“Almanaque da Música Pop no Cinema” compila histórias e curiosidades de trilhas sonoras

por Estela Cotes

Em 1927, “O Cantor de Jazz” chegou às telas para revolucionar o cinema. O filme estrelado por Al Jolson foi o primeiro a ter diálogos e trilha sonora sincronizados às cenas. De lá para cá o casamento entre música e a sétima arte se tornou imprescindível tanto pelo aspecto comercial quanto pelo resultado artístico.

A relação entre estas duas vertentes chamou a atenção do apresentador e escritor Rodrigo Rodrigues quando ele ainda estava no colégio. Como guitarrista da banda Soundtrackers desde 2008 ele reproduz no palco clássicos que marcaram filmes vencedores de bilheteria. A pesquisa para o repertório virou também livro, o recém-lançado “Almanaque da Música Pop no Cinema” (Editora Lua de Papel, 216 págs., R$ 59,90).

The Wonders, filme com trilha sonora original
The Wonders, filme com trilha sonora original

Na obra, Rodrigo conta em ordem cronológica a história e algumas curiosidades de filmes desde os anos 60, quando Elvis Presley investiu no cinema para vender mais discos. A cada título o autor enumera a playlist e revela fatos interessantes. Em “Titanic”, por exemplo, James Cameron queria Enya para a sua trilha sonora, mas depois de muitos contratempos, Celine Dion foi a escolhida e “My Heart Will Go On” virou uma das mais conhecidas do século passado.

Aproveitando o lançamento do livro, o Colherada conversou com Rodrigo Rodrigues sobre as músicas mais marcantes do cinema e o futuro deste casamento um pouco em crise nos anos 2000.

COLHERADA CULTURAL: Quais foram os critérios para a seleção?
Rodrigo Rodrigues: Esta primeira edição do livro está muito em cima do repertório da minha banda. Foram curiosidades que descobri enquanto buscava as canções mesmo e mais um chorinho de filmes importantes, mas que não funcionam em um show como “Titanic”.

C.C.: E como começou esta pesquisa, pelos filmes que você mais gostava?

R.R.: A música manda, mas é importante que o filme tenha sido relevante. Nós recorremos muito aos anos 80 porque era muito comum na época que um filme tivesse uma música de sucesso tocando nas rádios. Este casamento música pop e cinema foi muito fértil nesta década.

C.C.: Em que momento a trilha passa a ter uma importância até comercial no cinema?
R.R.: Com Elvis Presley, no final dos anos 50. Descobriram o adolescente como consumidor e não a toa o empresário de Elvis se ligou que eles poderiam vender muitos discos chamando a atenção das pessoas pelos filmes. Acho que o boom desta cultura pop chega nos anos 80 por isso ela muito emblemática. Como as rádios nesta época eram muito fortes, era muito comum os produtores de um longa encomendar uma música de algum artista pop. Hoje em dia, os filmes voltam lá para anos 60, 70 e 80 para pegar trilhas famosas. “Homem de Ferro”, por exemplo, é todo com AC/DC.

Capa do livroCapa do livro

C.C.: Atualmente existe uma escassez de trilhas marcantes no cinema?
R.R.: Acho que o último caso, o mais recente, é “Letra e Música”, com o Hugh Grant e a Drew Barrymore. É um filme de 2007 que não teve tanto sucesso, mas tem música inédita que toca até hoje na rádio. Outros casos como este ficam cada vez mais raro e esparsos.

C.C.: E por que você acha que a música pop de hoje não ganha as telas?

R.R.:  O cinema tem um aspecto um pouco mais preguiçoso. Ele prefere pegar uma música que já foi sucesso do que compor alguma coisa nova. Hoje em dia também as coisas acontecem de uma maneira diferente. A música bomba primeiro na MTV e na internet, não é mais na rádio. Encomendar uma canção a um artista é um processo trabalhoso, envolve um monte de gente, é complicado. Tem um exemplo bem recente de quando apostaram e a trilha não vingou tanto. Na nova versão de “Karatê Kid”, tem uma canção do Justin Bieber, do John Mayer, mas ninguém deu muita bola. Talvez isso demonstre que tanto faz.

C.C.: Quais são os melhores exemplos de trilhas que se sobressaem ao filme?
R.R.: Vou até pular Elvis e Beatles porque eles realmente faziam discos para vender filmes. De cara então, “Embalos de Sábado a Noite” com a trilha dos Bee Gees, tanto que a música empresta o nome ao filme. “The Wonders” também tem uma trilha inteira composta para uma banda fictícia e toca no rádio até hoje. Dos anos 80 podemos citar vários: “De Volta para o Futuro”, “Men of The Moon”.

C.C.: Como e quando surgiu a ideia de montar uma banda dedicada a soundtracks?
R.R.: Estava no colégio ainda lá no Rio de Janeiro, em meados dos anos 1990. Ganhei um CD de um amigo que tinha voltado do Japão, era uma coletânea de música pop no cinema dos anos 80. “Caça-Fantasma”, “Footloose”, “Goones”… Comecei a ouvir aquilo e pensei, caramba isso é um show. Em 2008, quando resolvi voltar a tocar decidi montar uma banda temática e lembrei desta história.

CLIQUE NA IMAGEM e relembre algumas trilhas que marcaram o cinema

De Volta para o Futuro e outros filmes com trilha marcante. Clica!
De Volta para o Futuro e outros filmes com trilha marcante. Clica!
Fonte: Colherada Cultural
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog Stats

  • 148,710 hits
%d blogueiros gostam disto: