Eterna referência para lendas do rock

Por JAMES C. McKINLEY Jr. e STEPHEN REX BROWN

Nos últimos seis anos, o nome CBGB não passou de um logotipo em camisetas usadas por jovens do East Village, em Manhattan. Agora, um grupo de investidores comprou os direitos do famoso clube de punk rock, fechado em 2006, e quer criar um ambicioso festival de música para reabrir o clube num local novo no centro.

Os novos proprietários dos bens do clube -alguns dos quais com vínculos ao estabelecimento original no Bowery- dizem esperar que o festival reviva a estética artística associada ao CBGB, que, em sua época áurea, foi incubadora de grupos e artistas influentes como Television, Talking Heads, Ramones, Blondie, Sonic Youth e Patti Smith.

“Nunca poderemos recriar aquele momento no tempo”, disse Tim Hayes, um dos investidores. “Queremos levar adiante a proposta de apoiar a música ao vivo, fazer muito barulho e fazer parte de Nova York. O festival é uma maneira. E o clube será outra maneira de fazermos isso.”

O festival, previsto para durar quatro dias, deve começar em 5 de julho e dará destaque para 300 bandas de rock vindas de mais ou menos 30 lugares.

O festival também vai incluir um concerto gratuito no Central Park, com Guided by Voices, The Pains of Being Pure at Heart e Cloud Nothings. Alguns roqueiros veteranos concordaram em comparecer: David Johansen, ex-integrante do New York Dolls, fará um show.

Embora Hayes tenha se negado a comentar as finanças da empresa, revelou que os investidores compraram os bens do clube com dinheiro à vista e não criaram dúvida nenhuma.

O festival vai incluir sessões de filmes com temática de rock em dois cinemas do centro de Manhattan e uma série de workshops e conferências voltada a artistas estreantes. Hayes disse que o evento vai tentar emular o festival de música South by Southwest, de Austin, Texas e o festival CMJ, promovido em Nova York no outono de cada ano. “Queremos criar espaço para alguns dos nomes legendários que saíram do CBGB, mas o foco primordial é dar apoio à música nova”, disse ele.

Foi o interesse de Hayes pela música que persuadiu Lisa Kristal Burgman, que controlava os direitos sobre o clube, a vendê-los para ele. “É um alívio saber que o CBGB não vai morrer”, disse Burgman. “Vai renascer.”

Esse renascimento era aguardado há muito tempo. Hilly Kristal, fundador do clube e pai de Burgman, morreu de câncer em 2007. Um ano antes disso, após uma disputa longa e acirrada (sobre aluguéis atrasados) com o proprietário do imóvel em que ficava o CBGB, Kristal tinha fechado o espaço estreito -um bar decrépito com palco em ângulo, banheiros que lembravam masmorras e paredes recobertas de pichações e de folhetos. Kristal deixou seus bens para Burgman.

Mas os direitos aos bens do clube e a sua famosa marca registrada, que vale milhões, foram alvos de disputas legais após a morte de Kristal. Pouco antes de morrer, este tinha negociado um acordo para vender os bens do clube a dois empreendedores, James Blueweiss e Robert Williams. Eles compraram os direitos dos herdeiros de Kristal, em maio de 2008, mas dois anos mais tarde declararam falência. Sob a direção de Burgman, os herdeiros moveram uma ação para recuperar os bens do clube. Para complicar as coisas, a ex-esposa de Kristal, Karen Kristal, também moveu uma ação, contestando a venda.

Em outubro de 2010, as disputas legais tinham sido resolvidas e Burgman acabou no controle não apenas do famoso logotipo do GBGB, mas também de sua memorabília e dos encardidos móveis e decorações internos.

No início de 2011, ela começou a discutir com Hayes, um promotor de concertos, seu interesse em reviver o CBGB. Sua preocupação principal era assegurar que Hayes e seus sócios levassem adiante a política de seu pai de apoiar músicos originais, que ainda não tinham sido descobertos. “O importante era garantir que quem comprasse o clube entendesse o que foi o GBGB e Tim fez isso desde o início”, disse Burgman.

Algumas pessoas ligadas ao velho CBGB duvidaram que o clube pudesse reviver sem Hilly Kristal. “As pessoas que o compraram são maravilhosas, mas, para mim, o CBGB morreu com Kristal”, disse Richard Manitoba, vocalista dos Dictators.

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