#NascidaEm1985 – nº 11 – “Crazy For You”

Eu não sou a maior fã da Madonna, mas alguns hits são incontestavelmente bons! Nos anos 80, quando ela e a Cindi Lauper disputavam atenção da mídia, muita gente acreditavam que Cindi sobreviveria ao tempo e a Madonna desapareceria logo, mas, quem diria, a cantora-bailarina continua aí, sempre com novos hits e tomando sua poção da juventude (tipo aquela do filme “A Morte Lhe Cai Bem“). Um dos grandes sucessos do início da carreira da Madonna é “Crazy For You”, #NascidaEm1985 🙂

A canção estourou nos Estados Unidos, Europa, Japão… foi top da Billboard e concebida para ser trilha sonora do filme “Em busca da vitória” (Vision Quest). Mas é bem possível que você tenha passado a amar a música no mesmo momento que eu: quando aparece no filme “De repente 30“. Confesso que nunca tinha prestado muita atenção em “Crazy for You”, até embalar a história fofa que envolve Jenna Rink e Matt Flamhaff. Sou suspeita pra falar do filme, porque ele remonta tantas coisas que me lembro da minha infância no fim dos anos 80 (inclusive a memória musical), que tenho um carinho enorme por ele e, todas as 500 milhões de vezes em que passo por um canal que está exibindo a história, paro pra assistir!

Muito além do fato da música também ser #NascidaEm1985, creio que criei um vínculo com a balada da Madonna por também remeter a todas as contradições da chegada dos 30, da questão de se reconhecer ou não como alguém maduro nessa idade, sobreo que as pessoas esperam da gente quando estamos nessa fase…

Bom, já estamos no final da saga #NascidaEm1985 e está tão difícil escolher sobre quais músicas falar! Tem tanta coisa legal nos anos 80!!!!!

#NascidaEm1985 – parte 9 – Don’t you (forget about me)

Toda década tem aquela música icônica, que define a sonoridade das canções do período, que passa muito tempo no ranking da Billboard, que faz você cantar um refrão-chiclete mentalmente por longos dias. Aquela sonoridade eletrônica, o tecladinho característico dos anos 80, um refrão repetitivo que gruda na mente e uma batida que dá vontade de dançar! Assim é a #NascidaEm1985 de hoje: “Don’t you (forget about me)”, do Simple Minds. Quem nunca foi num bar cantou junto o “Hey, Hey, Hey/ Don’t you forget about me!”, ou até no carro, em casa ouvindo o rádio de dial iluminado ou até mesmo o rádio mais moderninho mesmo (porque essa música não sai de moda, tá nas “Alphas FM” da vida até hoje), afinal, música boa é eterna! Acho que essa mistura que resulta em balada dançante, que faz a gente viajar na melodia, é super a minha cara, então adorei ter nascido no mesmo ano de um dos mais legais “La, la la la la, la la la” da história 🙂

A música foi gravada para fazer parte da trilha sonora do filme “The Breakfast Club” (“Clube dos Cinco”, em português), e foi projetada com ajuda do sucesso estrondoso desse clássico do cinema. Vários outros filmes também adotaram a canção, como “American Pie” e “Pitch Perfect”, que fez uma versão sensacional dessa música, fazendo um “mash up” com outras músicas, como Price Tag, da Kesha. Aliás, o Glee também fez uma versão que amei!

Confira as várias versões:

Simple Minds: 

Glee: 

Pitch Perfect: 

Qual será a próxima #NascidaEm1985? Alguma pista? Alguma sugestão?

#NascidaEm1985 – parte 8 – “Exagerado”

Hoje a #NascidaEm1985 é de um artista nacional sensível, transgressor, um dos compositores que me inspira: Cazuza! Em 1985, ele deu o primeiro passo de sua carreira solo, após brigar com o Barão Vermelho durante a gravação de um álbum. Assim, a música “Exagerado” nasceu, em 1985, como faixa-título do primeiro álbum solo desse grande cara.

A série de documentários “Por Trás da Canção”, do Canal Bis, exibiu um episódio que fala sobre a história da composição dessa música, que contou também com a colaboração do Ezequiel Neves, empresário dele. Nessa ocasião, Leoni comentou que Cazuza pensava em fazer da música, cuja letra estava pronta, algo que lembrasse o bolero, mas o arranjador não concordou e decidiu levar para o lado do rock mesmo. E ficou incrível! Letra e melodia se complementam para levar ao público esse tom visceral e profundo do Cazuza, um grande letrista, entre meus favoritos!

Acho que essa ideia de “E por você eu largo tudo/ Vou mendigar, roubar, matar/ Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais/ Exagerado/ Jogado aos teus pés/ Eu sou mesmo exagerado/ Adoro um amor inventado” é muito leonina, cheia de drama e paixão, e também atemporal. Essa é a mágica da composição, você escrever uma obra de arte com a qual as pessoas se identifiquem, não importando a época. Isso faz de um artista o porta-voz de sua geração e também do espírito humano.

Vale a pena conferir o “Por Trás da Canção”:

#NascidaEm1985 – Partes 3, 4, 5 e 6 – Rock in Rio

Não é fácil manter a periodicidade das postagens em meio a um turbilhão acontecendo no trabalho e em casa rs. Mas vou me redimir e hoje a série #NascidaEm1985 não apenas vai trazer uma canção que nasceu no mesmo ano que eu, mas uma iniciativa incrível, um festival lendário, que teve sua primeira edição em 1985: o Rock in Rio! Tenho muita sorte por ter nascido no mesmo ano desse show que ocorreu no período dos primeiros passos do Brasil rumo à democracia e foi o primeiro grande festival da América do Sul.

Queria muito ter estado lá mas, como aconteceu em janeiro e eu nasci em julho, ouvi tudo da barriga da minha mãe, que viu algumas coisas pela televisão. Aos jovens que leem esse texto, há algo curioso sobre esse Rock in Rio: tinha rock e era no Rio mesmo rs. Em 10 dias, a Cidade do Rock recebeu mais de 1,3 milhão de pessoas em um espaço com sistemas de som e luz supermodernos, que inclusive iluminavam a platéia (algo inédito para a época). Era um período em que o rock começava a despontar no Brasil e os principais nomes dessa nova safra estiveram nos palcos do festival. Blitz, Paralamas, Barão, Rita Lee, Lulu Santos e Kid Abelha são alguns dos nomes.

Vendo vídeos dos shows, o coro da platéia sempre me arrepia. Todos pareciam alucinados com alto tão extraordinário, bandas nacionais super bacanas e nomes internacionais que ainda não costumavam incluir o Brasil em suas turnês. Ícones que eu amo e fizeram parte da minha formação musical estavam lá marcando presença: Queen, AC/DB, Ozzy, Iron, George Benson, James Taylor, Whistenake, Scorpions e B-52’s.

Há 30 anos, mais de um milhão de pessoas surpreendidas por shows incríveis. Hoje, quando vamos a um show, normalmente já sabemos o setlist, já vimos vídeos da mesma turnê, lemos inúmeras matérias sobre o assunto. Ou seja, de certa forma, sabemos o que esperar. Imagina há 30 anos? Sem youtube pra você dar uma espiadinha em como vai ser o show do seu artista favorito? Sem google pra você pesquisar a lista de músicas, você podia ser surpreendido por aquela canção meio “lado b” que você ama mas achou que ninguém mais gostava. Deve ter sido algo incrível e indescritível para quem esteve lá. Tanta banda que marcou época reunida em 1985, quando o show business não acabava com o limite do nosso cartão de crédito…

Pra celebrar essa grande reunião de artistas, #NascidaEm1985, o show do Queen… porque Freddie é o cara e sempre será!

Para quem quiser saber mais:

Olhem que bacana esse relato do primeiro festival: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/14/especial-rock-in-rio-festival-surgiu-em-1985-entre-calotes-enquetes-e-rejeicao-a-bob-dylan.htm

Aqui tem uma matéria bem legal com curiosidades do primeiro Rock in Rio: http://entretenimento.r7.com/pop/fotos/rock-in-rio-completa-30-anos-relembre-curiosidades-e-polemicas-do-festival-11012015#!/foto/1

CD comemora 30 anos de revolução na indústria fonográfica

O CD completou, no dia 1º de outubro, três décadas de revolução digital na indústria fonográfica, por meio da Sony e Philips.

No dia 1º de outubro de 1982 saía à venda no Japão o primeiro reprodutor comercial de discos compactos, o CDP-101. O aparelho custava, aproximadamente, R$ 4,3 mil e pesava nada menos que 7,6 quilos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o tamanho do CD foi determinado pelo uso das populares fitas cassetes. formato criado pela Philips no começo dos anos 60, que tinham 11,5 centímetros. No entanto, como essa proporção só seria capaz de armazenar uma hora de música gravada, a Sony decidiu aumentar meio centímetro (os 12 atuais) para fixar sua capacidade em 74 minutos.

Tudo isso levando em consideração, também, a portabilidade que esse tamanho daria para os usuários: era preciso que o CD coubesse em um bolso de jaqueta, por exemplo.

O sucesso foi tanto que, no final de 1984, a Sony lançou o primeiro reprodutor portátil de CDs, o famoso “discman”.

Agora, com as opções de aparelhos ultra pequenos que armazenam músicas baixadas da internet, o CD não é tão procurado. Mesmo assim, para comemorar os 30 anos da chegada do CD ao mercado, a Universal Music lançou no Japão uma série especial de CDs, incluindo a nona sinfonia de Beethoven.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

*Com informações do site do jornal O Estado de S. Paulo

Fonte: Cultura e Mercado

A arte em todas as coisas

por Mariana Paes

Acredito piamente que a arte é a melhor, mais eficiente e primitiva forma de comunicação.

Por meio da arte, o inconsciente coletivo aflora! Tudo que ferve dentro das nossas mentes e nossos corações transborda em forma de lágrimas, saltos, giros, acordes, harmonias, vocalizações, arpejos, caretas, suspiros, mímicas, olhares, cores, formas…

Todos os dias nos expressamos artisticamente! De manhã, instintivamente, escolhemos cores intimamente ligadas ao nosso estado de espírito e à imagem que queremos que as pessoas tenham de nós naquele determinado dia. Corremos para fugir da chuva e saltamos poças de água, algo semelhante à execução de vários Chásses seguidos de um Saut de Cheval ao som de
uma frenética canção, como aquelas dos filmes de Chaplin.

As gotas d’água emitem diversos sons, que variam de acordo com as superfícies que tocam! Uma sinfonia… um “x x x x x x x x x x x x x x x x x x” formado de vários tons, vários sons… o som da natureza em contato com os feitos do homem na superfície.

Pessoas se encaixam umas nas outras para conseguir entrar nos vagões dos ônibus e metros, formando esculturas humanas. Algo desumano como o aperto do transporte coletivo mostra quão humana é a disputa de vários seres por um mesmo espaço.

Em todas essas situações, estamos nos comunicando (direta ou indiretamente) com o mundo ao nosso redor! Assim, em tudo há arte! Tudo que fazemos . Ver arte em tudo é entender o toque divino em cada passo que damos, em cada paisagem, som, luz, cor, forma e movimento!

Viver é entender a arte que compõe todas as coisas, boas e ruins!

Em comunicado no facebook, Dave Grohl anuncia pausa do Foo Fighters

Em uma mensagem no Facebook, nesta terça-feira (2), Dave Grohl confirmou aos fãs que o Foo Fighters fará uma pausa por tempo indeterminado. Mesmo dizendo que o grupo é a sua vida, o guitarrista e compositor explicou que precisa se focar em terminar seu documentário, Sound City, sobre o lendário estúdio de gravação localizado em Van Nuys, na Califórnia.

Leia na íntegra a mensagem de Dave Grohl:

“Olá pessoal!

É o Dave aqui. Só queria escrever e agradecer todos vocês mais uma vez do fundo do meu coração por outro ano incrível. (Nosso 18° ano, para ser exato!). Nós realmente nunca teríamos feito qualquer coisa sem vocês…Nunca, em meus sonhos mais selvagens, pensei que o Foo Fighters iria chegar tão longe. Eu nunca pensei nós PODERÍAMOS fazer chegar tão longe, para ser honesto. Houve momentos que pensei que a banda não sobreviveria. Houve momentos que eu quis desistir. Mas… eu não posso desistir dessa banda. E eu nunca desistirei. Porque ela não é apenas uma banda para mim. É a minha vida. É a minha família. É o meu mundo.

Sim, eu falei sério. Eu não sei quando o Foo Fighters irá se apresentar de novo. Parece estranho falar isso, mas eu acho que é uma coisa boa para todos nós nos separarmos por um tempo. Essa é uma das razões que continuamos aqui. Faz sentido? Eu nunca quis NÃO estar nessa banda. Então, às vezes, é bom apenas colocá-la na garagem por um tempo.

Porém, sem relógios de ouro ou férias por agora. Eu estarei colocando toda minha energia em terminar meu documentário Sound City e um álbum para lançamento mundial em um futuro bem próximo. Em um ano, esse pode ser o maior e mais importante projeto eu já trabalhei. Fiquem prontos, está chegando.

Eu, Taylor, Nate, Pat, Chris e Rami… estou certo que vamos nos ver por aí…. em algum lugar. Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado…

Dave.”

Esta não é a primeira vez que o Foo Fighters entra em hiato. Em 2002, Grohl gravou as baterias do disco Songs for the Deaf, do Queens of The Stone Age, e saiu em turnê promocional do álbum. Neste momento, o Foo Fighters quase acaba por desavenças entre seus membros, principalmente entre Ghrol e o baterista Taylor Hawkins.

Fonte: Terra

Coxinhas na área vip

Texto genial publicado no site da Época me fez compreender o motivo pelo qual ando me sentindo tão deslocada em grandes shows nos últimos tempos… não vou “montada” pro show, vou pela música e não usar a presença no evento como forma diferenciação!

por Luís Antonio Giron*

O público de shows está se alterando, em especial o de espetáculos de rock e pop em espaços abertos. As mudanças podem ser observadas nas atitudes, na gestualidade e no estilo, na forma de falar e de cantar. No último show da banda californiana Maroon 5, na Arena Anhembi em São Paulo, no domingo, dia 26 de agosto, não foi diferente. Como a cada evento surge uma novidade no âmbito do comportamento, são perceptíveis agora algumas inovações bizarras dignas de nota. O público, predominantemente jovem, anda mais antipático e exibicionista do que jamais pude testemunhar em 30 anos de cobertura de espetáculos desse tipo. Os frequentadores de hoje comparecem mais para ser conhecidos do que conhecer, mais para brilhar do que para ver o espetáculo. A interação com os artistas deu lugar à ostentação, a espontaneidade ao exibicionismo. Os novos espectadores São muito diferentes dos que já passaram. Gostaria de explicar por que essas mudanças ocorrem, e em que elas alteram a própria maneira de praticar e compreender a arte.

Antes de mais, um naco de reflexão. O público é histórico. Tem data e local. Varia de acordo com as mudanças de anseios, sonhos, sensibilidade e interesse em determinados temas ou aspectos da realidade, da tecnologia e da arte disponíveis no momento. Lembro-me de que, três décadas atrás no Brasil, havia uma fome terrível de conhecimento. O interesse crescia na razão inversa da oferta de espetáculos. Eram os anos 80, quase nenhum talento internacional ousava se apresentar no Brasil. E, quando o fazia, como a banda Queen, em 1981, a reação era apaixonada. Eu me recordo de ver o Morumbi na penumbra, iluminado pelos isqueiros e fósforos, a celebrar Freddie Mercury e banda, em um tempo em que não havia telões. Os jovens se encontravam para escutar um LP de vinil do Queen ou do Pink Floyd de cabo a rabo, sem dizer nada. Eram descabelados, malvestidos, ingênuos, agressivos, mal sabiam as letras e muito menos entendiam inglês muito bem. Acampavam na frente do estádio para sonhar com alguma utopia que o rock ainda poderia trazer.

Claro que não trouxe a utopia, e, ao longo da “década perdida” – como denominam os economistas os anos 80 no país – a oferta de shows era escassa e o público não sabia se comportar direito. Sabia, sim, vibrar e interagir com as bandas. Lembro de um show dos ingleses do Echo & the Bunnymen em 1985, quando a plateia suplicava pelos tênis dos músicos – e eles acabaram jogando os tênis que tinham nos pés sobre uma turba enlouquecida. Vigoravam pobreza e falta de informação. Se ir a shows podia ser divertido, também oferecia seus perigos. Como quando os punks e os carecas do ABC brigaram no extinto Palace em São Paulo quando por aqui passaram a banda americana The Ramones. Ninguém saiu ileso da pancadaria. Meninos e meninas riam das roupas sujas e molhadas. Os discos dos Ramones eram raros, todos os discos eram caros, mais ainda os importados. Ninguém pensava em YouTube.

Os anos 90 representaram a abertura econômica e cultural do Brasil para o mundo, apesar de tudo. E foi possível viajar, comprar discos, veio a MTV e um pouco de sofisticação. Um pouco. As roupas jovens não passavam de uma imitação barata das que os grandes centros exibiam. E os festivais que começaram a acontecer com mais freqeência traziam astros em fim de carreira, ou quase. No Rock in Rio de 1991 no Maracanã, lembro de um público largado, dançando ao som da banda inglesa Happy Mondays. Sob chuva, as garotas não temiam desmanchar a escova ou a chapinha – até porque não faziam. E tinha gente que ousava se despir completamente na frente do palco. A era grunge e das raves estava em alta. Começaram a aparecer telões nos estádios. E as pessoas se juntavam em uma desavergonhada maçaroca de desejos. Havia paixão pela música e por discuti-la em grupo. Quem conhecia mais discos e canções era rei. Havia interesse pela música, então o veículo dos anseios juvenis.

Foi assim até a metade dos anos 2000. Mas, com o crescimento econômico, a aparição da internet e a imposição das redes sociais, o comportamento se alterou nos shows de estádio. Com a decadência da Europa e a crise americana, os músicos passaram a ver o Brasil como a Meca da grana. O país tornou-se ponto obrigatório das turnês internacionais. E o público, mimado por todos os astros, já havia viajado, aprendido inglês e adquirido hábitos alinhados com as plateias mundiais. À medida que o gosto se banalizava, aumentava o acesso à informação – e o desinteresse por elaborá-la.

A resultante dos novos tempos foi a aparição da geração coxinha, dos jovens de posses que são tão bem comportados, que são iniciados sexualmente e fumam maconha nos estádios como se fizessem uma lição de casa. Na plateia modelo 2012, as meninas chegam vestidas para matar: de salto alto, minissaia e maquiagem carregada. Os rapazes surgem embriagados e drogados, ostentando grifes da moda e prontos para a azaração. Até aí não difere tanto dos públicos do passado, salvo pela qualidade das roupas e dos acessórios. O consumo de artigos de luxo nunca foi tão disseminado. Quase todo mundo carrega smartphones, correntes de ouro, brincos e relógios luxuosos. A ostentação ao ar livre muito se deve à implantação das áreas vip. Trata-se de uma situação escandalosa, pois encena a luta de classes nas arenas antes devotadas à igualdade proposta pela música pop. Na Arena Anhembi aconteceram muitos assaltos – e me surpreende não ter ocorrido um motim dos menos favorecidos, separados do palco por uma constrangedora cerca. Por isso, minha descrição é do público que pode ver um espetáculo de forma adequada – ou seja, na atual situação, aquele que paga para figurar nas áreas vip. Os excluídos que se acotovelam nos setores normais não podem ter nem o direito de dizer que assistiram ao show. Estão sendo enganados e, ainda assim, conseguem se divertir.

Mas voltemos aos que se divertem de fato, os coxinhas das áreas vip. Com tantas inovações e privilégios, a plateia se transformou em palco. O exibicionismo dos jovens é tão grande que ofusca o brilho das atrações do palco. Na realidade, os coxinhas parecem ir aos estádios pura e simplesmente pelo evento social. Eles gravam nos celulares sequências inteiras do espetáculo, quando não o show completo, para depois postar nos seus canais privados no YouTube, detalhando o set list. Tiram fotos uns dos outros, ou autofotos, só para postar no Facebook e no Twitter – imagens que ninguém quer ou vai ver.

A maioria não presta atenção ao que se passa no palco: enquanto canta as letras decoradas mecanicamente, ensaia passos de dança, olha para os lados, namora e envia torpedos. O sujeito da plateia se acha astro, mas a única pessoas que está prestando atenção nele é ele próprio. Todo mundo se mira na câmera frontal de seus celulares. Isso faz lembrar o teatro do narcisismo em sua quintessência: o novo lago, o novo espelho fixa e eterniza a imagem da volúpia egocêntrica. Desse modo, a cultura das celebridades na verdade rebaixa os artistas à condição de objeto de deboche. Adam Levine, o elétrico vocalista do Maroon 5, era alvo de gritos e camisetas como quem fosse linchado por adolescentes mais interessados no corpo dele do que na música que cantava. O público se afigura mais onanista, desatento e desmemoriado do que nunca. Como a música corre hoje feito água gratuita pelos encanamentos da internet, ninguém dá mais muita bola para ela. Deixou de despertar interesse. Viv’alma se reúne para ouvir um disco inteiro e prestar atenção a sua mensagem. Que álbum resiste ao BitTorrent e à falta de memória do ouvinte? O rock e o pop sofrem uma metamorfose como nenhuma outra forma de música. É como se sua essência fosse condensada ao formato mp3, conspurcada, espoliada – e não restasse mais que ruínas da velha arte da rebelião. A arena da chacina está em cartaz nos shows a céu aberto.

Enfim, o que mudou no público esses anos todos? Ao acompanhar a marcha da civilização, ele certamente trocou a fome de cultura pela congestão das ofertas irrelevantes e a diluição do prazer artístico. O excesso matou a curiosidade, as utopias e a antiga magia da juventude. E principalmente arrancou seu coração. Não posso querer voltar atrás e muito menos culpar os coxinhas por festejar na área vip. Resta-me apenas lamentar por aqueles que anseiam em ser iguais a eles – e são a maioria dos jovens, inclusive os assaltantes de coxinhas.

*Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV

Fonte: Época

Emoções transparecem da mesma forma na música e na voz

Tente buscar na memória uma melodia que é capaz de mudar seu humor – é muito provável que a distância entre as notas seja a grande responsável pelas emoções despertadas, segundo estudo publicado na Plos One. O neurocientista Daniel Bowling, da Universidade Duke, analisou os intervalos, ou distâncias entre as notas, em melodias de música clássica ocidental e de ragas indianos e descobriu que, nos dois tipos de música, o tamanho do intervalo médio é menor em melodias associadas à tristeza e maior em melodias ligadas à alegria.

Bowling cita como exemplo dessa variação a Sonata ao luar, um clássico do compositor alemão Ludwig van Beethoven. A melodia da primeira parte da peça, que envolve um pequeno conjunto de notas, evoca melancolia para a grande maioria dos voluntários que a ouvem. Já a segunda parte, mais alegre, compreende intervalos maiores entre as notas. Segundo o neurocientista, a música imita os padrões naturais de nosso instrumento mais primitivo: a voz. Para testar essa teoria, ele gravou 40 pessoas falando – metade delas em inglês e o restante em tâmil, um dialeto indiano. Ele observou que as emoções eram relacionadas a padrões melódicos semelhantes: quanto mais monótona a execução da fala, mais triste ela era considerada. “A associação de emoções a diferentes características tonais partiu de nossa percepção da fala”, diz Bowling.

Fonte: Scientific American – Mente e Cérebro

“Garota de Ipanema” completa 50 anos de sucesso mundial Comente

por Santi Carneri

A canção mais célebre da Bossa Nova, a mítica “Garota de Ipanema”, completa nesta quinta-feira (2) 50 anos desde que foi interpretada pela primeira vez em público, dando início à sua incomparável trajetória de sucesso que ultrapassou as fronteiras da música.

Em 2 de agosto de 1962, Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Moraes, o baterista Milton Banana e o contrabaixista Otávio Bailly deslumbravam o Rio de Janeiro interpretando em um clube a canção que faria sombra a todas as demais desse gênero musical.

A simples mas elegante melodia de “Garota de Ipanema” passou por acima de outras mais elaboradas, como a genial “Chega de Saudade”, também do prolífico Tom Jobim.

A letra, escrita por Vinícius por encomenda de seu amigo Tom para acompanhar uma melodia que fizera pouco tempo antes, nasceu com o nome de “Menina que Passa”, mas foi rebatizada, dando lugar ao título conhecido por todos, segundo explicou à Agência Efe o professor de literatura e especialista em Bossa Nova Carlos Alberto Afonso.

No início dos anos 60, quando Vinícius e Jobim dedicavam horas ao uísque no Bar Veloso, na antiga Rua Montenegro (hoje Rua Vinícius de Moraes), em Ipanema, os dois gênios da música brasileira espiavam o “doce balanço” dos quadris de uma linda jovem que passava em direção à praia.

Três meses depois da apresentação no Brasil, aconteceu a estreia na famosa sala de concertos Carnegie Hall, em Nova York, onde os mestres da Bossa Nova deixariam plantada uma semente que germinaria em forma de disco gravado com o saxofonista americano Stan Getz.

O tema foi gravado em inglês por Astrud Gilberto e foi estendida pela célebre execução de Getz a pouco mais de cinco minutos.

“Para reconhecer a melodia de ‘Garota’ não é preciso mais que um minuto, mas essa forma maravilhosa de interpretá-la de Getz a estendeu mais que na versão original”, disse Afonso à Efe em sua loja, chamada Toca do Vinícius, situada no coração de Ipanema e transformada em um autêntico museu e templo da Bossa Nova.

Mais tarde, em 1965, Vinícius confessaria que sua musa foi uma adolescente chamada Helô Pinheiro, que graças a sua figura inspiradora desfruta de fama no Brasil e em outros países, se tornou uma atriz de telenovelas, organizadora de concursos de beleza e empresária.

“Eu nunca respondia a seus elogios, só entrava no bar para comprar cigarros para meus pais ou passava por ali para aproveitar meus dias livres ao sol”, explicou Helô à Efe em recente entrevista.

Afonso assinalou que foi a Bossa Nova que exerceu influência no jazz, não o contrário, “porque nessa época as melodias de Cole Porter já estavam desgastadas”.

Para Afonso, também houve motivos políticos para o impulso que os americanos deram à Bossa Nova, já que a Guerra Fria fez com que quisessem usar a música tropical brasileira para resistir à salsa cubana.

“A Bossa Nova busca o mesmo que a arte renascentista: a perfeição através da simplicidade”, concluiu Afonso.

Em 1967, Frank Sinatra ligou para Tom Jobim, que atendeu ao telefone no próprio Bar Veloso, e o convidou para gravar “Garota de Ipanema”. A voz de Sinatra fez com que a canção chegasse ao mundo inteiro.

Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, é hoje um lugar de visita obrigatória para os amantes do jazz, da Bossa Nova e da música em geral.

Em suas ruas podem ser encontradas a casa onde Tom Jobim viveu grande parte de sua vida, o bar onde o maestro se encontrava com Vinícius e um dos últimos locais remanescentes na cidade com programação diária de Bossa Nova ao vivo.

Em Ipanema também está o primeiro monumento erguido em homenagem a este estilo musical, um mural que enfeita a parede da estação de metrô do bairro.

Fonte: UOL Música

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