fonográfica americana sofrerá mudança radical por conta de um item da lei de direitos autorais do país, que controla a reprodução de propriedade intelectual.

Já estava previsto na legislação dos EUA desde janeiro de 1976. Mas só agora a ficha está começando a cair.

Naquela época, foi estipulado que artistas poderiam recuperar os direitos de suas obras após de 35 anos. Isso passou a vigorar em 1978.

Ou seja, a partir de 2013, álbuns que completarem 35 anos de lançamento, como “Darkness on the Edge of Town”, de Bruce Springsteen (que ganhou reedição de luxo no ano passado), poderão ser relançados por outras gravadoras ou sumir das prateleiras, se o artista preferir.

O autor precisa entrar com o pedido na Justiça com dois anos de antecedência. Segundo reportagem publicada no jornal “New York Times” na semana passada, músicos como Bob Dylan e Tom Petty já abriram processos para reaverem seus trabalhos.

Essa mudança, muitos acreditam, pode significar o tiro de misericórdia nas grandes gravadoras. O dinheiro obtido em relançamentos de álbuns históricos e movimentação de catálogo é, em tempos atuais, fundamental para contrabalançar as perdas com a pirataria. E financia a produção de novos álbuns.

Executivos da Sony, da Universal e da EMI foram procurados pela reportagem na semana passada, mas não responderam. No Brasil, a legislação é outra. “As gravadoras têm direitos sobre o fonograma, que são delas e não do autor, e perduram pelo prazo de 70 anos”, diz o advogado Marcos Bitelli, especialista em direito do entretenimento.

No entanto, as filiais brasileiras das “majors” também têm muito a perder. “Elas seguem os acordos internacionais”, diz Marcelo Fróes, diretor do selo Discobertas. Sendo assim, quando a matriz americana perder os direitos sobre determinadas obras, os escritórios nacionais também não poderão relançá-las por aqui.

“É por isso que nos últimos anos vimos o catálogo solo de Paul McCartney sair da EMI e ir parar na Universal”, exemplifica o produtor.

Fonte: Folha de S. Paulo

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