R$ 5 milhões para intercâmbio cultural

A ministra Ana de Hollanda decidiu liberar R$ 5 milhões de ajuda de custo para viagens de artistas, técnicos e estudiosos em programas de intercâmbio dentro e fora do país, por meio de edital que está quase pronto. A informação é da coluna da jornalista Sônia Racy, no jornal O Estado de S. Paulo.

O total é duas vezes maior que a ajuda paga no ano passado.

Segundo a coluna, coincidência ou não, a ministra tomou a decisão depois de ouvir in loco as reivindicações de artistas paulistas na Assembleia Legislativa, semana passada.

*Com informações do Estadão.com

Fonte: Cultura e Mercado

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Cultura em São Paulo pede socorro

por Chico Ferreira

Muito se fala sobre o Ministério da Cultura e sobre Ana de Hollanda. Creative Commons, Direito Autoral, Ecad, Projetos aprovados na Rouanet, entre outros.

O Ministério completou somente 5 meses, os quais grande parte foram para montar equipe, se inteirar de assuntos, coisas naturais, porém teve que passar a maior parte do seu tempo se defendendo e se virando para arrumar dinheiro e cobrir despesas da gestão passada, do que poder criar algo.

Todos estes assuntos estão em pauta e estão sendo debatidos em exaustão, o Ministério já quitou parte das dívidas atrasadas e caminha com os outros itens.

De tanto falarmos sobre as Leis de Incentivo a Cultura (Rouanet), vem se deixando de lado o incentivo a cultura na maior cidade e estado do Brasil.

LEIS DE INCENTIVO A CULTURA DE SÃO PAULO.
São Paulo vem fazendo um descaso com a área cultural, quem trabalha na área cultural e artística de São Paulo (sem ser os grandes produtores) vive pedindo esmolas.
Enquanto muitos estados e cidades do Brasil caminham para melhoria de suas leis locais de incentivo à cultura como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, entre outras, São Paulo anda cada vez mais para trás.

LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA (Lei Mendonça)
A Lei Municipal de Cultura vem ano a ano numa queda vertiginosa, empresas de São Paulo não podem investir em Cultura, devido ao Secretário Municipal de Cultura não gostar de leis de incentivo. O Secretário Carlos Augusto Calil , o qual a maioria desconhece, (devido ao fato de não ouvirmos falar nada sobre a secretaria municipal de cultura, isto porque ele assumiu em 2005) não esconde que não gosta da lei, mas também nunca fez nada que pudesse substituir e vem ano a ano acabando com a lei, dificultando a aprovação dos projetos e afastando as empresas de patrocinarem, como pode se ver no balanço dos investimentos da Lei de Incentivo no Site da Secretaria Municipal de Cultura.

Calil, particularmente é um grande crítico das leis de incentivo, mas não vê que foram as leis que salvaram toda uma cena cultural no Brasil nos últimos 15 anos, e que graças a elas surgiram projetos maravilhosos no Brasil.

Se ele tem problemas pessoais com a Lei ele deveria fazer mudanças criar fundos para fomento à cultura, montar um conselho para aprovação de projetos culturais baseado em interesse público, capacidade do proponente, adequação de orçamento.

Pois enquanto ele esta representando a área cultural e recebendo alto salário pago com nossos impostos a classe cultural da cidade de São Paulo pede esmola.

A prefeitura de São Paulo gasta mais de 8 milhões em apenas um dia na Virada Cultural e no resto do ano praticamente não faz nada, temos que agradecer São Jorge por não ter chovido neste dia e o dinheiro dos contribuintes não ter escorrido pelos esgotos (estes entupidos pela sujeira da Virada). Criando uma falsa ilusão de que as coisas vão indo bem na área cultural.

Neste único dia de trabalho do ano na área cultural de São Paulo, centenas de artistas e produtores atuantes da cena cultural de São Paulo, não trabalham. Em contrapartida a secretaria paga cachês exorbitantes para dezenas de artistas do grande escalão.

PROAC – LEI ESTADUAL DE INCENTIVO A CULTURA
A lei estadual surgiu recentemente e vem sendo a principal ferramenta para realização de alguns projetos culturais. Porém o proponente enfrenta duzentas dificuldades para aprovação do projeto. Se tornando praticamente impossível aprovar um projeto no Proac, a não ser de grandes peças teatrais.

Quem faz as análises são pareceristas contratados pela Secretaria os quais nunca na vida devem ter realizado qualquer projeto cultural ou chegado perto dos mesmos, reprovam a maioria dos projetos, já analisam procurando  qualquer coisa para poder reprovar, quando não conseguem, solicitam como complementação de informações coisas absurdas, como projeto de cenários, bonecos de livros prontos, cartas de todos os lugares e pessoas imagináveis, entre outras coisas, itens que quem faz projeto sabe que a maioria só é possível de realizar após a captação de recursos haja visto que depende de contratações.

A lei de Incentivo estadual vem se equiparando em dificuldades ao de se ganhar alguns dos principais editais do Brasil como (Petrobras, Natura, Banco do Brasil), conseguir uma aprovação vem sendo um grande desafio, porém não é um edital e nem existem profissionais capacitados para julgarem como tal.

As Leis de cultura servem para facilitar o acesso dos proponentes, produtores, artistas para a realização de projetos e não para selecionar aqueles que agradam aos pareceristas.

A Secretaria de Estado da Cultura deveria deixar claro o que é preciso para aprovar um projeto, parece que partem do princípio que todo proponente é pilantra,  a avalização dos projetos tem de ser imparciais, técnica, seguindo os critérios da Lei e não julgar méritos e valores de acordo com conviccões pessoais dos pareceristas. Neste aspecto e em outros aprendam com a Rouanet.

Fonte: Cultura e Mercado

Artistas de Recife deslocam eixo criativo para o Nordeste

por Silvas Martí, enviado especial a Recife

Solares e selvagens. Essas são as palavras que uma nova leva de artistas de Recife mais usam para definir a natureza do que fazem e suas vidas na cidade que vem roubando os holofotes do saturado eixo Rio-São Paulo.

Talvez porque mesmo na época das chuvas fortes, o calor não dá um minuto de trégua. “Isso dilata, não deprime os corpos”, diz o artista Aslan Cabral à Folha. “A gente tem certa selvageria.”

Ele é um dos nomes mais novos a engrossar uma leva de artistas de pegada um tanto visceral que despontou em Recife. Antes dele, Rodrigo Braga, hoje no Rio, já fazia performances sugerindo uma comunhão viril com aspectos da flora e fauna locais.

Quer dizer, já costurou partes de um cachorro à própria cara, afundou em pântanos lamacentos com bodes e se cobriu de plantas e terra.

Nesse time, estão também artistas de fora que construíram seus trabalhos na capital pernambucana, como o alagoano Jonathas de Andrade, revelação que esteve na Bienal de São Paulo e foi um dos vencedores do último prêmio Marcantonio Vilaça, o gaúcho Cristiano Lenhardt e a artista paulista Violeta Cenzi.

Kilian Glasner, artista de Recife, não sente falta do movimento das metrópoles e diz que é possível montar o ateliê à beira da praia. Mas já viu que céu e mar, jangadas ao vento e outras paragens tropicais também estão ameaçados pela forte especulação imobiliária e o boom econômico que atinge a região.

“Isso que acontece aqui agora aconteceu em São Paulo há 30 anos”, diz Glasner. “A gente vive um momento de grande transformação.”

É um ponto contraditório na evolução da cidade, já que Recife virou ao mesmo tempo um centro regional, que atrai artistas de fora, e gira em torno do mercado concentrado no Sudeste. “É receber pessoas do entorno e orbitar centros maiores”, diz o artista Jeims Duarte. “Essa ambivalência nos domina.”

Domina e acelera ao mesmo tempo. Lenhardt, por exemplo, diz que é por causa do mercado de arte emergente na cidade que artistas ali têm mais liberdade, sem sofrer a pressão das grandes e mais poderosas galerias.

Bruno Vilela, Cristiano Lenhardt, Jeims Duarte, Aslan Cabral, Ricardo Brasileiro, Kilian Glasner e Violeta Cenzi

BRASILIDADE

Essa mesma pujança está agora em Recife numa grande mostra do Santander Cultural. Arrebanhadas por seus rastros de brasilidade, estão lá obras dos artistas mais caros no mercado de arte atual.

Adriana Varejão, Cildo Meireles, Beatriz Milhazes e Ernesto Neto são algumas grifes de um elenco estelar. Juntos, são artistas que desembarcam ali com o aval dos leilões e a fúria das feiras.

No vernissage, estavam todos esses jovens artistas recifenses, esperando a hora de entrar para a constelação.

O jornalista Silas Marti viajou a convite do Santander Cultural.

VESTÍGIOS DE BRASILIDADE
QUANDO de ter. a dom., das 13h às 20h; até 31/7
ONDE Santander Cultural (av. Rio Branco, 23, Recife, tel. 0/xx/81/ 3224-1110)
QUANTO grátis

Fonte: Folha de S. Paulo

MinC convida setor cultural de SP para encontro com Ana de Hollanda

O Ministério da Cultura, por meio de sua Representação Regional e da Representação Regional da Fundação Nacional de Artes – Funarte, juntamente com a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo convidam para o Encontro da ministra Ana de Hollanda com o setor cultural do Estado de São Paulo.

Podem participar artistas, gestores, produtores, artesãos, sindicatos, cooperativas, associações, educadores e interessados em geral.

O encontro acontece no dia 10 de maio, às 14h30, na Assembléia Legislativa do Estado (Auditório Paulo Kobayashi).

Fonte: Cultura e Mercado

Histórias de Famas – Em obras inéditas no Brasil, Melville e Tolstói trazem definições anedóticas e teóricas do verdadeiro artista Publicado em 04 de abril de 2011

por Julián Fuks, jornalista e escritor

Há sempre uma distância intransposta entre a obra de arte e sua cópia, um cisma entre o autêntico artista e seu símile, aquele que tenta a ele se igualar. Abismo tantas vezes feito de um mero lapso, um detalhe originário – pinceladas sem a vibração necessária, milimétrico tempo entre as notas, palavras em desarranjo incalculado. Por que, então, a simulação, o logro, o apelo ao falso? É um mundo de ambições comuns este em que vivemos, um mundo de competições infaustas. Artista e símile compartilham as mesmas paredes nas galerias, igualam-se nas prateleiras das livrarias, ombreiam-se em salões e auditórios.

É um desses encontros, paradoxo temporal em que o impossível pretendente a artista depara com a figura que quer tornar-se, que Herman Melville narra em O Violinista e Outras Histórias, recém-lançado no Brasil.

O violinista alçado ao título, um homem de meiaidade modestamente simpático, parecendo “satisfeito, feliz e corpulento demais” para que pudesse ter sido brindado com um grande talento, revela-se no entanto síntese de toda a virtude artística. “Homem derrotado”, pois sua fama já pertence ao passado, não se deixa abater pelo infortúnio. Ao contrário, carrega “uma certa expressão serena de profundo e tranquilo bom senso”, assume “uma aura divina e imortal, como a de algum deus grego eternamente jovem”.

A ele contrapõe-se Helmstone, o narrador, garboso poeta que a crítica insiste em depreciar, expoente da pretensão deslocada, da ambição infrutífera e desmedida – vítima do mundo de ostentação que Melville deslinda em outros contos da mesma obra. Inconformado com sua própria mortalidade, para ele um destino intolerável, esse homem agoniado se empenha com débil retórica em negar os méritos do outro, em detratá-lo. Mas, desespero maior do falsário diante do autêntico artista, não consegue deixar de sentir-se também ele cativado.

O artista na vida real
Não será novidade dizer que Liev Tolstói era artista autêntico, e a perenidade de seus grandes romances, pontos álgidos da narrativa realista no século 19, impediria qualquer pessoa de juízo de pensar o contrário. É com surpreendente eloquência, entretanto, que ele confirma tal fato no contexto em que mais poderia se complicar, nos textos teóricos, nos panfletos políticos, nos sermões religiosos, nas cartas que escreveu ao fim da vida, tudo agora reunido em
Os Últimos Dias.

Não que sua leitura venha a provocar um arrebato encantatório ou que resulte fácil hoje concordar com seus pressupostos: Tolstói não era um visionário, estando rigidamente ancorado no espaço e no tempo que habitava. Chega a ser penoso vê-lo advogar por um imprescindível viés religioso em toda criação literária, ouvi-lo argumentar que “o homem racional não pode viver sem religião porque
somente a religião dá ao homem racional a necessária orientação sobre o que fazer”. Mas a limpidez com que vai dispondo suas ideias sobre a página, a clareza impoluta com que se expressa e a profunda coerência de sua lógica acabam por desvelar outra coisa. Quase não há dogmatismo em Tolstói: o obscurantismo de seu discurso tem a medida exata de sua obscuridade pessoal, é apenas o ponto além do qual sua razão não conseguiu chegar.

Compreendido esse limite, o leitor poderá fruir sem ressalvas do saudável radicalismo do aristocrata russo que abdicou de sua riqueza para “enxergar a vida de verdade, do povo simples e trabalhador, e entender que a verdadeira vida é essa”. Poderá deixar-se tomar pela perplexidade diante de seu vigoroso anarquismo, sua definição dos governos como “organizações de violência em cuja base não há nada além do brutal arbítrio”, dos exércitos como “necessários para os governos apenas para dominar o povo trabalhador”, de sua visão sobre “o ultrajante direito à propriedade da terra”. Ferinas são também suas opiniões sobre a Igreja e sobre suas liturgias tolas, sem sentido – “mistura grosseira” de superstições e enganos. E até mesmo sobre a ciência: “reunião de
conhecimentos ocasionais em nada relacionados uns com os outros, com frequência inteiramente desnecessários”, que “costumam apresentar os mais grosseiros erros, hoje expostos como verdade e amanhã refutados”.

A condição indispensável
“Verdade” é palavra com destaque em seu glossário, e buscá-la pressupõe tratar de abater todas as ilusões, recusar mistificações, livrar-se da hipnose a que todos nos vemos submetidos. À arte não cabe o papel de iludir ou encantar, de agradar imitando a beleza, e sim de comunicar entre um humano e outro “o pavor do sofrimento ou o fascínio do prazer”, expressando na obra esses sentimentos a fim de promover um contágio.

Entre criador e receptor surge um mesmo estado de espírito, elimina-se a divisão entre espectador e artista, libertam-se ambos de seu isolamento e de sua solidão, e “o objeto que provocou esse estado é uma obra de arte”. “Quanto mais forte o contágio”, alega Tolstói, “melhor é a arte como arte”.

Para o artista, então, a condição indispensável seria a sinceridade, a força com que ele experimenta aquilo que decide converter em objeto, a “necessidade interior de expressar o sentimento que transmite”. Bastaria isso, e a clareza que o autor recomenda, e a singularidade que se tornou cláusula impreterível de toda criação na modernidade, para que o artista autêntico sobrepujasse as pretensões vãs e se diferenciasse dos enganadores, possibilitando que sua obra pertencesse à arte, e não às suas falsificações. Se Tolstói silenciou seus detratores e, em detrimento de suas próprias crenças, conseguiu habitar a posteridade, foi por ter-se feito o maior exemplo de sua própria hipótese.

O Violinista e Outras Histórias
Herman Melville

Trad.: Lúcia
Seixas Brito
Arte % Letra
168 págs.
R$ 30

Os Últimos Dias
Liev Tolstói
Org.: Elena Vássina
Trad.: Anastassia Bystsenko, Belkiss, J. Rabello, Denise Regina de Sales, Graziela Schneider e NAtalia Quintero
Companhia das Letras
432 págs.
R$ 29,50

Fonte: Revista Cult

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