#NascidaEm1985 – nº 11 – “Crazy For You”

Eu não sou a maior fã da Madonna, mas alguns hits são incontestavelmente bons! Nos anos 80, quando ela e a Cindi Lauper disputavam atenção da mídia, muita gente acreditavam que Cindi sobreviveria ao tempo e a Madonna desapareceria logo, mas, quem diria, a cantora-bailarina continua aí, sempre com novos hits e tomando sua poção da juventude (tipo aquela do filme “A Morte Lhe Cai Bem“). Um dos grandes sucessos do início da carreira da Madonna é “Crazy For You”, #NascidaEm1985 🙂

A canção estourou nos Estados Unidos, Europa, Japão… foi top da Billboard e concebida para ser trilha sonora do filme “Em busca da vitória” (Vision Quest). Mas é bem possível que você tenha passado a amar a música no mesmo momento que eu: quando aparece no filme “De repente 30“. Confesso que nunca tinha prestado muita atenção em “Crazy for You”, até embalar a história fofa que envolve Jenna Rink e Matt Flamhaff. Sou suspeita pra falar do filme, porque ele remonta tantas coisas que me lembro da minha infância no fim dos anos 80 (inclusive a memória musical), que tenho um carinho enorme por ele e, todas as 500 milhões de vezes em que passo por um canal que está exibindo a história, paro pra assistir!

Muito além do fato da música também ser #NascidaEm1985, creio que criei um vínculo com a balada da Madonna por também remeter a todas as contradições da chegada dos 30, da questão de se reconhecer ou não como alguém maduro nessa idade, sobreo que as pessoas esperam da gente quando estamos nessa fase…

Bom, já estamos no final da saga #NascidaEm1985 e está tão difícil escolher sobre quais músicas falar! Tem tanta coisa legal nos anos 80!!!!!

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#NascidaEm1985 – parte 9 – Don’t you (forget about me)

Toda década tem aquela música icônica, que define a sonoridade das canções do período, que passa muito tempo no ranking da Billboard, que faz você cantar um refrão-chiclete mentalmente por longos dias. Aquela sonoridade eletrônica, o tecladinho característico dos anos 80, um refrão repetitivo que gruda na mente e uma batida que dá vontade de dançar! Assim é a #NascidaEm1985 de hoje: “Don’t you (forget about me)”, do Simple Minds. Quem nunca foi num bar cantou junto o “Hey, Hey, Hey/ Don’t you forget about me!”, ou até no carro, em casa ouvindo o rádio de dial iluminado ou até mesmo o rádio mais moderninho mesmo (porque essa música não sai de moda, tá nas “Alphas FM” da vida até hoje), afinal, música boa é eterna! Acho que essa mistura que resulta em balada dançante, que faz a gente viajar na melodia, é super a minha cara, então adorei ter nascido no mesmo ano de um dos mais legais “La, la la la la, la la la” da história 🙂

A música foi gravada para fazer parte da trilha sonora do filme “The Breakfast Club” (“Clube dos Cinco”, em português), e foi projetada com ajuda do sucesso estrondoso desse clássico do cinema. Vários outros filmes também adotaram a canção, como “American Pie” e “Pitch Perfect”, que fez uma versão sensacional dessa música, fazendo um “mash up” com outras músicas, como Price Tag, da Kesha. Aliás, o Glee também fez uma versão que amei!

Confira as várias versões:

Simple Minds: 

Glee: 

Pitch Perfect: 

Qual será a próxima #NascidaEm1985? Alguma pista? Alguma sugestão?

#NascidaEm1985 – parte 8 – “Exagerado”

Hoje a #NascidaEm1985 é de um artista nacional sensível, transgressor, um dos compositores que me inspira: Cazuza! Em 1985, ele deu o primeiro passo de sua carreira solo, após brigar com o Barão Vermelho durante a gravação de um álbum. Assim, a música “Exagerado” nasceu, em 1985, como faixa-título do primeiro álbum solo desse grande cara.

A série de documentários “Por Trás da Canção”, do Canal Bis, exibiu um episódio que fala sobre a história da composição dessa música, que contou também com a colaboração do Ezequiel Neves, empresário dele. Nessa ocasião, Leoni comentou que Cazuza pensava em fazer da música, cuja letra estava pronta, algo que lembrasse o bolero, mas o arranjador não concordou e decidiu levar para o lado do rock mesmo. E ficou incrível! Letra e melodia se complementam para levar ao público esse tom visceral e profundo do Cazuza, um grande letrista, entre meus favoritos!

Acho que essa ideia de “E por você eu largo tudo/ Vou mendigar, roubar, matar/ Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais/ Exagerado/ Jogado aos teus pés/ Eu sou mesmo exagerado/ Adoro um amor inventado” é muito leonina, cheia de drama e paixão, e também atemporal. Essa é a mágica da composição, você escrever uma obra de arte com a qual as pessoas se identifiquem, não importando a época. Isso faz de um artista o porta-voz de sua geração e também do espírito humano.

Vale a pena conferir o “Por Trás da Canção”:

#NascidaEm1985 – Partes 3, 4, 5 e 6 – Rock in Rio

Não é fácil manter a periodicidade das postagens em meio a um turbilhão acontecendo no trabalho e em casa rs. Mas vou me redimir e hoje a série #NascidaEm1985 não apenas vai trazer uma canção que nasceu no mesmo ano que eu, mas uma iniciativa incrível, um festival lendário, que teve sua primeira edição em 1985: o Rock in Rio! Tenho muita sorte por ter nascido no mesmo ano desse show que ocorreu no período dos primeiros passos do Brasil rumo à democracia e foi o primeiro grande festival da América do Sul.

Queria muito ter estado lá mas, como aconteceu em janeiro e eu nasci em julho, ouvi tudo da barriga da minha mãe, que viu algumas coisas pela televisão. Aos jovens que leem esse texto, há algo curioso sobre esse Rock in Rio: tinha rock e era no Rio mesmo rs. Em 10 dias, a Cidade do Rock recebeu mais de 1,3 milhão de pessoas em um espaço com sistemas de som e luz supermodernos, que inclusive iluminavam a platéia (algo inédito para a época). Era um período em que o rock começava a despontar no Brasil e os principais nomes dessa nova safra estiveram nos palcos do festival. Blitz, Paralamas, Barão, Rita Lee, Lulu Santos e Kid Abelha são alguns dos nomes.

Vendo vídeos dos shows, o coro da platéia sempre me arrepia. Todos pareciam alucinados com alto tão extraordinário, bandas nacionais super bacanas e nomes internacionais que ainda não costumavam incluir o Brasil em suas turnês. Ícones que eu amo e fizeram parte da minha formação musical estavam lá marcando presença: Queen, AC/DB, Ozzy, Iron, George Benson, James Taylor, Whistenake, Scorpions e B-52’s.

Há 30 anos, mais de um milhão de pessoas surpreendidas por shows incríveis. Hoje, quando vamos a um show, normalmente já sabemos o setlist, já vimos vídeos da mesma turnê, lemos inúmeras matérias sobre o assunto. Ou seja, de certa forma, sabemos o que esperar. Imagina há 30 anos? Sem youtube pra você dar uma espiadinha em como vai ser o show do seu artista favorito? Sem google pra você pesquisar a lista de músicas, você podia ser surpreendido por aquela canção meio “lado b” que você ama mas achou que ninguém mais gostava. Deve ter sido algo incrível e indescritível para quem esteve lá. Tanta banda que marcou época reunida em 1985, quando o show business não acabava com o limite do nosso cartão de crédito…

Pra celebrar essa grande reunião de artistas, #NascidaEm1985, o show do Queen… porque Freddie é o cara e sempre será!

Para quem quiser saber mais:

Olhem que bacana esse relato do primeiro festival: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/14/especial-rock-in-rio-festival-surgiu-em-1985-entre-calotes-enquetes-e-rejeicao-a-bob-dylan.htm

Aqui tem uma matéria bem legal com curiosidades do primeiro Rock in Rio: http://entretenimento.r7.com/pop/fotos/rock-in-rio-completa-30-anos-relembre-curiosidades-e-polemicas-do-festival-11012015#!/foto/1

Quando o artista sucumbe…

Cada vez que um de nós vai embora, eu sou arrebatada por uma sensação horrível. Talvez seja sentimentalismo demais, talvez seja a sensação de sermos todos tão parecidos que me faz compartilhar da dor de quem não suportou a hostilidade do mundo. Agora foi alguém que me fez rir com sua leveza, sensibilidade e sinceridade do olhar.

Lembro que fui com minha tia no cinema da Playarte do Lar Center (em São Paulo) logo que “Uma Babá Quase Perfeita” foi lançado. Ir ao cinema era um “evento”, minha tia comprava muitas balinhas, pipocas, íamos no McDonalds (não dava pra ir sempre, era caro pro nosso bolso), eu dormia na casa dela e a gente assistia propagandas do 1406 (os primórdios da Polishop) até pegar no sono. Talvez por isso, todo filme do Robin Williams me transportasse pra um sentimento tão puro e leve, mesmo quando o tema do filme era mais denso.

E quando um artista sucumbe à parte sombria inevitável, me questiono, sinto como se fosse alguém da família e me pergunto se o mercado e o público não são cruéis demais, cobrando demais de quem está nos holofotes. Mas logo me lembro de que minha maior cobrança, como artista, é minha mesmo. Lógica fria de mercado ou fazer algo que vem do coração? Músicas-chiclete ou com significado e profundidade? Meu projeto autoral ou covers infinitos? Algo que me toca ou seguindo a tendência do momento? Não sei, a gente nunca sabe. E talvez esse seja o buraco negro da alma do artista. A gente sempre tem um “ou” entre dois pontos opostos, dificilmente vemos um “caminho do meio”. Não sabemos o que é “mais ou menos”. Ou são seis dias por semana de ballet clássico ou não dá. São cinco bandas simultâneas ou nenhuma. Apolo ou Dionísio. Trinta shows por mês ou só cantoria entre amigos. Quarenta alunos de música ou nenhum. Trinta músicas compostas em uma semana ou bloqueio criativo. Somos dos extremos, somos inflamados… e extraímos daí muita matéria-prima para nossa arte.

Ser “extremo” é perigoso… o que é extremo está “six feet from the edge”. Quanto mais nos distanciamos do centro, do “caminho do meio”, mais estamos próximos à obscuridade dos cantos da introspecção, indecisão, falta de perspectiva e depressão, ou da euforia desenfreada, a bipolaridade. E minha terapeuta me disse algo que me tocou demais, há alguns anos, e mudou minha cabeça: muitos de nós, artistas, achamos que precisamos da dor pra criar. Quantas vezes ouviu um poeta ou compositor dizer que só consegue escrever quando está na fossa? (Vide Adele e seu “corta-pulsos” álbum “21) É necessário fazer força para quebrar o ciclo vicioso da criação artística que vem da dor e produzir também em momentos de alegria. Depois de muita insistência e obras iniciais bem ruins, consegui começar a compor também falando sobre coisas positivas. Mas é um exercício diário. Se não vigio meus pensamentos, lá estou eu… cultivando a angústia, inquietação ou frustrações.

Para agravar esse nosso extremismo, vivemos num mundo completamente louco, onde a sensibilidade artística é banalizada e endeusamento da frivolidade dos artistas de um sucesso só, que se promovem por seus atributos físicos e talentos questionáveis. Sociedade superficial… melhor parar por aqui, porque vai ladeira abaixo. Mas, captou o cenário?

O combustível da arte não precisa ser a tragédia… um dia a gente aprende. Ou não…

Simplesmente, a sociedade não pode julgar as pessoas, artistas ou não, por não conseguirem suportar mais viver. Esse tipo de situação é só mais um sintoma da epidemia de “desumanização”…

Nunca passou pela minha cabeça desistir, mas a persistência existe graças a muita fé, amor da família e amigos e uma incurável esperança, que oscila mas não morre. O budismo diz que a revolução da humanidade começa com o levantar de uma só pessoa e que a arte e a cultura são importantes condutores da onda de mudança que começa em âmbito individual. Eu acredito!

E cada artista que vai embora, torna-se exemplo e traz uma reflexão importante (que acaba rápido, mas é válida). Obrigada aos artistas que se foram, mas deixaram esse legado. Obrigada aos colegas artistas que não sucumbiram e continuam tentando na Terra mesmo.

Thank you for everything, Mrs. Doubtfire…

Sugestão de leitura: “O nascimento da tragédia”, de Nietzsche.

Chegou o trailer do filme do Jimi Hendrix

Galera do rock and roll e amantes da música, o tão esperado trailer do filme do Jimi Hendrix foi divulgado. A semelhança de André 3000, do Outbkast, com o músico impressiona e as poucas imagens reveladas remontam o gênio forte e o talento incontestável do cara!

O filme ˜Jimi: all is by my side˜ foi dirigido por John Ridley, que ganhou o Oscar por seu trabalho no longa ˜Doze anos de escravidão˜, e deve chegar aos cinemas dos Estados Unidos no dia 26 de setembro. Vamos torcer para que possamos ver nas telonas brasileiras o quanto antes!

Confira o trailer e tire suas próprias conclusões…

Revolução da Salada precisa de um ingrediente: nova postura diária

Fui pra rua contra o aumento, fui pra rua e, finalmente, não me senti um ET! Finalmente eu não era uma única voz afirmando que dava pra melhorar a situação, que não podemos admitir “o menos pior”, devemos lutar pelo melhor, porque merecemos e temos direito à condições dignas de vida. O transporte público é uma piada e até me fez mudar de casa… afinal, passar mais de 4 horas por dia para ir e voltar do trabalho acabava comigo. Quando tive condições, fui morar perto do trabalho e a questão do transporte se tornou ainda mais incômoda pra mim. E as milhares de pessoas que não tinham esta mesma oportunidade?

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Eu fui pra rua, cantei hino em coro, gritei freneticamente que um professor vale mais do que o Neymar, que é legal o Brasil parar num momento que não é o Carnaval… Chorei sentindo a vibração daquele povo todo clamando por mudanças e, por mais que nem todos estivessem 100% certos do motivo que os levava àquele local naquele momento, é um primeiro passo para discutirmos abertamente política, direitos… é um primeiro passo para sairmos da letargia e deixarmos de ser um povo que “sofre, trabalha muito, mas é feliz”! Temos que ser um povo que gosta de trabalhar e tem força para exigir decência dos nossos representantes.

Agora vamos raciocinar… como continuar esta revolução de forma inteligente e pacífica? Concordo que temos de continuar indo pras ruas para pleitear a resolução de outras questões, já que a redução da passagem já foi concedida, e devemos manter-nos atentos para as formas de “compensação” do governo para a arrecadação menor que a esperada com as passagens de ônibus (afinal, não passa pela cabeça deles a ideia de diminuir a roubalheira no setor de transportes, né?). A revolução tem de continuar no nosso dia-a-dia. Se a cultura do “jeitinho brasileiro” continuar maciçamente disseminada, seremos tão corruptos quanto os caras com os quais estamos brigando! A ideia de que “o mundo é dos espertos” deve ser repensada. Em curto prazo, os espertinhos de fato se dão bem. Mas a máscara, inevitavelmente, cai!

Dar lugar aos idosos, gestantes e deficientes no transporte público, devolver troco a mais no transporte, não se aproveitar da fragilidade de uns para beneficiar outros, tratar igualmente todas as pessoas, respeitar os mais velhos, pagar impostos (são abusivos mas são nosso dever e, sem cumprir deveres, como pleitearemos nossos direitos?), ter bom senso, respeitar opiniões diversas, parar de pensar que “posso tudo, porque tô pagando”, respeitar o bem público… Enfim, bom senso no convívio em sociedade.

Uma forma importante de manifestar-se contra a bandalheira é comportar-se como você gostaria que os corruptos se comportassem. Se você joga lixo na rua, xinga todo mundo no trânsito, ignora os assentos preferenciais do ônibus, tenta burlar o Imposto de Renda, falsifica atestado médico, compra carteira de motorista, paga qualquer tipo de propina ou, simplesmente, ignora os problemas sociais que assolam nossa nação, você está agindo de forma tão duvidosa quanto aquele pessoal que aumenta o próprio salário, recebe propina, tira vantagem da ingenuidade das pessoas e desvia recursos dos cofres públicos para o próprio bolso.

As manifestações que levam milhares de cidadãos às ruas é, inquestionavelmente, incrível e bastante válida. Continuarei fazendo parte! Mas a revolução profunda e definitiva é essa do dia-a-dia, é reorientar nossa cultura (no sentido antropológico) para uma cultura de paz, convívio social civilizado, respeito e igualdade. Neste sentido, a atitude individual de cada pessoa faz a diferença, no maior espírito “gentileza gera gentileza”.

Eu acredito na mudança. Nós somos a mudança. A luta continua!

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Oito fatos que marcaram a cultura brasileira em 2012

Em 2012, o setor cultural brasileiro passou por mudanças e debates que podem apontar novos rumos políticos e mercadológicos para a área. Para encerrar o ano aqui no Cultura e Mercado, selecionamos oito fatos importantes para o país.

Qual mais além desses você indicaria?

Mudança no comando do Ministério da Cultura
No dia 11 de setembro, o Palácio do Planalto confirmou o convite da presidente Dilma Rousseff à então senadora Marta Suplicy (PT-SP), para substituir Ana de Hollanda no comando do Ministério da Cultura.

Já em seu discurso de posse, a nova ministra afirmou que uma de suas prioridades seria a aprovação do Vale Cultura – aprovado pelo Senado no dia 6 de dezembro.

Dois meses após assumir o cargo, em entrevistas aos principais jornais do país, Marta contou que pretende dar uma marca de “inclusão social” à sua gestão no ministério. Além de aprovar o Vale Cultura, ela pretende construir 360 CEUs das Artes — centros de produção cultural dotados, por exemplo, de biblioteca somente com livros artísticos. Também já começou a promover projetos e editais de incentivo à produção da cultura negra.

Marco civil da internet
A votação do Projeto de Lei 2.126/2011, o Marco Civil da Internet, foi adiada seis vezes desde que chegou à Câmara dos Deputados, em julho.

A meta do projeto é estabelecer direitos e responsabilidades no uso dos meios digitais, entre os quais a responsabilidade civil de provedores e usuários sobre o conteúdo publicado na internet e medidas para preservar e regulamentar direitos do usuário da rede como a liberdade de expressão e a privacidade.

A proposta sofre pressões principalmente por dois pontos: neutralidade e responsabilização de provedores por retirada de conteúdo – sendo que essa última ainda envolve discussões sobre direitos autorais, o que acabou gerando a intervenção do Ministério da Cultura.

Direito autoral
Além dos debates sobre direito autoral promovidos em torno do Marco Civil da Internet, esse tema também foi muito tratado em 2012 por conta da CPI do Ecad.

A Comissão investigou denúncias de irregularidades praticadas pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) na arrecadação e distribuição de recursos vindos do direito autoral de produções artísticas musicais e gerou um Projeto de Lei (PLS 129/2012), que trata do Novo Sistema de Gestão Coletiva de Direitos Autorais e estabelece normas para o exercício das atividades da entidade

Diante da pressão de artistas, servidores e dirigentes do Ecad, os senadores decidiram adiar a discussão da matéria para 2013.

Procultura
Em maio, Cultura e Mercado e Cemec promoveram em São Paulo o Seminário #procultura, que reuniu os principais agentes interessados no avanço do financiamento à cultura do Brasil em um dia de palestras, depoimentos e análises do texto que modifica a Lei Rouanet.

O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator da proposta, apresentou os principais pontos a serem alterados na lei de incentivo à cultura brasileira.

O projeto traz novos recursos para o Fundo Nacional de Cultura, promete descentralizar os recursos territorialmente e criar linhas para privilegiar pequenos produtores e produtores independentes. Clique aqui para saber mais.

No início de 2013, é possível que os líderes da Câmara e o governo votem um requerimento de urgência para que o projeto seja levado a Plenário sem ter que passar pelas comissões de Financiamento e Tributação e de Constituição e Justiça. Depois disso, vai para o Senado.

Crescimento do mercado das artes plásticas
Estudo realizado pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT) e pelo projeto setorial de arte contemporânea da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgado em maio, revelou que as galerias de artes monitoradas e que atuam no mercado primário (trabalham com o artista em atividade) cresceram em média 44% nos últimos dois anos.

O levantamento foi feito entre 40 galerias de sete estados brasileiros, que juntas representam cerca de 900 artistas. Essas mesmas galerias confirmam a tendência de internacionalização da arte contemporânea nacional, já que cerca de 48% dos seus artistas estão em coleções internacionais, enquanto 18% são representados por galerias estrangeiras e 20% dos seus negócios são gerados no exterior.

Junte-se a isso as visitações recorde em exposições, como a mostra “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, no Centro Cultural Banco do Brasil, e “Caravaggio e Seus Seguidores”, no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Legado cultural da Copa
Segundo o Ministério da Cultura, durante a Copa do Mundo de 2014, são esperados no Brasil cerca de 600 mil turistas estrangeiros e uma movimentação de mais de 3,1 milhões de pessoas em todo o território nacional.

O assunto tem sido tema de diversos seminários e até de edital.

Em abril, a Câmara dos Deputados criou a Subcomissão Especial para o Legado Cultural. O grupo ficará encarregado de acompanhar a organização e os investimentos realizados em infraestrutura cultural na preparação para os megaeventos esportivos que o país sediará nos próximos anos.

Mudanças no mercado de entretenimento
Com o encalhe de ingressos para apresentações de grandes artistas internacionais e o cancelamento de shows, neste ano teve início um movimento que pode indicar mudanças estratégicas no mercado de entretenimento no Brasil.

Grandes empresas de entretenimento ao vivo uniram-se para criar duas associações, uma formada por produtoras de shows e musicais e outra por companhias que comercializam ingressos. A intenção é reduzir a proporção de meias-entradas ou, pelo menos, conseguir que os governos assumam a conta de parte do benefício.

Entidades de defesa do consumidor veem riscos para o público dos shows caso algumas demandas das novas associações sejam contempladas.

Por outro lado, já se fala em negociações mais intensas para baixar o valor dos cachês dos artistas internacionais e um aumento no número de cidades das apresentações para diluir custos, tentando expandir para além do tradicional circuito Rio-São Paulo.

Nova lei da TV paga
Sancionada em setembro de 2011, a Lei 12.485 entrou em vigor neste ano e, apesar de todas as polêmicas, já começa a movimentar o mercado audivisual nacional.

Até final de 2013, todos os canais brasileiros de séries, filmes, documentários e animação de TV paga deverão ter em sua grade de programação pelo menos 3h30 por semana de conteúdo nacional e de produção independente em horário nobre – embora algumas programadoras já estejam pedindo dispensa da obrigatoriedade.

Isso tem gerado um significativo aumento na procura por produtoras e roteiristas de produtos nacionais, provocando mudanças de hábitos e padrões em empresas estabelecidas e estimulando o crescimento de outras.

Fonte: Cultura e Mercado

Massa e utopia – Megaexposições no Brasil reafirmam o conceito de indústria cultural criado por Adorno e Horkheimer

A mercadoria cultural, diz Adorno, não precisa mais ser vendida. Depurando-se tendencialmente dos elementos concretos (fundados na apropriação reflexiva do objeto por parte do sujeito), tais obras têm seu valor cada vez mais limitado ao de troca, de representação, ao veicular significados abstratos e pouco definidos (como “juventude”, “família”, “feminilidade”, “aventura” etc.).

Seu valor de uso metaboliza-se como suporte cada vez mais desqualificado em si mesmo – em direção a algo cuja especificidade de construção é o menos relevante possível –, de modo a acolher toda a gama de afunilamentos estereotipados e padrões que pré-formatam a percepção do próprio objeto.

Dada a fluidez incessante com que a moda e tendências artificialmente insufladas nos objetos se impõem como princípio da aceitabilidade do que é consumido, a mercadoria cultural não precisa ter preço, uma vez que o sistema inteiro é vendido, propagandeado e assim se reafirma em cada uma.

Isso implica dizer que nunca se consome um objeto em sua singularidade – duplamente pensada: tanto pela especificidade de sua constituição imanente, quanto pela concretude reflexiva da demanda subjetiva. Em vez disso, uma densa rede de princípios que sustentam a mobilidade da dinâmica capitalista se consubstancia na docilidade com que cada objeto “presta um serviço” ao indivíduo, por facilitar ao máximo seu espelhamento em tais princípios globalizantes.

Cada acorde estridente e agressivo em um solo de guitarra de uma música de cultura de massa, por exemplo, deverá ser tão juvenil e irreverente quanto a música inteira, e a própria pessoa gostaria de se perceber não apenas naquele momento, mas como ingrediente do culto de sua própria personalidade. De forma análoga, um beijo em uma novela deverá ser tão romântico e enternecido quanto toda a sequência de capítulos, quanto também cada espectador demanda se definir ou se ver como tal.

Produção artificial

As linhas acima delineiam uma faceta significativa do modo como Theodor Adorno compreende a submersão da cultura no fluxo incessante da produção artificial de valores, a serem absorvidos segundo parâmetros alheios à lógica que institui a identidade das obras consigo mesmas.

Longe se está do princípio laborioso de constituição de um sujeito através do modo com que se defronta com o objeto que resiste aos princípios imperialistas dos processos de subjetivação.

Em vez de uma objetividade do objeto que assegura sua dignidade ao se recusar a ser absorvido pelo horizonte subjetivo, tem-se um curto-circuito entre a totalidade social e uma individualidade que percebe a si mesma ao refletir, para sua glória, essa sublimidade coletiva.

Temos, a partir dessas colocações iniciais, um duplo movimento de equalização entre um âmbito universal (ou totalizante) e um particular (ou individual), pois tanto os elementos específicos são submergidos em um esquema geral de confecção das obras quanto cada indivíduo demanda um espelhamento no fluxo de constituição do real pelos valores sociais, econômicos, religiosos etc.

Trata-se do que Adorno denominou uma reconciliação forçada entre particular e universal, pois a conexão entre ambos os polos ocorre de forma a fortalecer a inércia social das relações de poder.

O paradigma da construção ideológica atual não é mais a transcendência sublime, vazia em sua elevação para muito além das vicissitudes da dialética da vida humana, mas sim este construto cultural que abdica da inteireza de sentido, cedendo ao fluxo incessante da comunicação toda a eloquência que deveria alcançar precisamente em sua diferença perante os processos de reificação.

Não cabe falar, diante deste estado de coisas, de uma obra que se venda aos milhões por se distinguir das outras na excelência com que consuma uma lei de movimento próprio, mas sim, bastante ao contrário, pela mestria técnica com que codifica uma totalidade violentadora dos indivíduos.

Tal violência deriva do fato de se ensinar aos consumidores a percepção da continuidade da ordem subsistente como seu próprio sentido, em vez de fomentar o desejo de instituir uma nova concepção de mundo.

Assiste-se a uma adequação crescente entre uma subjetividade que se institui como aglutinação de tendências sociais reificadas e objetos que se produzem e reproduzem sob os auspícios de uma lógica industrial de que os indivíduos querem tomar parte. Clara está a apropriação de uma totalidade que se renova incessantemente ao ser vendida em pequenas partes que cabem a cada um na percepção de sua impotência diante de uma lógica social onipotente.

A renovação, mutabilidade, meios de escolha e toda sorte de diferenciações prismáticas entre os objetos constituem o conteúdo manifesto de uma lógica implícita, que exclui tendencialmente a substancialidade que o singular poderia ter ao não mais aderir a este plano da existência.

A eficácia da cultura de massa é dada, assim, pelo modo com que ela se aproxima de uma imbricação indiferenciada entre cada elemento particular e a totalidade, tanto quanto da obra quanto macro, da sociedade.

Tudo isso, deve-se salientar, não configura um princípio descritivo de coisas, a partir do qual pudéssemos identificar objetos especificamente “de cultura de massa”, mas sim um princípio de análise contextual, que quer apreender uma lógica de inserção de quaisquer objetos, situações ou realidades sociais em uma racionalidade propriamente instrumental, por reduzir ao máximo a qualificação de algo a apenas meio, veículo, para algum fim.

Entre outras coisas, isto significa o poder da industrialização da cultura em se apropriar de inumeráveis objetos sem que nada seja alterado em seu aspecto físico, plástico, material.

Grandes exposições de arte, como as que pudemos assistir recentemente em São Paulo, do pintor italiano Caravaggio e também dos impressionistas franceses, não necessitam de qualquer intervenção concreta no sentido de adequá-las a uma percepção massificada, pois esta já pode se dar para vários dos espectadores, quando a arte será tomada como confirmando tudo aquilo que já se falava dela, a saber, que possui alto valor cultural.

O sumiço da obra

Mesmo deixada em sua realidade material primeira, a obra “desaparece” por detrás de sua imagem, estampada em todos os livros de arte que provavelmente o espectador já terá freqüentado antes de ter os quadros reais diante dos olhos. A dignidade da própria pintura tenderá a se resumir na confirmação gloriosa de quanto o livro era fiel como enunciador mítico de um discurso, de uma imagem, que deverá ser resgatada neste ritual de apropriação da obra em sua concretude física, mas não mais espiritual.

Tal como o turista coloca seu próprio prazer a serviço dos valores publicitários, averiguando com os próprios olhos o quanto o cartaz da agência era verdadeiro, o consumidor da arte obtém um ganho narcísico pelo modo com que ratifica o valor elevado da cultura, que se impregna em um discurso suficientemente brilhante, sofisticado e sublime.

Há que se atentar para o fato de que não se trata necessariamente de banalização, uma vez que a arte poderá ser consumida no instante mesmo em que se lhe assegura sua singularidade, como espécie de pedestal que testemunha uma elevação possível para além da mesmice daquela cultura de massa clara e positivamente marcada como tal.

Muito útil para entender tais questões é a ideia de Adorno de que a música de cultura de massa ouve a si mesma, em lugar do sujeito. Ela já está pré-digerida, contendo antecipações de quaisquer desenvolvimentos melódicos que se apresentam, insistentes, ao longo do tempo musical.

Assim, toda a música se converte em uma série de implicações tautológicas do que já se esperava dela. Trata-se de movimentos reiterados no sentido de subtrair ao espectador a oportunidade de ter prazer com a construção do sentido, do significado que uma obra tem em sua especificidade, em sua concretude como algo cuja totalidade depende da capacidade de cada observador em articular, pela imaginação, todos os elementos particulares.

Neste último caso, que caracteriza as obras de arte em sentido estrito, cada elemento, que irá se somar para constituir a obra como um todo, sempre apresenta um grau expressivo de resistência para sua integração.

As grandes obras, que por assim dizer abrem capítulos da história da arte, solicitam o que Adorno fala como “mitkomponieren”, um compor simultaneamente a música ao ouvi-la, seguindo seus desdobramentos como se, ao mesmo tempo, nos colocássemos a tarefa de contribuir para a geração de um sentido para a conexão de todos os sons.

Embora sempre se possa criticar uma diferenciação enfática entre os âmbitos de cultura de massa e da arte séria – na medida em que há várias obras com características de ambos os polos –, tal distinção conceitual é muito significativa para Adorno.

Ela contribui de forma decisiva para seu projeto filosófico de conceber uma relação entre sujeito e realidade que ultrapasse as vicissitudes da racionalidade instrumental, consubstanciada na técnica, na ciência, no capitalismo, nas instituições políticas e, particularmente, na colonização do âmbito estético pelo desejo de lucro e de manutenção da ordem existente, ou seja, na indústria cultural.

Tal como dissemos, a relevância deste delineamento conceitual não deve ser medida por sua habilidade de descrever objetivamente cada música, filme ou romance, mas sim por instituir um princípio de análise crítica sobre como quaisquer produtos podem se adequar à lógica de colonização dos meios pelos fins de geração de valores, principalmente os econômicos.

Racionalidade

Mais relevante ainda, entretanto, mostra-se a configuração da arte séria como uma espécie de antecipação alegórica de um espaço de utopia, em que se vislumbra, mesmo que de forma bastante indeterminada, uma reconciliação possível entre indivíduo e sociedade, espírito e natureza, intelecto e sensibilidade.

Embora tal concepção tenha sido criticada por diversos autores como por demais metafísica, a resposta, dentro da obra adorniana, consiste em apontar enfaticamente que tal reconciliação utópica permanece válida apenas se mantida no âmbito de uma possibilidade, de modo que toda sua figuração positiva, atual, necessariamente a falsifica.

Assim, que haja obras de arte cuja excelência as destaca indubitavelmente do contexto de apropriação capitalista do prazer estético é muito mais significativo do que a incerteza de aplicação do conceito crítico de indústria cultural a diversas obras que seriam, por assim dizer, híbridas, não totalmente claras quanto a seu valor como arte ou cultura de massa.

A melhor resposta à crítica de um teor metafísico, entretanto, nos parece a de que as grandes obras de arte, tal como Adorno as concebe, apresentam- -se como índice de uma racionalidade que robustece a si mesma devido a seu constante exercício. Perceber a cada momento o quanto o sentido de nossa relação com as coisas depende de nosso engajamento reflexivo é parte essencial de nossa atitude para com as grandes obras de arte.

Sua relutância em se acomodar a nosso narcisismo, ao culto de nossa personalidade, demonstra sua excelência como um convite de decifração de seu enigma, ligado profundamente àquilo que lhe confere um valor no âmbito da cultura.

Consciente de que a aceitação deste convite já demanda uma subjetividade afim à que a arte pretende formar, Adorno insiste na importância da filosofia como porta-voz eminente de um significado que permanece “mudo” na relação concreta com as próprias obras. Muito de seu pensamento tem como sentido mais próprio fazer falar o que permanece como um silêncio eloqüente no cerne dos grandes monumentos da cultura – cabe a nós a disposição de aprender com esse diálogo.

Verlaine Freitas

é professor de filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais e autor de Adorno e a Arte Contemporânea (Zahar)

Fonte: Revista Cult

CD comemora 30 anos de revolução na indústria fonográfica

O CD completou, no dia 1º de outubro, três décadas de revolução digital na indústria fonográfica, por meio da Sony e Philips.

No dia 1º de outubro de 1982 saía à venda no Japão o primeiro reprodutor comercial de discos compactos, o CDP-101. O aparelho custava, aproximadamente, R$ 4,3 mil e pesava nada menos que 7,6 quilos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o tamanho do CD foi determinado pelo uso das populares fitas cassetes. formato criado pela Philips no começo dos anos 60, que tinham 11,5 centímetros. No entanto, como essa proporção só seria capaz de armazenar uma hora de música gravada, a Sony decidiu aumentar meio centímetro (os 12 atuais) para fixar sua capacidade em 74 minutos.

Tudo isso levando em consideração, também, a portabilidade que esse tamanho daria para os usuários: era preciso que o CD coubesse em um bolso de jaqueta, por exemplo.

O sucesso foi tanto que, no final de 1984, a Sony lançou o primeiro reprodutor portátil de CDs, o famoso “discman”.

Agora, com as opções de aparelhos ultra pequenos que armazenam músicas baixadas da internet, o CD não é tão procurado. Mesmo assim, para comemorar os 30 anos da chegada do CD ao mercado, a Universal Music lançou no Japão uma série especial de CDs, incluindo a nona sinfonia de Beethoven.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

*Com informações do site do jornal O Estado de S. Paulo

Fonte: Cultura e Mercado

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