Ossos encontrados na Itália podem ser de modelo do quadro Mona Lisa

Arqueólogos italianos estão convencidos que já descobriram o segredo por trás da pintura mais famosa do mundo, a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

Nesta terça-feira (17), historiadores anunciaram que encontraram uma ossada no convento de Santa Úrsula, em Florença, na Itália, que, supostamente, pode ser da modelo que posou para da Vinci durante a produção do quadro.

 

Esqueleto encontrado em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Claudio Giovanninni/AFP)

 

A pintura a óleo realizada sobre um painel de madeira, entre 1503 e 1506, representa, provavelmente, o busto, da florentina Lisa Gherardini (1479-1572), também conhecida como Lisa del Giocondo.

A identidade da modelo nunca foi estabelecida com segurança. Pesquisadores italianos especializados em esclarecer mistérios artísticos haviam afirmado em fevereiro de 2011 que Leonardo da Vinci havia usado uma garota como um modelo para a Mona Lisa.

*Com informações da France Presse e do Daily Mail

Fonte: G1

A canção está em crise?

O quinto encontro da seção “Desentendimento” reúne o cantor e compositor Romulo Fróes e o professor de música da USP Walter Garcia para discutir o estado atual da música brasileira e uma suposta crise da canção. Paulo da Costa e Silva, coordenador da Rádio Batuta, a webradio do IMS, foi responsável pela mediação do bate-papo em vídeo.

Bloco 1 – “Sobrevivendo ao inferno [dos Racionais MC’s] tem um patamar artístico mais elevado que Cambaio, de Chico Buarque”.

Em entrevista, Chico Buarque foi o primeiro grande nome da MPB a mencionar um possível “fim da canção”. Está a canção em crise? E por quê? Rômulo Fróes argumenta que a ideia de um público, como existia nos anos 50, não existe mais. O compositor acredita que a canção não tem mais um papel protagonista, e que vive uma crise no sentido de que a crítica espera um novo Chico ou Caetano desta geração.

Walter Garcia retoma o contexto no qual Chico fez a afirmação sobre o fim da canção: a relação da canção tradicional com a MPB e com o rap. Para Walter, o disco Sobrevivendo ao inferno, dos Racionais Mc’s, tem muito mais força que Cambaio, de Chico Buarque. O rap tem a capacidade de dialogar com a experiência contemporânea de viver nas grandes cidades brasileiras.

Bloco 2 – “O Criolo acha que pode mexer com Chico Buarque na maior. Uma petulância do bem.”

Walter Garcia e Romulo Fróes discutem os meios de produção atuais da música – o acesso ao computador como necessário para criar música nos dias de hoje. Paulo questiona se o rap pode ser visto como uma continuidade ou uma negação da música que vinha sendo produzida no país. Walter traça uma linha da música negra em São Paulo, que passa ao largo da história oficial da MPB. Romulo Fróes, discutindo os sucessores de Racionais, afirma que Emicida e Criolo, artistas que vieram depois, não apresentam mais a violência do Mano Brown. O compositor afirma que esses novos músicos conseguem repensar o cânone (Chico, Caetano) de maneira irônica, sampleando e parodiando.

Bloco 3 – “A crise do Chico está na canção dele”

Walter toma o último disco de Chico Buarque e propõe mais uma comparação com Racionais. Fróes questiona a eficácia dos arranjos nos últimos discos de Chico, exemplificando sua crítica com a canção Tipo um Baião  – e Walter discorda, defendendo o trabalho de Luiz Cláudio Ramos. Garcia afirma que Ramos é avançadíssimo no jogo entre a harmonia e a melodia.

Bloco 4 – “A canção da MPB expressava uma ideia de conciliação de classes desde os anos 40. A partir de 1980, essa ideia começou a ruir.”

Romulo Fróes retoma o trabalho de Caetano Veloso em seus últimos discos – e o contato do compositor com novos artistas, que transformou a música dele. Walter afirma que, desde O estrangeiro, Caetano tenta dar conta de uma nova fase da vida brasileira, na qual a violência aparece e a conciliação de classes não é mais possível.

Fonte: Revista Serrote

Projeto “Dança, Encontros Notáveis” realiza workshops em São Paulo

Entre os dias 10 e 25 de agosto, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo promove a Série V do projeto “Dança, Encontros Notáveis”, que vem sendo realizado nas Oficinas Culturais do estado.

O foco dos eventos é a formação e troca de conhecimento entre mestres e artistas. Nesta série, durante as sextas-feiras dos dois primeiros encontros serão apresentadas obras inéditas. Serão realizados também workshops e debates que acontecem em três sábados do mês.

Nos dias 10 e 11, o evento terá a participação bailarino João Wlamir (D.C. Companhia de Dança), que dança no dia 11, junto com dois outros bailarinos. Nos dias 17 e 18 de agosto, será a vez da coreógrafa Márcia Milhazes (Companhia de Dança Marcia Milhazes), quearesenta um solo inédito, depois de muito tempo afastada dos palcos.

Dia 25 de agosto, sábado, a série termina com workshop e conversa com professora Toshie Kobayashi (Escola de Dança Toshie Kobayashi).

A entrada para os espetáculos é gratuita.

As inscrições para o workshop podem ser feitas até três dias antes do evento pelo e-mail encontrosnotaveis@oficinasculturais.org.br.

Fonte: Cultura e Mercado

A capela mais antiga da cidade

Por Benedito Lima de Toledo*

A capela de São Miguel Paulista ostenta na verga de sua porta principal a inscrição: “Aos 18 de Julho de 1622 – S. Miguel”.

Com seus respeitáveis 390 anos de vida, essa capela conta em seu interior com “uma das primeiras e mais autênticas expressões de arte brasileira”, segundo Lúcio Costa. Por sua importância, foi o primeiro bem cultural em todo país a merecer, em 1938, o tombamento pelo SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), seguido posteriormente pelo CONDEPHAAT (1974) e pelo CONPRESP (1991).

São Miguel e Itaquaquecetuba eram alguns portos que foram se consolidando ao longo do Rio Tietê. A navegação fluvial constituía um essencial meio de comunicação. A partir do Porto Geral, situado junto ao Pátio do Colégio, os padres da Companhia atingiram regiões distantes, onde estabeleciam núcleos de catequização.

“A canoa foi o veículo do colonizador”, observa Leonardo Arroyo. Anchieta na sua Informação do Brasil e de suas capitanias (1584) cita que “a técnica e utilização de canoas feitas rapidamente, em poucos minutos, com a simples extração da casca de árvores e, em seguida, por meio do fogo, ajustando as pontas da casca (…), não poucos problemas eram resolvidos a contento”.

Anchieta, em toda sua existência, revelou-se incansável andarilho. Aprendeu a fabricar alpercatas, indispensáveis em terra onde não resistiam os sapatos “de coiro”, como se recorda, e foi o responsável pela abertura de um caminho pioneiro entre Cubatão e São Paulo que ficou conhecido como Caminho do Padre José.

Há referências à Aldeia de São Miguel de Ururaí em 1560, onde teria surgido uma capela de São Miguel Arcanjo erigida sob a orientação do padre José de Anchieta.

Sérgio Buarque de Holanda em Capelas Antigas de São Paulo pondera: “Nada indica que a igreja hoje existente na localidade seja a mesma que se ergueu na segunda metade do século 16. Sabe-se que pouco depois do ano de 1620 mudaram-se para ali, em grande número, índios de Itaquaquecetuba. O padre Francisco Morais (…) encontrou essa mudança efetuada quando veio de volta para São Paulo em 1624. Assim a transferência se fez entre 1620 e 1624. Nessa ocasião teria sido construída a capela hoje existente. O que condiz com a inscrição que ainda se lê gravada no batente superior da porta principal: “Aos 18 de Julho de 1622 – S. Miguel”.

São Paulo deve a construção da igreja hoje existente ao padre José Álvares, realizada com recursos fornecidos por Fernando Munhoz, conforme consta em seu testamento.

Após a expulsão dos jesuítas (1759) a aldeia passou à jurisdição dos frades franciscanos. A essa época, o Superior da aldeia (1781) era o célebre botânico frei José Mariano da Conceição Veloso, autor da obra Quinografia Portuguesa (1799).

A capela edificada em taipa de pilão, técnica muito difundida em São Paulo e notabilizada por sua solidez, contava com pé direito de quatro metros. Resolveu-se, então, realizar um alteamento da nave, passando esta a seis metros. Teria sido operação complexa. Foram introduzidos pilares adoçados às paredes laterais e a técnica utilizada nessa complementação foi o adobe (tijolos secos ao sol).

Nessa ocasião, uma capela foi edificada na lateral direita (1780) e o interior ganhou altares colaterais e pinturas. Os franciscanos mantinham contíguo à nave o chamado hospício destinado a acolher viajantes por dois ou três dias, “tendo para todos no dito hospício suficiente cômodo, assim de celas como refeitório, e mais oficinas”. O acesso se fazia diretamente pelo alpendre frontal. Atualmente o hospício cedeu lugar a um corredor lateral gradeado.

O alpendre, tão característico da arquitetura bandeirista, dos séculos 16 e 17, domina a composição e marca a imagem do monumento.

No momento, o interior de São Miguel está recebendo um cuidadoso trabalho de restauração. As pinturas em suas diversas modalidades de suporte ganham nova vida, dando coerência ao conjunto e estão sendo objeto de pesquisa por especialistas.

A capela de São Miguel foi implantada em um terreno elevado, cerca de 15 metros acima da cota do Rio Tietê e dele distante cerca de 500 metros. Em sua fase de uso regular, o porto contava com um renque de palmeiras imperiais assinalando o local de ancoragem. Essa relação do porto fluvial com a capela foi sendo, ao longo do tempo, seriamente prejudicada pela interposição de construções sem maior interesse.

Dada a relevância do monumento e sua posição na história das comunicações fluviais em São Paulo, impõe-se o restabelecimento desse quadro de relações que compõem o sítio original. “Um monumento não pode ser desvinculado de seu quadro natural” (UNESCO).

Carregado com os méritos apontados por Lúcio Costa, esse precioso acervo está a merecer a devida consideração.

* O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Bibliografia consultada
ARROYO, Leonardo. Introdução. In: ANCHIETA, José de. Informação do Brasil e de suas capitanias (1584). São Paulo: Ed. Obelisco, 1964.
BOMTEMPI, Sylvio. O bairro de São Miguel Paulista. São Paulo: Prefeitura Municipal/Dep. de Cultura, 1970.
COSTA, Lúcio. A arquitetura dos jesuítas no Brasil. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n.5, 1941. p. 9-100.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Capelas antigas de São Paulo. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n.5, 1941. p. 105-20.
PETRONE, Pasquale. Aldeamentos paulistas. São Paulo: Edusp, 1995

Fonte: O Estado de S. Paulo

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