#NascidaEm1985 – parte 8 – “Exagerado”

Hoje a #NascidaEm1985 é de um artista nacional sensível, transgressor, um dos compositores que me inspira: Cazuza! Em 1985, ele deu o primeiro passo de sua carreira solo, após brigar com o Barão Vermelho durante a gravação de um álbum. Assim, a música “Exagerado” nasceu, em 1985, como faixa-título do primeiro álbum solo desse grande cara.

A série de documentários “Por Trás da Canção”, do Canal Bis, exibiu um episódio que fala sobre a história da composição dessa música, que contou também com a colaboração do Ezequiel Neves, empresário dele. Nessa ocasião, Leoni comentou que Cazuza pensava em fazer da música, cuja letra estava pronta, algo que lembrasse o bolero, mas o arranjador não concordou e decidiu levar para o lado do rock mesmo. E ficou incrível! Letra e melodia se complementam para levar ao público esse tom visceral e profundo do Cazuza, um grande letrista, entre meus favoritos!

Acho que essa ideia de “E por você eu largo tudo/ Vou mendigar, roubar, matar/ Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais/ Exagerado/ Jogado aos teus pés/ Eu sou mesmo exagerado/ Adoro um amor inventado” é muito leonina, cheia de drama e paixão, e também atemporal. Essa é a mágica da composição, você escrever uma obra de arte com a qual as pessoas se identifiquem, não importando a época. Isso faz de um artista o porta-voz de sua geração e também do espírito humano.

Vale a pena conferir o “Por Trás da Canção”:

Quando o artista sucumbe…

Cada vez que um de nós vai embora, eu sou arrebatada por uma sensação horrível. Talvez seja sentimentalismo demais, talvez seja a sensação de sermos todos tão parecidos que me faz compartilhar da dor de quem não suportou a hostilidade do mundo. Agora foi alguém que me fez rir com sua leveza, sensibilidade e sinceridade do olhar.

Lembro que fui com minha tia no cinema da Playarte do Lar Center (em São Paulo) logo que “Uma Babá Quase Perfeita” foi lançado. Ir ao cinema era um “evento”, minha tia comprava muitas balinhas, pipocas, íamos no McDonalds (não dava pra ir sempre, era caro pro nosso bolso), eu dormia na casa dela e a gente assistia propagandas do 1406 (os primórdios da Polishop) até pegar no sono. Talvez por isso, todo filme do Robin Williams me transportasse pra um sentimento tão puro e leve, mesmo quando o tema do filme era mais denso.

E quando um artista sucumbe à parte sombria inevitável, me questiono, sinto como se fosse alguém da família e me pergunto se o mercado e o público não são cruéis demais, cobrando demais de quem está nos holofotes. Mas logo me lembro de que minha maior cobrança, como artista, é minha mesmo. Lógica fria de mercado ou fazer algo que vem do coração? Músicas-chiclete ou com significado e profundidade? Meu projeto autoral ou covers infinitos? Algo que me toca ou seguindo a tendência do momento? Não sei, a gente nunca sabe. E talvez esse seja o buraco negro da alma do artista. A gente sempre tem um “ou” entre dois pontos opostos, dificilmente vemos um “caminho do meio”. Não sabemos o que é “mais ou menos”. Ou são seis dias por semana de ballet clássico ou não dá. São cinco bandas simultâneas ou nenhuma. Apolo ou Dionísio. Trinta shows por mês ou só cantoria entre amigos. Quarenta alunos de música ou nenhum. Trinta músicas compostas em uma semana ou bloqueio criativo. Somos dos extremos, somos inflamados… e extraímos daí muita matéria-prima para nossa arte.

Ser “extremo” é perigoso… o que é extremo está “six feet from the edge”. Quanto mais nos distanciamos do centro, do “caminho do meio”, mais estamos próximos à obscuridade dos cantos da introspecção, indecisão, falta de perspectiva e depressão, ou da euforia desenfreada, a bipolaridade. E minha terapeuta me disse algo que me tocou demais, há alguns anos, e mudou minha cabeça: muitos de nós, artistas, achamos que precisamos da dor pra criar. Quantas vezes ouviu um poeta ou compositor dizer que só consegue escrever quando está na fossa? (Vide Adele e seu “corta-pulsos” álbum “21) É necessário fazer força para quebrar o ciclo vicioso da criação artística que vem da dor e produzir também em momentos de alegria. Depois de muita insistência e obras iniciais bem ruins, consegui começar a compor também falando sobre coisas positivas. Mas é um exercício diário. Se não vigio meus pensamentos, lá estou eu… cultivando a angústia, inquietação ou frustrações.

Para agravar esse nosso extremismo, vivemos num mundo completamente louco, onde a sensibilidade artística é banalizada e endeusamento da frivolidade dos artistas de um sucesso só, que se promovem por seus atributos físicos e talentos questionáveis. Sociedade superficial… melhor parar por aqui, porque vai ladeira abaixo. Mas, captou o cenário?

O combustível da arte não precisa ser a tragédia… um dia a gente aprende. Ou não…

Simplesmente, a sociedade não pode julgar as pessoas, artistas ou não, por não conseguirem suportar mais viver. Esse tipo de situação é só mais um sintoma da epidemia de “desumanização”…

Nunca passou pela minha cabeça desistir, mas a persistência existe graças a muita fé, amor da família e amigos e uma incurável esperança, que oscila mas não morre. O budismo diz que a revolução da humanidade começa com o levantar de uma só pessoa e que a arte e a cultura são importantes condutores da onda de mudança que começa em âmbito individual. Eu acredito!

E cada artista que vai embora, torna-se exemplo e traz uma reflexão importante (que acaba rápido, mas é válida). Obrigada aos artistas que se foram, mas deixaram esse legado. Obrigada aos colegas artistas que não sucumbiram e continuam tentando na Terra mesmo.

Thank you for everything, Mrs. Doubtfire…

Sugestão de leitura: “O nascimento da tragédia”, de Nietzsche.

Funarte lança edital do Prêmio de Música Brasileira

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) lançou edital para o Prêmio Funarte de Música Brasileira, com abrangência nacional.

Pessoas físicas (produtores e artistas) ou jurídicas (instituições privadas, com ou sem fins lucrativos, de natureza artística e/ou cultural) poderão participar, inscrevendo-se até o dia 4 de outubro.

Serão selecionados projetos de composição, arranjos, shows, discos, vídeos, sites, publicações, pesquisas, seminários, debates e cursos, entre outras ações. As propostas podem ser relacionadas à criação, produção, distribuição e circulação de música.

O programa terá R$ 3,397 milhões disponibilizados pelo Fundo Nacional de Cultura. Os prêmios serão de R$ 30 mil a R$ 200 mil.

Clique aqui para mais informações.

*Com informações do site da Funarte

Fonte: Cultura e Mercado

Abertas as inscrições para a Bolsa Iberê Camargo 2011

Um dos maiores programas de incentivo a artistas brasileiros estudarem e vivenciarem a cultura artística de outros países, a Bolsa Iberê Camargo em homenagem a Luiz Aranha está com as inscrições abertas para a edição de 2011.

Desta vez, o programa irá levar artistas para Soma, na Cidade do México, e para a Universidad Torcuato Di Tella, em Buenos Aires.

A bolsa proporciona aos artistas passagem, auxílio-estadia e taxas de inscrição na instituição de ensino.

Os projetos inscritos deverão ser pensados voltados para a instituição escolhida para estudar. Além disso, como nas últimas edições, serão selecionados dez artistas que receberão destaque na Revista Digital do site da Fundação Iberê Camargo e um artista que participará do Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura, na sede da instituição em Porto Alegre.

Podem se inscrever artistas que tenham pelo menos quatro anos de produção sistemática em arte e participação comprovada em, no mínimo, três exposições individuais e/ou coletivas.

As inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo site www.iberecamargo.org.br até o dia 16 de outubro de 2011. Os dois trabalhos selecionados serão divulgados no dia 31 do mesmo mês.

Fonte: Cultura e Mercado

Bolsa-Artista para iniciantes

Jovens talentos das artes poderão receber apoio financeiro do governo em sua formação. É o que propõe o Projeto de Lei do Senado 404/2011, do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que institui o Bolsa-Artista. O objetivo conforme a proposta que será examinada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) é proporcionar o aprimoramento de artistas amadores e profissionais em diversas áreas de atuação, que se encontram em fase inicial de suas carreiras.

Inspirado na Bolsa-Atleta, a Bolsa-Artista pretende ser um mecanismo de apoio e incentivo a artistas iniciantes, “mas com potencial já evidenciado em seus campos de atuação”.

Ao justificar a proposta, Inácio Arruda argumenta que apesar do desenvolvimento de políticas públicas de incentivo e fomento à cultura, principalmente por meio dos mecanismos de renúncia fiscal, os projetos financiados envolvem, na maioria das vezes, artistas consagrados, não oferecendo oportunidades “para os que dão os primeiros passos no mundo das artes”.

“Pretendemos, dessa forma, criar condições para que se desenvolvam talentos em diversas áreas que, muitas vezes identificados na infância ou adolescência, não encontram oportunidade de se desenvolver e se integrar ao cenário artístico e cultural do país”, justifica.

No projeto, o parlamentar estabelece os seguintes requisitos para que o artista possa receber o benefício:

1 – Ter idade mínima de 12 anos na data da apresentação da candidatura;
2 – Estar regularmente matriculado em instituição de ensino pública ou privada se for menor de 18 anos, salvo se já houver concluído o ensino médio.
3 – Não ser beneficiário de nenhuma outra iniciativa governamental que envolva a concessão de benefício financeiro associado à formação e à produção artística, cultural ou esportiva;
4 – Encaminhar, no ato da inscrição, plano anual de formação ou aprimoramento no campo artístico e cultural em que atuar, contendo currículo, detalhamento das atividades a serem realizadas e dos objetivos e metas a alcançar, acompanhado de documentos e imagens considerados relevantes para a compreensão da trajetória.

Seleção – Conforme a proposta, a bolsa será concedida por um período de um ano, dividida em doze parcelas, com despesas por conta do Ministério da Cultura.

As inscrições para a obtenção da Bolsa-Artista ocorrerão anualmente, mediante publicação em edital, conforme prazos, critérios e procedimentos a serem definidos em regulamento. Também será fixado pelo regulamento o valor da bolsa a que terão direito os artistas selecionados.

A seleção dos artistas ficará a cargo de uma comissão que contará com a participação de representantes do governo federal e de entidades vinculadas à comunidade artística nacional.

Conforme o projeto, a Bolsa-Artista será regida pelos seguintes princípios: valorização da diversidade de estilos, gêneros e linguagens artísticas; ênfase no pluralismo de ideias e na preservação da diversidade cultural brasileira; prioridade para o desenvolvimento das habilidades dos artistas, e não para projetos culturais específicos; igualdade de tratamento entre as manifestações culturais eruditas e populares.

*Com informações da Agência Senado

Fonte: Cultura e Mercado

MinC abre inscrições para Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural

O Ministério da Cultura publicou nesta sexta-feira  (8/7) o o processo seletivo 2011 do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, no valor de R$ 3,3 milhões, para viagens que ocorram de outubro deste ano a março de 2012.

O valor total a ser investido no programa é de R$ 6,6 milhões, quase o triplo do aplicado no ano passado (R$ 2,3 milhões), quando foram beneficiadas 767 pessoas.

As inscrições para viagens que ocorram em outubro devem ser feitas até 25 de agosto, já as para a última fase deste edital (março), se encerram em 24 de outubro.

Com recursos do Fundo Nacional da Cultura (FNC), o Programa consiste na concessão de auxílio financeiro para o custeio de despesas relativas à participação de artistas, técnicos, agentes culturais e estudiosos em atividades culturais, promovidas por instituições brasileiras ou estrangeiras.

Os participantes devem ter uma das seguintes finalidades: apresentação de trabalho próprio; residência artística e de gestão; cursos de capacitação; ou participação em evento de reconhecimento ao trabalho próprio desenvolvido, como premiações e homenagens.

“É uma ação imprescindível para o desenvolvimento do setor cultural brasileiro porque promove a possibilidade de vivências dos nossos artistas no Brasil e no exterior. Com a ampliação dos recursos, fortalecemos ainda mais o Programa”, destacou o Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), Henilton Menezes.

Novidades – Se antes o proponente recebia o auxílio exclusivamente para custear despesas com o transporte pessoal, agora o benefício fica livre para ser utilizado conforme as necessidades, podendo ser usado para transporte de material, cenários ou equipamentos; estadia; inscrição; e confecção de material para a atividade a ser realizada no evento, entre outras despesas.

Outra mudança é que a partir deste ano o edital se divide em quatro eixos: “Artes”, “Diversidade Cultural”, “Formação e Capacitação” e “Economia Criativa”, cada um com características específicas e cotas estabelecidas. O eixo “Artes” abrange iniciativas que resultam da criatividade de indivíduos e grupos, e que possuem conteúdo artístico. Atende artistas, produtores, diretores, dramaturgos, compositores, roteiristas, técnicos, estudiosos e grupos artísticos das áreas de teatro, dança, circo, artes visuais, literatura, música e áreas afins.O audiovisual, incluído neste eixo, foi um avanço do edital, já que o anterior não contemplava o segmento.

Iniciativas que promovam a valorização e difusão da diversidade cultural brasileira, levando-se em conta os recortes de etnia, da raça, do gênero, da idade, da religiosidade, da ancestralidade, da orientação sexual, da territorialidade e de atividades laborais se encaixam no eixo “Diversidade Cultural”, que atende, entre outros segmentos, grupos e comunidades populares, mestre e ofícios da cultura e movimentos sociais, como movimento negro, LGBT e pessoas com deficiência.

Já o eixo “Formação e Capacitação” abrange iniciativas e ações que promovam a formação, a capacitação, o fortalecimento de políticas públicas e o desenvolvimento social e comunitário na área da cultura, seja por meio de cursos de curta duração, residências, seminários, pesquisas, oficinas, palestras ou exposições de trabalhos científicos. Atende agentes culturais, pesquisadores, técnicos, profissionais, estudantes e gestores da área artística e cultural.

O último eixo, “Economia Criativa”, contempla iniciativas que promovam empreendimentos culturais, fortalecimento e capacitação dos empreendedores culturais dos setores criativos, inovação na economia criativa, desenvolvimento regional, difusão e circulação de bens e serviços criativos culturais e produção de conceitos e conteúdo de economia criativa, entre outros, atendendo agentes culturais, empreendedores, design, serviços criativos e produção de games.

O edital completo encontra-se no site do Ministério da Cultura.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do MinC

Fonte: Cultura e Mercado

Seleção de artistas para Theatro Municipal de São Paulo

Pessoal, o Theatro Municipal de São Paulo está pronto, após longo tempo de reformas. Então, no segundo semestre começará a temporada 2011 de óperas.

Para a realização da temporada, o Theatro está recebendo inscrições de bailarinos, atores, acrobatas e artistas circenses interessados em fazer figuração nas óperas. Os artitas selecionados pelos diretores serão chamados para testes.

Os interessados devem enviar e-mail com currículo e foto para: producaotm@yahoo.com.br
O material também pode ser entregue na portaria do Theatro Municipal de São Paulo ou enviado por correio (Praça Ramos de Azevedo, s/n – Centro – Cep: 01037-010 São Paulo – SP), aos cuidados de  Júnia Busch – Produção Executiva.

Rio de Janeiro recebe projetos para Circuito Estadual das Artes

Estão abertas, até 27 de junho, as inscrições de projetos para a 4ª edição do Circuito Estadual das Artes, programa da Superintendência de Artes da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Os espetáculos e as oficinas que forem selecionados deverão ser realizados entre setembro de 2011 e fevereiro de 2012.

Nessa edição, além de promover a circulação de espetáculos não-inéditos por três municípios em três regiões diferentes, uma nova ação proporcionará intercâmbio com companhias locais e oficinas para a comunidade: a Formação e Capacitação Técnica de Profissionais de Artes Cênicas.

A programação de espetáculos da edição anterior do Circuito atendeu a mais de 50% dos municípios do estado. Isso ocorreu graças a uma comunicação efetiva e direta entre produtores e municípios. Pensando nisso, para a edição 2011 do Circuito mais uma vez o Portal da Secretaria de Estado de Cultura disponibilizará um canal de comunicação entre os representantes municipais e os produtores e interessados em participar das inscrições de projetos. Assim, os representantes dos 92 municípios poderão comunicar aos produtores o interesse em receber os espetáculos em sua cidade.

Clique aqui para acessar o edital.

Fonte: Cultura e Mercado

Inscrições para Proac/ICMS vão até dia 6 de junho

Vão até 6 de junho as inscrições para novos projetos e proponentes interessados em obter patrocínio para projetos culturais por renúncia fiscal, por meio do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo.

Neste ano, o Governo de São Paulo estabeleceu o limite de R$ 60 milhões para captação dos proponentes junto às empresas, que deduzem o valor investido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O ProAC ICMS é um mecanismo pelo qual o Estado delega competência para a sociedade civil escolher onde investir parte do imposto gerado. Por meio dele, o contribuinte apoia financeiramente projetos credenciados pela Secretaria de Estado da Cultura. Quem participar do programa poderá aproveitar-se de benefício fiscal, creditando-se do valor destinado ao patrocínio. Trata-se de uma oportunidade de patrocinar ações na área da Cultura, gerando publicidade favorável à imagem institucional das empresas, sem ônus direto, pois o patrocínio é realizado por meio de renúncia fiscal. O valor patrocinado entra como crédito de ICMS na apuração do contribuinte.

Além da renúncia fiscal, o Governo do Estado oferece outra forma de incentivo à produção cultural, por meio da realização de mais de 25 editais para as mais diferentes áreas, como dança, teatro, cinema, circo entre outras.

*Com informações do site da Secretaria de Estado da Cultura

Fonte: Cultura e Mercado

Artista e empresário, muito prazer!

por Karine Ruy

Artista, empreendedor, empresário. A tríplice de atribuições até pouco tempo inimaginável no cotidiano dos realizadores culturais ganhou destaque na abertura do  seminário “A Sociedade em Rede e o Teatro”, realizado na última sexta-feira no Santander Cultural, em Porto Alegre. No lançamento do projeto Vivo Encena na Capital gaúcha, representantes do teatro e de outros setores artísticos refletiram sobre uma questão essencial para o cenário da produção cultural no Brasil: afinal, negócios culturais sustentáveis são possíveis?

A pergunta lançada na palestra de Leonardo Brant é daquelas que provocam o exercício da reflexão e da desconstrução.  A complexidade do tema, historicamente problemático no Brasil, certamente não permitiria a elaboração de respostas simplistas, ao estilo manjado dos manuais que pipocam nas prateleiras das livrarias. Mas também não se trata de uma equação impossível de ser resolvida. Na avaliação do pesquisador, a classe artística precisa se despir de alguns preconceitos e se dispor a encarar a produção cultural também como um negócio.

É essa perspectiva que permite, por exemplo, a implementação de planejamento estratégico, essencial para o sucesso de qualquer projeto que envolva investimento financeiro e relacionamento com o público consumidor. Com adaptações, claro. Um grupo teatral não precisa copiar os modelos administrativos clássicos, entretanto pode encontrar em conceitos e processos gerenciais já testados inspiração válida para atender as especificidades do seu negócio.

O estudo e o debate da economia da cultura são recentes no Brasil, e é provável que resulte dessa áurea de novidade a inquietação – e as dúvidas – dos realizadores diante do assunto. Ao mesmo tempo, as cifras movimentadas pelo setor mostram que é preciso se aventurar em outras esferas do conhecimento e alimentar o empreendedorismo para se inserir qualitativamente no circuito de produção e circulação de bens culturais.  “O mercado cultural é o que mais cresce no mundo hoje”, destacou Brant, chamando a atenção para as possibilidades abertas aos profissionais da cultura.

Nesse cenário, a dica do pesquisador é tirar o melhor proveito possível da sociedade em rede. O termo que intitula o livro lançado nos anos 1990 pelo espanhol Manuel Castells vem sendo amplamente utilizado para definir o novo modelo de relação social. A difusão de diversas ferramentas de comunicação móveis aliada ao surgimento de redes sociais virtuais permite que o indivíduo construa relações não mais limitadas ao seu contexto geográfico.

As redes virtuais parecem ilimitadas e variam de acordo com o interesse de cada um. Ao mesmo tempo, o indivíduo tem a chance de experimentar o papel de mídia. “Hoje os códigos culturais estão mais democráticos e ao alcance de mais pessoas”, explica Leonardo Brant. Nas redes, seja Facebook, Youtube ou Twitter, todos podem falar, criar e, às vezes por sorte, outras por talento, serem vistos.

Aos que olham com alguma desconfiança para o circuito virtual, Brant lembra que uma  rede não se faz apenas com ferramentas tecnológicas. Colegas de profissão e pessoas com interesses semelhantes podem se tornar colaboradores, dividir projetos e tornar uma produção cultural mais sustentável.  E, caro produtor,  não se preocupe com um grande número de peças estreando na sua cidade e muito menos inveje a popularidade de outros grupos. É quem está na fila para ver a peça do colega que logo irá comprar ingresso para conhecer o seu trabalho.

Fonte: Cultura e Mercado

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