A arte em todas as coisas

por Mariana Paes

Acredito piamente que a arte é a melhor, mais eficiente e primitiva forma de comunicação.

Por meio da arte, o inconsciente coletivo aflora! Tudo que ferve dentro das nossas mentes e nossos corações transborda em forma de lágrimas, saltos, giros, acordes, harmonias, vocalizações, arpejos, caretas, suspiros, mímicas, olhares, cores, formas…

Todos os dias nos expressamos artisticamente! De manhã, instintivamente, escolhemos cores intimamente ligadas ao nosso estado de espírito e à imagem que queremos que as pessoas tenham de nós naquele determinado dia. Corremos para fugir da chuva e saltamos poças de água, algo semelhante à execução de vários Chásses seguidos de um Saut de Cheval ao som de
uma frenética canção, como aquelas dos filmes de Chaplin.

As gotas d’água emitem diversos sons, que variam de acordo com as superfícies que tocam! Uma sinfonia… um “x x x x x x x x x x x x x x x x x x” formado de vários tons, vários sons… o som da natureza em contato com os feitos do homem na superfície.

Pessoas se encaixam umas nas outras para conseguir entrar nos vagões dos ônibus e metros, formando esculturas humanas. Algo desumano como o aperto do transporte coletivo mostra quão humana é a disputa de vários seres por um mesmo espaço.

Em todas essas situações, estamos nos comunicando (direta ou indiretamente) com o mundo ao nosso redor! Assim, em tudo há arte! Tudo que fazemos . Ver arte em tudo é entender o toque divino em cada passo que damos, em cada paisagem, som, luz, cor, forma e movimento!

Viver é entender a arte que compõe todas as coisas, boas e ruins!

Pra ler com uma caixa de lenços do lado: “Pequeno Segredo”

por Mariana Paes

Foram sete dias em contagem regressiva para o lançamento de “Pequeno Segredo”, novo livro de Heloisa Schurmann, a matriarca da família Schurmann.

Troquei poucas frases com Formiga (o apelido de Heloísa), peguei meu autógrafo, meu livro e corri pra casa. Devorei o livro em três horas. Sou jornalista daquelas bem chatas, com gosto literário meio peculiar, mas minha fascinação pelas aventuras da Família Schurmann, o encantamento com os livros anteriores de Heloísa e a expectativa de conhecer mais sobre a pequena Kat me fizeram acreditar que eu amaria o livro. E, de fato, foi um turbilhão de emoções.

Heloisa consegue repetir o feito dos outros livros: com narrativa fluida e uma linguagem bem intimista, o leitor se sentir amigo íntimo da família já nas primeiras páginas do livro. Ok, eu já me sentia íntima da família por ter lido seus livros anteriores, assistido o filme e por continuar acompanhando sua tragetória.

O diferencial desse livro é que o desafio narrado é muito maior que uma navegação ao redor do mundo ou pela rota de Fernão de Magalhães: é a jornada de uma família que se vê sem rumo após a descoberta de uma doença e que, na iminência de deixar sua filha desamparada, resolve entregá-la para adoção. Os escolhidos são os Schurmann, que criaram seus três filhos durante suas viagens à vela. Em um ato de amor imenso e quase insano, toparam adotar a pequena Kat, mesmo com as péssimas perspectivas quanto à saúde da menina. A sentença de que teria poucos meses de expectativa de vida foi colocada em cheque, graças à dedicação, coragem e benevolência do pai e da família adotiva.

Conselho: leia com uma caixa de lenços ao lado. Momentos da vida dos pais biológicos de Kat, a revelação da doença, a adoção, seus momentos no hospital e as dúvidas sobre como tratar sua enfermidade da melhor forma são de cortar o coração. Mas quem pensa que isso faz do livro algo depressivo, está enganado. Com habilidade e delicadeza, Heloísa relata as situações de forma a torná-las uma motivação para o leitor, mostrando a superação de cada obstáculo, fé e esperança.

Não, não é um livro de auto-ajuda, não é um livro do tipo “tenham dó de mim”, é um livro do tipo “nós conseguimos, ela conseguiu e todos que quiserem podem conseguir o que quiser”. Uma literatura bacana pra quem acha que está no fundo do poço ou que nada tem jeito: mostra que sempre há um caminho do meio, que o contato com a natureza e as emoções podem salvar vidas e que nenhum mal resiste à real benevolência.

Terminei o livro querendo dar um abraço em toda a família Schurmann, agradecendo-os por todas as oportunidades que ofereceram à Kat e por, agora, compartilharem sua história conosco.

Quando crescer, quero ser velejadora forte e, ao mesmo tempo, delicada… como Heloísa.

Agora começa uma nova contagem regressiva: em breve, o filme baseado no livro (dirigido por David Schurmann).

Os dez piores nomes em português de filmes estrangeiros

Isso tem melhorado com o tempo, é verdade, mas ainda hoje, alguns filmes internacionais chegam aqui com um título tão irreconhecível e absurdo que a gente nem consegue associar que se trata da mesma obra. Um caso recente é o de Indomável Sonhadora, que faz pensar mais em um romance desses de banca de jornal do que em uma obra da sétima arte. Na realidade, trata-se do elogiadíssimo Beasts of The Southern Wild, recém-estreado no Festival do Rio. Algumas traduções já foram tão criticadas ao longo dos anos que se tornaram clássicos do risível, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (foto), de Woody Allen – Annie Hall no original. Relembre a seguir dez adaptações (difíceis de escolher) de títulos internacionais de levantar as sobrancelhas.


Se Beber, Não Case! – Imbuído de muito espírito cívico, o responsável por esse título incutiu na cabeça dos telespectadores sem querer a noção de perigo ao realizar certas atividades depois de consumir grandes quantidade de bebida alcóolica. A impressão que dá para quem nunca viu o longa é que o protagonista se casou acidentalmente em uma noite de bebedeira. E essa é a história de outro(s) filmes(s).O título original, The Hangover (a ressaca), acaba se encaixando bem melhor com a temática, afinal, passar por tudo que os protagonistas passam no dia seguinte àquela noitada é basicamente a pior ressaca do mundo.


Entrando Numa Fria – Assim como no caso anterior, não só deram ao filme um título “tiozão”, que soa pronto para fazer carreira na Sessão da Tarde, como fez toda uma franquia ganhar nomes progressivamente mais bizarros (Entrando Numa Fria Maior Ainda e Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família). Um filme que era sobre conhecer os pais da pessoa amada (Meet The Parents), aqui no Brasil, pode ser sobre um milhão de situações embaraçosas e genéricas diferentes.


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa – Certamente há alguma pesquisa de mercado na qual se baseiam as pessoas que traduzem títulos no Brasil que diz que o brasileiro tem dificuldade de assimilar nomes próprios gringos e que isso fará do filme um fracasso. Só isso explica que Annie Hall, de Woody Allen, tenha se transformado em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (?!). Também entram nessa categoria “nomes de personagens”, por exemplo, Shane, batizado aqui de Os Brutos Também Amam (?!?!) e Calamity Jane – ou Ardida Como Pimenta (?!?!?!).


Amor, Sublime Amor – Outro estudo também deve indicar que títulos com clichê são de fácil assimilação e, portanto, o caminho mais seguro (especialmente se esse clichê envolver a palavra “amor”). Aí, West Side Story (“história do lado oeste”) vira Amor, Sublime Amor e Lost In Translation (“perdidos na tradução”) passa a se chamar Encontros e Desencontros. Esses nomes indicam que os filmes retratam… qualquer coisa!


Um Corpo que Cai – Traduções e adaptações que contam parte da história também são uma categoria interessante. Foi Apenas Um Sonho poderia ser o título de diversos filmes feitos antes de se tornarem o hors-concours dos clichês finais em que o protagonista sonhou a história inteira. Mas foi o nome escolhido para Revolutionary Road. Porém, nesse quesito, nada supera Um Corpo que Cai, originalmente Vertigo. Em um mundo em que spoiler é praticamente um palavrão, títulos que dão pistas sobre a trama são possivelmente uma tendência decadente.


Forrest Gump – O Contador de Histórias – Parece haver uma ressalva na regra de evitar nomes próprios norte-americanos. Eles são permitidos contanto que haja um travessão e um complemento explicativo depois, seja este adendo a respeito do filme ou do protagonista. Que o diga Erin Brockovich, aquela mulher de talento. Ou Patch Adams, ou Larry Crowne.


Amnésia – Ninguém viu o filme antes de dar o nome? O personagem fala claramente que a doença dele não é amnésia. Não precisava manter o original (Memento), mas praticamente qualquer outro título seria mais correto e menos enganoso.


Assim Caminha a Humanidade – Giant (gigante, no original) exemplifica não só casos de títulos nada a ver com o original, mas também uma tendência a nomes muito mais longos em português do que no iriginal. Pode reparar, são poucas as exceções, como Priscilla – A Rainha do Deserto (que suprimiu um “adventures” no começo), por exemplo.


O Garoto do Futuro – Tem 1985, talvez ninguém fosse sair de casa para ver um filme sobre um adolescente que vira lobo. Mas a coisa mudaria de figura se esse garoto fosse interpretado por Michael J. Fox. Pegando carona no sucesso de De Volta Para o Futuro, os espertinhos aqui no Brasil chamaram Teen Wolf de O Garoto do Futuro.


Curtindo a Vida Adoidado – Ele pode até não fugir tanto da temática original de Ferris Bueller’s Day Off quanto outros títulos nacionais da lista fizeram, mas nada que tenha “adoidado” no nome pode passar incólume, especialmente considerando o quanto isso deixa ainda mais datada a produção.

Fonte: Rolling Stone Brasil

Lobotomia, nomes duplos e Papai Noel

por Mariana Paes

Meu primeiro emprego com carteira assinada foi no call center de um banco. Eu fazia aulas de canto, faculdade e trabalhava. Algumas peculiaridades da vida de atendente me fizeram escrever uma matéria sobre isso durante a época de curso de Jornalismo.

Resolvi resgatá-lo e compartilhar aqui…

Lobotomia, nomes duplos e Papai Noel

Um grande prédio, um grande número de computadores por andar. Cerca de 4.000 pares de olhos que respondem por nomes duplos a um telefone que toca sem parar: após um cliente mal educado, em quatro segundos os dados de outra pessoa aparecem na tela, seguido de um pitoresco cumprimento: “Rafaela Silvana, bom dia”.

Aqueles pares de olhos passam seis horas diárias frente ao computador respondendo aos clientes conforme manual com frases “pré-fabricadas”. São praticamente uma extensão do equipamento. Após um mês de treinamento — português, comportamento, ergonomia, sistema da empresa — quase 100 ligações passam por cada um dos telefones da gigantesca central de atendimento ao cliente numa jornada de 6 horas.

Nas seis horas, dez minutos para ir ao banheiro e/ou tomar água e quinze para tomar um lanche de “pão com alguma coisa” com algum acompanhamento: chá, café, café com leite, chocolate, suco ou água. Aliás, em feriados, madrugadas, finais de semana, dias de chuva ou sol, nomes duplos atendem sob a égide de regras definidas em tempos anteriores ao nascimento de seus pais.

Todas as ligações gravadas. É exigido controle emocional mesmo quando o cliente culpa o atendente por seus problemas, xinga ou até mesmo ameaça de morte a pessoa que está ali apenas como interlocutor da instituição.

Esse controle também é necessário ao lidar com “donos” de nomes incomuns, que escolhi não citar para evitar expô-los. Mas, acreditem, tem mistura de nomes de artistas, de parques da Disney e até pessoas com nomes de lojas, frutas e bandas. Risinhos? Não, são passíveis de demissão aqueles que deixarem escapar. Corda bamba também para os que ficam “no vermelho” e não saem do cheque especial.

Uma vez por semana o supervisor (que zela por aproximadamente 25 atendentes) chama seus funcionários. Uma ligação atendida por cada nome duplo é analisada e uma nota é estipulada. O supervisor explica que o atendente não pode rir, falar seu nome verdadeiro, informar onde fica a central de atendimento, tem que cuidar pra não ter uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e vender, vender, vender.

Aquele velhinho que mal ouve o que o nome duplo diz que só queria saber se precisa mesmo pagar a conta de 100 reais, lamenta muito por ter pouca aposentadoria, aproveita os ouvidos receptivos do outro lado da linha e fala sobre quando foi militar, como sua esposa faleceu e quão ruim foi quando seus filhos pensaram em colocá-lo em um asilo.

Mesmo após ouvir todas as lamúrias, aquele nome duplo é obrigado a oferecer um serviço que custa caro para um aposentado. Ele compra e o peso na consciência é enorme… parece que ele nem entendeu nada, mas só comprou porque “foi muito bom falar com você, uma moça tão educada, filha”.

Então é a hora de seguir outra parte do script: comemorar a venda. Sim, porque todo nome duplo que se preza tem um pompom similar ao das Paquitas nos anos 80. O “acessório” fica na gaveta da mesa. Aquela mesa não pertence a ninguém, nem o pompom, porque cada dia os nomes duplos se acomodam “onde tem lugar”, contanto que seja naquele núcleo próximo ao supervisor.

Mas o que importa é que o velhinho comprou o produto: o pompom chacoalha no alto e o restante da equipe deve seguir o gesto para mostrar aos outros grupos que ali tem gente que sabe vender e pode “bater a meta”. Trabalham cinco dias por semana. Se esses coincidirem com os dias úteis, ótimo. Se não, paciência. Mas os nomes duplos preferem achar isso bom porque dinheiro da hora extra é bem vindo. Sempre devem ofertar os produtos, em todos os atendimentos (exceto quando o cliente estiver devendo, claro) e precisam vender mais de 100 produtos por dia.

Tarefa difícil quando 90% dos atendimentos são de clientes irritados, querendo que a empresa exploda e todos os seus funcionários morram de forma lenta e dolorosa. A fala robótica dos nomes duplos causa ainda mais ira. Ofertar produto? Precisa, mas não adianta. Quem vende muito ganha brinde, café da manhã, camiseta, boné, porta-cd. Tudo com a bela marca da instituição, que está espalhada por todo o país.

Todos os dias são iguais. Tem que bater o cartão dois minutos antes ou depois do horário de início do expediente. Nenhum papel, caneta, celular. O melhor amigo é o headset, o fone que deve ser ”trocado de ouvido” a cada hora para evitar problemas auditivos, conforme o treinamento do mês que precede o início da vida escondida por trás de um nome duplo.

Para as milhares de pessoas que são atendidas, ali são computadores com nomes duplos. Não existe vida do outro lado da linha quando recorrem ao call center. Para os nomes duplos, sábado, domingo e feriado são folgas que dependem da escala mensal, assim como o horário do lanche, que um dia é às 9h45, outro é às 10h30, outro é às 11h15. O sistema escolhe as folgas os lanches e os nomes duplos.

Os atendentes não têm sobrenome, portanto, não têm família, passado, sentimento ou sofrimento. Sempre uma faceira saudação deve iniciar um atendimento, independente de dor de cabeça, problemas familiares, cólicas, sono… afinal, computadores sentem alguma coisa?

Mas os nomes duplos não costumam reclamar. São abduzidos por benefícios que os fazem “prosperar” no capitalismo canibal e desigual da terra verde e amarela. Participação nos lucros, trabalho registrado mesmo com a faculdade ainda em curso, redução nas taxas, facilidades em financiamentos, seis horas de jornada, convênio médico e odontológico: o mundo maravilhoso que se abre no horizonte.

Inexplicavelmente o mundo das regras — sem mudanças drásticas no visual, unhas aparadas, sapatos engraxados, nada de roupas extravagantes, barba feita, cabelos cortados, postura adequada, roupas passadas (sim, até isso) — torna-se uma extensão da vida dos nomes duplos que voltam a usar seus nomes comuns ao sair da central de atendimento mas continuam invisíveis: repetem frases prontas em script, seguem o que está no sistema e nas “leis de conduta”. Tudo é lindo. O Papai Noel também. Lobotomia?

Momento surto criativo: Roteiro alternativo para Avenida Brasil

por Mariana Paes
colaboração de Camila Barone

A história da televisão brasileira se confunde com a história das telenovelas brasileiras… ano após ano vemos várias delas chegando e indo embora, lançando modas, alienando pessoas, causando risos, lágrimas, revolta e tudo mais.

Sem hipocrisia, todo mundo já parou um pouquinho na frente da TV pra checar a novela. Com as mesmas figurinhas se repetindo sempre na tela, dá pra confundir histórias. Mas, o interessante mesmo, é criar roteiros alternativos, que interligam diversas novelas. Eu e minha amiga Camila Barone criamos um desfecho alternativo para “Avenida Brasil”:

– Na verdade o Albieri é o grande vilão da novela, com sua sobrancelha horrível que vem desde “O Clobe”
E a sobrancelha do Albieri continua a mesma! Clona bonequinhos em sua oficina para testar suas técnicas, até o momento em que revela sua grande experiência: Tufão é “O Clone” de Lucas, Leo e Diogo Ferraz.

– Além de Albieri, outra pessoa chega do Marrocos: Jade, que revela ser a mãe da Carminha. Gerando uma grande questão filosófica pra socidade brasileira: o pai de carminha é o Lucas, que tem o mesmo DNA do marido que Carminha usou e abusou. Isso é crime… talvez, não sabemos… o público vai debater.

– Outra fugitiva do Marrocos é Nazira (afinal, a equipe de “O Clone” instituiu a ponte aérea Rio-Marrocos), que na verdade gerou o Tufão-clone e está lá espionando Carminha.

– Toda falta de ética e noção dos personagens nos indica que realmente estamos no fim dos tempos, mas só temos certeza disso quando um dinossauro (vindo diretamente da “Morde & Assopra”) chega para ajudar Carminha (Julia, que parecia boazinha na outra novela) em seus crimes.

– De repente, Mário Jorge (Miguel Falabela) aparece na casa do Tufão pedindo que Celinha (Carminha) volte para casa com ele, no Jambalaia Tower. Aí o público descobre que é tradição da Carminha viver em uma casa com o maior entra e sai de gente, palpiteiros de plantão e figurinos duvidosos. Bozena vai pra casa da Carminha, direto de Pato Branco, para substituir a Nina.

– A vida de prostituta da Carminha foi intensa: Antonio Fagundes aparece pra tentar seduzí-la novamente, já que é “O Rei do Gado”.

– Enquanto isso, no núcleo engraçado da novela, Cadinho revela ser Jacques Leclair e começa a fazer roupas para ganhar dinheiro e sair da lama. Como Carolina Ferraz é a mais posuda de suas três esposas, ele se casa definitivamente com ela, que na verdade é Amanda, que foi abandonada pelo Astro (Rodrigo Lombardi) por causa da Gabriela (Juliana Paes).

– Então, Max finalmente vê que a concorrência tá complicada e volta pra Babalu (Letícia Spiler). Mas o relacionamento acaba no momento em que Babalu descobre que ele é o Xandy, que engravidou Nina (Débora Fabela), que usava o nome Mel em “O Clone”.

– Já que a Nina na verdade é a Mel, mocinha que abusava das drogas, dá pra entender o motivo de ela ficar tão bitolada na vingança e ter tanta gana por dinheiro!

Fim…

Em comunicado no facebook, Dave Grohl anuncia pausa do Foo Fighters

Em uma mensagem no Facebook, nesta terça-feira (2), Dave Grohl confirmou aos fãs que o Foo Fighters fará uma pausa por tempo indeterminado. Mesmo dizendo que o grupo é a sua vida, o guitarrista e compositor explicou que precisa se focar em terminar seu documentário, Sound City, sobre o lendário estúdio de gravação localizado em Van Nuys, na Califórnia.

Leia na íntegra a mensagem de Dave Grohl:

“Olá pessoal!

É o Dave aqui. Só queria escrever e agradecer todos vocês mais uma vez do fundo do meu coração por outro ano incrível. (Nosso 18° ano, para ser exato!). Nós realmente nunca teríamos feito qualquer coisa sem vocês…Nunca, em meus sonhos mais selvagens, pensei que o Foo Fighters iria chegar tão longe. Eu nunca pensei nós PODERÍAMOS fazer chegar tão longe, para ser honesto. Houve momentos que pensei que a banda não sobreviveria. Houve momentos que eu quis desistir. Mas… eu não posso desistir dessa banda. E eu nunca desistirei. Porque ela não é apenas uma banda para mim. É a minha vida. É a minha família. É o meu mundo.

Sim, eu falei sério. Eu não sei quando o Foo Fighters irá se apresentar de novo. Parece estranho falar isso, mas eu acho que é uma coisa boa para todos nós nos separarmos por um tempo. Essa é uma das razões que continuamos aqui. Faz sentido? Eu nunca quis NÃO estar nessa banda. Então, às vezes, é bom apenas colocá-la na garagem por um tempo.

Porém, sem relógios de ouro ou férias por agora. Eu estarei colocando toda minha energia em terminar meu documentário Sound City e um álbum para lançamento mundial em um futuro bem próximo. Em um ano, esse pode ser o maior e mais importante projeto eu já trabalhei. Fiquem prontos, está chegando.

Eu, Taylor, Nate, Pat, Chris e Rami… estou certo que vamos nos ver por aí…. em algum lugar. Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado…

Dave.”

Esta não é a primeira vez que o Foo Fighters entra em hiato. Em 2002, Grohl gravou as baterias do disco Songs for the Deaf, do Queens of The Stone Age, e saiu em turnê promocional do álbum. Neste momento, o Foo Fighters quase acaba por desavenças entre seus membros, principalmente entre Ghrol e o baterista Taylor Hawkins.

Fonte: Terra

Contra o machismo na área náutica

por Mariana Paes

Hoje vou usar o espaço do blog para um texto diferente… preciso expor algumas situações e manifestar meu posicionamento.

Há cerca de dois anos conheci a arte da vela… ouvir o vento, entender o mar e usá-los da melhor forma para deslizar pelas águas. Comecei com livros e filmes sobre o assunto, principalmente os materiais da Família Shurmann.

Aos poucos, fui me encantando por essa arte incrível, fiz curso de vela e hoje me considero uma velejadora iniciante. Já aprendi o vocabulário náutico, sei ficar no leme e também regular as velas, aprendi várias coisas relativas à regras para entrar em países pelo mar, como tratar outros velejadores, que cursos fazer para dar a volta ao mundo e, principalmente, como trabalhar em equipe no barco.

Nesse período, ouvi algumas idiotices de homens… tipo “você não aguenta ficar no mar”, “é uma viagem muito longa pra você”… cheguei até a ouvir que mulher não era parte da tripulação, que só servia para limpar e arrumar o barco. Não me intimido com chuva, trovão, vento forte, mar grosso… mas o que me faz chorar de raiva é esse tipo de pensamento machista e retrógrado!

Sim, eu posso fazer comida pro pessoal e arrumar o barco, mas isso não me faz incapaz de puxar cabo, regular vela, ficar no leme, limpar casco, bater prego ou qualquer outra coisa. Talvez para algumas funções me falte força física, mas não falta fibra e vontade. No barco o que conta é cooperar, trabalhar em equipe, entender a importância e o papel de cada um e ser flexível, entender os sinais da natureza e respeitá-la. E vão me dizer que mulher não aguenta ou devia ficar em casa… perco a paciência. Não tolero machismo.

Agora olho em um site de um grande evento náutico e me deparo com uma chamada péssima, dizendo que o evento também é pra mulheres, já que tem lojas de decoração para barcos, acessórios e roupas apropriadas. Faça-me um favor!!! Uma entidade oficial do setor tomar uma postura tão sem noção quanto essa é uma afronta! Mulheres incríveis colocaram seu nome na história da vela mundial, como Jessica Watson, Isabel Pimentel e Heloísa Shurmann… com muita garra, fibra e coragem! E o povo ainda têm coragem de escrever um absurdo desse!

E esss pessoal que faz eventos acha que o foco é sempre masculino, rebaixa a mulher a simples objeto e a coloca como demonstradora de produtos com roupas diminutas, como se fossem meras bonecas infláveis. E ainda sujeitam as moças, que precisam trabalhar, a situações constrangedoras. Tudo bem que várias delas concorda com essa palhaçada, mas promover uma coisa dessas é uma violência contra o feminino.

Sou mulher, sou delicada, mas sei o que eu quero e sou firme. Não velejo pra agradar ninguém, nem vou pro barco só pra agradar o namorado ou pra fazer tipo. Vou porque amo, porque quero, gosto e pretendo viver minha vida assim. E, se for pra ir contra essa babaquice de machismo nesse meio, ok… viro leoa e defendo as mulheres velejadoras. Mas NINGUÉM vai vir falar na minha cara que a gente não é capaz!!!

Podem me chamar de hipócrita, feminista… a questão é respeito!

Sorte ter ao meu lado um velejador que não tem esse tipo de caca na cabeça!

#prontofalei

Música & cinema: canções que viraram hits por causa de filmes

Existem algumas músicas batidas, manjadas e executadas à exaustão que devem todo esse hype à outro tipo de arte, o cinema. Sabe quando começam os primeiros acordes de certa canção na rádio e na hora todo mundo associa a um filme? Como ouvir “My Heart Will Go On” sem lembrar do romance entre Rose e Jack em Titanic? E escutar “Unchained Melody” sem lembrar com saudade de Patrick Swayze? A seguir, dez exemplos de músicas intimamente associadas à trilhas sonoras.

“Take My Breath Away” e Top Gun – Ases Indomáveis – A trilha de Top Gun – Ases Indomáveis como um todo foi um sucesso. É até hoje uma das mais populares, já recebeu nove discos de platina. Mas foi com “Take My Breath Away” que o filme venceu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. A composição de Giorgio Moroder e Tom Whitlock foi interpretada pela banda Berlin.

“Mrs. Robinson” e A Primeira Noite de um Homem – Anne Bancroft e suas pernas em formato de triângulo são um marco do cinema, assim como a frase “Sra. Robinson, você está tentando me seduzir”. Mas acima de tudo, a canção de Simon & Garfunkel se tornou uma referência quando o assunto são trilhas de destaque. Quando foi lançada como single em 1968, chegou ao primeiro lugar da parada Billboard Hot 100, nos Estados Unidos, e ainda ajudou a dupla a ganhar o Grammy de Melhor Disco do Ano, em 1969. A faixa estava sendo composta por Simon para contar a história de Mrs. Roosevelt e a princípio não tinha nada a ver com a produção. Mas acabou se adaptando para se tornar o hino da Mrs. Robinson de Bancroft. Ficou para sempre associada à mulheres mais velhas que seduzem rapazes mais jovens.

“Unchained Melody” e Ghost – Do Outro Lado da Vida – O filme narra um romance muito forte, que supera os limites do corpo e do plano físico. De forma que a trilha, assinada por Maurice Jarre, abusou das letras melosas e de um instrumento intimamente associado ao romance, o saxofone. Mas “Unchained Melody”, em especial, se destacou nessa trilha açucarada. A canção é de Alex North e a letra de Hy Zaret, mas a versão popular e usada no filme é dos Righteous Brothers. Relembre a famosa cena protagonizada por Patrick Swayze (Sam), Demi Moore (Molly), a canção e o torno.

“I Got You Babe” e Feitiço do Tempo – Nesse cult de 1993 protagonizado por Bill Murray, o mal-humorado Phil é condenado a despertar todas as manhãs ao som de Sonny & Cher, mais especificamente “I Got You Babe”. Aliás, tudo que ele ouve diariamente é um trecho da música, que é interrompida pelo locutor da rádio para que ele comente sobre o frio que vai fazer naquele 2 de fevereiro. O desafio é terminar de ver o filme sem ficar com aquele pedaço da canção na cabeça. Ou ouvir a música em outro contexto e não refletir a respeito do tempo, a vida e a rotina.

“My Heart Will Go On” e Titanic – Chegou um momento nos anos de 1997/1998 que mesmo quem era fã de Celine Dion não aguentava mais ouvir a música. O sucesso do filme de James Cameron, protagonizado pelo casal Kate Winslet (Rose) e Leonardo DiCaprio (Jack) fez da música tema dos pombinhos trágicos o maior hit de Celine, um dos singles mais vendidos de todos os tempos e o single mais vendido de 1998. Isso porque a música começou somente como um tema instrumental para o longa. Depois, se transformou em uma versão com letra feita apenas para os créditos finais – e a princípio nem Celine queria gravar, nem Cameron queria usar! No fim, acabou se tornando uma das músicas mais conhecidas da década.

“Oh, Pretty Woman” e Uma Linda Mulher – O nome da música inspirou o título do fime (Pretty Woman, no original, em inglês). Não tinha como uma coisa não ficar diretamente associada à outra. A faixa de 1964 já era um sucesso de Roy Orbinson e experimentou um revival em 1990 com o lançamento do longa protagonizado por Julia Roberts e Richard Gere. Na trama, ela é uma prostituta e, ele, um homem de negócios bem-sucedido. O encontro dos dois muda a vida de ambos.

“My Girl” e Meu Primeiro Amor – A canção do Temptations caiu como uma luva para essa comédia romântica juvenil protagonizada por Anna Chlumsky, Macaulay Culkin, Jamie Lee Curtis e Dan Aykroyd. Aliás, esse é mais um caso em que a canção principal da trilha dá nome ao filme (My Girl, em inglês).

“Can’t Take My Eyes Off You” e 10 Coisas que Eu Odeio em Você – Heath Ledger, Julia Stiles e Joseph Gordon-Levitt ainda muito jovens protagonizam essa comédia romântica teen de muito sucesso em 1999 – uma reinterpretação da história de A Megera Domada, de Shakespeare. Uma das cenas mais marcantes é a que tem o já falecido Ledger cantando para sua amada “Can’t Take My Eyes Off You”, de Frankie Valli, popular na voz de Gloria Gaynor. A trilha como um todo acabou sendo um hit, trazendo bandas que fizeram muito sucesso naquela década, como Letters to Cleo, Save Ferris e Semisonic.

“Anyone Else But You” e Juno – Juno foi o hit indie de 2008 e apresentou ao mundo a atriz Ellen Page e a roteirista Diablo Cody. Depois que passou o hype do filme, porém, a cena final dele continuou sendo exibida por muitos meses. Nela, Juno e Paulie (Michael Cera) cantam uma versão de “Anyone Else But You”, do Moldy Peaches, que viu sua carreira crescer novamente depois do lançamento filme.

“You Can Leave Your Hat On” e 9 1/2 Semanas de Amor – Composta por Randy Newman e gravada por ele para o disco de 1972 Sail Away. Porém, se tornou um hit de verdade na voz de Joe Cocker, quando sonorizou o filme de 1986 de Adrian Lyne durante uma famosa cena de striptease.

Fonte: Rolling Stone Brasil

Coxinhas na área vip

Texto genial publicado no site da Época me fez compreender o motivo pelo qual ando me sentindo tão deslocada em grandes shows nos últimos tempos… não vou “montada” pro show, vou pela música e não usar a presença no evento como forma diferenciação!

por Luís Antonio Giron*

O público de shows está se alterando, em especial o de espetáculos de rock e pop em espaços abertos. As mudanças podem ser observadas nas atitudes, na gestualidade e no estilo, na forma de falar e de cantar. No último show da banda californiana Maroon 5, na Arena Anhembi em São Paulo, no domingo, dia 26 de agosto, não foi diferente. Como a cada evento surge uma novidade no âmbito do comportamento, são perceptíveis agora algumas inovações bizarras dignas de nota. O público, predominantemente jovem, anda mais antipático e exibicionista do que jamais pude testemunhar em 30 anos de cobertura de espetáculos desse tipo. Os frequentadores de hoje comparecem mais para ser conhecidos do que conhecer, mais para brilhar do que para ver o espetáculo. A interação com os artistas deu lugar à ostentação, a espontaneidade ao exibicionismo. Os novos espectadores São muito diferentes dos que já passaram. Gostaria de explicar por que essas mudanças ocorrem, e em que elas alteram a própria maneira de praticar e compreender a arte.

Antes de mais, um naco de reflexão. O público é histórico. Tem data e local. Varia de acordo com as mudanças de anseios, sonhos, sensibilidade e interesse em determinados temas ou aspectos da realidade, da tecnologia e da arte disponíveis no momento. Lembro-me de que, três décadas atrás no Brasil, havia uma fome terrível de conhecimento. O interesse crescia na razão inversa da oferta de espetáculos. Eram os anos 80, quase nenhum talento internacional ousava se apresentar no Brasil. E, quando o fazia, como a banda Queen, em 1981, a reação era apaixonada. Eu me recordo de ver o Morumbi na penumbra, iluminado pelos isqueiros e fósforos, a celebrar Freddie Mercury e banda, em um tempo em que não havia telões. Os jovens se encontravam para escutar um LP de vinil do Queen ou do Pink Floyd de cabo a rabo, sem dizer nada. Eram descabelados, malvestidos, ingênuos, agressivos, mal sabiam as letras e muito menos entendiam inglês muito bem. Acampavam na frente do estádio para sonhar com alguma utopia que o rock ainda poderia trazer.

Claro que não trouxe a utopia, e, ao longo da “década perdida” – como denominam os economistas os anos 80 no país – a oferta de shows era escassa e o público não sabia se comportar direito. Sabia, sim, vibrar e interagir com as bandas. Lembro de um show dos ingleses do Echo & the Bunnymen em 1985, quando a plateia suplicava pelos tênis dos músicos – e eles acabaram jogando os tênis que tinham nos pés sobre uma turba enlouquecida. Vigoravam pobreza e falta de informação. Se ir a shows podia ser divertido, também oferecia seus perigos. Como quando os punks e os carecas do ABC brigaram no extinto Palace em São Paulo quando por aqui passaram a banda americana The Ramones. Ninguém saiu ileso da pancadaria. Meninos e meninas riam das roupas sujas e molhadas. Os discos dos Ramones eram raros, todos os discos eram caros, mais ainda os importados. Ninguém pensava em YouTube.

Os anos 90 representaram a abertura econômica e cultural do Brasil para o mundo, apesar de tudo. E foi possível viajar, comprar discos, veio a MTV e um pouco de sofisticação. Um pouco. As roupas jovens não passavam de uma imitação barata das que os grandes centros exibiam. E os festivais que começaram a acontecer com mais freqeência traziam astros em fim de carreira, ou quase. No Rock in Rio de 1991 no Maracanã, lembro de um público largado, dançando ao som da banda inglesa Happy Mondays. Sob chuva, as garotas não temiam desmanchar a escova ou a chapinha – até porque não faziam. E tinha gente que ousava se despir completamente na frente do palco. A era grunge e das raves estava em alta. Começaram a aparecer telões nos estádios. E as pessoas se juntavam em uma desavergonhada maçaroca de desejos. Havia paixão pela música e por discuti-la em grupo. Quem conhecia mais discos e canções era rei. Havia interesse pela música, então o veículo dos anseios juvenis.

Foi assim até a metade dos anos 2000. Mas, com o crescimento econômico, a aparição da internet e a imposição das redes sociais, o comportamento se alterou nos shows de estádio. Com a decadência da Europa e a crise americana, os músicos passaram a ver o Brasil como a Meca da grana. O país tornou-se ponto obrigatório das turnês internacionais. E o público, mimado por todos os astros, já havia viajado, aprendido inglês e adquirido hábitos alinhados com as plateias mundiais. À medida que o gosto se banalizava, aumentava o acesso à informação – e o desinteresse por elaborá-la.

A resultante dos novos tempos foi a aparição da geração coxinha, dos jovens de posses que são tão bem comportados, que são iniciados sexualmente e fumam maconha nos estádios como se fizessem uma lição de casa. Na plateia modelo 2012, as meninas chegam vestidas para matar: de salto alto, minissaia e maquiagem carregada. Os rapazes surgem embriagados e drogados, ostentando grifes da moda e prontos para a azaração. Até aí não difere tanto dos públicos do passado, salvo pela qualidade das roupas e dos acessórios. O consumo de artigos de luxo nunca foi tão disseminado. Quase todo mundo carrega smartphones, correntes de ouro, brincos e relógios luxuosos. A ostentação ao ar livre muito se deve à implantação das áreas vip. Trata-se de uma situação escandalosa, pois encena a luta de classes nas arenas antes devotadas à igualdade proposta pela música pop. Na Arena Anhembi aconteceram muitos assaltos – e me surpreende não ter ocorrido um motim dos menos favorecidos, separados do palco por uma constrangedora cerca. Por isso, minha descrição é do público que pode ver um espetáculo de forma adequada – ou seja, na atual situação, aquele que paga para figurar nas áreas vip. Os excluídos que se acotovelam nos setores normais não podem ter nem o direito de dizer que assistiram ao show. Estão sendo enganados e, ainda assim, conseguem se divertir.

Mas voltemos aos que se divertem de fato, os coxinhas das áreas vip. Com tantas inovações e privilégios, a plateia se transformou em palco. O exibicionismo dos jovens é tão grande que ofusca o brilho das atrações do palco. Na realidade, os coxinhas parecem ir aos estádios pura e simplesmente pelo evento social. Eles gravam nos celulares sequências inteiras do espetáculo, quando não o show completo, para depois postar nos seus canais privados no YouTube, detalhando o set list. Tiram fotos uns dos outros, ou autofotos, só para postar no Facebook e no Twitter – imagens que ninguém quer ou vai ver.

A maioria não presta atenção ao que se passa no palco: enquanto canta as letras decoradas mecanicamente, ensaia passos de dança, olha para os lados, namora e envia torpedos. O sujeito da plateia se acha astro, mas a única pessoas que está prestando atenção nele é ele próprio. Todo mundo se mira na câmera frontal de seus celulares. Isso faz lembrar o teatro do narcisismo em sua quintessência: o novo lago, o novo espelho fixa e eterniza a imagem da volúpia egocêntrica. Desse modo, a cultura das celebridades na verdade rebaixa os artistas à condição de objeto de deboche. Adam Levine, o elétrico vocalista do Maroon 5, era alvo de gritos e camisetas como quem fosse linchado por adolescentes mais interessados no corpo dele do que na música que cantava. O público se afigura mais onanista, desatento e desmemoriado do que nunca. Como a música corre hoje feito água gratuita pelos encanamentos da internet, ninguém dá mais muita bola para ela. Deixou de despertar interesse. Viv’alma se reúne para ouvir um disco inteiro e prestar atenção a sua mensagem. Que álbum resiste ao BitTorrent e à falta de memória do ouvinte? O rock e o pop sofrem uma metamorfose como nenhuma outra forma de música. É como se sua essência fosse condensada ao formato mp3, conspurcada, espoliada – e não restasse mais que ruínas da velha arte da rebelião. A arena da chacina está em cartaz nos shows a céu aberto.

Enfim, o que mudou no público esses anos todos? Ao acompanhar a marcha da civilização, ele certamente trocou a fome de cultura pela congestão das ofertas irrelevantes e a diluição do prazer artístico. O excesso matou a curiosidade, as utopias e a antiga magia da juventude. E principalmente arrancou seu coração. Não posso querer voltar atrás e muito menos culpar os coxinhas por festejar na área vip. Resta-me apenas lamentar por aqueles que anseiam em ser iguais a eles – e são a maioria dos jovens, inclusive os assaltantes de coxinhas.

*Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV

Fonte: Época

“Dirty Dancing” comemora 25 anos nesta terça (21); relembre hits e polêmicas do filme

Cena do filme Dirty Dancing

O Brasil conheceu o ritmo quente de “Dirty Dancing” em setembro de 1987, quando o filme chegou aos cinemas nacionais pela primeira vez, mas é nesta terça, 21 de agosto, que o blockbuster oitentista comemora exatamente 25 anos de sua estreia nos Estados Unidos, marcada por hits românticos e a polêmica envolvendo o aborto de uma das personagens.

Em entrevista ao canal CNN exibida nesta segunda, a atriz Jennifer Grey relembrou a época em que atuou no longa no papel da adolescente Frances (Baby) Houseman, quando tinha 27 anos.

“O filme fala sobre a morte da inocência. Filmei dos 27 aos 28 anos e hoje vejo como eu era nova e também como foi a morte da minha inocência”, explica a atriz. Para Grey, esse marco foi um acidente de carro que sofreu com Mathew Broderick, e que matou as duas mulheres do outro automóvel envolvido na batida, dias antes da première do filme em Nova York.

“Esse longa mostra o amadurecimento dessa personagem e a forma alegre como ela vive a vida. Acho que isso é contagiante, e o principal motivo de o filme ainda fazer sucesso depois de 25 anos. As pessoas se identificam com ela”, analisa.

A atriz também lamentou a morte de Patrick Swayze, seu par romântico na trama e que morreu de câncer aos 57 anos, em 2009. “Sempre vi Patrick de uma forma vulnerável, tudo que ele fazia era muito intenso, mas eu sempre consegui ver sua beleza, uma beleza vulnerável que ainda hoje faz com que continuemos sentindo sua falta.”

Em resenha publicada pelo “The New York Times” no mesmo dia de seu lançamento nos Estados Unidos em 1987, o longa protagonizado por Patrick Swayze e Jennifer Grey menciona o fato de as famílias tradicionais americanas acusarem o filme de “encurtar o caminho dos jovens para o inferno”, por causa do tema lascivo da história.

Para o jornal, o filme – que se passa no verão americano de 1963, na colônia de férias Catskill – é “um adeus confortável ao ‘American way of life’ vivido após a morte do presidente Kennedy”. O “adeus” a que se refere o “NYT” é representado no filme pelas cenas em que Swayze – que vive o professor de dança pobretão Johnny Castle – sofre preconceito e é acusado de roubo por ser um empregado do hotel ou pelo amor proibido que vive com a aluna adolescente Frances (Baby) Houseman, papel de Grey.

Baby, por sua vez, também é uma garota à frente de seu tempo e se aventura pelas aulas de dança mesmo com a proibição do pai. Além disso, financia o aborto da amiga Penny, grávida de seu cunhado. Na época em que o filme foi lançado, o aborto tinha sido recém-liberado em algumas cidades americanas, na década de 1970, e por conta disso, o filme teve as cenas cortadas em algumas exibições. Isso depois do roteiro ser negado por diversos estúdios.

“Dirty Dancing” em números 

Escrito por Eleanor Bergstein e dirigido por Emile Ardolino, o filme arrecadou US$ 64 milhões nos Estados Unidos e US$ 214 milhões no mundo todo. Sua trilha sonora ficou no topo da parada da “Billboard” por 18 semanas.

“Dirty Dancing” foi o primeiro longa a ultrapassar a marca de um milhão de vendas em VHS. Uma de suas últimas versões em musical para o teatro, no Canadá, arrecadou US$ 2 milhões só no primeiro dia de estreia, em 2007.

Nos Estados Unidos No mundo Na parada Billboard
US$ 64 milhões US$ 214 milhões 18 semanas no 1º lugar

Remake do longa será produzido até 2014

O sucesso de “Dirty Dancing” motivou a produtora Lionsgate a fazer um remake para o filme, que tem previsão de lançamento para 2014. O roteirista escolhido é Brad Falchuk, responsável pelos episódios da série musical “Glee”. O elenco ainda não foi definido.

Fonte: Uol

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes

Blog Stats

  • 166.805 hits