Parcerias musicais: duplas que marcaram época

Bide e Marçal

A música brasileira sempre registrou duplas famosas de compositores, formadas por músicos e poetas que se juntavam para unir os seus talentos e criarem juntos. Talvez a mais conhecida tenha sido Tom Jobim e Vinicius de Moraes, mas não podemos esquecer de dobradinhas formadas por nomes como Noel Rosa e Vadico, até as mais recentes e talentosíssimas, como Ivan Lins e Victor Martins, João Bosco e Aldir Blanc e Wilson Moreira e Nei Lopes, entre outras. Uma das primeiras e mais bem-sucedidas foi formada por Alcebíades Barcelos e Armando Marçal, os imbatíveis Bide e Marçal, bambas do Morro do Estácio, que tantas obras-primas legaram à MPB. Outra, inesquecível, juntava os geniais Jaracaca (José Luis de Calazans) e Ratinho (Severino Rangel de Carvalho).

Alcebíades Barcelos e Armando Marçal nasceram ambos no ano de 1902. O primeiro em Niterói (RJ) e o segundo no Rio de Janeiro, no bairro do Estácio. Bide morreu no Rio, em 1975. Foi durante toda a vida de artista o principal parceiro de Marçal e fundador, juntamente com Ismael Silva, Mano Edgar e Brancura e o próprio Marçal, entre outros, da primeira escola de samba da cidade, a Deixa Falar. Bide teve vários parceiros, como Ataulfo Alves, Noel Rosa e Braguinha, e deixou sambas antológicos, como Agora é cinza e O palhaço o que é?

Armando Marçal viveu menos que o grande parceiro, só até 1947. Morando a vida inteira no Morro do Estácio, foi mestre de cuíca e de tamborim para vários diretores de bateria de escolas de samba. Tentou compor ao lado de outros parceiros, como Manoel Vieira, Antônio Santos, Ataulfo Alves e J. Portela. Mas sem Bide a coisa não ia adiante. Seu filho e seu neto, ambos conhecidos artisticamente também como Marçal, seguiram seus passos de percussionista.

Tom e Vinicius

Talvez a dupla de compositores brasileiros mais conhecida no exterior, sobretudo por conta do enorme sucesso de Garota da Ipanema, uma das canções nacionais mais executadas em todo o mundo. O músico e maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1927, e morreu nos Estados Unidos, em 1994.

Algumas das composições de Tom Jobim foram gravadas nos Estados Unidos, por astros como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald. O “maestro soberano”, como cantou um dia Chico Buarque, foi um dos mais destacados representantes da bossa nova. Algumas de suas músicas de maior sucesso são Águas de março, Luíza, Wave, Corcovado, Desafinado e Insensatez.

O poeta (e advogado e diplomata e jornalista e compositor) Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913. Serviu no exterior e trabalhou como jornalista em diversas publicações, antes de abraçar a poesia e em seguida a MPB.

Com diversos parceiros musicais (Tom Jobim, Chico Buarque, Baden Powel, Carlos Lyra e Touquinho, entre eles), Vinicius deixou uma obra fabulosa, com momentos como Samba da benção, Se todos fossem iguais a você, A felicidade, Chega de saudade, Insensatez e Garota de Ipanema. O poeta nos deixou em 1980.

Noel Rosa e Vadico

Noel Rosa é considerado por muitos o mais importante compositor brasileiro, de todos os tempos. Maior parte de sua obra ele construiu sozinho. Mas teve ao longo de sua trajetória criativa alguns parceiros. Entre eles, Vadico foi o mais atuante.

Noel viveu pouco, infelizmente. Teve pouco tempo para criar. Morreu em 1937, de tuberculose, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu em 11 de dezembro de 1910. O genial poeta da Vila aprendeu a tocar bandolim aos 13 anos e logo começou a tocar violão. Em 1929 começou a apresentar-se ao lado de Almirante, João de Barro (o Braguinha), Alvinho e Henrique Brito, no conjunto Bando dos Tangarás. No mesmo ano, compôs sua primeira música de sucesso, Com que roupa.

Noel Rosa trabalhou em vários programas de rádio e, em 1932, entrou para o trio Bambas do Estácio, com Ismael Silva e Francisco Alves. Em 1934 passou para o grupo Gente do Morro, com Benedito Lacerda, Russo do Pandeiro e Canhoto. Deixou perto de 300 canções. Entre elas, Feitiço da Vila (com Vadico), Até Amanhã, Fita amarela, X do problema e Palpite infeliz.

Oswaldo Gogliano, o Vadico, era considerado, sobretudo por Noel, um excelente melodista. É seu parceiro em algumas obras-primas, como Pra que mentir e Conversa de botequim. Nasceu em São Paulo, em 24 de junho de 1910, e morreu no Rio de Janeiro, em 6 de junho de 1962.

Jararaca e Ratinho

Cantores, compositores e comediantes, José Luiz de Calazans, O Jararaca, nasceu em Maceió (AL), em 29 de setembro de 1896. Trabalhou em inúmeros programas de humor da televisão e morreu em 1977. Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho, morreu em 1972.

Ivan Lins e Victor Martins

O compositor Ivan Lins tem parceria com grandes letristas da música brasileira. Mas o grosso (no caso, o fino) de sua obra, em quantidade e qualidade, foi construída ao lado do produtor musical e poeta Victor Martins. Em 2004 Ivan comemorou, durante temporada de shows no Rio de Janeiro, os 30 anos de parceria com Victor. Vida longa!

João Bosco e Aldir Blanc

João Bosco e Aldir Blanc são dois artistas importantíssimos na MPB. Aldir nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Tem canções em parceria, entre outros, com Moacyr Luz, Guinga, Ivan Lins, Cristóvão Bastos, Paulinho da Viola e Jaime Vignolli. Mas foi com João Bosco que construiu maior parte de sua obra, como os destaques O bêbado e a equilibrista, Bala com bala, Linha de passe (também com Paulo Emílio), Wanderley e Odilon, Dois pra lá dois pra cá, De frente pro crime e O mestre-sala dos mares, entre tantas outras músicas de sucesso.

João Bosco nasceu em 13 de julho de 1946, em Ponte Nova (MG). Começou a tocar violão aos 12 anos e conheceu Aldir em 1971, quando fazia faculdade de Engenharia em Ouro Preto. Abandonou os estudos e embarcou para o Rio de Janeiro, para viver perto do parceiro, ao lado de quem compôs uma das mais belas obras do nosso cancioneiro. Quando a dupla interrompeu a produção conjunta, João Bosco trabalhou em parceria com outros letristas, como Abel Silva, Antônio Cícero, Wally Salomão e Francisco Bosco (seu filho).

Wilson Moreira e Nei Lopes

Wilson Moreira é um dos artistas mais amados e admiradores da música brasileira, sobretudo no mundo do samba. Carismático e extremamente gentil com os amigos, Moreira é conhecido como Alicate, apelido que é uma referência ao seu firme e forte aperto de mão.

Compositor de melodias simples e delicadas, Wilson carrega grande influência do jongo que tanto acompanhou na infância, nas cantorias do Vale do Paraíba (RJ).

Nei Lopes é um dos mais inspirados compositores do Brasil. Letrista soberbo, é também escritor (tem livros de contos, crônicas, poemas e estudos sobre a MPB) e um dos mais respeitados pesquisadores da cultura negra que conhecemos.

A dupla Wilson Moreira e Nei Lopes é autora de momentos preciosos da nossa música, como Coisa da antiga, Senhora liberdade, Goiabada cascão e Gostoso veneno.

Fonte: Revista Música Brasileira

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