10 discursos mais marcantes de vencedores Oscar

por Otavio Cohen

O Oscar chega à 84ª edição com muita história para contar – tanto pela celebração de obras-primas da sétima arte quanto pelas controvérsias. Quem gosta de acompanhar as premiações sabe que o discurso do vencedor é um dos momentos mais importantes da cerimônia. Alguns apostam no bom humor para entrar na história, outros confiam no improviso e se deixam levar pela emoção (e pela surpresa) do momento. Até mesmo aquela velha mania de dizer um monte de nomes pode render um bom discurso. Prepare-se para a próxima festa do Oscar relembrando alguns dos melhores discursos das últimas décadas. Quer chegar lá um dia? Comece a treinar.

 

10. Michael Moore
Melhor documentário por Tiros em Columbine (2003)

Hoje em dia, você acha Michael Moore um chato. Mas nos anos 2000, o documentarista foi uma das principais figuras públicas a criticar abertamente a política internacional de George Bush. Em 2002, ele lançou o documentário Tiros em Columbine, que explora a relação dos EUA com as armas e fala sobre o assassinato de 13 pessoas em uma escola em 1999, um episódio marcante na história ameriana recente. Quando ganhou o Oscar, Moore aproveitou a deixa para provocar o governo americano, que havia acabado de anunciar a invasão do Iraque. A plateia aplaudiu de pé. E vaiou muito, também. Confira*.

Trecho memorável: “Vivemos em uma época em que temos resultados fictícios de eleições que elegeram um presidente fictício. Vivemos em um tempo em que um homem nos está mandando para a guerra por motivos fictícios. (…) Nós somos contra esta guerra, senhor Bush. Que vergonha, senhor Bush.”

9. Cuba Gooding Jr.
Melhor ator coadjuvante por Jerry Maguire – A grande virada (1997)

 

Cuba Gooding Jr. é um dos poucos atores negros que ganharam o Oscar. Em Jerry Maguire, ele interpreta um esportista problemático, que dá a volta por cima graças ao agente vivido por Tom Cruise. Na festa do Oscar em 1997, Gooding Jr entra em êxtase ao descobrir que venceu atores como James Woods e William H. Macy. A princípio, faz agradecimentos clássicos à esposa, aos pais e a Deus. Quando o tempo se esgota e a música começa, ele começa a agredecer (e a amar) várias outras pessoas, aos gritos.

Trecho memorável: “Estúdio, eu amo você… e Cameron Crowe! Tom Cruise! Eu te amo, irmão! Eu te amo (…) Todo mundo que se envolveu no filme! Eu amo você! Deus do céu! Aqui estamos nós! Eu amo todos vocês! Eu amo, amo, amo! Todo mundo envolvido!”

8. Jane Wyman
Melhor atriz por Belinda (1949)

A menos que você tenha mais de 60 anos ou seja fã de filmes antigos, a probabilidade é que você não tenha ouvido falar da atriz Jane Wyman – famosa na Hollywood dos anos 1940 e 1950. É possível que também não tenha visto o filme Belinda, que conta a história de uma jovem surda que fica grávida depois de sofrer um estupro e luta com todas as armas que pode para criar o filho e prender o estuprador. O filme ganhou vários remakes nos últimos 60 anos, mas foi o discurso de Wyman que entrou para a história.

 

Trecho memorável: “Aceito este prêmio com muita gratidão por ter mantido a minha boca fechada uma vez na vida. Acho que vou fechá-la novamente.”

7. Angelina Jolie
Melhor atriz coadjuvante por Garota, interrompida (2000)

Antes de colecionar filhos e ser uma das ativistas sociais mais famosas do mundo, Angelina Jolie também era uma atriz talentosa. Ela foi indicada ao Oscar por viver uma moça desajustada e compareceu à festa com um vestido no estilo Mortícia Adams e um parceiro inusitado, de quem não desgrudava. Quando a atriz foi chamada ao palco, descobrimos quem era o seu date.

Trecho memorável: “Estou em choque. E estou tão apaixonada pelo meu irmão neste momento… Ele me diz que ama e eu sei que ele está tão feliz por mim…”

6. Joe Pesci
Melhor ator coadjuvante por Os bons companheiros (1991)

 

Joe Pesci é um dos ladrões que Macaulay Culkin encurrala em Esqueceram de Mim. E é também um gângster esquentado e vingativo em Os bons companheiros. Por sua vocação para viver foras-da-lei e pela participação marcante no filme de Martin Scorsese, recebeu o prêmio da Academia. Contrariando a crença de que discurso memorável é discurso longo, ele entrou na história do Oscar com palavras curtas e grossas.

Trecho memorável: “O privilégio é meu. Obrigado”

5. Louise Fletcher
Melhor atriz por Um estranho no ninho (1976)

Uma das vilãs mais cruéis do cinema, Louise Fletcher torna a vida de Jack Nicholson um inferno em Um estranho no ninho. Seu discurso também foi curto e fez uma referência direta à sua vilania na telona.

Trecho memorável: “Parece que vocês me odiaram tanto que até me deram este prêmio. (…) Só posso dizer que amei ser odiada por vocês.”

4. Marlon Brando
Melhor ator por O poderoso chefão (1973)

Em 1973, não tinha para mais ninguém: não dava para bater a performance de Marlon Brando em O poderoso chefão. Sabendo disso, o ator (que já havia ganhado o Oscar em 1955, por Sindicato de Ladrões) boicotou a cerimônia e aproveitou para polemizar. Em seu lugar, mandou uma descendente de apaches, que expressava a indignação do ator pela maneira como os nativos americanos eram tratados tanto pela indústria do cinema quanto pelo mundo político.

Trecho memorável: “Imploro que, no futuro, nossos corações e nossas opiniões se encontrem com amor e generosidade.”

3. Sally Field
Melhor atriz por Um lugar no coração (1985)

 

Bem antes de viver Nora Walker na série de TV Brothers and Sisters, Sally Field era uma espécie de Sandra Bullock – com uma carreira cheia de comédias e sem muita credibilidade como atriz dramática. Depois de ganhar um Oscar polêmico em 1980, ela voltou a ser premiada em 1986, por seu papel em Um lugar no coração. Emocionada por ter vencido Sissy Spacek e Vanessa Redgrave, aproveitou para lavar a alma. Será que Sandra Bullock vai pelo mesmo caminho?

Trecho memorável: “Não tive uma carreira ortodoxa, mas mais do que tudo, quero ter o respeito de vocês. (…) Desta vez eu sinto e não posso negar o fato que vocês gostam de mim agora. Vocês gostam de mim!”

2. Hattie McDaniel

Melhor atriz coadjuvante por …E o vento levou (1940)

Hattie McDaniel foi a primeira (e, por muito tempo, a única) atriz negra a ganhar um Oscar. Ela foi premiada por sua participação no clássico que você finge que já assistiu …E o vento levou. Ironicamente, a atriz não teve o privilégio de se sentar na mesma mesa que seus colegas de elenco brancos durante a cerimônia no Oscar. Ainda assim, McDaniel fez história.

Trecho memorável: “Vou levar isso como uma inspiração para tudo o que eu possa fazer no futuro. Espero que eu sempre possa ser um exemplo para a minha raça e para a indústria cinematográfica. Meu coração está cheio demais para que eu possa dizer exatamente como me sinto.”

1. Dustin Hoffman
Melhor ator por Kramer vs. Kramer (1980)

O dramalhão Kramer vs Kramer foi o campeão do Oscar em 1980. Além dos prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Meryl Streep, o filme também abocanhou o prêmio de melhor ator para Dustin Hoffman. Na época, o jovem ator era um homem sério, que se comprometia com a profissão e que tinha opiniões intensas sobre a indústria cinematográfica. O resultado foi um dos discursos mais brilhantes da história do Oscar, com todos os ingredientes: bom-humor, ativismo, gratidão, respeito aos outros concorrentes e, é claro, merecimento.

Trechos memoráveis: “Eu queria agradecer aos meus pais por não terem usado métodos anticoncepcionais.” “Quando você faz um filme, você descobre que há pessoas que dão tudo de si (…) e que nunca aparecem. Mas este Oscar é um símbolo e eu o ofereço àquelas pessoas que nós nunca vemos. Elas são parte de nossas vidas. (…) Somos partes de uma família artística.”

Bônus – Jorge Drexler
Melhor canção original por Al otro lado del río, de Diários de Motocicleta (2005)

O cantor uruguaio era ainda desconhecido mundo afora quando emplacou a canção no filme que conta as viagens do jovem Che Guevara. Por isso, a música foi cantada pelo ator Antonio Banderas durante a cerimônia do Oscar. Jorge Drexler ficou revoltado, mas manteve a classe quando subiu ao palco para receber o prêmio. Al otro lado del río foi a primeira música em espanhol a ganhar o Oscar.

Fonte: Superinteressante

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