A arte em todas as coisas

por Mariana Paes

Acredito piamente que a arte é a melhor, mais eficiente e primitiva forma de comunicação.

Por meio da arte, o inconsciente coletivo aflora! Tudo que ferve dentro das nossas mentes e nossos corações transborda em forma de lágrimas, saltos, giros, acordes, harmonias, vocalizações, arpejos, caretas, suspiros, mímicas, olhares, cores, formas…

Todos os dias nos expressamos artisticamente! De manhã, instintivamente, escolhemos cores intimamente ligadas ao nosso estado de espírito e à imagem que queremos que as pessoas tenham de nós naquele determinado dia. Corremos para fugir da chuva e saltamos poças de água, algo semelhante à execução de vários Chásses seguidos de um Saut de Cheval ao som de
uma frenética canção, como aquelas dos filmes de Chaplin.

As gotas d’água emitem diversos sons, que variam de acordo com as superfícies que tocam! Uma sinfonia… um “x x x x x x x x x x x x x x x x x x” formado de vários tons, vários sons… o som da natureza em contato com os feitos do homem na superfície.

Pessoas se encaixam umas nas outras para conseguir entrar nos vagões dos ônibus e metros, formando esculturas humanas. Algo desumano como o aperto do transporte coletivo mostra quão humana é a disputa de vários seres por um mesmo espaço.

Em todas essas situações, estamos nos comunicando (direta ou indiretamente) com o mundo ao nosso redor! Assim, em tudo há arte! Tudo que fazemos . Ver arte em tudo é entender o toque divino em cada passo que damos, em cada paisagem, som, luz, cor, forma e movimento!

Viver é entender a arte que compõe todas as coisas, boas e ruins!

Funarte anuncia destinação de R$ 161 milhões para as artes

A Fundação Nacional das Artes (Funarte) anunciou a destinação de R$ 161,7 milhões para projetos nas áreas de circo, dança e teatro, artes visuais, música e artes integradas, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (2/8). Segundo o presidente da Funarte, Antonio Grassi, o orçamento é 60% maior em relação ao ano passado.

Entre as ações estão prêmios, concessão de bolsas, cursos de capacitação artística e técnica e programas internacionais. Compareceram ao lançamento do Programa de Fomento às Artes a ministra da Cultura, Ana de Hollanda; o diretor Domingos de Oliveira; as atrizes Maria Pompeu e Aracy Cardoso; e o deputado federal, Antônio Roberto Soares (PV/MG), que integra a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Do total de recursos, cerca de R$ 9,4 milhões serão destinados às ações internacionais. Um dos destaques é a realização do Ano Brasil Portugal, que começa no dia 7 de setembro e termina em 10 de junho de 2013.

Nos próximos dias, segundo Grassi, será lançada a página na internet que receberá inscrições de projetos. O Brasil também será representado, na Bienal de Arquitetura de Veneza, em agosto, com uma exposição da obra de Lucio Costa.

Para o circo, dança e teatro, serão destinados R$ 43,6 milhões. O Prêmio Myriam Muniz – uma das principais ações de estímulo à produção teatral no país – receberá R$ 12 milhões. Também serão lançadas novas edições do Prêmio Klauss Vianna de Dança e do Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo, cada um com investimento de R$ 6 milhões.

A mostra A Gosto de Nelson, em cartaz até 31 de agosto, nos Teatros Dulcina e Glauce Rocha, no Rio, é outro destaque. Em comemoração ao centenário de nascimento do dramaturgo, grupos de onze estados brasileiros encenam as 17 peças de autoria do dramaturgo. Também está previsto o mapeamento da dança e do circo, que permitirá não só conhecer a realidade de cada área, mas adequar essa realidade às políticas e ações propostas para esses setores.

Para a área da música serão repassados R$ 18,8 milhões. Os recursos serão aplicados em painéis, prêmios, concessão de bolsas, além do apoio a festivais, feiras e bandas. Entre as novidades estão o Prêmio Funarte de Música Brasileira e o Prêmio Funarte de Circulação de Música Erudita, que serão lançados em breve.

As artes visuais terão R$12,5 milhões para o lançamento de editais como Rede Nacional de Artes Visuais, Prêmio Marcantonio Vilaça e Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, além de oficinas, bolsas e ocupação das galerias da Funarte em cinco capitais.

Para as artes integradas serão destinados R$ 33,8 milhões para preservação e difusão do acervo, publicação de livros e concessão de bolsas. Realizadas pela Funarte, em conjunto com a Fundação Biblioteca Nacional, as Bolsas de Criação e de Circulação Literária tiveram o prazo de inscrições, que terminaria no dia 2 de agosto, prorrogado por mais uma semana, segundo Grassi. O Programa Mais Cultura – Microprojetos Rio São Francisco, que conta com orçamento de R$ 16 milhões, contemplou 1050 projetos, a serem executados.

O presidente da Funarte destacou, ainda, a restauração e reequipamento do Teatro Brasileiro de Comédia – TBC, em São Paulo, com término previsto para 2013, e da Aldeia de Arcozelo, em Paty do Alferes (RJ).

*Com informações do site da Funarte

Fonte: Cultura e Mercado

A capela mais antiga da cidade

Por Benedito Lima de Toledo*

A capela de São Miguel Paulista ostenta na verga de sua porta principal a inscrição: “Aos 18 de Julho de 1622 – S. Miguel”.

Com seus respeitáveis 390 anos de vida, essa capela conta em seu interior com “uma das primeiras e mais autênticas expressões de arte brasileira”, segundo Lúcio Costa. Por sua importância, foi o primeiro bem cultural em todo país a merecer, em 1938, o tombamento pelo SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), seguido posteriormente pelo CONDEPHAAT (1974) e pelo CONPRESP (1991).

São Miguel e Itaquaquecetuba eram alguns portos que foram se consolidando ao longo do Rio Tietê. A navegação fluvial constituía um essencial meio de comunicação. A partir do Porto Geral, situado junto ao Pátio do Colégio, os padres da Companhia atingiram regiões distantes, onde estabeleciam núcleos de catequização.

“A canoa foi o veículo do colonizador”, observa Leonardo Arroyo. Anchieta na sua Informação do Brasil e de suas capitanias (1584) cita que “a técnica e utilização de canoas feitas rapidamente, em poucos minutos, com a simples extração da casca de árvores e, em seguida, por meio do fogo, ajustando as pontas da casca (…), não poucos problemas eram resolvidos a contento”.

Anchieta, em toda sua existência, revelou-se incansável andarilho. Aprendeu a fabricar alpercatas, indispensáveis em terra onde não resistiam os sapatos “de coiro”, como se recorda, e foi o responsável pela abertura de um caminho pioneiro entre Cubatão e São Paulo que ficou conhecido como Caminho do Padre José.

Há referências à Aldeia de São Miguel de Ururaí em 1560, onde teria surgido uma capela de São Miguel Arcanjo erigida sob a orientação do padre José de Anchieta.

Sérgio Buarque de Holanda em Capelas Antigas de São Paulo pondera: “Nada indica que a igreja hoje existente na localidade seja a mesma que se ergueu na segunda metade do século 16. Sabe-se que pouco depois do ano de 1620 mudaram-se para ali, em grande número, índios de Itaquaquecetuba. O padre Francisco Morais (…) encontrou essa mudança efetuada quando veio de volta para São Paulo em 1624. Assim a transferência se fez entre 1620 e 1624. Nessa ocasião teria sido construída a capela hoje existente. O que condiz com a inscrição que ainda se lê gravada no batente superior da porta principal: “Aos 18 de Julho de 1622 – S. Miguel”.

São Paulo deve a construção da igreja hoje existente ao padre José Álvares, realizada com recursos fornecidos por Fernando Munhoz, conforme consta em seu testamento.

Após a expulsão dos jesuítas (1759) a aldeia passou à jurisdição dos frades franciscanos. A essa época, o Superior da aldeia (1781) era o célebre botânico frei José Mariano da Conceição Veloso, autor da obra Quinografia Portuguesa (1799).

A capela edificada em taipa de pilão, técnica muito difundida em São Paulo e notabilizada por sua solidez, contava com pé direito de quatro metros. Resolveu-se, então, realizar um alteamento da nave, passando esta a seis metros. Teria sido operação complexa. Foram introduzidos pilares adoçados às paredes laterais e a técnica utilizada nessa complementação foi o adobe (tijolos secos ao sol).

Nessa ocasião, uma capela foi edificada na lateral direita (1780) e o interior ganhou altares colaterais e pinturas. Os franciscanos mantinham contíguo à nave o chamado hospício destinado a acolher viajantes por dois ou três dias, “tendo para todos no dito hospício suficiente cômodo, assim de celas como refeitório, e mais oficinas”. O acesso se fazia diretamente pelo alpendre frontal. Atualmente o hospício cedeu lugar a um corredor lateral gradeado.

O alpendre, tão característico da arquitetura bandeirista, dos séculos 16 e 17, domina a composição e marca a imagem do monumento.

No momento, o interior de São Miguel está recebendo um cuidadoso trabalho de restauração. As pinturas em suas diversas modalidades de suporte ganham nova vida, dando coerência ao conjunto e estão sendo objeto de pesquisa por especialistas.

A capela de São Miguel foi implantada em um terreno elevado, cerca de 15 metros acima da cota do Rio Tietê e dele distante cerca de 500 metros. Em sua fase de uso regular, o porto contava com um renque de palmeiras imperiais assinalando o local de ancoragem. Essa relação do porto fluvial com a capela foi sendo, ao longo do tempo, seriamente prejudicada pela interposição de construções sem maior interesse.

Dada a relevância do monumento e sua posição na história das comunicações fluviais em São Paulo, impõe-se o restabelecimento desse quadro de relações que compõem o sítio original. “Um monumento não pode ser desvinculado de seu quadro natural” (UNESCO).

Carregado com os méritos apontados por Lúcio Costa, esse precioso acervo está a merecer a devida consideração.

* O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Bibliografia consultada
ARROYO, Leonardo. Introdução. In: ANCHIETA, José de. Informação do Brasil e de suas capitanias (1584). São Paulo: Ed. Obelisco, 1964.
BOMTEMPI, Sylvio. O bairro de São Miguel Paulista. São Paulo: Prefeitura Municipal/Dep. de Cultura, 1970.
COSTA, Lúcio. A arquitetura dos jesuítas no Brasil. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n.5, 1941. p. 9-100.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Capelas antigas de São Paulo. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n.5, 1941. p. 105-20.
PETRONE, Pasquale. Aldeamentos paulistas. São Paulo: Edusp, 1995

Fonte: O Estado de S. Paulo

Biografia mais completa sobre Frida Kahlo chega ao Brasil com 30 anos de atraso

por Estela Cotes

Uma das imagens que ilustram o livro

A imagem de Frida Kahlo percorre o imaginário mundial depois de tantas reproduções de seus retratos, quase como um Che Guevara do México. Material não falta para remontar sua trágica história pessoal, além  das obras em tela. No Brasil, no entanto, não existia ainda o que chamam de “biografia definitiva” da artista mexicana, lançada oficialmente em 1983. “Frida – A Biografia” (Ed. Globo, 624 págs., R$ 64,90), da norte-americana Hayden Herrera chegou finalmente por aqui no final de outubro.

A diferença deste livro para as inúmeras opções na prateleira é a pesquisa. A escritora teve acesso ao diário de Frida e às cartas redigidas na infância. Entrevistou mais de cem pessoas, como Alejandro Gómez, o primeiro namorado, e Isamu Noguchi, escultor japonês e amante da pintora.

A personalidade forte, a inquietação mesmo diante da fragilidade física e os inúmeros romances. Nada escapa neste profundo mergulho na vida da artista, como o dia em que Noguchi fugiu da casa da mexicana antes de ser pego por Diego Rivera.

Hayden Herrera como historiadora de arte também interpreta e analisa a obra de Frida. A autora salienta a forte identificação das pessoas com o trabalho da pintora através do sofrimento. Para a norte-americana, todo mundo se interessa pelas aflições alheias. E deste assunto Frida Kahlo entendeu bem. Tragédia não faltou na sua vida: a perda do útero em um acidente de ônibus e as inúmeras traições de Diego Rivera são apenas dois exemplos.

Momentos polêmicos que se tornaram mito no México também são desvendados neste livro. Herrera investiga inclusive o mito de que Frida teria participado do espancamento de uma jovem lésbica que havia se interessado por ela, além de trazer detalhes sobre o romance com Leon Trotsky. “Frida – A Biografia” não traz novidades em imagens, as fotos escolhidas no livro já foram vistas em outras publicações. Seu texto balizou as filmagens de Julie Taymor para o longa estrelado por Salma Hayek e é sem dúvida a obra mais completa sobre a artista. Pelo menos até agora.

Fonte: Colherada Cultural

Miró, Picasso e Sorolla não sabem o que é crise financeira

por EFE

Concha Carrón. Madri, 26 jun (EFE).- A tela “Estrela Azul”, de Juan Miró, acaba de ser leiloada em Londres por US$ 37 milhões, cifra que chama ainda mais atenção pelo atual contexto econômico, no qual obras de outros artistas alcançaram números que confirmam que a arte, se for boa, não entende de crise, principalmente quando os investidores buscam ativos que fogem dos papéis do governo ou de ações de empresas que enfrentarão crises por um longo tempo.

O caso de Miró não é isolado, como mostra o leilão de arte impressionista e moderna realizado há alguns dias na casa Christie’s de Londres, na qual o óleo “Mulher Sentada”, de Pablo Picasso, foi cotada em 10,6 milhões de euros (US$ 13,4 milhões), muito acima do preço estimado.

“Estrela Azul” foi leiloado na terça-feira, dia 19 de junho, na londrina Sotheby’s, em um leilão no qual atingiu preço recorde para uma obra do pintor catalão. Descrito pelo próprio Miró como um “ponto-chave” em sua trajetória artística, o quadro incorpora símbolos e elementos surrealistas que o artista repetiria em suas obras e a característica cor azul que influenciaria, além disso, pintores como o letão Mark Rothko e o francês Yves Klein.

Mas esses não são os únicos exemplos de arte como refúgio seguro na crise, como prova a venda, há apenas dois meses, de “O Grito”, do norueguês Edvard Munch – um dos maiores ícones da história da arte – como a obra de arte contemporânea mais cara de um leilão, ao chegar aos 95 milhões de euros (US$ 120 milhões) durante um leilão na Sotheby’s de Nova York.

Munch bateu assim o recorde de um leilão de arte contemporânea arrematado em 2010 por “Nu, Folhas Verdes e Busto”, na qual Picasso retratava a sua amante Marie-Thérèse Walter, vendido por 83 milhões de euros (US$ 106,5 milhões). No mesmo leilão de “Estrela Azul”, o quadro “Homem Sentado”, de Pablo Picasso, foi vendido por 7,6 milhões de euros (US$ 9,6 milhões), o que confirma que as obras do malaguenho estão entre as mais valorizadas da pintura espanhola.

Assim, a representação de outra das musas e amantes de Picasso, Dora Maar, em “Mulher Sentada em uma Poltrona”, alcançou recentemente em Nova York os 22,8 milhões de euros (US$ 29,2 milhões). Mas o florescimento da arte espanhola não atinge apenas os artistas mortos, encontra seu reflexo entre os pintores vivos, como Miquel Barceló e Antonio López, dois dos mais cotados artistas espanhóis.

Há apenas um ano, em junho de 2011, a obra sobre touradas de Miquel Barceló “Faena de Muleta” era vendida na galeria londrina Christie’s por 4,42 milhões de euros (US$ 5,6 milhões). Barceló batia assim o recorde anterior em uma venda em leilão de um artista vivo espanhol, Antonio López, cuja obra “Madri Desde Torres Brancas”, pintada entre 1976 e 1982, recebeu em 2007 o lance de 1,74 milhão de euros (US$ 2,2 milhões) na mesma galeria.

Entre os pintores nacionais mais cotados fora das fronteiras espanholas está Juan Gris (1887-1927), com a venda de obras como “Violon et guitare”, por 20,1 milhões de euros (US$ 25,5 milhões) em Nova York, há um ano e meio. Mas indubitavelmente um dos mais conhecidos é o “pintor da luz”, o valenciano Joaquín Sorolla, do quem acabam de leiloar “Pescadores. Barcas Varadas” e “Pescador de Bagatelas” por 1,15 milhão de euros (US$ 1,4 milhão) e mais de 595 mil euros (US$ 744 mil), respectivamente.

Os compradores de ambas as obras-primas, colecionadores particulares dos Estados Unidos e da Ásia, adquiriram telas pintadas no período de maturidade do autor, entre 1908 e 1910, quando retornou a Valência após ter atingido sucesso internacional. Outros quadros do mestre valenciano, como “O Pescador”, também alcançaram, com 3,9 milhões de euros (US$ 4,9 milhões), preços de venda acima do máximo estimado, da mesma forma que “Crianças na Praia”, leiloado por 2,3 milhões de euros (US$ 3 milhões).

No entanto, nem todos os momentos são bons para a arte, como aconteceu em junho de 2010 com o leilão de dois quadros de Sorolla, “O Batismo”, de costumes, e a paisagem “Dia de Tempestade”. Ambos foram vendidos em Londres pelo preço mínimo estimado pela Sotheby’s, 800 mil euros (US$ 1 milhão) e 180 mil euros (mais de US$ 227 mil), respectivamente, em um leilão dedicado à pintura europeia, que teve resultado decepcionante para a coleção espanhola. EFE

Fonte: IG

A tecnologia da arte e a arte da tecnologia

por Mariana Paes

Desde novembro de 2011, estou trabalhando com a comunicação de algumas empresas de TI, algumas delas focadas no mercado do entretenimento. Venho tendo oportunidades incríveis de estar em contato com profissionais que trabalham nessa indústria há anos e estão em constante processo de estudo e treinamento, para conseguirem acompanhar todos os avanços das últimas duas décadas.

Pesquisando dados para um release sobre áudio dos grandes filmes, encontrei uma referência à Steven Spielberg, que afirma que o áudio é o maior feito do cinema contemporâneo. O cara tem conhecimento de causa… seus filmes sempre levam às telas novidades produzidas por meio de alta tecnologias, com efeitos sonoros de tirar o fôlego.

Tive a imensa sorte de ir a um renomado estúdio onde o áudio das maiores produções audiovisuais do Brasil é trabalhado. São inúmeras pessoas, inúmeros botões, softwares, terabytes de dados, fuxos de trabalho complexos e talento! A conversa com um especiaista em equipamentos para áudio profissional despertou algo diferente em mim quanto ao trabalho do pessoal de som para filmes: o ofício não é algo técnico, é uma arte!

Compreender o espírito de cada cena para trabahar o áudio de forma a transportar o espectador para a história é algo que demanda extrema sensibilidade. Saber a intensidade que cada som deve ter, limpar o áudio de cenas externas, dar dinãmica e ritmo à narrativa, criar suspense, despertar sensações…

E o Brasil tem profissionais que fazem parte de um seleto grupo de renomados engenheiros e técnicos de áudio que trabalham no setor audiovisual, mesmo com a ainda embrionária profissionalização do setor. Felizmente, algumas poucas empresas do setor estão se mobilizando para trazer especiaistas ao Brasil para atualizar nossos profissionais quanto ao uso eficiente e pleno das ferramentas tecnológicas disponíveis.

Nas minhas próximas visitas ao cinema, certamente meus ouvidos começarão a perceber os sons de maneira diferente.

Senado aprova seguro-desemprego para artistas e músicos

por Márcio Falcão

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou nesta quarta-feira (21) projeto de lei que prevê a concessão de seguro-desemprego para artistas, músicos e técnicos em espetáculos de diversão.

Pela proposta, a categoria terá direito ao benefício no valor de um salário mínimo por até quatro meses. A medida deve beneficiar cerca de 65 mil trabalhadores.

O projeto foi analisado em decisão terminativa na comissão. Se não receber recurso para ser analisado em plenário em cinco dias, segue para tramitação no Câmara.

Quem quiser requisitar o auxílio terá de comprovar que trabalhou em atividades da área por, pelo menos, 60 dias nos 12 meses anteriores à data do pedido do benefício e que não está recebendo outro benefício previdenciário de prestação continuada ou auxílio-desemprego.

Outra exigência é que tenha efetuado os recolhimentos previdenciários relativos ao período de trabalho e que não tenha renda de qualquer natureza.

Segundo a relatora da proposta, senadora Ana Amélia (PP-RS), a categoria é sujeita a desemprego permanente, da ordem de 80 a 85%. Ela destacou ainda que as relações de trabalho nessas áreas geralmente são informais e de curta duração.

Na avaliação da senadora, apesar da imagem glamurizada, esses profissionais “se encontram em situação de grande vulnerabilidade social”.

Fonte: Folha de S. Paulo

“Arte não é só para milionário”, diz organizadora da feira PARTE

Começa nesta sexta-feira (18), em São Paulo, a primeira edição da feira de arte contemporânea PARTE. O intuito de suas organizadoras, a artista plástica Lina Wurzmann e a advogada Tamara Brandt Perlman, é mostrar que o consumo de obras de arte não se reduz a uma elite econômica. Por isso, as peças expostas na feira custam até R$ 15 mil.

A exposição, que acontece até domingo (20), reúne obras do acervo de 22 galerias. O evento também promove bate-papos com artistas, galeristas, curadores e colecionadores, além de oficinas de criação para crianças.

Em entrevista ao iG, Tamara Perlman falou sobre sua relação com o universo da arte e como a feira pretende quebrar o muro que existe entre o grande público e o consumo de obras.

iG: Como surgiu a PARTE?
Tamara Perlman:
Existe um mercado que não está bem atendido. Gente que vive o mundo da arte, mas não consome arte. Do outro lado, há artistas com obras bacanas, mas sem espaço pra expor. A PARTE nasceu dessa mistura. Da minha visão de gente querendo comprar arte, conviver com arte, e a necessidade dos artistas.

iG: Você tem obras de arte em sua casa?
Tamara Perlman:
Tenho muitas gravuras, algumas pinturas, esculturas que ganhei. Eu sou bem o perfil do meu público, tenho medo, dúvidas, pesquiso. Aí dois meses depois penso de novo. A Lina é mais desenvolta. Ela coleciona obras de arte desde sempre.

iG: O valor máximo cobrado por uma obra na PARTE será R$ 15 mil. Qual é o valor médio?
Tamara Perlman:
Cerca de 50% das obras vão custar até R$ 3 mil.

iG: Como se chega nesse preço?
Tamara Perlman:
As galerias determinam o valor dos trabalhos. A gente não se meteu nisso. O papel da PARTE é deixar a informação sobre cada peça disponível. Essa questão do preço é quase um tabu. Existe quem acredita que divulgá-lo diminui a obra. Eu discordo. Preço é uma informação necessária, assim como a trajetória do artista, onde ele já expôs, se ganhou prêmios.

iG: Todas as obras terão essas informações na PARTE?
Tamara Perlman:
Sim, as obras vão estar etiquetadas. Isso facilita muito, porque geralmente a pessoa vai na galeria de arte contemporânea e encontra uma exposição conceitual, que é linda, mas não cabe na sua sala. Aí ela precisa pedir pra ver o acervo, e nem todo mundo sabe disso. Depois ela pergunta o valor e descobre que é R$ 60 mil. Aí não pergunta mais. Tem gente que acha que não pode consumir arte, mas pode. Não é só para milionário.

iG: No caso específico da fotografia, como o consumidor sabe que está comprando um original?
Tamara Perlman:
É difícil. A questão toda é de autenticidade. Você tem de comprar de uma galeria séria e de um fotógrafo sério. Isso vale pra qualquer obra, não apenas fotos. Você tem de receber da galeria um certificado de autenticidade. Nele deve constar quem é o fotógrafo, qual material foi usado, o tipo de papel, durabilidade e qual é a edição da fotografia. É importante saber se ela é única ou se é de uma série de cinco, por exemplo.

iG: Qual o suporte que os artistas novos estão usando mais?
Tamara Perlman:
Hoje em dia existe de tudo. Na PARTE tem mais fotografia, mas também teremos pinturas e muitos objetos, que não são necessariamente esculturas, mas algo entre uma escultura e alguma coisa. Vídeo é algo pouco recebido. É difícil alguém comprar um vídeo. Só vi na casa de alguém uma vez. Instalação também é difícil, a não ser que tenha tamanho reduzido.

PARTE
De hoje (dia 18) a domingo (dia 20)
Rua Lisboa, 904, Pinheiros, São Paulo
Dias 18/11 e 19/11, das 12h às 22h; 20/11, das 12h às 18h
Ingresso: R$ 15 (gratuito para crianças de até 10 anos)

Fonte: IG

Relação entre games e arte é tema de exposições

por Alexandre Orrico

Se alguém lhe perguntasse qual sua obra de arte favorita, você responderia Super Mario ou Pac-Man?

Provavelmente, não, certo? Mas a discussão sobre o elo entre videogame e arte, correlação feita e desfeita há quase quatro décadas –data que remete à origem dos jogos eletrônicos–, ganha espaço entre pesquisadores, acadêmicos e jogadores.

Duas exposições, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos, ecoam os argumentos dos defensores da classificação dos games como obras e plataformas de arte.

Em São Paulo, a mostra Game On, que explora a história, a cultura e o futuro dos games, estreia amanhã no Museu da Imagem e do Som.

“A Game On pretende se distanciar das feiras tradicionais de videogames. É uma exposição lúdica e também uma exposição de arte”, comenta André Sturm, o diretor-executivo do museu.

O público poderá jogar mais de 120 títulos, entre consoles novos e antigos. Também poderá conferir influências culturais nos jogos eletrônicos e painéis que tratam do contexto social da época da criação dos games.

Concebida originalmente pelo Barbican Centre, de Londres, a Game On chega a São Paulo após passar por dez países. A versão paulistana terá ainda um ciclo de palestras e debates com especialistas da área. Serão abordados temas como roteiro e design de jogos e inteligência artificial.

Depois da Game On, jogos voltarão a um espaço museológico em março, em Washington, quando o Museu de Arte Americana do Instituto Smithsonian abrirá a mostra A Arte dos Videogames.

Na exposição, 80 games foram selecionados para representar a história do meio, dividida em cinco eras e incluindo clássicos como Space Invaders (1980), Pac-Man (1981) e Pitfall (1982).

“Minha esperança é que a exposição sirva como um passo significativo para uma compreensão mais ampla dos jogos de vídeo como uma forma de arte”, diz Chris Melissinos, curador da mostra e fundador da PastPixels, empresa criada em 2009 para preservar a memória dos games.

O discurso do curador está em sintonia com uma recente decisão do governo norte-americano, que passou a permitir que jogos eletrônicos concorram a verba do fundo nacional para desenvolvimento das artes.

Editoria de Arte/Folhapress

 

GAME ON
ONDE Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158, São Paulo, tel. 0/xx/11/2117-4777)
QUANDO de amanhã a 8/1. De ter. a sex., das 11h às 20h; sáb., dom. e feriados, das 11h às 21h
QUANTO R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
CLASSIFICAÇÃO Livre, mas alguns jogos expostos têm classificação indicativa própria. Monitores e placas informativas orientarão os visitantes.
SITE www.mis-sp.org.br

Fonte: Folha de S. Paulo

Criador do Inhotim é um dos mais influentes do mundo das artes

O empresário e mecenas Bernardo Paz é o único brasileiro presente na lista das cem personalidades mais poderosas no mundo das artes, divulgada nesta quinta-feira (13) pela influente revista britânica Art Review. Em sua décima edição, o ranking é liderado pelo dissidente chinês Ai Weiwei. Paz aparece no 76º lugar.

Um dos principais colecionadores de arte do Brasil, Paz criou o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Formado por um conjunto de galerias e instalações, o Centro de Arte Contemporânea Inhotim é o maior centro de arte ao ar livre da América Latina e reúne cerca de 450 obras.

Alguns dos principais artistas contemporâneos brasileiros e estrangeiros têm obras em Inhotim, como Hélio Oiticica (1937-1980), Matthew Barney, Olafur Eliasson, Cildo Meireles, Adriana Varejão, Tunga e Vik Muniz, entre outros.

Em recente entrevista ao jornal O Globo, Paz disse que sua intenção era criar um local “para a eternidade, (…) onde as pessoas podem vir e trabalhar sem pressa, cercadas de pássaros”.

A relação completa da Art Review inclui artistas, curadores e mecenas de diferentes nacionalidades. O chinês Ai Weiwei, primeiro da lista, passou 81 dias preso em 2011 por evasão fiscal, segundo a versão oficial do governo. Por ser um crítico aberto do sistema político chinês, sua família defende que a intenção da prisão era impedir seu ativismo.

A atuação política de Weiwei, que extrapola os limites das galerias e museus, influenciou na sua entrada no ranking. “A prisão de Ai Weiwei e as reações que se seguiram a ela só fizeram aumentar o apetite do público já interessado em ver seu trabalho”, diz o texto da Art Review, acrescentando que o artista mantém uma programação “intensa” de exibições.

Em entrevista à BBC, Weiwei disse que se sente frágil, e não poderoso, e que considera responsabilidade de todo artista proteger a liberdade de expressão.

Weiwei é o segundo artista que encabeça a lista; o primeiro foi o britânico Damien Hirst em 2005 e 2008. Alguns dos nomes da lista, como Cindy Sherman (7ª), Damien Hirst (64º), Jeff Koons (66º) e Shirin Neshat (86ª), atualmente possuem obras na exposição “Em Nome dos Artistas”, que celebra os 60 anos da Bienal de SP. A lista completa pode ser vista no site da Art Review.

*com Valor Online e BBC Brasil

Fonte: IG

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