O “Djavanear” flamenco

por Andressa Rocha

Assim como o flamenco está arraigado na mistura de manifestações folclóricas de vários povos que, ao passar pelo crivo de gargantas pontuais, resultou em arte extraordinária e intensa, Djavan está para a coesão harmônica e singular na forma que relaciona os diversos gêneros musicais, o pluralismo cultural e ritmos. Resultado: canções excepcionais conhecidas em diversos países e a descoberta de tesouros escondidos, música de qualidade para os ouvidos e a empolgação daquele garoto de Maceió que um dia largou a bola pela música.

Compositor, cantor, violonista e arranjador, Djavan teve uma formação musical que sempre valorizou a diversificação, inclusive, quase uma regra na época de sua adolescência, quando os músicos ouviam e tocavam de tudo. Quanto
mais os músicos se relacionavam com vários tipos de estilos, mais se adquiria experiência e know-how musical. Fato que contribuiu para o enriquecimento da estrutura harmônica tão marcante da música popular brasileira.

O pequeno alagoano costumava “viajar” pela coleção de discos do Dr. Ismar, amigo de seu pai. Mas Djavan sentia também uma atração quase incontrolável pelo flamenco. Segundo conta, é algo ancestral, que vem de outras vidas. Conforme um mapa astral feito por uma astróloga, a relação com a língua hispânica e as tradições relativas a essa cultura é algo muito antigo. “Já nasci no Peru, já nasci na Espanha… Eu tenho fluência em espanhol, sem nunca ao menos ter
estudado. Nos países cuja língua é o castelhano, dou entrevistas para todas as mídias em espanhol. É tudo muito familiar para mim”.

Espírito “gitano” que vai além de ÁRIA

O primeiro contato oficial de Djavan com a música flamenca foi com a gravação de “Oceano”, em 1989, na qual contou com o solo de guitarra de Paco de Lucia, um dos maiores marcos do flamenco. Importante ressaltar que Paco chegou a se questionar se conseguiria tocar uma harmonia tão complexa. O fruto dessa parceria é uma poesia cantada e tocada de forma sublime.

Em 1997 no Heineken Concerts, Djavan apresentou sua versão para “Granada”  de Agustín Lara, composição que rendeu ao mexicano algumas honras, inclusive uma casa na cidade espanhola oferecida pelo ditador Francisco Franco, em 1965. Em 2008, o cantor brasileiro participou do Festival da Guitarra de Córdoba e interpretou  “La Leyenda del Tiempo”, baseada na admiração pela forma de cantar de Camarón de La Isla.

Em 2001, na música  “Milagreiro”, com a qual encantou o mundo, ele abarcou nuances do flamenco na organização melódica no violão de Max Vianna e até mesmo a estória narrada na canção: um pouco triste e sofrida, como um amor não realizado, tal como ocorre com frequência em inúmeras canções flamencas. Djavan maestrou acordes, para sua voz e a de Cássia Eller- artista tinha muita afeição pelo flamenco – e os instrumentos sem perder a essência do cancioneiro brasileiro como base, ainda sim, ressaltando o flamenco.

E com Ária, seu álbum mais recente, Djavan traz um magnífico trabalho onde, pela primeira vez, canta músicas de outros compositores. Um disco de interpretações, no qual “La Noche”, de Enrique Heredia Carbonell e Juan Jose Suarez Escobar, foi a música eleita para representar o flamenco e dar aquele tom de diversidade, tão marcante nos seus trabalhos.

O artista está desenvolvendo um projeto, ainda sem nome, a ser lançado neste ano, seguido de uma grande turnê nacional. Ele define: “Vamos fazer um disco feliz”. Com certeza será mais um deleite musical e único. O “Djavanear” nas
estruturas harmônicas e notas musicais, como diria Caetano Veloso.

Como o Flamenco foi inserido no seu repertório?

A primeira vez que estive na Andaluzia, em Sevilha especificamente, sofri uma comoção muito grande. Me pareceu que voltei à um lugar em que já vivi. Fui às peñas ouvir flamenco, aos tablados…e  tive um sentimento muito intenso por
aquilo tudo. Uma impressão de intimidade com a cultura, familiaridade com os cheiros de Sevilha, com as comidas, com o povo e a música flamenca. É algo que faz parte de mim há muito tempo, e com o andar da vida isso foi se acentuando. Eu sinto uma fluidez do flamenco quando decido trabalhar com esta arte, em meu raciocínio musical. É realmente para alguém que já viveu isso em algum momento. No meu caso, em outras vidas.

Em alguns depoimentos  você citou Camarón de La Isla. Você se refere a ele como o mais expressivo, o que mais lhe emociona e como o “maior cantor do planeta”. Por que essa admiração?

Porque a gente que canta com a alma, consegue decifrar nele um cantor visceral que traz a sua alma para fora e a transporta junto aos sentimentos contidos nela à todas as direções: pessoas de todas as raças, faixas etárias, religião ou classe social. Em minha opinião, Camarón é o maior marco e símbolo de expressão do flamenco pela força impressa em seu cante. Ele tem uma mágica com esse gênero que encantou e continua encantando o mundo através de seu brilhantismo musical. Não sei como seria ele cantando outra coisa. Mas para mim, seria algo totalmente desnecessário. O que ele fez, para mim, basta. É suficiente. É único.

Você participou do Festival de la Guitarra de Córdoba em 2008 e interpretou “La leyenda del Tiempo” de Federico García Lorca, adaptada por Ricardo Pachón e interpretada por Camarón de Isla em 1979. Porque elegeu essa música?

É uma música que sempre apreciei, e de novo falando em Camarón, a forma que ele interpretou “La Leyenda del Tiempo” me instigou a cantá-la. Eu fiz um arranjo musical  diferente e essa composição viajou comigo em toda a turnê daquela
temporada.

Os flamencos, artistas de renome e espanhóis, têm muita admiração por você. Presenciei em diversos lugares na Espanha versões flamencas para algumas de suas músicas. O famoso grupo Ketama, por exemplo, fez uma versão de “Flor de Lis”. Qual sua opinião sobre essa releitura e como entende esse processo de intercâmbio de culturas no cenário musical?

Amo Ketama e gosto da versão do grupo para Flor de Lis. Acho que essa inter-relação cultural na música com outros artistas, com outros países, com outras culturas bem distintas é essencial. A troca de informação e o processo de influenciar uns ao outros é necessário para mim. Já fiz isso com África, Américas e, por que não com o flamenco?

A força da internet era ínfima há 10 anos atrás comparado com as ferramentas atuais de disseminação da informação em todas as áreas. E na área musical? Como você enxerga esse poder da internet? Quais os pontos positivos e negativos?

A internet é avidamente importante para adquirir informação e vejo como um canal de estudo. Tudo na vida é preciso saber corretamente como usar. No caso da internet, há como se perder um dia inteiro só com bobagens e não formatar nada significante. Por outro lado, é um canal aberto que pode ser usado de forma positiva para estudar, para ter acesso rápido a informações almejadas e, principalmente, para divulgar um trabalho. É um excelente condutor, de disseminação, seja na área musical, literária, etc. Por exemplo, eu fiquei encantando com a voz de Montse Cortés na música “La Noche”, que conheci há muitos anos através da internet. Tempos depois, senti que era a hora de interpretar da minha maneira essa canção e aí está ela, em Ária.

Mais informações, acesse: www.djavan.com.br

Fotos: Divulgação

A canção está em crise?

O quinto encontro da seção “Desentendimento” reúne o cantor e compositor Romulo Fróes e o professor de música da USP Walter Garcia para discutir o estado atual da música brasileira e uma suposta crise da canção. Paulo da Costa e Silva, coordenador da Rádio Batuta, a webradio do IMS, foi responsável pela mediação do bate-papo em vídeo.

Bloco 1 – “Sobrevivendo ao inferno [dos Racionais MC’s] tem um patamar artístico mais elevado que Cambaio, de Chico Buarque”.

Em entrevista, Chico Buarque foi o primeiro grande nome da MPB a mencionar um possível “fim da canção”. Está a canção em crise? E por quê? Rômulo Fróes argumenta que a ideia de um público, como existia nos anos 50, não existe mais. O compositor acredita que a canção não tem mais um papel protagonista, e que vive uma crise no sentido de que a crítica espera um novo Chico ou Caetano desta geração.

Walter Garcia retoma o contexto no qual Chico fez a afirmação sobre o fim da canção: a relação da canção tradicional com a MPB e com o rap. Para Walter, o disco Sobrevivendo ao inferno, dos Racionais Mc’s, tem muito mais força que Cambaio, de Chico Buarque. O rap tem a capacidade de dialogar com a experiência contemporânea de viver nas grandes cidades brasileiras.

Bloco 2 – “O Criolo acha que pode mexer com Chico Buarque na maior. Uma petulância do bem.”

Walter Garcia e Romulo Fróes discutem os meios de produção atuais da música – o acesso ao computador como necessário para criar música nos dias de hoje. Paulo questiona se o rap pode ser visto como uma continuidade ou uma negação da música que vinha sendo produzida no país. Walter traça uma linha da música negra em São Paulo, que passa ao largo da história oficial da MPB. Romulo Fróes, discutindo os sucessores de Racionais, afirma que Emicida e Criolo, artistas que vieram depois, não apresentam mais a violência do Mano Brown. O compositor afirma que esses novos músicos conseguem repensar o cânone (Chico, Caetano) de maneira irônica, sampleando e parodiando.

Bloco 3 – “A crise do Chico está na canção dele”

Walter toma o último disco de Chico Buarque e propõe mais uma comparação com Racionais. Fróes questiona a eficácia dos arranjos nos últimos discos de Chico, exemplificando sua crítica com a canção Tipo um Baião  – e Walter discorda, defendendo o trabalho de Luiz Cláudio Ramos. Garcia afirma que Ramos é avançadíssimo no jogo entre a harmonia e a melodia.

Bloco 4 – “A canção da MPB expressava uma ideia de conciliação de classes desde os anos 40. A partir de 1980, essa ideia começou a ruir.”

Romulo Fróes retoma o trabalho de Caetano Veloso em seus últimos discos – e o contato do compositor com novos artistas, que transformou a música dele. Walter afirma que, desde O estrangeiro, Caetano tenta dar conta de uma nova fase da vida brasileira, na qual a violência aparece e a conciliação de classes não é mais possível.

Fonte: Revista Serrote

“Stones está no DNA de quase todas as bandas de rock”

por Lúcio Ribeiro

A história é mais que batida. Quando os Beatles apresentaram ao mundo o pop perfeito “yeahyeahyeah”, apareceram os Rolling Stones para “estragar” tudo com transgressão, picardia, sexualidade. Isso eram anos de 1960.

Mais do que uma influência necessariamente musical –até porque Jagger só existe um, Richards só existe um–, os Stones viraram nos 50 anos depois de sua formação uma influência comportamental, espiritual, nessa coisa rebelde que dá alma ao rock, da qual ele se gaba tanto.

E essa “partícula de Stones” é vista de modo natural até hoje, seja em bandas inglesas, da Austrália, suecas, do Brooklyn ou de São Paulo. Ou até nos próprios Stones, que adolescentemente teimam em se manterem na ativa até hoje, mesmo que seus integrantes sejam todos –ou quase todos– septuagenários.

Em maio deste ano, em São Paulo, o festival da Cultura Inglesa promoveu mais uma edição de seu evento anual, escalando a banda indie paulistana Garotas Suecas para tocar músicas dos Stones o show inteiro. Em que pese ser uma banda do agora, a incorporação stoniana do Garotas Suecas foi muito boa, sem maiores estranhamentos, sem parecer uma banda cover de ocasião.

E as músicas antigas da turma de Mick Jagger, ainda que na voz da nova geração, continuavam soando atuais. Porque Stones está no DNA de quase todas as bandas de rock, qualquer que seja a idade.

Os integrantes do Rolling Stones Keith Richards, Ronnie Wood, Charlie Watts e Mick Jagger no lançamento do filme "Shine a Light", em Londres (02/04/2008)

Em entrevistas que antecederam o “Garotas Suecas toca Stones” do festival, era comum o grupo paulistano citar a banda inglesa cinquentona como “influência fundamental”, mesmo que o som original do Suecas pouco tenha a ver com os Stones em si. “A primeira música que tocamos como banda, quando nos juntamos, foi ‘Jumping Jack Flash'”, disse o integrante de uma banda “dos dias de hoje” e que tem pouco mais de cinco anos de existência.

Quando ainda hoje, seja nas bandas novas, seja em eventos como as Olimpíadas de Londres, em que os Stones são um tipo de trilha sonora involuntária (campanhas de TV) e boatos de que a banda tocará na abertura dos Jogos, a impressão que dá é que muitos dos grupos de rock que ainda se formarão no futuro vão prestar muitos tributos ao quarteto de Jagger/Richards. Seja no som, seja principalmente na alma.

Fonte: Uol

Em cinco décadas, Rolling Stones mudou os rumos do rock

por Thales de Menezes

Em 12 de julho de 1962, a casa noturna Marquee, em Londres, exibiu na porta um cartaz escrito à mão: “Tonite: The Rolling Stones”. Ninguém naquele lugar sabia, mas a música jovem mudaria muito a partir daquela noite.

Menos criativos musicalmente do que os Beatles –grupo que foi ao mesmo tempo seu rival e espelho–, os Stones funcionaram desde o início como uma antena fincada no mundo pop.

Nenhuma outra banda captou as mudanças comportamentais frenéticas dos anos 60 como eles fizeram. Pelo menos nas duas primeiras de suas cinco décadas de atividade, o que era moderno e bacana passava pelos Stones.

Em seu primeiro show oficial, traziam quase sua formação clássica. Mick Jagger cantava, Keith Richards e Brian Jones tocavam guitarras. O baixista Dick Taylor e o baterista Tony Chapman seriam trocados nos meses seguintes por Bill Wyman e Charlie Watts, criando o quinteto definitivo.

O tecladista Ian Stewart foi relegado a acompanhante porque o empresário achou que ele era feio demais.

Com a morte de Jones, afogado numa piscina em 1969, os Stones teriam mais dois guitarristas: Mick Taylor (1969-1974) e Ronnie Wood, que entrou em 1975.

A banda Rolling Stones em foto de turnê de 1976

Mas o coração da banda foi o mesmo por todos esses 50 anos. Jagger e Richards assumiram seus lugares no panteão do rock em 1965, quando, instigados pelo folk politizado de Bob Dylan, compuseram o hino de revolta “Satisfaction”. E deixaram o iê-iê-iê antes dos Beatles.

A dupla tomou uma virada de Lennon e McCartney, mas deu o troco. Diante do revolucionário álbum beatle “Sgt. Pepper’s” e da psicodelia do rock californiano de 1967, fizeram o viajandão “Their Satanic Majesties Request”.

Ele só foi reconhecido como clássico anos depois. O mesmo se deu com a pegada de música negra americana de “Exile on Main St.” (1972) e com o resgate de rock básico de “Some Girls” (1978).

Descobriram a Jamaica e o reggae em 1972, antes de todos os colegas brancos. Flertaram com a música disco em “Goats Head Soup”, em 1973, antes do estouro do gênero.

Mais do que na música, é no comportamento que a influência dos Stones é forte. O que eles vestiam, diziam ou consumiam ganhava imediatamente ares de regra.

Jagger se transformou no roqueiro do jet set, seja na “swinging London” dos anos 60 ou nas discotecas de Nova York na década seguinte.

Até como empresário ele vingou. Enquanto os Beatles –sempre essa comparação!– lançaram uma gravadora e a deixaram morrer, os Stones criaram seu selo, aquele da boca com a língua de fora, e transformaram a banda numa empresa bem-sucedida.

A turnê americana de 1981, a primeira com superpalcos e telões, foi recordista de faturamento por 15 anos, com 3 milhões de espectadores e US$ 50 milhões em ingressos. Em 2006, foi a vez do recorde de público num show: mais de 1 milhão de pessoas na praia de Copacabana.

Por tudo isso, esses 50 anos não são apenas a história dos Stones, mas de todo mundo que gosta de rock and roll.

Fonte: Folha Online

Música do Muse será tema oficial das Olimpíadas

As Olimpíadas de Londres irão adotar a nova música do Muse, “Survival”, como tema oficial dos Jogos. A faixa poderá ser ouvida quando os atletas entram nos estádios para competir e nas cerimônias de entrega de medalhas.

“É uma grande honra ter a faixa escolhida como uma parte importante das Olimpíadas de Londres”, afirmou o vocalista Matt Bellamy em um comunicado oficial. “Eu escrevi com os Jogos em mente, já que expressa um senso de convicção e determinação para vencer.”

“Survival” vai estrear nas rádios internacionais e ser lançada no iTunes nesta quarta, 27. O Muse vai lançar o próximo álbum, The 2nd Law, em setembro.

Fonte: Rolling Stone EUA

Os Últimos Dias de Michael Jackson

Nota do Catarse Musical:

Podem falar o que quiserem do Michael Jackson, especular sobre sua vida privada, suas esquisitices, sua família, mas nunca duvidar de sua importância no cenário pop… desde sua infância. O legado de Michael é eterno, por isso sua morte foi apenas um rito de passagem de seu corpo já cansado de ser tão mexido pelo próprio cantor, mas seu espírito é imortal. Sua dança, seu falsete e sua sensibilidade sempre serão lembrados e continuarão como referência no mundo da música e da dança. Sua genialidade no comando de seus shows e preocupação com o futuro do planeta são louváveis.

Em época de Rio+20, poucas músicas falam tanto sobre preservação quanto “Heal The World”, do Michael. Em tempos de músicas pop com letras banais e melodias pobres, Back or White, Remember the Time, Bad e Thriller são aulas.

Dá um nó na garganta de lembrar da manhã de 25 de junho de 2009… quando mudava de canal freneticamente tentando encontrar algum noticiário que falasse que ele não tinha morrido.

Na Rolling Stone foi publicado um texto incrível sobre esse momento de choque… vale a pena! Segue:

por Por Claire Hoffman
( Neste 25 de junho de 2012, quando a morte do Rei do Pop completa três anos, releia a matéria de capa, publicada em agosto de 2009)

O corpo de Michael Jackson está sobre uma maca no necrotério, no centro de Los Angeles. Ele está vestido com calça preta brilhante, um avental hospitalar fino e nada mais. Os pés estão descalços e o braço esquerdo cheio de marcas de agulha. O tórax pálido e estreito está coberto de hematomas – evidências de esforços médicos nas últimas horas para salvar sua vida. Médicos e seguranças entram e saem da pequena sala onde está a maca, ansiosos por dar uma espiada no corpo de Jackson. Tudo havia começado na manhã daquela quinta-feira, quando o médico que morava com o cantor havia tentado freneticamente reanimá-lo. Quando os paramédicos chegaram, respondendo a uma ligação desesperada para o serviço de emergência 911 às 12h21, queriam pronunciar sua morte no ato.

Mas Michael Jackson não poderia estar morto. Seu corpo foi carregado para uma ambulância e levado ao UCLA Medical Center, onde uma equipe de médicos trabalhou por mais de uma hora, aplicando um desfibrilador no peito de Jackson, todos esperando que pudessem evitar que um dos maiores artistas da música terminasse naquele necrotério. O rosto de Jackson, que ele reconstruiu tão dolorosamente e escondeu do público por décadas, agora está à mostra, sem disfarce, sob as luzes fortes do necrotério. A prótese que normalmente acoplava a seu nariz danificado não estava ali, o que revelava pedaços de cartilagem cercando um pequeno buraco escuro. Mas, para quem passava pela sala, Michael finalmente estava descansando. “Vendo-o deitado ali”, lembra uma testemunha, “ele parecia estar em paz”.

Ainda era um dia antes da autópsia, quando patologistas o abririam para tentar entender por que um homem magro de 50 anos – que havia dançado por horas na noite anterior – morreu tão repentinamente. No entanto, enquanto Jackson estava no necrotério na tarde de 25 de junho, detetives já haviam entrado na mansão alugada pelo cantor em Bel-Air, recolhendo uma quantidade enorme de medicamentos que ele mantinha à mão. Mais assustadores eram os diversos relatos de que os dois sacos grandes de remédios que os investigadores levaram continham frascos de Diprivan, um anestésico potente utilizado em pacientes antes de cirurgias com anestesia geral. Diz-se que Jackson usava o Diprivan há anos para conseguir dormir, e a polícia de L os Angeles logo começou a investigar se sua morte deveria ser considerada um homicídio, deixando claro que queria questionar o médico do cantor, Conrad Murray. Murray havia exigido US$ 1 milhão por mês para trabalhar para Jackson – e desapareceu depois que seu cliente foi pronunciado morto na sala de emergência do UCLA.

Horas depois da morte de Michael, LaToya Jackson supostamente foi à casa do irmão, procurando ansiosamente por malas de dinheiro que sabia que ele mantinha ali e, em questão de dias, a mãe deles foi aos tribunais para lutar pelo controle do patrimônio de Jackson e pela custódia de seus três filhos. As crianças haviam seguido Jackson até o hospital em um Escalade azul e quem lhes contou que seu pai havia morrido foi o empresário de Michael, Frank DiLeo, que quase desmaiou quando uma enfermeira lhe deu a notícia. Este era o Michael Jackson que o mundo conhecia e ridicularizava: a família maluca, as plásticas malfeitas, os dois divórcios, as acusações de abuso contra menores, os problemas financeiros que o deixaram com uma dívida estimada em US$ 500 milhões.

Mas Michael tinha uma opinião diferente. Em seus últimos dias, não apenas sonhava comum retorno, mas também trabalhou o máximo que conseguia para realizar isso, talvez tanto quanto sempre fizera. Compôs novas músicas, ensaiou por horas a fio para aperfeiçoar os shows que pagariam suas dívidas e marcariam seu retorno ao topo do panteão e planejou cada detalhe de sua turnê de retorno – um espetáculo imenso que já havia custado pelo menos US$ 25 milhões só em pré-produção, Jackson deu à sua turnê um nome que já dizia tudo: This Is It. Jackson sabia o que as pessoas pensavam dele e as faria mudar de percepção, como havia feito várias vezes. Nos últimos meses de sua vida, Jackson não pensava em nada além da turnê, e as pessoas que amava e em quem confiava tinham certeza de que este era o momento pelo qual esperava.

Na noite antes de sua morte, Jackson passou por seis horas de prova de roupas para seu show no Staples Center, em Los Angeles. Mais de uma dezena de pessoas presenciou o ensaio final – de seu promotor ao coreógrafo e músicos – e todos concordam com uma coisa: Jackson estava melhor do que nunca. Ele era puro pop, da mesma forma que em seus dias de glória, cantando e dançando melhor que os jovens profissionais que o cercavam. “Ele era tão brilhante no palco”, lembra o diretor da turnê, Kenny Ortega. “Eu ficava arrepiado.” Ken Ehrlich, que produziu os prêmios Grammy por três décadas, estava sentado na plateia, embasbacado. “Falei para alguém: ‘Isso é impressionante!’ Por muitos anos vi Chris Brown, Justin Timberlake, Backstreet Boys e o En Vogue imitarem o Michael Jackson – e ali estávamos nós, muitos anos depois, e ele estava para voltar. Literalmente me deu arrepios, os pelos na nuca levantaram. Você espera por momentos como aquele.” This Is It deveria ter sido o maior retorno de todos os tempos. “Frank”, falou Jackson a seu empresário, “temos que fazer o maior show da Terra”. A tragédia é que ele quase conseguiu.

Um dia, quase no fim de fevereiro, Kenny Ortega atendeu ao telefone de seu escritório em casa em Sherman Oaks, Califórnia, e ouviu uma voz suave, familiar em falsete no outro lado da linha. “Kenny, é o Michael.” Imediatamente, Ortega ouviu algo na voz de Jackson que estava faltando há muito tempo: empolgação. Os dois ficaram amigos no início dos anos 90, quando Ortega coreografou a turnê Dangerous, e trabalharam juntos novamente na turnê HIStory. Após sua liberação das acusações de abuso de menores, em 2005, Jackson havia praticamente parado de contatar seus amigos na indústria musical, mas agora, enquanto Jackson descrevia a turnê de retorno que estava montando, Ortega ouviu um foco no astro que não estava ali há anos. Michael soava preciso e claro, enquanto contava a Ortega que queria que aquele fosse o show mais espetacular da história da música. “É isso”, disse Jackson, ecoando o que acabaria se tornando o nome da turnê.

No verão anterior, Michael parecia um homem acabado. Fotógrafos o haviam flagrado sendo empurrado sob o sol escaldante de Las Vegas em uma cadeira de rodas, usando máscara cirúrgica e pijama. Era difícil não ver aquelas fotos e se perguntar o que havia acontecido ao homem que dançava vestindo meias e luvas brilhantes como se controlasse a gravidade. Naqueles dias, ele parecia uma criatura de outro mundo, não regido pela lógica e vulnerável a tudo. Jackson havia se mudado para Vegas depois de voltar do Oriente Médio, em 2006, e foi morar com os filhos em uma mansão de dez quartos a oeste da Strip, onde fica boa parte dos grandes hotéis e cassinos. Jack Wishna, um executivo inescrupuloso da indústria de jogos que tinha feito lobby para Donald Trump abrir um resort na cidade, estava tentando ajudar Michael a realizar uma série de shows em Vegas que poderiam pagar suas cada vez maiores dívidas, mas o negócio não ia bem. Wishna depois contou à CNN que o cantor parecia “drogado” e “incoerente” e frequentemente estava tão fraco que precisava de uma cadeira de rodas para se locomover. Jackson e os filhos raramente saíam da mansão, exceto para fazer compras. Quando saíam, as crianças usavam máscaras de tecido e penas para se esconderem dos fotógrafos, com o pai ao lado em seus uniformes esquisitos de um exército imaginário, cheio de dragonas e tarjas no braço. Os shows em Vegas acabaram sendo cancelados devido à condição de Jackson.

Naquele ponto, Jackson estava em uma espiral decadente havia anos. O ponto de ruptura aconteceu enquanto voltava para casa em uma carreata em 13 de junho de 2005, após ser inocentado das dez acusações de abuso infantil e outras. O clima no carro estava pesado. Ao chegar ao rancho Neverland, Jackson subiu as escadas e olhou para Dick Gregory, um comediante e amigo da família que o conhecia desde que havia estrelado em O Mágico Inesquecível. Jackson agarrou Gregory e o abraçou com força. “Não me abandone”, implorou. “Estão tentando me matar.” Gregory teve a sensação de que Jackson se referia ao mundo inteiro. Michael parecia paranóico e desidratado. “Você comeu?”, perguntou Gregory, sabendo que Jackson frequentemente passava dias sem se alimentar. “Não posso comer”, respondeu Jackson. “Estão tentando me envenenar.” “Faça-me um favor”, disse Gregory. “Vá embora. Todas essas pessoas te enganaram.” Embora pareça melodramático, Gregory poderia estar certo. Jackson vivia há muito tempo em um mundo alternativo de puxa-sacos que pareciam ir e vir, ludibriando o cantor ou o acusando de ludibriá-los. Nem mesmo sua família parecia conseguir passar por esse mundo de oportunismo. Na época de seu julgamento por abuso, esse círculo estava cada vez mais obscuro. Havia Marc Schaffel, um ex-produtor de filmes pornô gays que era conselheiro de Jackson há anos, e Al Malnik, advogado que, diz-se, já representou o mafioso Meyer Lansky. E houve seus seguranças da organização Nação do Islã, que supostamente brigaram com os irmãos Jackson, que haviam demonstrado preocupação com a influência da Nação sobre a vida de Michael.

Jackson sabia que tinha de ir embora – mas seu salvador escolhido só tornou as coisas mais estranhas. Em junho, para ajudá-lo a resolver suas finanças e fugir do foco da mídia, Jackson recorreu a um homem que nunca havia encontrado: o xeique Abdullah bin Hamad bin Isa Al-Khalifa, príncipe do Bahrein. O xeique havia se tornado amigo de Jermaine, irmão de Michael, que havia se convertido ao islamismo e vivido por quatro meses no Bahrein. Abdullah ajudou a pagar US$ 2,2 milhões em honorários jurídicos para Michael e, no final do mês, Jackson – com os três filhos e a equipe – foi morar com o príncipe. Houve boatos de shows particulares para o xeique. Abdullah, que tinha suas próprias aspirações musicais, mais tarde contou que ele e Michael estavam trabalhando juntos em um disco. Mesmo naqueles dias, Jackson sonhava com um retorno. “Uma turnê sempre estava nos planos”, diz Miko Brando, filho do legendário ator Marlon Brando, que conversou com Michael pelo telefone durante a estada do cantor no Bahrein. “Era só para ele se preparar, voltar ao trabalho e ser produtivo. Michael é perfeccionista demais para ficar sentado sem fazer nada. Sempre estava criando música, criando ideias, sabia como juntar tudo, o que funcionava, o que o público queria.” No entanto, como sempre, as coisas pareceram dar errado rapidamente. Depois que Jackson deixou o Bahrein em 2006, Abdullah abriu um processo contra o cantor, alegando que havia gasto quantias enormes com ele – do aluguel de uma mansão palaciana à compra de loções para o corpo e de uma Ferrari – na expectativa de que Michael gravasse um álbum de músicas que havia composto. Jackson voou para a Irlanda, onde continuou trabalhando em músicas.

Em meados de 2007, Jackson foi contatado pela AEG, uma das maiores organizadoras de shows do mundo. A empresa estava prestes a abrir a O2, uma arena para 18 mil pessoas às margens do rio Tamisa, na zona leste de Londres, e precisava de alguém poderoso para lotá-la. Randy Phillips, CEO da AEG Live, era conhecido de Jackson desde a década de 80, quando ambos trabalharam juntos em um negócio para a fabricante de tênis LA Gear. Phillips voou até Las Vegas para se encontrar com Jackson e seus conselheiros, e eles jantaram na adega particular de um condomínio de apartamentos de luxo. Jackson chegou usando óculos escuros e um chapéu, mas parecia desinteressado enquanto Phillips fazia sua proposta para uma série de shows na arena O2. “Ele estava escutando”, lembra Phillips, “mas não estava empolgado”. Jackson disse que havia amado a longa temporada de shows que Celine Dion fez em Vegas, e estava interessado em fazer algo parecido. No entanto, pouco após a reunião, Phillips recebeu uma ligação de Raymone Bain, uma das conselheiras de Jackson, dizendo que o astro não estava pronto para se apresentar novamente. Então, em outubro de 2007, credores começaram os procedimentos de embargo do amado Neverland. “Ele não pensava em dinheiro – não era sua motivação”, conta Phillips. “Talvez seja por isso que ele gastava tanto.” No ano passado, com os shows descartados, Jackson procurou Wall Street para uma solução. Por causa de um hábito de gastar, segundo alguns, até US$ 35 milhões por ano, Jackson havia sustentado seu estilo de vida pomposo tomando empréstimos estimados em US$ 270 milhões do Bank of America, uma boa parte deles assegurados pelo rancho Neverland e por sua parte no catálogo de edição da Sony/ATV, que inclui músicas dos Beatles e dos Jonas Brothers. No entanto, o Bank of America vendeu o pacote de empréstimos à Fortress Investments, uma empresa de Nova York especializada em dívidas inadimplentes. A Fortress tinha boas relações e sabia como tirar vantagem dos infortúnios dos outros. Em março de 2008, Jackson anunciou que havia feito um acordo com a Fortress – que, diz-se, chegou a cobrar dele 20 por cento de juros sobre os empréstimos antigos – para interromper os procedimentos de embargo de Neverland pela firma. Só que o acordo nunca se materializou. Em vez disso, Michael aceitou o conselho de alguém que havia acabado de conhecer: Tohme Tohme, um financista libanês de Los Angeles. De acordo com Tohme, ele foi contatado no ano passado pelo irmão de Michael, Jermaine, que lhe perguntou se poderia ajudar a salvar Neverland do embargo. Os dois voaram para Las Vegas e se encontraram com Michael, que confiou em Tohme. O financista rapidamente persuadiu seu amigo Tom Barrack, o bilionário CEO da Colony Capital, a se reunir com Jackson. Barrack, cujo fundo de investimento é dono do Hilton de Las Vegas e dezenas de outros resorts e cassinos, orgulha-se de seu “contrarianismo cuidadoso”, que define como “investir em setores ou mercados de favor para explorar desalinhamentos de capital ou produto”. Se um setor estava sem favores ou desalinhado, este era Michael Jackson – e Barrack tinha os recursos para resgatá-lo da Fortress.

Em maio de 2008, a Colony e Jackson adiaram o embargo de Neverland ao formarem uma holding para propriedade conjunta do rancho, com os dois como sócios Eles reverteram a situação ao devolvê-lo seu nome pré-Jackson, Sycamore Valley Ranch, e imediatamente começaram a reforma, mais provavelmente com o objetivo de vendê-lo. Tohme, aparentemente pensando que poderia transformar o caos na vida de Jackson em um investimento sólido, também fez um acordo com a casa de leilões Julien’s em Los Angeles para vender o que havia dentro de Neverland. Darren Julien, o leiloeiro, passou meses trabalhando com a equipe de Jackson, catalogando cuidadosamente o imenso conteúdo do rancho de 1.092 hectares. Só que, naquele outono, o leilão enfrentou uma pausa abrupta quando uma das empresas de Jackson abriu um processo contra a Julien’s, alegando que não havia concordado com a venda. A reversão repentina destacou o que muitos no mundo de Jackson sabiam havia tempos: que ele estava cercado de conselheiros concorrentes e quem era beneficiado ou não parecia mudar num piscar de olhos. Se Jackson não fosse vender suas coisas de Neverland, teria de encontrar outra maneira de ganhar dinheiro. Na última primavera, Barrack se reuniu com Phillips e descreveu os planos da Colony para reestruturar a bagunça que eram as finanças de Jackson. Em novembro, o cantor voou de Las Vegas para Los Angeles e se encontrou com Phillips no Hotel Bel-Air. Mais uma vez, falaram sobre a possibilidade de um retorno – mas agora Michael parecia bastante interessado.

Enquanto ele e Phillips conversaram por horas, Jackson abriu o jogo sobre tudo o que queria. Falou sobre fazer filmes que iria estrelar e dirigir. Já havia gasto milhões em um – Ghosts, um curta-metragem de terror voltado para a família, que estrelou e se baseava em um roteiro que havia pedido a Stephen King. Queria gravar outro álbum. E fazer uma turnê. No entanto, mais do que tudo, Phillips lembra, Jackson queria poder mostrar a seus filhos o que fazia, o que levava as pessoas a correrem atrás dele na rua quando saía de casa. “Ele queria que as pessoas vissem seu trabalho e não falassem apenas de seu estilo de vida”, diz Phillips. “Michael era um homem de marketing muito inteligente. As pessoas dizem que era fraco e manipulado, mas ele era poderoso e um manipulador. Estava preparado – e queria sanar suas finanças.” Jackson disse ao promotor que queria pagar as dívidas para comprar uma casa em Las Vegas pela qual havia se apaixonado e que pertencia ao sultão de Brunei. Seria seu novo Neverland. “Ele estava pronto para parar de viver como um vagabundo e se estabilizar e ganhar dinheiro novamente”, conta Phillips. “Michael não era burro – sabia que uma fada madrinha não viria. A casa e os filmes eram muito importantes para ele.” Depois da reunião, Phillips conversou com o dono da AEG, Phil Anschutz. “Acho que Michael precisa fazer isso financeiramente”, Phillips disse ao chefe. “E está pronto para fazer isso emocionalmente. Está pronto para retomar as rédeas.” Jackson concordou em começar uma turnê mundial de retorno com 31 shows na arena O2, a partir de 8 de julho. De acordo com Phillips, o número de shows não era arbitrário – Jackson o escolheu para ter dez shows a mais do que Prince, que havia inaugurado a arena com uma série de concertos espetaculares em 2007. Michael, parece, estava envolvido em sua própria competição com Prince desde 1987, quando este se recusou a fazer um dueto com ele em “Bad”. Duas décadas depois, Jackson ainda estava disposto a superar seu rival e lembrar ao mundo quem era o Rei.

Em fevereiro, após chegar a um acordo com a AEG, Jackson fez várias ligações para amigos e associados que havia abandonado ou demitido ao longo dos anos. “Era a velha equipe”, diz Ortega. Frank DiLeo, que havia sido afastado do círculo íntimo de Jackson há duas décadas, retornou como empresário, assim como o coreógrafo Travis Payne e o advogado de longa data John Branca, que havia ajudado Jackson a comprar sua parte no catálogo da Sony/ATV e os direitos a todos os seus masters. “Ele entendia que trabalharia para ter liberdade financeira, e estava muito empolgado com isso”, conta DiLeo. “Ficou estimulado – sabia que estava trabalhando em direção a algo.” Para a AEG, agendar Jackson para uma série de shows na arena O2 era uma aposta enorme. Os custos com seguro eram monumentais e todos sabiam que Jackson não fazia nada com baixo orçamento. Como parte do acordo, a AEG estabeleceu um fundo de desenvolvimento de milhões de dólares para criar uma versão em filme de “Thriller”, que Michael estava ansioso para produzir. No entanto, apesar dos custos, o possível lado positivo era imenso: e se a AEG conseguisse fazer o impossível e trouxesse Michael Jackson de volta ao mundo? “Teve gente que me disse que eu estava louco, que ele me decepcionaria”, afirma Phillips. “Mas simplesmente acreditei nele. Quantas vezes em sua carreira você consegue tocar a grandeza? Achei que o risco valia a pena.”

Em março, horas antes de Jackson contar a uma horda de fãs histéricos em Londres que estava preparando o que chamava de seu “último abrir de cortinas”, mais de 1,6 milhão de pessoas se inscreveram para comprar entradas. Dados os números, Phillips ligou para Tohme, que no último ano havia se tornado o principal porta-voz de Jackson, e perguntou se o astro consideraria acrescentar alguns shows à agenda. Como eles poderiam se limitar a 31, perguntou Phillips, quando havia muito mais dinheiro a ser ganho? Jackson ligou de volta 20 minutos depois e disse a Phillips que faria 50 shows – desde que a AEG fizesse duas coisas por ele. Primeiro, queria uma casa de campo inglesa com montanhas, gramado e cavalos para os filhos. Segundo, queria uma cerimônia a ser realizada no final da turnê para comemorar alguma conquista ainda indefinida de Jackson para o Guinness, o livro dos recordes. Essas eram duas coisas aparentemente contraditórias pelas quais havia lutado toda a sua vida: morar recluso, cercado de crianças e animais, e ser reconhecido como o maior artista da história. Naquele ponto, Jackson havia se mudado com a família para Los Angeles, alugando uma mansão de US$ 38 milhões e sete quartos na Holmby Hills de Hubert Guez, CEO da marca de camisetas de luxo Ed Hardy. Depois de assinar um arrendamento de US$ 100 mil por mês, Jackson estabeleceu uma certa rotina, saindo principalmente à noite. No entanto, não demorou muito para fãs e paparazzi o seguirem e fazerem vigília na porta de sua nova casa. Todos os dias, uma dezena de pessoas esperava do lado de fora, algumas vindas de lugares distantes, como Suíça e Suécia, só para tentar ver Jackson, mesmo se fosse apenas um aceno de mão da janela de um de seus dois Escalades azuis. Algumas delas seguiam Jackson até Beverly Hills, onde ele visitava regularmente seu dermatologista de longa data, Arnold Klein. O consultório de Klein é onde Michael, em meados dos anos 80, conheceu Debbie Rowe, sua segunda esposa e mãe dos dois filhos mais velhos, Prince Michael e Paris. Klein, que não quis dar declarações, alegou que tratava Jackson para vitiligo, uma doença de pele que causa perda de pigmentação, e trabalhava para ajudar a reconstruir seu nariz danificado. Klein insistiu que não medicou Jackson em excesso, dizendo que sedava o cantor apenas durante procedimentos médicos dolorosos. Alguns dias, quando Jackson saía do consultório de Klein, parecia sonolento e fora de si. “Não é um bom dia para ele”, seus seguranças diziam aos grupos de admiradores. “Está cansado.” No entanto, alguns fãs de longa data não acreditavam nisso. “Às vezes, os guardas diziam que ele havia acabado de ir ao médico e estava medicado”, conta um fã fervoroso, que diz que Jackson visitou Klein na segunda-feira antes de sua morte, quando os seguranças o levaram ao consultório do dermatologista às 9h – uma missão no início da manhã aparentemente agendada para evitar a detecção pelos fãs e paparazzi. De acordo com uma fonte, Michael também tinha um vício desenfreado no eBay, ficando acordado até tarde para fazer compras em uma das muitas contas que mantinha. Ele também fazia excursões secretas de compras em LA, levando os filhos à loja Ed Hardy em West Hollywood para ver as roupas ou a uma loja de antiguidades que amava, chamada Off the Wall. Às vezes, simplesmente juntava os filhos e os seguranças e saía dirigindo. No entanto, pela primeira vez em anos, Jackson tinha um show para se concentrar. Em março, os testes para a turnê de retorno começaram no CenterStaging, um dos principais espaços para ensaio de Los Angeles. Desde o início, Michael botou a mão na massa para a confecção do show, pedindo a quem estava à sua volta para realizar uma espécie de busca de talentos intergaláctica. “Pense nos maiores artistas e dançarinos do mundo”, disse a Ortega. “Vamos encontrá-los.” Mais de 5 mil dançarinos se inscreveram, e Ortega e sua equipe reduziram a lista para 700. Os testes finais foram realizados no Nokia Theater em Hollywood, onde a cerimônia do Oscar ocorre. Jackson ficava ali, sentado ao lado de Ortega, totalmente focado. “Vamos nos aproximar”, pediu ao coreógrafo. “Quero ver os olhos deles.” Quando via uma dançarina promissora, dizia: “Aquela ali, a garota na ponta – ela é tão bonita”. No final de março, apenas três meses antes da data programada para o primeiro show, uma equipe de dezenas de músicos, dançarinos e técnicos começou a aparecer para ensaios diários no CenterStaging – fazendo jornadas longas, sete dias na semana. No começo, Jackson comparecia apenas algumas vezes por semana.

Jackson estava determinado a dar a seus fãs tudo o que queriam. Encomendou um website para que os fãs pudessem votar nas músicas que incluiria, e foi a partir desse fórum que ele e Ortega começaram a compilar um repertório de 30 músicas. Jackson, que sempre se interessou por mágica, parecia ansioso por impressionar as pessoas. “Quando o show começar, não quero ser contido em nada”, disse a Ortega. “Quero que esta seja a abertura mais espetacular que o público já viu. Eles têm de se perguntar ‘Como vão superar isso?’ Nem me importa se estiverem aplaudindo, quero queixos caídos no chão. Quero que não consigam dormir, de tão mesmerizados com o que viram.” Para entrar em forma para a exaustiva turnê, Jackson começou a se exercitar algumas vezes por semana com Lou Ferrigno, do seriado O Incrível Hulk. Os dois haviam se conhecido anos atrás em uma festa, quando Ferrigno notou Jackson o encarando do outro lado da sala, reconhecendo-o como Hulk. “Ele era como uma criança”, diz Ferrigno, que chegava de manhã e era recebido pelos fi lhos de Jackson correndo pela casa e brincando. Jackson estava dolorosamente magro – embora tivesse cerca de 1,80 m de altura, pesava apenas 56 kg – e havia sofrido vários ferimentos ao longo dos anos. Ele e Ferrigno iam para uma sala equipada com esteira. Jackson não queria formar músculos, então se exercitavam levemente, fazendo alongamentos com uma faixa de borracha e uma bola de ginástica. Jackson vestia uma calça de smoking, camiseta, sapatos e meias, todos pretos, enquanto se exercitava, para não ter de trocar de roupa quando fosse para os ensaios. “Era uma figura”, conta Ferrigno. “Era um piadista. Às vezes me ligava disfarçando a voz por dez minutos. Eu achava que tinha um perseguidor. Dizia que seu nome era Omar e que estava me procurando.” Mas “Omar” fazia mais do que pregar peças nos amigos. De acordo com o site TMZ, Jackson também utilizava o nome para preencher receitas para a imensidão de analgésicos e sedativos que tomava. Documentos da investigação sobre as acusações de abuso infantil contra Jackson incluíam entrevistas com dois ex-funcionários de Neverland que diziam que Jackson tomava até 40 Xanax por noite para dormir.

Embora Jackson tivesse um papel central na formação da turnê de retorno, pisar no palco para se preparar era outra história. Enquanto a equipe trabalhava por longas horas no CenterStaging, Jackson preferia trabalhar de casa na maioria dos dias. As pessoas que o cercavam estavam ficando nervosas. De acordo com Phillips, o orçamento inicial da AEG de US$ 12 milhões para pré-produção havia mais do que duplicado, mas quando o promotor pressionou Jackson sobre os US$ 150 mil por mês que havia concordado a pagar ao doutor Murray, Michael o repeliu firmemente. “Olha”, disse Jackson, “meu corpo é o mecanismo que aciona todo este negócio. Como Obama, preciso de meu próprio médico me atendendo 24 horas por dia”. Outros começaram a pressionar Jackson para ensaiar mais. “Tinha minhas preocupações se ele estava pronto, e o questionei”, diz Ortega. “Havia dias em que perguntava: ‘Você vem? Você vai mesmo vir pra cá? Você precisa fazer isso’.” Citando a necessidade de mais tempo de preparação em Londres, Ortega pediu o adiamento do show de abertura para 13 de julho, cinco dias depois do previsto. No início de junho, o doutor Murray mediou uma reunião na casa de Michael entre este e Ortega, que achava que o astro precisava ir mais aos ensaios. Jackson ouviu o diretor da turnê em silêncio, mas não parecia alarmado. “Conheço minha programação”, falou calmamente. “Só confie em mim.” No entanto, depois disso, Jackson começou a ir diariamente aos ensaios. Para os que o cercavam, parecia focado e atento a cada detalhe. “Ele estava enferrujado no começo e errava algumas notas”, conta o diretor musical do show, Michael Bearden. “Mas sempre dizia: ‘É por isso que ensaiamos’. E nos últimos dois ou três ensaios, estava pronto para fazer o show. Sabia disso, tinha aquele brilho, aquela arrogância. MJ é o mestre em encerramentos, tem memória muscular impressionante. Quando fica em frente aos fãs naquele palco, é pura mágica.” Nos ensaios, Michael Jackson começava a assumir o comando rapidamente.

Mesmo assim, algumas pessoas próximas a Jackson estavam preocupadas com sua forte dependência de medicamentos receitados. “Fiquei sabendo disso em 2005”, conta Deepak Chopra. “Mencionei isso a ele várias vezes. Seu assistente ligava frequentemente sobre esse assunto, dizendo que recebia medicamentos de muitos médicos. Não poupava esforços para conseguir os remédios – se um médico não dava, tentava com outro. Era um vício criado e perpetuado por médicos.” Na maior parte, as noites pareciam ser o maior problema de Jackson – que reclamava de insônia havia anos. No entanto, esse também era o horário em que sentia que um poder superior lhe passava criatividade. “Não dormi muito noite passada”, contava a Ortega. “Fiquei acordado trabalhando nas músicas. É quando a informação vem, e, quando vem, você tem que trabalhar.” “Michael”, Ortega brincou com ele, “por que você não faz um pacto com seu poder superior para arquivar essas ideias até depois de 13 de julho?” “Não”, Jackson respondeu. “Senão, ele pode dar essas ideias ao Prince.”

Apesar de seus exercícios com Ferrigno, Jackson continuava magro, quase esquelético. “Fiquei preocupado com seu peso”, diz Phillips. “Quando comecei a trabalhar com ele, estava um pouco mais pesado – o que para ele pode ter sido 59 kg. Era como o professor distraído – ficava tão envolvido na criação do show que se esquecia de comer, a ponto de Kenny Ortega cortar o peito de frango e lhe dar brócolis, como uma criança, enquanto trabalhavam. Até levei um associado meu só para lembrá-lo de comer, coisas do tipo”.

Parte da inspiração de Michael para a turnê era sua preocupação com o aquecimento global. Três semanas antes de sua morte, Jackson enviou a Chopra um CD, entregue em mãos em sua casa em Carlsbad, Califórnia. “A música é bem suave, tranquila”, conta Chopra. “Ela se chama ‘Breed’. Ele queria fazer uma música sobre o meio ambiente e queria que eu o ajudasse com as letras. Havia grandes ideias por trás das letras – como as árvores são nossos pulmões, a Terra é nosso corpo.” Na verdade, a visão de mundo de Jackson parecia ter se incubado e crescido durante seu período fora dos palcos. “Ele construiu um grande arsenal de coisas que queria comunicar”, diz Ortega. “Ele acreditava que o tempo estava acabando e realmente queria se aprofundar e participar. Dizia ‘você sabe isso sobre a floresta tropical?’ ou ‘vamos trazer Norman Lear e Deepak. Quem mais você conhece?'” Às vezes, essas ideias eram caras. Quem trabalhava no show diz que nunca viu nenhum sinal da pressão financeira que Jackson sofria. Na verdade, ele parecia gostar de gastar dinheiro mais do que nunca. Ortega lembra que frequentemente tinha de questionar os sonhos de Jackson. “Você quer ir a Victoria Falls e fi lmar a catarata de um helicóptero?”, dizia a Jackson, que queria o vídeo para o número de encerramento do show. “Sabe quanto isso custa?” Mas Jackson não parecia se importar. “Dinheiro não era sua motivação”, afirma Phillips. “Era simplesmente fazer algo maior do que qualquer pessoa já tinha feito. Era isso que o motivava.”

Em sua última noite, Jackson chegou ao Staples Center para seis horas de ensaio ininterrupto. Primeiro, teve uma reunião com Phillips, Tim Leiweke, presidente da AEG, seu empresário DiLeo e Ken Ehrlich, produtor do Grammy. Eles lançaram ideias para um especial de Halloween que estavam preparando: a estreia em rede de Ghosts, o curta-metragem de Jackson, que incorporaria clipes de uma apresentação ao vivo de “Thriller” em Londres. Depois, Jackson foi para outra sala e passou cerca de uma hora revisando os efeitos
3D para o show. Jantou – peito de frango e brócolis -, foi para seu camarim e, então, saiu para três horas de apresentação. O encerramento foi definido como “Earth Song”, de HIStory, uma das músicas preferidas de Jackson. Uma balada comovente sobre o estado do mundo que terminava com um refrão repetido que perguntava sobre as vítimas do desenvolvimento desenfreado da humanidade, do canto de baleias a florestas devastadas. “What about death again? (e quanto à morte?)”, cantava Jackson na conclusão da balada “Do we give a damn? (damos a mínima?)” Quem presenciou a apresentação – profissionais experientes que já haviam trabalhado com os melhores da indústria – ficou maravilhado. Diante deles estava o Michael que todos lembravam, o artista que havia crescido de um cantor infantil para formar um estilo completamente novo de pop. Quando Jackson saiu do palco, abraçou DiLeo. “Esta é nossa vez novamente”, disse ao empresário. “É nossa vez de reassumir.” O ensaio acabou, mas ninguém queria sair e acabar com aquela magia que estava no ar. “Ele estava resplandecente”, lembra Ortega. “Quando acabou, todos ficamos ali, de bobeira.” Michael estava pronto. Em apenas 19 dias, subiria ao palco em Londres e o mundo saberia, mais uma vez, que o Rei do Pop estava de volta. Finalmente, enquanto os artistas começavam a ir embora, Phillips acompanhou Jackson até seu carro e Michael abraçou o promotor. “Obrigado por me fazer chegar até aqui”, disse a Phillips em voz baixa. “Consigo assumir a partir daqui. Sei que posso fazer isso.”

Fonte: Rolling Stone Brasil

Álbums superam faixas e se reafirmam como carro-chefe da indústria fonográfica

Nota da editora do Catarse Musical:

Em matéria para a BBC Brasil, em Londres, Rodrigo Pinto discorre sobre a melhoria das vendas de álbuns na Grã-Bretanha. Mas acredito ser muito cedo para falar sobre “álbuns como carro-chefe da indústria”. Acho que vale esperar um pouco mais para ver como o mercado se movimenta no mundo para, aí sim, indicar o início de alguma nova tendência.

 

Eis a matéria:

por Rodrigo Pinto

O surpreendente desempenho dos álbuns na Grã-Bretanha ajudou a reafirmar o formato como carro-chefe da indústria fonográfica, apesar das várias previsões de que ele estaria com os dias contados por causa do avanço dos downloads de faixas individuais.

Dados recentes mostram que a receita com o download de álbuns completos ultrapassou a de downloads de faixas individuais por dois trimestres consecutivos – o último do ano passado e o primeiro deste ano.

De acordo com a British Phonograph Industry (BPI), entidade que representa a indústria da música na Grã Bretanha, a receita com o álbuns completos para baixar cresceu 22,7% nos primeiros três meses de 2012.

“Esta é uma boa notícia. E mostra que as pessoas ainda querem conhecer o artista através de seus álbuns”, avalia o DJ Gilles Peterson, sobre o aumento das receitas com LPs, ainda que no formato digital. “Mas os lucros ainda são os mais baixos da história”, pondera ele, que é dono do selo Brownswood Recordings e DJ de um programa na BBC Radio 6.
Com a revolução no consumo de música promovida pela popularização da internet nos anos 90 e 00, não foram poucos os músicos, jornalistas especializados e representantes da indústria que anunciaram a morte do álbum – que chegou ao mundo nos anos 50 em vinil como LP, o long-play, a coleção de músicas de um mesmo artista compostas e gravadas em uma mesma época.

O fato é que os números mais recentes da indústria fonográfica mostram o oposto. O álbum não morreu e, mais ainda, voltou a ser aclamado como formato artístico mais importante da música gravada.

O produtor e músico Charles Gavin, que promoveu e supervisionou o relançamento de dezenas de álbuns em CD para várias gravadoras brasileiras, diz não estar surpreso com a virada dos álbuns. “Embora nem sempre o álbum tenha um conceito, sendo eventualmente uma coleção de canções, é sempre um retrato de um momento da carreira do artista. E o fã gosta disso”, nota ele, que apresenta O Som do Vinil, em sua sexta temporada no Canal Brasil, o programa mais assistido do canal.

Os novos dados deram à indústria mais certezas sobre a antes questionada força do segmento digital, que já domina mais de 50% de sua receita na Grã Bretanha, embalada pelo crescimento de serviços por assinatura, como Spotify, e pela venda de álbuns digitais. Por isso, Geoff Taylor, o presidente da BPI, qualificou a virada como “um marco para a evolução dos negócios com música”.

Segundo relatórios das gravadoras, o fenômeno deveu-se muito ao bom desempenho de álbuns como 21, de Adele, ganhadora de diversos Grammy, o prêmio maior da indústria do disco, ou Mylo Xyloto, do Coldplay, respectivamente os mais vendidos mundialmente no ano passado pelas gigantes Sony e EMI.

Mercado premium
Mas, de fato, para além das previsões furadas, o álbum jamais perdeu seu reinado, em especial em seu formato mais popular globalmente, o CD.

“É preciso lembrar que 68% das receitas totais com a música gravada vêm da venda de álbuns, seja no formato físico ou no digital (CD)”, ressalta Gabriela Lopes, diretora de Pesquisa de Marcado da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), em Londres, entidade que representa mais de 1.400 gravadoras e afins em mais de 60 países, incluindo o Brasil.

Ela prevê que, assim como na Grã Bretanha e nos Estados Unidos, “mercados no Norte da Europa, como Suécia e Noruega, e Ásia vão cruzar a fronteira entre formatos físicos, como o CD, e os digitais”, obtendo a maior parte de sua receita com formatos digitais (downloads e serviços por assinatura). E o álbum continuará sendo o motor deste mercado.

Gabriela diz que os formatos premium, com faixas extras e conteúdo inédito, ajudaram a alavancar a venda de álbuns digitais.
“Os formatos premium de álbuns digitais vendem mais no lançamento do que os formatos simples, mais baratos. O fã gosta”, acrescenta.

Gabriela nota ainda que, embora os álbuns digitais ainda não tenham superado os downloads de faixas individuais em mercados grandes como os Estados Unidos, no mundo inteiro suas vendas crescem mais rapidamente do que a dos chamados singles. Ou seja, a virada global parece ser uma questão de tempo.

‘Disco de verdade’
Para colecionadores e aficionados, porém, o álbum sempre foi a menina dos olhos. Um confirmação disso vem do crescimento da venda de sua forma mais elementar, os LPs em vinil, que chegaram em 2011 ao nível mais alto desde 1997, após cinco anos consecutivos de crescimento. Ainda que muitos alertem para seu potencial essencialmente promocional, é uma peça irresistível aos olhos do fã de música.

“Tem gente que compra o álbum de vinil e nem toca-discos tem. Porque o vinil tem um carisma inigualável como peça promocional, e se tornou sinônimo de disco de verdade”, nota Charles Gavin.

Gavin lembra que mesmo quando muitos artistas perderam as esperanças de alcançar as volumosas cifras obtidas até os anos 90 com seus álbuns e viram uma ou outra faixa segurando as vendas online, o formato estava vivo nas turnês em que artistas tocavam seus álbuns clássicos integralmente.

“Acabamos de lançar a demo do Cabeça de Dinossauro (álbum clássico dos Titãs, de 1986) junto com o álbum, em nossa edição mais preciosa. E isso foi motivado pela turnê que fizemos tocando o repertório do disco. Essas turnês temáticas têm acontecido no mundo todo porque as pessoas gostam de álbuns”, avalia Gavin, que, embora tenha saído da seminal branda brasileira em 2010, voltou a integrá-la temporariamente na excursão do clássico Cabeça de Dinossauro.

A indústria ainda briga para se recuperar do tombo que trouxe suas receitas aos níveis mais baixos em cerca de 15 anos, dependendo do mercado. Muitos seguem culpando a internet. Mas o álbum, como formato predileto para retratar uma fase da carreira de um artista, parece estar a salvo.

Álbuns mais vendidos de 2011
1 – Adele, 21
2 – Michael Bublé, Christmas
3 – Lady Gaga, Born This Way
4 – Coldplay, Mylo Xyloto
5 – Bruno Mars, Doo-Wops & Hooligans
6 – Adele, 19
7 – Justin Bieber, Under The Mistletoe
8 – Rihanna, Loud
9 – Rihanna, Talk That Talk
10 – Lil Wayne, Tha Carter IV

Álbuns mais vendidos de todos os tempos
1. Michael Jackson, Thriller
2. Pink Floyd, The Dark Side of the Moon
3. AC/DC, Back in Black
4. Whitney Houston/Varios artistas, The Bodyguard
5. Meat Loaf, Bat Out of Hell
6. Eagles, Their Greatest Hits
7. Various artists, Dirty Dancing
8. Backstreet Boys, Millennium
9. Bee Gees/Various artists, Saturday Night Fever
10. Fleetwood Mac, Rumours

Fonte: BBC Brasil em Londres

Análise: 50 anos depois, por que a música dos Beatles ainda é tão boa?

por Adam Gopnik

A Grã-Bretanha celebrará neste verão (inverno, no Brasil) o jubileu de uma instituição que está durando mais tempo do que qualquer um imaginava, que transcendeu as fronteiras do país, e que se mantém ainda hoje como uma fonte constante de alegria no mundo.

Estou me referindo não à monarquia britânica – cuja rainha Elizabeth 2ª também celebra seu jubileu – mas ao 50º aniversário do primeiro show com a formação clássica dos Beatles.

Também há cinquenta anos foi feito o primeiro registro fotográfico de John, Paul, George e Ringo. A imagem foi feita em um ensaio à tarde, poucos dias antes de 22 de agosto de 1962 – a data do primeiro show dos Beatles.

Coloco esta foto ao lado de outra imagem importante, feita no dia 22 de agosto de 1969 – exatamente sete anos depois. Este é o último registro dos quatro Beatles juntos. Existe algo sombrio, trágico ou até meio cósmico sobre os Beatles – foram sete anos de fama imediata, e longas décadas de tremores secundários.

Anos 60

Esses dias, vi um vídeo na internet sobre “coisas que as pessoas nunca falam”. Um dos itens da lista é: “eu não gosto dos Beatles”.

Todos gostavam dos Beatles antes, e todos gostam deles ainda hoje. Meus filhos discordam de mim quando falamos sobre os Rolling Stones, e eles não entendem o jeito “metal farofa” do Led Zeppelin (por que eles cantam gritando com sotaque americano?).

Mas para meus filhos, os Beatles são tão incontestáveis quanto a lua. Simplesmente algo que não para de brilhar.

É um fenômeno. Se a geração da época dos Beatles ainda estivesse escutando músicas de 50 anos atrás – como nós hoje – eles estariam ouvindo canções da época da Primeira Guerra Mundial, o que é impensável.

Então, por que os Beatles continuam atuais?

  • Pôster do disco “Sgt Peppers”, assinado pelos quatro integrantes do Beatles

A explicação que se ouve geralmente é que eles refletiam bem o seu tempo e eram um espelho para uma década que todos ainda reverenciam – os anos 60.

Mas o quanto mais eu os escuto e mais o tempo deles vai ficando no passado, mais fundamental o som deles se torna.

Fico pensando se grandes personalidades do mundo pop não têm uma relação inversa com a sua própria época.

Charlie Chaplin, que é um dos poucos artistas com este tipo de estatura, criou sua obra depois da Primeira Guerra Mundial – a era dos automóveis e da metralhadora, um dos períodos mais conturbados da história da humanidade.

Mas seu trabalho era baseado no teatro vitoriano e na prosa de Charles Dickens, evocando uma época anterior ao seu tempo. “Luzes da Cidade” e “O Garoto” mostram a Londres dos anos 1890, não a Nova York dos anos 1920.

Eu acho que o mesmo acontece com os Beatles. Eles não eram provocadores. Seu grande tema é a infância perdida, e o que fazer diante de um mundo sério e austero, mas organizado e seguro da Inglaterra onde eles cresceram.

  • Disco “Yesterday and Today”, de 1966, que mostrava os Beatles posando com bonecas e pedaços de carne causou polêmica

Seus trabalhos mais duradouros – como “Strawberry Fields” e “Penny Lane” – contam histórias como a de um menino solitário em um jardim que lhe traz conforto, ou de uma rua animada de Liverpool, onde um garoto esperto e sociável vê o mundo ao seu redor.

Sons estranhos do passado – como bandas de metais – adornam as músicas dos Beatles, como ilustrações em um livro infantil. Sexo é um tema presente no primeiro disco, mas é raramente tratado nos demais álbuns.

Choque de opostos

A música dos Beatles é duradoura sobretudo por causa do poder da colaboração entre opostos. John tinha profundidade.

Ele entendia instintivamente o que separa um grande artista de um grande agente de entretenimento. O artista procura surpreender e até chocar seu público.

Paul tinha compreensão, sobretudo do aspecto material da música, e sabia instintivamente que a arte que surpreende mas não consegue entreter é mera vanguarda.

Nós percebemos a diferença quando os ouvimos após a separação: Paul tinha milhares de melodias maravilhosas, mas ambições artísticas esporádicas; John tinha muita ambição artística, mas só um punhado de melodias.

Mas naqueles sete anos que a profundidade de John encontrou a compreensão de Paul, nós todos subimos o Everest (que por sinal era para ser o nome do último disco dos Beatles).

O dom dos Beatles era o dom da harmonia, e sua visão sempre foi essa. Harmonia – as vozes se entrelaçando em uma canção – ainda são o nosso símbolo mais poderoso de um mundo melhor, onde os opostos cantam juntos como se fossem um só.

É por isso que até mesmo Bach e Handel terminavam suas melhores obras com corais – para nos alegrar e encorajar com sons de um mundo harmônico onde nós ainda não chegamos, mas o coral já atingiu e agora está nos chamando.

A arte nos faz sentir vivos e conscientes, mas raramente ela nos faz sentir feliz. Cinquenta anos depois, a música dos Beatles ainda sobrevive porque eles nos dão um dos sentimentos mais incríveis: o de que a felicidade é algo que cabe na nossa mão.

Fonte: BBC Brasil

Um contentamento descontente

por Zeca Camargo

Há quem diga que Wagner Moura desafinou na noite do seu primeiro show com Marcelo Bonfá e Dado Villa-lobos – uma homenagem, claro, ao Legião Urbana, que foi transmitida ao vivo, na última terça-feira, pela MTV. Eu estava lá – e tendo a concordar. Mas o importante ali, naquela noite, não era isso. Você ficou muito preocupado ou preocupada com esse fato? Pelo que assisti, posso garantir que o próprio Wagner Moura não estava nem aí para isso. E digo isso justamente por ter visto aquela figura ensandecida no palco por quase duas horas elaborando com cuidado muito mais do que a nada simples tarefa de substituir um dos maiores cantores (e poetas e intérpretes) do nosso pop – Renato Russo. Para Moura aquilo não era apenas um show. Era um ritual. E ele o cumpriu com todo o respeito, todo o envolvimento, e com todo o afeto que os fãs do Legião podiam esperar. Afeto este que, aliás, nunca se encerra.

Eu hoje tinha me programado para escrever sobre o vídeo que mostrei aqui no último post – um registro de uma exposição das mais interessantes que vi recentemente, sobre “a criação do selvagem”. Mas, como você que já está acostumado ou acostumada com as flutuações deste blog sabe bem, de vez em quando acontece alguma coisa que quebra a nossa programação. E essa “alguma coisa”, desta vez, foi o tributo ao Legião Urbana. Fui convidado de última hora – e, por conta de uma viagem (estava fora de São Paulo até o início da noite de terça), achei que não fosse dar tempo de assistir. De fato, cheguei um pouco atrasado – na segunda música, segundo minha amiga que me convidou e já estava lá. Mas não perdi muita coisa. Depois de uma noite de enorme contentamento (vou deixar o “descontente” para mais tarde), achei que deveria falar sobre isso hoje neste espaço – prometendo então retomar “a criação do selvagem” na segunda-feira.

Como eu dizia então, Wagner Moura estava muito além da (naquela noite) relativamente fútil preocupação em acertar as notas musicais. Tudo naquela celebração tinha um sentido muito maior do que a mera reprodução das músicas do Legião – imortalizadas na memória de mais de uma geração pela voz de Renato Russo. Moura e Dado e Bonfá (e um bom punhado de convidados especiais – mais sobre eles daqui a pouco) estavam lá para transcender um repertório que todos nós conhecemos de cor. O objetivo maior, ouso dizer, era encantar. E isso, eles conseguiram com louvor.

Eu tinha bons motivos para me emocionar num evento desses. O primeiro deles, claro, é a própria música do Legião – que, como sugeriu Moura a certa altura, referindo-se à experiência dele mesmo, fez incontáveis garotos e garotas pensarem diferente quando ouviram aquelas canções pela primeira vez e tinham apenas as paredes do seu quarto como promessa de horizonte. Raras são as bandas capazes de fazer a gente gritar silenciosamente “é isso!” quando prestamos atenção ao que elas estão cantando. Renato e o Legião tinham esse dom – e cada adolescente que viveu isso estava sendo celebrado ali, naquele encontri, junto com quem estava no palco e na platéia.

Além dessa razão, eu tenho um envolvimento profissional com a banda que, quando chegou ao ponto alto – uma “antológica” entrevista com o Renato, no tempo em que eu ainda trabalhava na MTV –, muitas vezes misturava a definição do que era admiração pessoal e compromisso jornalístico. Geralmente eu não permitia que uma coisa interferisse na outra – como contei no meu livro “De a-ha a U2”, uma entrevista antiga com Michael Stipe (R.E.M.) ensinou-me logo no início da minha carreira a não confundir pauta com tietagem… Mas se uma vez ou outra deixei transparecer demais minha admiração por Renato e sua banda durante um encontro “oficial”, não foi por falta de zelo, mas talvez pelo incrível poder que o Legião tem sobre seus admiradores.

Some a esses dois bons motivos o grande prazer que tive de encontrar velhos amigos – da MTV e do próprio cenário musical – assistindo a tudo com o mesmo índice de êxtase que eu registrava. E mais o prazer secreto de estar numa noite “livre”, no meio de uma rotina de compromissos que está quase me sufocando. Pronto! Essa tinha tudo para ser uma grande noite. E foi!

Da escolha do repertório – que incluiu até duas músicas do idiossincrático “A tempestade” – aos já mencionados convidados especiais, tudo foi cuidadosamente elaborado para agradar aos fãs, e às pessoas que estavam no palco também… Afinal, como explicar a presença de Andy Gill ali ao lado de Dado Villa-lobos senão um capricho do guitarrista? Trazer uma figura ao mesmo tempo tão importante e tão obscura da história do pop alternativo foi mais que uma ousadia: foi uma revelação. Justamente porque a surpresa maior parecia ser não a de quem assistia, mas a do próprio Gill, expressa quando ele disse, discretamente emocionado, que no tempo em que criava suas músicas (nos idos dos anos 70/80) “lá no norte do Reino Unido”, não podia imaginar que tinha um punhado de fãs ouvindo suas canções aqui do outro lado do mundo…

Para os que nasceram depois de 1980, vale explicar que Gill é o guitarrista do Gang of Four – uma espécie de divindade para quem foi criado aprendendo a gostar do melhor do cenário independente inglês justamente dos anos 80. Eu mesmo fiquei bastante impressionado com a presença dele ali – e quando, no meio de “Ainda é cedo” (que inda teve a participação especial de Bi Ribeiro, dos Paralamas), eles salpicaram os inconfundíveis acordes de “Love will tear us apart”, o clássico do Joy Division, eu não vou esconder que estive à beira do choro.

O que me segurou foi a percepção de que aquela não era exatamente uma noite para lágrimas. Não. A emoção negociada ali era de outra estirpe. Não tinha nenhuma pieguice – tinha uma vibração diferente, difícil até de colocar em palavras, mas que encontrou a sua melhor tradução no gestual de Wagner Moura. Descontando-se algumas escorregadas – algumas delas, do pouco que entendo de transmissão de shows ao vivo em TV, culpa do próprio esquema dessa operação (que prioriza o áudio do show para quem está assistindo em casa, e não quem está lá ao vivo) –, se fosse para dar um veredicto baseado apenas nessa performance (nunca tive a oportunidade de ver seu projeto musical, curiosamente batizado de Sua Mãe), eu diria que Moura canta bem. Mas dança ainda melhor.

O momento mais significativo, nesse sentido, foi quando eles tocaram “Quase sem querer” – na minha opinião, a canção mais próxima dos Smiths, que o Legião jamais fez (uma proximidade que era, arrisco, o sonho secreto de Renato – mas eu divago…). No sensacional final da música, quando guitarra e bateria tentam juntar os cacos do coração de quem estava ouvindo (coração esse que foi triturado por versos como “Já não sou mais tão criança a ponto de saber tudo”, ou “Sei que às vezes usos palavras repetidas, mas qual são as palavras que nunca são ditas”?), Moura fez exatamente o que eu e milhares de fãs já fizeram sozinhos no quarto: deixou de comandar seus movimentos e foi intuitivamente traduzindo o transe que a música incita em desenhos com seus braços e pernas – numa curiosa e convidativa mistura de Jim Morrison, Ian Curtis, Ney Matogrosso, Morrissey e Mick Jagger. Além do próprio Renato, claro…

E foi aí justamente que eu percebi que Moura não estava muito ligando para o que as pessoas poderiam achar dele naquela noite. A festa ali era dele – e ele estava tendo a generosidade de oferecer para quem quisesse compartilhar. Minha queridíssima (e saudosa) avó Wanda, com quem passei incontáveis (e adoráveis) tardes de domingo na infância e na adolescência assistindo ao “Programa Silvio Santos” – ela, uma fã incondicional do “Silvio”, como ela o chamava com intimidade – tinha uma frase ótima que ela usava para explicar o sucesso do apresentador: “O programa dele é bom porque o Silvio faz a festa e ele que dança!”. E foi dela, dessa “sabedoria” da minha avó, que eu me lembrei ao ver Wagner Moura ali, feliz, feliz, dançando e fazendo, ainda que por tabela, a felicidade de quem quisesse vir.

O saldo não poderia ser outro – uma noite feliz. Ou, como já escrevi, de contentamento. Um “contentamento descontente”, é verdade – para citar Camões, por sua vez citado por Renato Russo, na belíssima “Monte Castelo”. E o “descontente” fica por conta da irreparável ausência do próprio Renato – de seu insubstituível vozeirão, de seu relutante carisma, de tímida e grandiosa dança, de seu imprevisível humor, de sua necessidade de amor jamais preenchida. Ele deveria estar lá – era o pensamento que cruzava mais de uma mente naquela noite (e com certeza na noite seguinte, quando eles repetiram o concerto). Mas não estava. E essa falta era sim a única nota descontente numa celebração que, de tão feliz, faltou pouco para chegar à perfeição. E por falar nela…

“Venha! Meu coração está com pressa”…

O refrão nosso de cada dia

“Independece”, Gang of Four – se você ainda está confuso com a presença de Andy Gill no tributo ao Legião Urbana, aqui vai um pouco de “História” (do pop). Foi com o álbum que inclui a sensacional “Independence” que eu conheci o Gang of Four. Qualquer fã da banda vai concordar que este não é o melhor trabalho dela – eu mesmo fui atrás dos álbuns anteriores (sobretudo o irreparável “Entertainment!”) e acabei gostando mais ainda deles. Mas “Independence” é o que eu chamaria de uma boa introdução para quem não conhece o Gang of Four. A partir daí, siga ouvindo outras coisas – e você vai ver que muita coisa que você já escutou nesses anos todos (do próprio Legião ao The White Stripes) começa a soar estranhamente familiar…

Fonte: Blog Cultura Pop/ G1

Música tem papel importante no nosso humor, diz pesquisador

Não se surpreenda se você começar a ouvir música nos corredores de hospitais. Pesquisadores estão descobrindo o poder dos sons sobre o nosso cérebro – para o bem e para o mal – e usando melodias para o tratamento de doenças.

Em entrevista à Galileu, o pesquisador Alex Doman, coautor do livro Healing at the speed of sound (A cura com a velocidade do som, sem edição brasileira) conta como a música, o silêncio e o ruído têm papel importante no nosso humor, no desenvolvimento do cérebro e, por consequência, no nosso sistema imunológico. Na obra, eles ainda sugerem como usar a música em caráter medicinal.

Segundo o pesquisador, é preciso ter a música certa. “As pessoas podem montar listas individuais de acordo com 3 princípios que ensinamos no livro, o que chamamos de “marchas” (gears em inglês). Você pode separar as canções de acordo com o andamento, o alcance da frequência e arranjo”, afirma. Confira a explicação e um exemplo de cada uma das marchas citadas pelos autores:

Primeira marcha

“Na primeira, indicamos músicas de até 60 batidas por minuto (bpm), tons graves e arranjos simplificados, geralmente, instrumentais. Música ambiente e new age são exemplos e podem ser usadas para acalmar os ritmos do corpo e reduzir estresse”.

 

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Música tem papel importante no nosso humor, diz pesquisador

As pessoas podem montar listas individuais de acordo com 3 princípios

por Redação Galileu
 

Editora Globo

 

Não se surpreenda se você começar a ouvir música nos corredores de hospitais. Pesquisadores estão descobrindo o poder dos sons sobre o nosso cérebro – para o bem e para o mal – e usando melodias para o tratamento de doenças.

Em entrevista à Galileu, o pesquisador Alex Doman, coautor do livro Healing at the speed of sound (A cura com a velocidade do som, sem edição brasileira) conta como a música, o silêncio e o ruído têm papel importante no nosso humor, no desenvolvimento do cérebro e, por consequência, no nosso sistema imunológico. Na obra, eles ainda sugerem como usar a música em caráter medicinal.

Segundo o pesquisador, é preciso ter a música certa. “As pessoas podem montar listas individuais de acordo com 3 princípios que ensinamos no livro, o que chamamos de “marchas” (gears em inglês). Você pode separar as canções de acordo com o andamento, o alcance da frequência e arranjo”, afirma. Confira a explicação e um exemplo de cada uma das marchas citadas pelos autores:

Primeira marcha

“Na primeira, indicamos músicas de até 60 batidas por minuto (bpm), tons graves e arranjos simplificados, geralmente, instrumentais. Música ambiente e new age são exemplos e podem ser usadas para acalmar os ritmos do corpo e reduzir estresse”.

Segunda marcha

“Na marcha 2, são músicas de 60 a 90 bpm, frequências médias e geralmente instrumentais – violões e música barroca, por exemplo. São boas para a concentração”.

Terceira marcha

“A terceira marcha é de músicas acima de 90 bpm e ampla frequência sonora, como no pop, rock e jazz, usadas para aumentar a energia. Dependendo do resultado que você deseja (reduzir estresse, melhorar a concentração ou a performance atlética), você pode montar um playlist tentando atingir esse objetivo”.

Fonte: Galileu

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