Coldplay explora novas musicalidades e rejuvenesce em novo álbum

por Pedro Antunes

O quarteto inglês Coldplay se sentiu como se estivesse na escola outra vez. Só que a lição de casa era, na verdade, seu quinto disco. Foram dois anos passando por vários estúdios, produtores, conceitos de álbum. Mas só há quatro semanas, numa sexta-feira, eles finalmente entregaram as 14 faixas finalizadas de Mylo Xyloto, que chegará às lojas de todo o mundo, inclusive aqui no Brasil, pela EMI, em 24 de outubro.

“Acho que sempre fomos assim. Na escola e agora na vida (risos)”, brinca o baterista grandalhão Will Champion. “Tivemos muito tempo no estúdio. Ficamos uns dois anos experimentando coisas, construindo, construindo, até que nos colocamos um prazo: o disco deveria sair em outubro. E, então, começamos a correr. Passamos três meses reduzindo as músicas, até o momento em que o disco precisava ser entregue ao carteiro. É como uma pintura: as últimas pinceladas são sempre as mais difíceis.”

Aproveitando a passagem pelo Brasil para o Rock in Rio – o grupo tocou no último sábado, dia 1º, como principal atração da noite -, a banda recebeu alguns jornalistas divididos em grupos no Hotel Fasano, em Ipanema, na zona sul, onde eles estavam hospedados.

Na entrada do hotel, um segurança tem essa conversa com o repórter do JT: “Você sabe quem está aí?”. “É o Coldplay. Por quê?”. “Não é nada. No fim de semana passado, várias bandas ficaram aqui, inclusive o Metallica, mas isso não aconteceu. Fiquei curioso”, completou ele, apontando para os cerca de 30 fãs que se amontoavam embaixo das sacadas, já invadindo a rua, gritando à espera de um aceno.
Mylo, como o disco é carinhosamente chamado, encerra um jejum de três anos sem novo material. O álbum – e consequentemente a banda – sofre uma exagerada pressão por este ser o sucessor do bem-sucedido Viva la Vida or Death and All His Friends, que já estreou, lá em 2008, na primeira posição das paradas, tendo vendido, só nos Estados Unidos, 2,8 milhões de cópias e um total de 7 milhões pelo mundo. É muita pressão? “Sentimos pressão, sim, mas acho que pela nossa vontade de fazer algo melhor, procurar alguma novidade. É como um jogo de futebol, em que você precisa dar o melhor que você pode a cada jogada, naqueles 90 minutos. Tentamos dar o melhor a cada disco”, explica Champion.

Ao lado do baterista está o tímido e franzino Guy Berryman. Enquanto Champion gesticula ao falar e é efusivo em seus comentários, Berryman, assim como suas linhas de baixo, é discreto. “Tentamos fazer, sim, alguma coisa diferente. Explorar novos territórios. O Viva La Vida fez expandir nossos horizontes. Começamos a percorrer novas estradas durante esses dois anos e o disco é o resultado do que colhemos nesse caminho”, comentou ele, mostrando que as metáforas estão em alta por ali.

Para o novo trabalho, foram necessários três produtores: Markus Dravs, parceiro desde Viva La Vida, Rik Simpson, este companheiro desde A Rush of Blood to the Head (2002), e Daniel Green. Há ainda a primorosa e desafiadora participação do produtor inglês Brian Eno, seguindo uma espécie de serviço libertador já usado no disco anterior: “Ele nos faz ir para todas as direções, mas mantendo quem somos”, diz Champion.

A experimentação, por exemplo, levou a banda a ter uma convidada inesperada no disco: a cantora pop Rihanna, na canção Princess of China. “Chegamos a um ponto em que não devemos nada a ninguém. E ela é muito importante no seu meio, a melhor. Gostamos da participação dela”, comenta Champion.

A acusação de plágio com o single Every Teardrop is a Waterfall, em que o Coldplay usa samples da música I Go To Rio, de Peter Allen, foi logo rechaçada pela banda. “Nós usamos e pagamos pelos direitos autorais”, afirma o baterista. Desta forma, com um disco cheio de explorações musicais e colorido, o Coldplay parece rejuvenescido. Como nos tempos de escola, talvez.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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