Bolsos enxutos na Broadway

por PATRICK HEALY

Os musicais da Broadway geralmente custam entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões para serem produzidos e esse dinheiro frequentemente chega sob a forma de cheques de US$ 50 mil ou mais emitidos por investidores experientes que não se incomodam com o desconto de impostos se o espetáculo for um fracasso. Mas o revival de “Godspell” encenado nesta temporada assinalou a chegada de um novo grupo: acionistas que investiram valores tão pequenos quanto US$ 1.000 no musical de US$ 5 milhões e, em troca, ganharam uma visão do funcionamento interno do show business.

Jane Strauss é uma dos 700 integrantes do People of Godspell, um grupo de investidores 15 a 20 vezes maior que os grupos mais comuns entre os musicais da Broadway. Atriz e investidora estreante na Broadway, Strauss, numa reunião recente de acionistas, manifestou-se sobre o novo cartaz do espetáculo, dizendo recear que seja “típico demais”. Ela foi uma dos cem investidores presentes no teatro Circle in the Square ou que participaram do encontro on-line.

Ao adaptar o modelo de “crowd-funding” (financiamento coletivo) ao teatro comercial, Ken Davenport, o produtor principal de “Godspell”, pretende injetar energia jovem e novos investidores num setor dominado pela velha guarda. Ele abre os braços para qualquer acionista; 75% dos espetáculos da Broadway dão prejuízo.

“Nos espetáculos grandes, é comum ouvir investidores se queixarem de não ter a chance de conhecer o produtor ou de se sentir parte do processo. Não há razão para imaginar que essas pessoas vão continuar a investir se não se sentirem apreciadas”, disse Davenport.

A maioria dos produtores da Broadway pede dinheiro de investidores que atendem aos critérios de riqueza determinados pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA.

“Tenho muita dificuldade com a ideia de chamar pessoas que não tenham valor líquido alto a investir no teatro, porque é uma aposta muito incerta”, comentou o advogado teatral John Breglio, que produziu o revival de 2006 na Broadway de “A Chorus Line”.

Davenport citou como inspirações o sucesso da campanha de 2008 de Barack Obama com pequenos doadores e o site de levantamento de fundos kickstarter.com.

O grupo People of Godspell contribuiu com cerca de 55% da capitalização do show da Broadway; metade dos 700 integrantes contribuíram com US$ 1.000 cada, enquanto outros deram até US$ 25 mil. A maioria dos pequenos investidores tem entre 20 anos e 80 anos e vive na América do Norte ou Londres.

Fonte: The New York Times

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