Mostra de SP começa hoje e está de olho no futuro

por Flavia Guerra

Já é clássico. Há 35 anos, outubro é mês de Mostra, de celebrar o que de mais novo o cinema mundial tem produzido. Mas será a primeira Mostra sem seu criador, morto na semana passada vítima de um câncer. Leon Cakoff trabalhou até o último momento, mesmo no hospital, selecionando filmes, fazendo reuniões com sua equipe e, como sempre, dando seu toque ao festival que sempre teve sua cara.

Na cerimônia oficial de abertura, hoje à noite, no Auditório Ibirapuera, será exibido um vídeo em homenagem a Cakoff antes dos filmes Viagem à Lua e O Garoto de Bicicleta. É inegável que terá um sabor ‘dolce amaro’. E, antes mesmo de se iniciar a maratona de 250 filmes (agora só com inéditos em São Paulo), uma pergunta desponta inevitável: como será o futuro do evento sem seu criador? A tarefa que Renata Almeida (viúva de Cakoff e codiretora da Mostra desde a 13ª edição) e equipe têm pela frente não é fácil. Ela prefere não fazer previsões, mas a possibilidade de se estabelecer um Conselho da Mostra, com um corpo de colaboradores executivos e artísticos, não está descartada.

Renata não quer falar oficialmente do tema, mas já adianta que, entre outros assuntos, terá de analisar se o ‘critério do ineditismo’, criado por Cakoff, vai funcionar. Com exceção dos brasileiros, os filmes devem ser inéditos em território nacional. Se de um lado traz frescor a um evento que sempre primou pelo olhar atento ao novo, de outro, a nova regra exclui filmes aguardados pelo público paulista que já passaram por outros festivais nacionais. A nova diretriz fez o número de produções, que sempre girou em torno de 400 filmes, cair.

Em compensação, entre outras atrações, a Mostra este ano conta com a versão digital restaurada de Taxi Driver e com o lançamento do livro Conversas com Scorsese, de Richard Schikel; com a entrega do prêmio Humanidade ao canadense Atom Egoyan, que também dirige um dos episódios de Mundo Invisível, filme produzido pela Mostra que tem sua première este ano; com a exposição Paradjanov, O Magnífico, dedicada ao soviético Sergei Paradjanov, no MIS. Montada por Daniela Thomas e Felipe Massara, traz cerca de 60 trabalhos do diretor, entre colagens, desenhos, pinturas e instalações.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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