Chegou o trailer do filme do Jimi Hendrix

Galera do rock and roll e amantes da música, o tão esperado trailer do filme do Jimi Hendrix foi divulgado. A semelhança de André 3000, do Outbkast, com o músico impressiona e as poucas imagens reveladas remontam o gênio forte e o talento incontestável do cara!

O filme ˜Jimi: all is by my side˜ foi dirigido por John Ridley, que ganhou o Oscar por seu trabalho no longa ˜Doze anos de escravidão˜, e deve chegar aos cinemas dos Estados Unidos no dia 26 de setembro. Vamos torcer para que possamos ver nas telonas brasileiras o quanto antes!

Confira o trailer e tire suas próprias conclusões…

Pra ler com uma caixa de lenços do lado: “Pequeno Segredo”

por Mariana Paes

Foram sete dias em contagem regressiva para o lançamento de “Pequeno Segredo”, novo livro de Heloisa Schurmann, a matriarca da família Schurmann.

Troquei poucas frases com Formiga (o apelido de Heloísa), peguei meu autógrafo, meu livro e corri pra casa. Devorei o livro em três horas. Sou jornalista daquelas bem chatas, com gosto literário meio peculiar, mas minha fascinação pelas aventuras da Família Schurmann, o encantamento com os livros anteriores de Heloísa e a expectativa de conhecer mais sobre a pequena Kat me fizeram acreditar que eu amaria o livro. E, de fato, foi um turbilhão de emoções.

Heloisa consegue repetir o feito dos outros livros: com narrativa fluida e uma linguagem bem intimista, o leitor se sentir amigo íntimo da família já nas primeiras páginas do livro. Ok, eu já me sentia íntima da família por ter lido seus livros anteriores, assistido o filme e por continuar acompanhando sua tragetória.

O diferencial desse livro é que o desafio narrado é muito maior que uma navegação ao redor do mundo ou pela rota de Fernão de Magalhães: é a jornada de uma família que se vê sem rumo após a descoberta de uma doença e que, na iminência de deixar sua filha desamparada, resolve entregá-la para adoção. Os escolhidos são os Schurmann, que criaram seus três filhos durante suas viagens à vela. Em um ato de amor imenso e quase insano, toparam adotar a pequena Kat, mesmo com as péssimas perspectivas quanto à saúde da menina. A sentença de que teria poucos meses de expectativa de vida foi colocada em cheque, graças à dedicação, coragem e benevolência do pai e da família adotiva.

Conselho: leia com uma caixa de lenços ao lado. Momentos da vida dos pais biológicos de Kat, a revelação da doença, a adoção, seus momentos no hospital e as dúvidas sobre como tratar sua enfermidade da melhor forma são de cortar o coração. Mas quem pensa que isso faz do livro algo depressivo, está enganado. Com habilidade e delicadeza, Heloísa relata as situações de forma a torná-las uma motivação para o leitor, mostrando a superação de cada obstáculo, fé e esperança.

Não, não é um livro de auto-ajuda, não é um livro do tipo “tenham dó de mim”, é um livro do tipo “nós conseguimos, ela conseguiu e todos que quiserem podem conseguir o que quiser”. Uma literatura bacana pra quem acha que está no fundo do poço ou que nada tem jeito: mostra que sempre há um caminho do meio, que o contato com a natureza e as emoções podem salvar vidas e que nenhum mal resiste à real benevolência.

Terminei o livro querendo dar um abraço em toda a família Schurmann, agradecendo-os por todas as oportunidades que ofereceram à Kat e por, agora, compartilharem sua história conosco.

Quando crescer, quero ser velejadora forte e, ao mesmo tempo, delicada… como Heloísa.

Agora começa uma nova contagem regressiva: em breve, o filme baseado no livro (dirigido por David Schurmann).

Os dez piores nomes em português de filmes estrangeiros

Isso tem melhorado com o tempo, é verdade, mas ainda hoje, alguns filmes internacionais chegam aqui com um título tão irreconhecível e absurdo que a gente nem consegue associar que se trata da mesma obra. Um caso recente é o de Indomável Sonhadora, que faz pensar mais em um romance desses de banca de jornal do que em uma obra da sétima arte. Na realidade, trata-se do elogiadíssimo Beasts of The Southern Wild, recém-estreado no Festival do Rio. Algumas traduções já foram tão criticadas ao longo dos anos que se tornaram clássicos do risível, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (foto), de Woody Allen – Annie Hall no original. Relembre a seguir dez adaptações (difíceis de escolher) de títulos internacionais de levantar as sobrancelhas.


Se Beber, Não Case! – Imbuído de muito espírito cívico, o responsável por esse título incutiu na cabeça dos telespectadores sem querer a noção de perigo ao realizar certas atividades depois de consumir grandes quantidade de bebida alcóolica. A impressão que dá para quem nunca viu o longa é que o protagonista se casou acidentalmente em uma noite de bebedeira. E essa é a história de outro(s) filmes(s).O título original, The Hangover (a ressaca), acaba se encaixando bem melhor com a temática, afinal, passar por tudo que os protagonistas passam no dia seguinte àquela noitada é basicamente a pior ressaca do mundo.


Entrando Numa Fria – Assim como no caso anterior, não só deram ao filme um título “tiozão”, que soa pronto para fazer carreira na Sessão da Tarde, como fez toda uma franquia ganhar nomes progressivamente mais bizarros (Entrando Numa Fria Maior Ainda e Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família). Um filme que era sobre conhecer os pais da pessoa amada (Meet The Parents), aqui no Brasil, pode ser sobre um milhão de situações embaraçosas e genéricas diferentes.


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa – Certamente há alguma pesquisa de mercado na qual se baseiam as pessoas que traduzem títulos no Brasil que diz que o brasileiro tem dificuldade de assimilar nomes próprios gringos e que isso fará do filme um fracasso. Só isso explica que Annie Hall, de Woody Allen, tenha se transformado em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (?!). Também entram nessa categoria “nomes de personagens”, por exemplo, Shane, batizado aqui de Os Brutos Também Amam (?!?!) e Calamity Jane – ou Ardida Como Pimenta (?!?!?!).


Amor, Sublime Amor – Outro estudo também deve indicar que títulos com clichê são de fácil assimilação e, portanto, o caminho mais seguro (especialmente se esse clichê envolver a palavra “amor”). Aí, West Side Story (“história do lado oeste”) vira Amor, Sublime Amor e Lost In Translation (“perdidos na tradução”) passa a se chamar Encontros e Desencontros. Esses nomes indicam que os filmes retratam… qualquer coisa!


Um Corpo que Cai – Traduções e adaptações que contam parte da história também são uma categoria interessante. Foi Apenas Um Sonho poderia ser o título de diversos filmes feitos antes de se tornarem o hors-concours dos clichês finais em que o protagonista sonhou a história inteira. Mas foi o nome escolhido para Revolutionary Road. Porém, nesse quesito, nada supera Um Corpo que Cai, originalmente Vertigo. Em um mundo em que spoiler é praticamente um palavrão, títulos que dão pistas sobre a trama são possivelmente uma tendência decadente.


Forrest Gump – O Contador de Histórias – Parece haver uma ressalva na regra de evitar nomes próprios norte-americanos. Eles são permitidos contanto que haja um travessão e um complemento explicativo depois, seja este adendo a respeito do filme ou do protagonista. Que o diga Erin Brockovich, aquela mulher de talento. Ou Patch Adams, ou Larry Crowne.


Amnésia – Ninguém viu o filme antes de dar o nome? O personagem fala claramente que a doença dele não é amnésia. Não precisava manter o original (Memento), mas praticamente qualquer outro título seria mais correto e menos enganoso.


Assim Caminha a Humanidade – Giant (gigante, no original) exemplifica não só casos de títulos nada a ver com o original, mas também uma tendência a nomes muito mais longos em português do que no iriginal. Pode reparar, são poucas as exceções, como Priscilla – A Rainha do Deserto (que suprimiu um “adventures” no começo), por exemplo.


O Garoto do Futuro – Tem 1985, talvez ninguém fosse sair de casa para ver um filme sobre um adolescente que vira lobo. Mas a coisa mudaria de figura se esse garoto fosse interpretado por Michael J. Fox. Pegando carona no sucesso de De Volta Para o Futuro, os espertinhos aqui no Brasil chamaram Teen Wolf de O Garoto do Futuro.


Curtindo a Vida Adoidado – Ele pode até não fugir tanto da temática original de Ferris Bueller’s Day Off quanto outros títulos nacionais da lista fizeram, mas nada que tenha “adoidado” no nome pode passar incólume, especialmente considerando o quanto isso deixa ainda mais datada a produção.

Fonte: Rolling Stone Brasil

Música & cinema: canções que viraram hits por causa de filmes

Existem algumas músicas batidas, manjadas e executadas à exaustão que devem todo esse hype à outro tipo de arte, o cinema. Sabe quando começam os primeiros acordes de certa canção na rádio e na hora todo mundo associa a um filme? Como ouvir “My Heart Will Go On” sem lembrar do romance entre Rose e Jack em Titanic? E escutar “Unchained Melody” sem lembrar com saudade de Patrick Swayze? A seguir, dez exemplos de músicas intimamente associadas à trilhas sonoras.

“Take My Breath Away” e Top Gun – Ases Indomáveis – A trilha de Top Gun – Ases Indomáveis como um todo foi um sucesso. É até hoje uma das mais populares, já recebeu nove discos de platina. Mas foi com “Take My Breath Away” que o filme venceu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. A composição de Giorgio Moroder e Tom Whitlock foi interpretada pela banda Berlin.

“Mrs. Robinson” e A Primeira Noite de um Homem – Anne Bancroft e suas pernas em formato de triângulo são um marco do cinema, assim como a frase “Sra. Robinson, você está tentando me seduzir”. Mas acima de tudo, a canção de Simon & Garfunkel se tornou uma referência quando o assunto são trilhas de destaque. Quando foi lançada como single em 1968, chegou ao primeiro lugar da parada Billboard Hot 100, nos Estados Unidos, e ainda ajudou a dupla a ganhar o Grammy de Melhor Disco do Ano, em 1969. A faixa estava sendo composta por Simon para contar a história de Mrs. Roosevelt e a princípio não tinha nada a ver com a produção. Mas acabou se adaptando para se tornar o hino da Mrs. Robinson de Bancroft. Ficou para sempre associada à mulheres mais velhas que seduzem rapazes mais jovens.

“Unchained Melody” e Ghost – Do Outro Lado da Vida – O filme narra um romance muito forte, que supera os limites do corpo e do plano físico. De forma que a trilha, assinada por Maurice Jarre, abusou das letras melosas e de um instrumento intimamente associado ao romance, o saxofone. Mas “Unchained Melody”, em especial, se destacou nessa trilha açucarada. A canção é de Alex North e a letra de Hy Zaret, mas a versão popular e usada no filme é dos Righteous Brothers. Relembre a famosa cena protagonizada por Patrick Swayze (Sam), Demi Moore (Molly), a canção e o torno.

“I Got You Babe” e Feitiço do Tempo – Nesse cult de 1993 protagonizado por Bill Murray, o mal-humorado Phil é condenado a despertar todas as manhãs ao som de Sonny & Cher, mais especificamente “I Got You Babe”. Aliás, tudo que ele ouve diariamente é um trecho da música, que é interrompida pelo locutor da rádio para que ele comente sobre o frio que vai fazer naquele 2 de fevereiro. O desafio é terminar de ver o filme sem ficar com aquele pedaço da canção na cabeça. Ou ouvir a música em outro contexto e não refletir a respeito do tempo, a vida e a rotina.

“My Heart Will Go On” e Titanic – Chegou um momento nos anos de 1997/1998 que mesmo quem era fã de Celine Dion não aguentava mais ouvir a música. O sucesso do filme de James Cameron, protagonizado pelo casal Kate Winslet (Rose) e Leonardo DiCaprio (Jack) fez da música tema dos pombinhos trágicos o maior hit de Celine, um dos singles mais vendidos de todos os tempos e o single mais vendido de 1998. Isso porque a música começou somente como um tema instrumental para o longa. Depois, se transformou em uma versão com letra feita apenas para os créditos finais – e a princípio nem Celine queria gravar, nem Cameron queria usar! No fim, acabou se tornando uma das músicas mais conhecidas da década.

“Oh, Pretty Woman” e Uma Linda Mulher – O nome da música inspirou o título do fime (Pretty Woman, no original, em inglês). Não tinha como uma coisa não ficar diretamente associada à outra. A faixa de 1964 já era um sucesso de Roy Orbinson e experimentou um revival em 1990 com o lançamento do longa protagonizado por Julia Roberts e Richard Gere. Na trama, ela é uma prostituta e, ele, um homem de negócios bem-sucedido. O encontro dos dois muda a vida de ambos.

“My Girl” e Meu Primeiro Amor – A canção do Temptations caiu como uma luva para essa comédia romântica juvenil protagonizada por Anna Chlumsky, Macaulay Culkin, Jamie Lee Curtis e Dan Aykroyd. Aliás, esse é mais um caso em que a canção principal da trilha dá nome ao filme (My Girl, em inglês).

“Can’t Take My Eyes Off You” e 10 Coisas que Eu Odeio em Você – Heath Ledger, Julia Stiles e Joseph Gordon-Levitt ainda muito jovens protagonizam essa comédia romântica teen de muito sucesso em 1999 – uma reinterpretação da história de A Megera Domada, de Shakespeare. Uma das cenas mais marcantes é a que tem o já falecido Ledger cantando para sua amada “Can’t Take My Eyes Off You”, de Frankie Valli, popular na voz de Gloria Gaynor. A trilha como um todo acabou sendo um hit, trazendo bandas que fizeram muito sucesso naquela década, como Letters to Cleo, Save Ferris e Semisonic.

“Anyone Else But You” e Juno – Juno foi o hit indie de 2008 e apresentou ao mundo a atriz Ellen Page e a roteirista Diablo Cody. Depois que passou o hype do filme, porém, a cena final dele continuou sendo exibida por muitos meses. Nela, Juno e Paulie (Michael Cera) cantam uma versão de “Anyone Else But You”, do Moldy Peaches, que viu sua carreira crescer novamente depois do lançamento filme.

“You Can Leave Your Hat On” e 9 1/2 Semanas de Amor – Composta por Randy Newman e gravada por ele para o disco de 1972 Sail Away. Porém, se tornou um hit de verdade na voz de Joe Cocker, quando sonorizou o filme de 1986 de Adrian Lyne durante uma famosa cena de striptease.

Fonte: Rolling Stone Brasil

“Dirty Dancing” comemora 25 anos nesta terça (21); relembre hits e polêmicas do filme

Cena do filme Dirty Dancing

O Brasil conheceu o ritmo quente de “Dirty Dancing” em setembro de 1987, quando o filme chegou aos cinemas nacionais pela primeira vez, mas é nesta terça, 21 de agosto, que o blockbuster oitentista comemora exatamente 25 anos de sua estreia nos Estados Unidos, marcada por hits românticos e a polêmica envolvendo o aborto de uma das personagens.

Em entrevista ao canal CNN exibida nesta segunda, a atriz Jennifer Grey relembrou a época em que atuou no longa no papel da adolescente Frances (Baby) Houseman, quando tinha 27 anos.

“O filme fala sobre a morte da inocência. Filmei dos 27 aos 28 anos e hoje vejo como eu era nova e também como foi a morte da minha inocência”, explica a atriz. Para Grey, esse marco foi um acidente de carro que sofreu com Mathew Broderick, e que matou as duas mulheres do outro automóvel envolvido na batida, dias antes da première do filme em Nova York.

“Esse longa mostra o amadurecimento dessa personagem e a forma alegre como ela vive a vida. Acho que isso é contagiante, e o principal motivo de o filme ainda fazer sucesso depois de 25 anos. As pessoas se identificam com ela”, analisa.

A atriz também lamentou a morte de Patrick Swayze, seu par romântico na trama e que morreu de câncer aos 57 anos, em 2009. “Sempre vi Patrick de uma forma vulnerável, tudo que ele fazia era muito intenso, mas eu sempre consegui ver sua beleza, uma beleza vulnerável que ainda hoje faz com que continuemos sentindo sua falta.”

Em resenha publicada pelo “The New York Times” no mesmo dia de seu lançamento nos Estados Unidos em 1987, o longa protagonizado por Patrick Swayze e Jennifer Grey menciona o fato de as famílias tradicionais americanas acusarem o filme de “encurtar o caminho dos jovens para o inferno”, por causa do tema lascivo da história.

Para o jornal, o filme – que se passa no verão americano de 1963, na colônia de férias Catskill – é “um adeus confortável ao ‘American way of life’ vivido após a morte do presidente Kennedy”. O “adeus” a que se refere o “NYT” é representado no filme pelas cenas em que Swayze – que vive o professor de dança pobretão Johnny Castle – sofre preconceito e é acusado de roubo por ser um empregado do hotel ou pelo amor proibido que vive com a aluna adolescente Frances (Baby) Houseman, papel de Grey.

Baby, por sua vez, também é uma garota à frente de seu tempo e se aventura pelas aulas de dança mesmo com a proibição do pai. Além disso, financia o aborto da amiga Penny, grávida de seu cunhado. Na época em que o filme foi lançado, o aborto tinha sido recém-liberado em algumas cidades americanas, na década de 1970, e por conta disso, o filme teve as cenas cortadas em algumas exibições. Isso depois do roteiro ser negado por diversos estúdios.

“Dirty Dancing” em números 

Escrito por Eleanor Bergstein e dirigido por Emile Ardolino, o filme arrecadou US$ 64 milhões nos Estados Unidos e US$ 214 milhões no mundo todo. Sua trilha sonora ficou no topo da parada da “Billboard” por 18 semanas.

“Dirty Dancing” foi o primeiro longa a ultrapassar a marca de um milhão de vendas em VHS. Uma de suas últimas versões em musical para o teatro, no Canadá, arrecadou US$ 2 milhões só no primeiro dia de estreia, em 2007.

Nos Estados Unidos No mundo Na parada Billboard
US$ 64 milhões US$ 214 milhões 18 semanas no 1º lugar

Remake do longa será produzido até 2014

O sucesso de “Dirty Dancing” motivou a produtora Lionsgate a fazer um remake para o filme, que tem previsão de lançamento para 2014. O roteirista escolhido é Brad Falchuk, responsável pelos episódios da série musical “Glee”. O elenco ainda não foi definido.

Fonte: Uol

Fernando Meirelles fala sobre a situação atual do cinema brasileiro

por Ana Elisa Faria

Mosaico de histórias entrecortadas que se cruzam ao estilo de “Babel” e “Crash – No Limite”, o longa “360”, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (“Ensaio Sobre a Cegueria”), é uma coprodução entre Brasil, Áustria, França e Reino Unido.

A série de tramas que norteiam o filme que entra em cartaz nesta sexta (17) começa com poses sensuais de uma prostituta (Lucia Siposová), que tira fotos para compor o seu portfólio em Viena, onde um executivo (Jude Law) participa de uma feira e contrata os seus serviços.

Em Londres, a mulher dele (Rachel Weisz) passa o dia tentando encerrar o caso com um fotógrafo brasileiro (Juliano Cazarré). Ao descobrir a infidelidade, Laura (Maria Flor), a namorada do rapaz, decide voltar ao Rio de Janeiro. No avião, faz amizade com um dos passageiros (Anthony Hopkins).

O roteirista inglês Peter Morgan (“A Rainha”) se inspirou livremente na peça “A Ronda”, de Arthur Schnitzler, para compor esse ciclo de traições, frustrações e descobertas.

O “Guia” conversou com o diretor Fernando Meirelles, que comentou a produção cinematográfica nacional, além de suas parceirias internacionais.

CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA:

Guia: O que você acha que do decreto da Cota de Tela?
Fernando Meirelles: Sou totalmente favorável à Cota de Tela. Se não, fica uma luta de capital. Quer dizer, o distribuidor que tem um filme que já está pago e que tem R$ 10 milhões para promover, vai conseguir ter seu filme em cartaz. Se existe uma razão para o Estado financiar os filmes brasileiros, faz sentido o Estado querer que esses filmes sejam vistos pelo público brasileiro.

Acredita que isso, de alguma forma, faz crescer o número de obras comerciais no cinema?
Certamente. Como os exibidores são obrigados a passar um certo número de filmes nacionais, acabam indo em busca daqueles em que acreditam que farão mais mercado. Mas eu acho ótimo que seja assim e acho melhor ainda que alguns filmes nacionais façam um público enorme. O nacional recordista deste ano é o “E Aí… Comeu?”. É ótimo, acho que ele está formando o público brasileiro. E essas comédias que de muito sucesso estão meio que sustentando a indústria nacional. Todo filme é filme.

Mas o que você acha da produção nacional atual?
O problema da produção nacional é que a gente a conhece muito pouco. No ano passado, foram produzidos 105 filmes. Noventa e cinco filmes brasileiros estrearam no cinema e eu tenho certeza que a média das pessoas saberiam quatro ou cinco títulos porque os filmes ficam pouco tempo em cartaz por falta de espaço. O espaço das salas é tomado por “Batmans”.

É até difícil falar de cinema nacional porque se eu citar aqui 40 títulos ninguém vai saber nem que esse filme existiu. Acho isso terrível. Hoje a gente consegue fazer um volume bom de filmes nacionais. Passamos dez anos batalhando para conseguir equacionar a produção. O nosso próximo gargalo é saber como vamos conseguir encontrar espaço para esses filmes serem assistidos, porque não tem sentido fazer filmes para não serem vistos. A próxima etapa é fazer essas produções chegarem ao público.

E como seria isso?
Existe uma legislação sendo escrita que limita o número de cópias que o distribuidor pode lançar um filme. Quer dizer, se eu tenho um “Harry Potter 7”, lançar até 110 cópias é normal. De 110 a 300 o cara teria que pagar um extra por cópia. Quanto mais cópias ele lança, mais caro fica para o distribuidor. Isso serviria para desanimar o distribuidor a fazer esses megalançamentos.

Este ano, o que está acontecendo no mercado, é que parece que os exibidores e os distribuidores descobriram as vantagens de fazer lançamentos com 600, 700 cópias. Lembro que, em 2010 e 2011, uma ou duas vezes por ano dois ou três filmes ocupavam metade do parque de cinemas no Brasil. Agora, não. Agora virou moda. Todos os filmes das distribuidoras americanas entram pesadamente, e varrem o mercado. Então, desde março até agora, o parque de cinema nacional, que tem mais ou menos 2700 salas, tem na verdade 1300 porque umas 1400 salas estão desde março ocupadas com dois ou três filmes. Precisa dar uma segurada nisso. Pode exibir o “Batman” e o “Homem-Aranha”, mas não precisa ocupar o parque inteiro.

Como vê essa onda de cineastas brasileiros que, assim como você, estão assinando a direção de filmes no exterior?
Acho muito saudável a gente criar uma ponte com o mercado internacional. E esses diretores, nos quais eu me incluo, acabam fazendo essa ponte. O mercado de cinema no mundo já é muito globalizado. Principalmente o cinema europeu. Dificilmente você vê um filme europeu que não tenha três ou quatro países no bolo. E o Brasil sempre esteve um pouco fora desse clube. Então, acho que a minha colaboração pessoal para o cinema brasileiro é justamente construir essas pontes. Não só fazendo coproduções e dirigindo fora, mas cada vez que eu vou trabalhar em outro país tento levar junto montadores, fotógrafos e atores. Fico sempre tentando criar essas pontes.

Fonte: Guia Folha

Comédia vira a tábua de salvação do cinema nacional em 2012

por Rodrigo Salem

O cinema brasileiro apostou em caras famosas da TV, criou pretensos blockbusters e resgatou jogadores de futebol polêmicos. Mas nenhum filme no primeiro semestre de 2012 conseguiu ultrapassar a marca do milhão de espectadores -ano passado, durante o mesmo período, quatro longas romperam essa marca.

Pior: somando o público dos dez maiores filmes brasileiros do ano até agora, cerca de 2,7 milhões de espectadores, ela não alcança nem a do maior filme do ano passado, “De Pernas Pro Ar”, com 3 milhões de pagantes.

A missão de mudar o quadro agora cai sobre os ombros de Bruno Mazzeo e seu “E Aí… Comeu?”, que estreia hoje em 550 salas.

A confiança na comédia baseada na peça de Marcelo Rubens Paiva não é um fenômeno isolado. Nos últimos cinco anos, o gênero que dominava o mercado da metade dos anos 1970 até o fim dos 80 –boa parte por causa do sucesso de “Os Trapalhões”–, ressurgiu ao ponto de virar uma das poucas esperanças de uma virada de jogo para o cinema nacional, que, nos primeiros quatro meses deste ano, apontou queda de mais de 60% em público e renda em comparação a 2011.

Divulgação
Ingrid Guimarães e Eriberto Leão em cena de "De Pernas Pro Ar 2"
Ingrid Guimarães e Eriberto Leão em cena de “De Pernas Pro Ar 2”

 

Os filmes espirituais (“Nosso Lar” e “Chico Xavier”) e a franquia “Tropa de Elite” foram os únicos dramas a entrar no top 20 de maiores bilheterias brasileiras nos últimos seis anos -os outros cinco filmes são comédias lideradas por “Se Eu Fosse Você”, com Tony Ramos e Gloria Pires.

Nos cinco primeiro anos da década, a tendência era outra. Apenas duas comédias entraram na lista: “Os Normais” e “Lisbela e o Prisioneiro”, ambos de 2003. Dramas como “Olga” (2004), com 3 milhões de espectadores, e “Carandiru” (2003), com 4,6 milhões de pagantes, disputavam em pé de igualdade com os longas da Xuxa. A primeira metade da década marcou também o início das cinebiografias de músicos com o sucesso de “Dois Filhos de Francisco” (2005) e “Cazuza: O Tempo Não Para” (2004).

“É um momento estranho”, diz o cineasta e roteirista Jorge Furtado, autor do texto de “Lisbela e o Prisioneiro” e diretor de “Saneamento Básico – O Filme” (2007). “O problema é que o cinema nacional não está conseguindo tirar as pessoas de casa. O sucesso do filme está no interesse do público e a comédia tem a vantagem do julgamento instantâneo: ela é engraçada ou não.”

“É claro que sabemos que a comédia é o gênero tradicional do brasileiro”, fala Bruno Wainer, sócio-diretor da Downtown Filmes, co-produtora dos filmes mais vistos do ano passado, os humorísticos “De Pernas Pro Ar” e “Cilada.com”, que, somados, renderam cerca de R$ 55 milhões.

“Ela é mais fácil de produzir. Só precisamos de um bom texto e um bom comediante. Ganhar R$ 20 milhões com um filme de orçamento de R$ 4 milhões é melhor”, explica Wainer, que foi ajudou a lançar por filmes “sérios” como “Cidade de Deus” (2001) e “Chico Xavier” (2010).

Augusto Casé, produtor dos três longas de Bruno Mazzeo, inclusive o novo “E Aí… Comeu?”, acredita que a ascensão do humor no cinema brasileiro nos últimos anos não é para ser desprezada. “Queremos ocupar as lacunas que ‘A Era do Gelo’ e as comédias americanas preenchem”, confirma. “Sem público, como haverá o fortalecimento do cinema nacional?”
No entanto, há uma clara tendência de temas nas comédias de maior sucesso nos últimos anos. A maioria tem um forte apelo sexual. Seja uma mulher que cuida de uma sex shop (“De Pernas Pro Ar”) seja um homem provando que é bom de cama depois de um mico online (“Cilada.com”), quanto mais piadas sacanas, melhor.

“É natural. A comédia muda de acordo com a sociedade. O humor reflete isso e agora podemos fazer comédias mais arrojadas e com viés sexual, quebrar tabus. O público já absorveu esse humor”, diz José Alvarenga Jr., cineasta de “Os Normais” e “Cilada.com”.

Renato Aragão, dono dez filmes no top 10 das maiores bilheterias do cinema nacional em todos os tempos, acredita que a comédia vive um ciclo, mas que o gênero de piadas mais pesadas não o atrai a retornar aos longas. “Não faria um filme apelativo nem se passasse muita necessidade”, confessa o comediante, que prepara uma animação em 3D estrelada por seu personagem Bonga, o vagabundo e desenhada por membros brasileiros da equipe técnica de “Rio”.

Fonte: Folha de S. Paulo

A tecnologia da arte e a arte da tecnologia

por Mariana Paes

Desde novembro de 2011, estou trabalhando com a comunicação de algumas empresas de TI, algumas delas focadas no mercado do entretenimento. Venho tendo oportunidades incríveis de estar em contato com profissionais que trabalham nessa indústria há anos e estão em constante processo de estudo e treinamento, para conseguirem acompanhar todos os avanços das últimas duas décadas.

Pesquisando dados para um release sobre áudio dos grandes filmes, encontrei uma referência à Steven Spielberg, que afirma que o áudio é o maior feito do cinema contemporâneo. O cara tem conhecimento de causa… seus filmes sempre levam às telas novidades produzidas por meio de alta tecnologias, com efeitos sonoros de tirar o fôlego.

Tive a imensa sorte de ir a um renomado estúdio onde o áudio das maiores produções audiovisuais do Brasil é trabalhado. São inúmeras pessoas, inúmeros botões, softwares, terabytes de dados, fuxos de trabalho complexos e talento! A conversa com um especiaista em equipamentos para áudio profissional despertou algo diferente em mim quanto ao trabalho do pessoal de som para filmes: o ofício não é algo técnico, é uma arte!

Compreender o espírito de cada cena para trabahar o áudio de forma a transportar o espectador para a história é algo que demanda extrema sensibilidade. Saber a intensidade que cada som deve ter, limpar o áudio de cenas externas, dar dinãmica e ritmo à narrativa, criar suspense, despertar sensações…

E o Brasil tem profissionais que fazem parte de um seleto grupo de renomados engenheiros e técnicos de áudio que trabalham no setor audiovisual, mesmo com a ainda embrionária profissionalização do setor. Felizmente, algumas poucas empresas do setor estão se mobilizando para trazer especiaistas ao Brasil para atualizar nossos profissionais quanto ao uso eficiente e pleno das ferramentas tecnológicas disponíveis.

Nas minhas próximas visitas ao cinema, certamente meus ouvidos começarão a perceber os sons de maneira diferente.

10 discursos mais marcantes de vencedores Oscar

por Otavio Cohen

O Oscar chega à 84ª edição com muita história para contar – tanto pela celebração de obras-primas da sétima arte quanto pelas controvérsias. Quem gosta de acompanhar as premiações sabe que o discurso do vencedor é um dos momentos mais importantes da cerimônia. Alguns apostam no bom humor para entrar na história, outros confiam no improviso e se deixam levar pela emoção (e pela surpresa) do momento. Até mesmo aquela velha mania de dizer um monte de nomes pode render um bom discurso. Prepare-se para a próxima festa do Oscar relembrando alguns dos melhores discursos das últimas décadas. Quer chegar lá um dia? Comece a treinar.

 

10. Michael Moore
Melhor documentário por Tiros em Columbine (2003)

Hoje em dia, você acha Michael Moore um chato. Mas nos anos 2000, o documentarista foi uma das principais figuras públicas a criticar abertamente a política internacional de George Bush. Em 2002, ele lançou o documentário Tiros em Columbine, que explora a relação dos EUA com as armas e fala sobre o assassinato de 13 pessoas em uma escola em 1999, um episódio marcante na história ameriana recente. Quando ganhou o Oscar, Moore aproveitou a deixa para provocar o governo americano, que havia acabado de anunciar a invasão do Iraque. A plateia aplaudiu de pé. E vaiou muito, também. Confira*.

Trecho memorável: “Vivemos em uma época em que temos resultados fictícios de eleições que elegeram um presidente fictício. Vivemos em um tempo em que um homem nos está mandando para a guerra por motivos fictícios. (…) Nós somos contra esta guerra, senhor Bush. Que vergonha, senhor Bush.”

9. Cuba Gooding Jr.
Melhor ator coadjuvante por Jerry Maguire – A grande virada (1997)

 

Cuba Gooding Jr. é um dos poucos atores negros que ganharam o Oscar. Em Jerry Maguire, ele interpreta um esportista problemático, que dá a volta por cima graças ao agente vivido por Tom Cruise. Na festa do Oscar em 1997, Gooding Jr entra em êxtase ao descobrir que venceu atores como James Woods e William H. Macy. A princípio, faz agradecimentos clássicos à esposa, aos pais e a Deus. Quando o tempo se esgota e a música começa, ele começa a agredecer (e a amar) várias outras pessoas, aos gritos.

Trecho memorável: “Estúdio, eu amo você… e Cameron Crowe! Tom Cruise! Eu te amo, irmão! Eu te amo (…) Todo mundo que se envolveu no filme! Eu amo você! Deus do céu! Aqui estamos nós! Eu amo todos vocês! Eu amo, amo, amo! Todo mundo envolvido!”

8. Jane Wyman
Melhor atriz por Belinda (1949)

A menos que você tenha mais de 60 anos ou seja fã de filmes antigos, a probabilidade é que você não tenha ouvido falar da atriz Jane Wyman – famosa na Hollywood dos anos 1940 e 1950. É possível que também não tenha visto o filme Belinda, que conta a história de uma jovem surda que fica grávida depois de sofrer um estupro e luta com todas as armas que pode para criar o filho e prender o estuprador. O filme ganhou vários remakes nos últimos 60 anos, mas foi o discurso de Wyman que entrou para a história.

 

Trecho memorável: “Aceito este prêmio com muita gratidão por ter mantido a minha boca fechada uma vez na vida. Acho que vou fechá-la novamente.”

7. Angelina Jolie
Melhor atriz coadjuvante por Garota, interrompida (2000)

Antes de colecionar filhos e ser uma das ativistas sociais mais famosas do mundo, Angelina Jolie também era uma atriz talentosa. Ela foi indicada ao Oscar por viver uma moça desajustada e compareceu à festa com um vestido no estilo Mortícia Adams e um parceiro inusitado, de quem não desgrudava. Quando a atriz foi chamada ao palco, descobrimos quem era o seu date.

Trecho memorável: “Estou em choque. E estou tão apaixonada pelo meu irmão neste momento… Ele me diz que ama e eu sei que ele está tão feliz por mim…”

6. Joe Pesci
Melhor ator coadjuvante por Os bons companheiros (1991)

 

Joe Pesci é um dos ladrões que Macaulay Culkin encurrala em Esqueceram de Mim. E é também um gângster esquentado e vingativo em Os bons companheiros. Por sua vocação para viver foras-da-lei e pela participação marcante no filme de Martin Scorsese, recebeu o prêmio da Academia. Contrariando a crença de que discurso memorável é discurso longo, ele entrou na história do Oscar com palavras curtas e grossas.

Trecho memorável: “O privilégio é meu. Obrigado”

5. Louise Fletcher
Melhor atriz por Um estranho no ninho (1976)

Uma das vilãs mais cruéis do cinema, Louise Fletcher torna a vida de Jack Nicholson um inferno em Um estranho no ninho. Seu discurso também foi curto e fez uma referência direta à sua vilania na telona.

Trecho memorável: “Parece que vocês me odiaram tanto que até me deram este prêmio. (…) Só posso dizer que amei ser odiada por vocês.”

4. Marlon Brando
Melhor ator por O poderoso chefão (1973)

Em 1973, não tinha para mais ninguém: não dava para bater a performance de Marlon Brando em O poderoso chefão. Sabendo disso, o ator (que já havia ganhado o Oscar em 1955, por Sindicato de Ladrões) boicotou a cerimônia e aproveitou para polemizar. Em seu lugar, mandou uma descendente de apaches, que expressava a indignação do ator pela maneira como os nativos americanos eram tratados tanto pela indústria do cinema quanto pelo mundo político.

Trecho memorável: “Imploro que, no futuro, nossos corações e nossas opiniões se encontrem com amor e generosidade.”

3. Sally Field
Melhor atriz por Um lugar no coração (1985)

 

Bem antes de viver Nora Walker na série de TV Brothers and Sisters, Sally Field era uma espécie de Sandra Bullock – com uma carreira cheia de comédias e sem muita credibilidade como atriz dramática. Depois de ganhar um Oscar polêmico em 1980, ela voltou a ser premiada em 1986, por seu papel em Um lugar no coração. Emocionada por ter vencido Sissy Spacek e Vanessa Redgrave, aproveitou para lavar a alma. Será que Sandra Bullock vai pelo mesmo caminho?

Trecho memorável: “Não tive uma carreira ortodoxa, mas mais do que tudo, quero ter o respeito de vocês. (…) Desta vez eu sinto e não posso negar o fato que vocês gostam de mim agora. Vocês gostam de mim!”

2. Hattie McDaniel

Melhor atriz coadjuvante por …E o vento levou (1940)

Hattie McDaniel foi a primeira (e, por muito tempo, a única) atriz negra a ganhar um Oscar. Ela foi premiada por sua participação no clássico que você finge que já assistiu …E o vento levou. Ironicamente, a atriz não teve o privilégio de se sentar na mesma mesa que seus colegas de elenco brancos durante a cerimônia no Oscar. Ainda assim, McDaniel fez história.

Trecho memorável: “Vou levar isso como uma inspiração para tudo o que eu possa fazer no futuro. Espero que eu sempre possa ser um exemplo para a minha raça e para a indústria cinematográfica. Meu coração está cheio demais para que eu possa dizer exatamente como me sinto.”

1. Dustin Hoffman
Melhor ator por Kramer vs. Kramer (1980)

O dramalhão Kramer vs Kramer foi o campeão do Oscar em 1980. Além dos prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Meryl Streep, o filme também abocanhou o prêmio de melhor ator para Dustin Hoffman. Na época, o jovem ator era um homem sério, que se comprometia com a profissão e que tinha opiniões intensas sobre a indústria cinematográfica. O resultado foi um dos discursos mais brilhantes da história do Oscar, com todos os ingredientes: bom-humor, ativismo, gratidão, respeito aos outros concorrentes e, é claro, merecimento.

Trechos memoráveis: “Eu queria agradecer aos meus pais por não terem usado métodos anticoncepcionais.” “Quando você faz um filme, você descobre que há pessoas que dão tudo de si (…) e que nunca aparecem. Mas este Oscar é um símbolo e eu o ofereço àquelas pessoas que nós nunca vemos. Elas são parte de nossas vidas. (…) Somos partes de uma família artística.”

Bônus – Jorge Drexler
Melhor canção original por Al otro lado del río, de Diários de Motocicleta (2005)

O cantor uruguaio era ainda desconhecido mundo afora quando emplacou a canção no filme que conta as viagens do jovem Che Guevara. Por isso, a música foi cantada pelo ator Antonio Banderas durante a cerimônia do Oscar. Jorge Drexler ficou revoltado, mas manteve a classe quando subiu ao palco para receber o prêmio. Al otro lado del río foi a primeira música em espanhol a ganhar o Oscar.

Fonte: Superinteressante

Olhar estrangeiro: a canção brasileira no cinema de hoje

por Julio de Paula

É certo que a música brasileira está presente no cinema mundial desde Walt Disney, Carmen Miranda e a turma da bossa nova. Jobim encabeça a lista como compositor mais citado. Na França-Europa a partir dos anos 1950, com Orfeu negro, de Marcel Camus, e Um homem, uma mulher, de Claude Lelouch, para citar apenas dois exemplos, o cancioneiro made in Brazil está lá.

No cinema dos anos 2000, além dos brasileiros assumirem seus postos como autores de trilhas na indústria americana pós-Cidade de Deus, um grande número de canções, de hoje e de ontem, vem aparecendo muito além dos filmes cult. O Brasil ganhou especialmente o dito “cinemão”. Exótico português e swing nacional?

Bebel Gilberto está à frente das novas divas, seguida por Céu e Cibelle. “Samba da bênção”, na voz da filha de João, pode ser ouvida em Comer, rezar, amar, filme de 2010 com Julia Roberts, e em Closer – Perto demais, com Jude Law e Natalie Portman, que traz na trilha sonora mais quatro canções interpretadas por Bebel. Cibelle está em O jardineiro fiel, de Fernando Meirelles, assim como Céu aparece na trilha original de Antonio Pinto para O senhor das armas, de Andrew Miccol, película de 2005 estrelada por Nicolas Cage.

Em Sabor da paixão (Woman on top), que tem no elenco Penélope Cruz e Murilo Benício, Lenine está presente com “O último por do sol”, do clássico álbum Olho de peixe, parceria com Suzano. Artes marciais e máfia da mineração, além da locação amazônica são pano de fundo para a história de Bem-vindo à selva, de 2003, que traz Celso Fonseca na banda sonora. Abre parênteses nesta lista: My summer of love, com Nathalie Presse, que se passa no interior de Yorkshire, tem canção tropicalista com Gil e Caetano (que vai voltar na lista). A lente do amor, The rapture e (claro) Fale com ela trazem canções na voz de Elis Regina. Mas é uma Elis seissentista que aparece aqui e na comedia policial Be cool – O outro nome do jogo, com John Travolta e Uma Thurman.

Seu Jorge se destaca nesta lista pra tocar. Depois de atuar em Cidade de Deus, ganhou o papel de Pelé dos Santos e acaba assinando as canções de cena de A vida marinha com Steve Zissou. Nesse filme emblemático de Wes Anderson, lançado em 2004, Seu Jorge canta e toca violão em várias sequências, num repertório de canções de David Bowie vertidas para o português.

A lista abre e fecha com Caetano. No início, temos a canção “Michelangelo Antonioni” no filme Eros, última realização do diretor italiano em colaboração com Wong Kar-Wai e Steven Soderbergh. Caetano Veloso fecha a compilação com “Cucurrúcucu Paloma”, “plot” de Felizes juntos (vídeo abaixo), também de Wong Kar-Wai, rodado na Argentina em 1997. A mesma canção reaparece encenada em Fale com ela, de Almodóvar.

A faixa-bônus é dada por Woody Allen em seu Match point (Ponto final). Scarlett Johansson, Jonathan Rhys Meyers e Emily Mortimer brilham ao som do nosso Carlos Gomes na voz de Caruso.

Boa sessão. Sem ruído de pipoca, por favor.

Fonte: Cultura Brasil

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