Musical em Nova York renova clichês sobre o Rio para gringo ver

por Raul Juste Lores

Saem Carmen Miranda e personagens chamados Pepe ou Conchita e sombreros. Entram múltiplas referências aos longa-metragens “Cidade de Deus”, “Central do Brasil” e “Tropa de Elite”.

“Rio”, que estreou na terça da semana passada como parte do Festival de Teatro Musical de Nova York, atualiza, condensa e multiplica os clichês cariocas para consumo americano, mas sem constranger muito os poucos brasileiros na plateia do Teatro Saint Clement’s (que também funciona como igreja episcopal).

Com mais aulas de geografia que seus antepassados, os produtores e diretores canadenses e norte-americanos contam a história de Pipio (Nicholas Daniel Gonzalez), garoto de 12 anos que foi criado por freiras em um convento e procura por sua mãe.

Sobrevivente de uma chacina, que em muito lembra a da Candelária (1993), Pipio é testemunha dos disparos feitos pelo corrupto policial Ferreira (Lelund Durond).

Perseguido por Ferreira, Pipio é disputado por dois traficantes, Pantera (J. Manuel Santos) e Samson (Nik Walker), que querem trocar o menino por um carregamento de drogas e armas que será levado para São Paulo.

Pipio é protegido pela bela Neves (Tanesha Ross), misto de rainha da bateria com destaque de escola de samba, mulher do traficante Samson, mas que é assediada por Pantera. Só faltou o capitão Nascimento.

De “o Rio é o único lugar onde o inferno fica acima do paraíso” a “só Pipio consegue ver beleza aqui no morro”, as citações são mais ao Rio pré-UPPs que à cidade de Orfeu do Carnaval.

Algumas são até velhinhas: “Vai, Cafu” é o que Pipio fala a um personagem jogando bola; musicalmente é puro Broadway, apesar da percussão flertar com samba e bossa nova.

Com tanto clichê e citação, a história pouco anda, mas os atores, grandes dançarinos e cantores, saem-se muito bem da empreitada, especialmente a atriz Tanesha Ross, que já foi finalista do programa de TV “American Idol”, uma potencial Gabriela, com perdão do chavão.

Cerca de um terço dos musicais apresentados no festival, chamado de “Sundance dos musicais”, em referência ao evento-vitrine do cinema independente americano, chega aos teatrões da Broadway e off-Broadway.

O evento é uma plataforma para convites, financiamento e promoção de caras novas. No último ano, a Broadway arrecadou US$ 1,14 bilhão em ingressos (cerca de R$ 2 milhões).

Fonte: Folha de S. Paulo

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