Musicais brasileiros crescem em número de produções

RIO – O que antes era um boom, uma explosão sem análise de efeito, agora se consolida como realidade — e cada vez mais superlativa. Os musicais brasileiros crescem em número de produções, cifras orçamentárias e público de um modo sem precedentes. Em paralelo à enxurrada de versões para clássicos e blockbusters internacionais — como “Hair”, “O Mágico de Oz”, “Um violinista no telhado”, “Família Addams” e os esperados “O Rei Leão” e “Shrek, o musical” —, os espetáculos criados no país ampliam sua estrutura, ganham espaço no mercado e poder de atração entre espectadores e investidores.

Ponto alto de uma ascendente retomada do gênero, que parte de “Ópera do malandro” (2003), passa por “Sassaricando” (2007) e explode com “Tim Maia — Vale tudo, o musical”, “Rock in Rio”, com estreia prevista para novembro, capitaneia uma nova fase, a das superproduções made in Brazil. Produzida pela Aventura, a montagem tem orçamento de R$ 12 milhões — o que a transforma no espetáculo mais caro da história do teatro brasileiro (“Família Addams” é recordista entre as adaptações da Broadway, orçada em R$ 25 milhões). Além de “Rock in Rio”, a empresa liderada pelo empresário Luiz Calainho e pela produtora Aniela Jordan planeja outros três musicais nacionais — e milionários: a adaptação do longa “Se eu fosse você”, de Daniel Filho (R$ 10 milhões), uma montagem biográfica sobre Elis Regina (R$ 4,5 milhões) e o musical adolescente “Tudo por um popstar”, inspirado no universo literário de Thalita Rebouças (R$ 3,5 milhões).

— No início, era importante investir em “Hair” e outros clássicos de abrangência — diz Calainho. — Mas agora é hora de valorizar o que temos aqui. A quantidade de material cultural é imensa, não faltam assunto e música de qualidade. E, nessa visão, “Rock in Rio” é o primeiro dos nossos projetos.

Dirigido por João Fonseca, o musical narra uma história de amor que tem, como pano de fundo, as canções de artistas que marcaram as edições do RIR.

— O “Rock in Rio” é um superfestival, e é por isso que o musical precisa ser também uma superprodução — diz Aniela Jordan.

Exceção num mercado em que as verbas de grandes musicais brasileiros giram entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, em média, “Rock in Rio”, na visão de Calainho, é uma oportunidade de mostrar a investidores a força do “mercado brasileiro, o terceiro maior do mundo”:

— Entrei no ramo com uma visão empresarial, com a intenção de buscar o máximo de crescimento, recursos e qualidade. As cifras são altas, mas, se você apresenta um projeto de qualidade, o investidor compra, e aí se eleva o padrão do segmento. O Brasil está em alta, e o empresariado está interessado. É hora de investir em criações nacionais. O momento é de virada.

Ex-sócios de Calainho e Aniela na Aventura, os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho acabam de se associar à GEO Eventos, recém-chegada ao ramo, para encenar uma leva de criações originais. A começar pelo musical “Nada será como antes — Milton Nascimento”, que chega ao Teatro NET Rio no dia 9 de agosto, orçado em R$ 1 milhão. $ós a estreia de outra adaptação da Broadway, “Como vencer na vida sem fazer força”, marcada para janeiro, Möeller e Botelho mergulham em “Dancin’ days”, escrito por Nelson Motta, “Verônica ou 13”, que é a segunda parte da trilogia iniciada com “7 — O musical”, e “Era Vargas”, idealizado por Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral.

— O crescimento nos últimos anos é exponencial, mas o mercado e as plateias têm se interessado por musicais independentemente de onde venham, do Brasil ou de fora — diz Botelho.

Apesar da boa fase, Botelho afirma que o próximo passo é gerar condições para a criação de musicais com dramaturgia e, principalmente, músicas originais, algo que remonta a “Orfeu” (1956), criado por Vinicius de Moraes e Tom Jobim, e que ele e Möeller levarão à Broadway em 2013.

— Ainda temos poucos musicais com canções e histórias inéditas, sem serem baseadas em pessoas ou fatos reais. Temos que nos inspirar no que fizeram Tom e Vinicius em “Orfeu” — diz Botelho.

Produtora de versões para “Hairspray”, “Xanadu” e “Cabaret”, mas também responsável por “Tom e Vinicius” (2008) e pelo fenômeno “Tim Maia — Vale tudo, o musical”, que custou R$ 3,8 milhões e já acumula mais de 180 mil espectadores, a Chaim planeja, para 2014, um musical em homenagem ao Teatro de Revista brasileiro.

— Entre “Tom e Vinicius” e “Tim Maia”, o salto de público e de artistas preparados é gigantesco — diz Sandro Chaim. — Se você tentasse colocar em cartaz essa quantidade de musicais há cinco anos, não teria elenco para suprir a demanda. Dentro desse crescimento, “Tim Maia” é um fenômeno, mas não faremos só musicais biográficos. Queremos histórias novas, brasileiras, usar o que temos a nosso favor.

Fonte: O Globo
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