Contra o machismo na área náutica

por Mariana Paes

Hoje vou usar o espaço do blog para um texto diferente… preciso expor algumas situações e manifestar meu posicionamento.

Há cerca de dois anos conheci a arte da vela… ouvir o vento, entender o mar e usá-los da melhor forma para deslizar pelas águas. Comecei com livros e filmes sobre o assunto, principalmente os materiais da Família Shurmann.

Aos poucos, fui me encantando por essa arte incrível, fiz curso de vela e hoje me considero uma velejadora iniciante. Já aprendi o vocabulário náutico, sei ficar no leme e também regular as velas, aprendi várias coisas relativas à regras para entrar em países pelo mar, como tratar outros velejadores, que cursos fazer para dar a volta ao mundo e, principalmente, como trabalhar em equipe no barco.

Nesse período, ouvi algumas idiotices de homens… tipo “você não aguenta ficar no mar”, “é uma viagem muito longa pra você”… cheguei até a ouvir que mulher não era parte da tripulação, que só servia para limpar e arrumar o barco. Não me intimido com chuva, trovão, vento forte, mar grosso… mas o que me faz chorar de raiva é esse tipo de pensamento machista e retrógrado!

Sim, eu posso fazer comida pro pessoal e arrumar o barco, mas isso não me faz incapaz de puxar cabo, regular vela, ficar no leme, limpar casco, bater prego ou qualquer outra coisa. Talvez para algumas funções me falte força física, mas não falta fibra e vontade. No barco o que conta é cooperar, trabalhar em equipe, entender a importância e o papel de cada um e ser flexível, entender os sinais da natureza e respeitá-la. E vão me dizer que mulher não aguenta ou devia ficar em casa… perco a paciência. Não tolero machismo.

Agora olho em um site de um grande evento náutico e me deparo com uma chamada péssima, dizendo que o evento também é pra mulheres, já que tem lojas de decoração para barcos, acessórios e roupas apropriadas. Faça-me um favor!!! Uma entidade oficial do setor tomar uma postura tão sem noção quanto essa é uma afronta! Mulheres incríveis colocaram seu nome na história da vela mundial, como Jessica Watson, Isabel Pimentel e Heloísa Shurmann… com muita garra, fibra e coragem! E o povo ainda têm coragem de escrever um absurdo desse!

E esss pessoal que faz eventos acha que o foco é sempre masculino, rebaixa a mulher a simples objeto e a coloca como demonstradora de produtos com roupas diminutas, como se fossem meras bonecas infláveis. E ainda sujeitam as moças, que precisam trabalhar, a situações constrangedoras. Tudo bem que várias delas concorda com essa palhaçada, mas promover uma coisa dessas é uma violência contra o feminino.

Sou mulher, sou delicada, mas sei o que eu quero e sou firme. Não velejo pra agradar ninguém, nem vou pro barco só pra agradar o namorado ou pra fazer tipo. Vou porque amo, porque quero, gosto e pretendo viver minha vida assim. E, se for pra ir contra essa babaquice de machismo nesse meio, ok… viro leoa e defendo as mulheres velejadoras. Mas NINGUÉM vai vir falar na minha cara que a gente não é capaz!!!

Podem me chamar de hipócrita, feminista… a questão é respeito!

Sorte ter ao meu lado um velejador que não tem esse tipo de caca na cabeça!

#prontofalei

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. rafael
    out 03, 2012 @ 11:51:06

    Na realidade existem formas erroneas de pensar e pior afirmar que mulher é para isto ou para aquilo.O mar é de todos e para todos,sem necessidade de colocar(as)ou (os)….Quem ama velejar,veleja de qualquer forma,,contudo há imperiosa necessidade de regras de convivio,que se traduz e se verifica no dia a dia;,em curso algum,teorias regem a pratica.Mas o fundamental do “preconceito”,apesar de grave e inaceitavel,é que velejar é só para ricos..pior ainda em países com potencialidades e litorais ainda andem de olhos fechados para a nautica ,seus valores,ainda conservam no anominato, escolinhas de vela ,e se promovem escolinhas de futebol..A vencer temos todos essa tarefa de promover a divulgação e os feitos das navegadoras…independemente de nações ,mas razões e condições que proporcionaram outras a navegar.Bastará fazer um enquente com duas questões.á população.Que importancia tem a Mini Transat 6.50…e a outra se já ouviram falar de Izabel Pimentel….

    Responder

  2. Fernando Longardi
    out 12, 2012 @ 08:35:16

    Minha esposa é a minha segundo de a bordo,, não saio velejar sem ela, não tem tripulação melhor, e ela adora.
    Alem que mulher sempre sabe como ocupar o seu tempo, em viajens longas, sempre tem coisa pra fazer, o homem faz o que tem que fazer e depois começa se desesperar, kkkkkkkkkkkk
    È só entrar no youtube para ver a quantidade de mulheres velejadoras, e de mulheres que tem percorrido o mundo em veleiros, casais que quando o esposo fica no leme, a mulher esta encarregada das velas,da comida, da limpeza, kkkkkkkkkkkkkkk, e faz tudo igual que qualquer homem o melhor ainda.

    Responder

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