Elogio do ator

por Gabriela Mellão

A solidão voluntária foi bem recompensada.
Dos nove atores indicados ao Prêmio Shell deste ano, quatro são protagonistas absolutos da cena: interpretam monólogos. Charles Fricks disputa o prêmio por sua atuação em “O Filho Eterno”, transposição teatral da Cia. Atores de Laura do livro homônimo de Cristovão Tezza sobre as dificuldades de um pai em aceitar as deficiências de um filho com síndrome de Down.
Ester Laccava concorre por encarnar uma velha sertaneja em “A Árvore Seca”, do jovem autor Alexandre Sansão. Ela envelhece várias décadas em cena usando apenas talco nos cabelos -caso também de Debora Olivieri em “Rosa”. Nesse solo do autor norte-americano Martin Sherman, também indicado ao Shell na categoria melhor atriz, Olivieri vive uma judia.
Gilberto Gawronski disputa o prêmio por “Ato de Comunhão”, do argentino Lautaro Vilo, peça na qual assina a encenação, baseada em caso verídico de canibalismo.
A boa safra de monólogos extravasa as indicações. Os atores Caco Ciocler, em “45 Minutos”, de Marcelo Pedreira, e Eduardo Moscovis, em “O Livro”, de Newton Moreno, também brilharam sós em cena nesta temporada.
A opção por fazer monólogos, é claro, não garante prêmio ou destaque. Mas, de forma geral, esse tipo de peça gera trabalhos autorais. “Para estar sozinho num palco, só movido por uma necessidade de contar algo que toque o artista”, diz Fricks.
Ele define o gênero como a essência do teatro: se o palco é o templo do ator e da palavra, num solo o intérprete é também a sua alma.
Para Gawronski, num monólogo a interpretação está no centro da cena. “Se o ator não está bem, é muito difícil que o espetáculo se sustente apenas pela excelência de um texto ou pela beleza de sua concepção plástica”, diz.
“Num solo, é preciso bancar sozinha a responsabilidade de estabelecer uma conexão com o público”, afirma Ester Laccava. Num monólogo, os intérpretes estão mais expostos que o habitual. Sobretudo nas obras que concorrem ao Shell, que primam pela simplicidade e economia de recursos cênicos, com exceção de “Ato de Comunhão” -que dialoga com outras mídias. Olivieri conta que sua avó e seus tios nasceram em Tchernobyl (Ucrânia), mesma cidade da protagonista de “Rosa”. “Vivo no palco a ancestralidade da minha família. Não tem prazer melhor e maior que esse”, afirma.
“Tenho minha avó na minha memória emotiva. Não precisei dar grande composição à personagem para vivê-la básica e intensamente.”

O FILHO ETERNO
QUANDO terças e quartas, às 21h; até 26/10
ONDE teatro do Leblon – sala Fernanda Montenegro (r. Conde de Bernadotte, 26, Rio; tel. 0/xx/21/2529-7700)
QUANTO R$ 50
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

ROSA
QUANDO terças e quartas, às 21h; até 12/10
ONDE teatro do Leblon – sala Tônia Carrero (r. Conde de Bernadotte, 26, Rio; tel. 0/xx/21/2529-7700).
QUANTO R$ 50
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

ATO DE COMUNHÃO
QUANDO quartas e quintas, às 19h; até 29/9
ONDE teatro Dulcina (r. Alcindo Guanabara, 17, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4879)
QUANTO R$ 20
CLASSIFICAÇÃO 18 anos

A ÁRVORE SECA
QUANDO quintas, às 21h; reestreia em 6?10; até 17/11
ONDE teatro Eva Herz – Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073; tel. 0/xx/11/3170-4059)
QUANTO R$ 40
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

Fonte: Folha de S. Paulo

Fórum de Políticas Culturais de MG

Na próxima terça-feira (20), o Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais promove encontro para debater as políticas públicas de cultura com enfoque na economia criativa e no fomento às artes. O evento será realizado na parte da tarde (14h às 17h30), no Galpão 3 da Fundação Nacional de Artes (Funarte), em Belo Horizonte, com a presença da secretária da Economia Criativa (em fase de estruturação no MinC), Cláudia Leitão, do presidente da Funarte, Antônio Grassi, e da secretária de Cultura de Minas Gerais, Eliane Parreiras.

O Fórum Mineiro de Políticas Culturais é o espaço para o diálogo e o aprofundamento de questões relacionadas às políticas públicas de cultura. A meta é aproximar governos municipais, estadual e federal no sentido de instituir e fortalecer o Sistema Nacional de Cultura (atribuição prevista no parágrafo 1º, do inciso XII, da Art 3º, da Lei 12.343, que instituiu o Plano Nacional de Cultura).

O encontro da próxima semana abrirá a série de reuniões temáticas mensais que o Fórum realizará no estado mineiro. Os encontros são abertos à participação de pessoas interessadas nos temas relacionados à área cultural.

Integram o Fórum Mineiro a Representação Regional do MinC, Funarte/MG, Universidade Federal de Minas Gerais, Secretaria de Estado da Cultura, Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, e a Associação Mineira dos Municípios.

A Funarte/MG está localizada na Rua Januária, 68 – Floresta, em Belo Horizonte.

Fonte: Cultura e Mercado

As curiosidades de dentro [e fora] dos palcos do Rock in Rio

Um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock In Rio, chega à sua terceira edição em terras brasileiras, depois de um hiato de dez longos anos longe do País. O festival será realizado nos dias 23, 24, 25, 29 e 30 de setembro e 1 e 2 de outubro, na Cidade do Rock, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com direito a mais 100 atrações.  O Estadão.com.br listou algumas curiosidades de dentro [e fora]  dos palcos de cada edição do Rock in Rio.

1985

O sino de meia tonelada do AC/DC e “paixão” de Ozzy pelo Flamengo

Ao contrário do que muitos fãs pessimistas do heavy metal afirmam, o Rock in Rio é, sim, sinônimo de música pesada, e das boas. A primeira edição do evento, em 1985, contou com uma noite bastante agitada. Em 11 de janeiro, o público ouviu de perto a potência do sino do vocalista da banda AC/DC, Brian Johnsonn, na canção Hells Bells.

O grupo australiano exigiu a presença de um sino de meia tonelada para tocar na noite do heavy metal. O objeto era tão pesado que precisou ser trazido de navio para o Rio de Janeiro.

O palco, entretanto, não suportou a estrutura do sino. Para atender as exigências dos rapazes, que só dariam o ar da graça ao público gigantesco, caso o objeto estivesse presente, os cenógrafos tiveram de improvisar um sino de gesso para a ocasião.

O show se tornou um dos mais memoráveis da história do festival, com direito às batidas ensurdecedoras de Brian Johnsonn no inesquecível artefato.

A parte final da apresentação do AC/DC foi marcada pelos disparos de dois canhões, um de cada lado do palco, em For those about rock.

Se o AC/DC tentou trazer seu sino de meia tonelada para a primeira edição do Rock in Rio, em 1985, o príncipe das trevas, Ozzy Osbourne, que recentemente se apresentou no Brasil, não deixou por menos.  Preocupado em se apresentar no mesmo dia do escocês Rod Stewart, Ozzy acreditava que seria vaiado pelo público, o que acabou não acontecendo.

Com o recém-lançado álbum Bark at the Moon, Ozzy fez de tudo no show, inclusive vestir uma camisa do Flamengo, atirada no palco.

Uma cláusula do contrato de Ozzy o impedia de morder qualquer tipo de animal vivo durante a apresentação. A equipe do Rock In Rio decidiu tomar esta atitude devido ao famoso episódio em que Ozzy mordeu a cabeça de um morcego em um show, no ano de 1982, e teve de ser levado às pressas para o hospital. É claro que um engraçadinho jogou uma galinha no palco. O príncipe das trevas, contudo, não repetiu o mesmo erro e ignorou o pobre bichinho.

1991

Rock In Rio no Maracanã, o menor público do festival

Diferentemente da primeira edição do Rock in Rio, realizada na cidade do rock, construída em Jacarepaguá, a segunda edição do festival aconteceu no estádio do Maracanã, em 1991. O gramado foi adaptado para receber o palco e os mais de 700 mil espectadores em nove dias.

Foi o menor público da história do Rock in Rio no Brasil. Em 1985, 1.380.000 pessoas foram ao evento. A terceira e última edição, em 2001, contou com 1.235.000 pessoas.

O público também assistiu aos shows das arquibancadas do estádio.  A estrutura do evento também aumentou. O palco tinha 85 metros de frente por 25 metros de profundidade e era ladeado por duas telas de 9 m de altura por 7 m de comprimento.

A banda norueguesa A-HA conseguiu até um recorde de maior público pagante da segunda edição com 198.000 pessoas.

2001

A troca de farpas entre Oasis e Guns N’Roses

Já é de conhecimento de todos que os irmãos Noel e Liam Gallagher, ex-Oasis, não são lá muito amigáveis. O que ninguém esperava, entretanto, é que eles falariam mal de uma das bandas mais aguardas do festival, o Guns N’Roses, na coletiva de imprensa do Rock In Rio.

Questionado sobre o que para ele seria um mundo melhor, Noel Gallagher foi categórico: “Um mundo com um ar mais puro e sem armas e rosas”, fazendo uma analogia à banda de Axl Rose.

Guns N’Roses e Oasis tocariam na mesma noite, o que deixou o clima bastante hostil entre os fãs dos dois grupos.

Na apresentação da banda inglesa, os fãs de Axl gritavam o nome do Guns N’Roses . Antes do Oasis fechar o show com ‘Rock ‘n’ Roll Star’, o vocal Liam disse: “Esta vai para o Senhor Rose”.

Quando o Guns N’Roses entrou em cena, depois de um longo tempo de espera, Axl não deixou por menos e gritou: “Agora que vocês já dormiram, é hora do rock and roll de verdade”, esbravejou.A banda norueguesa A-HA conseguiu até um recorde de maior público pagante da segunda edição com 198.000 pessoas.

O boicote das bandas brasileiras

A edição de 2001 do Rock in Rio também foi marcada por um boicote de algumas bandas brasileiras.  Grandes nomes do rock brasileiro decidiram não participar, faltando apenas quatro meses para o início do festival.

Liderados pelo O Rappa, outras seis bandas decidiram não tocar no Rock In Rio devido a problemas com os organizadores do evento: Skank, Jota Quest, Raimundos, Charlie Brown Junior, Raimundos e Cidade Negra. Com esse boicote, o cast do festival teve que ser reformulado.

Ira! e Ultraje a Rigor, dois fortes nomes do rock nacional, não participaram da retaliação e subiram juntos ao palco, com direito a uma versão de Should I Stay Or Should I Go, do The Clash.

A apresentação ficou conhecida na época como “Recreio dos Bandeirantes” (em referência ao bairro vizinho a Jacarepaguá e ao palácio do governo do Estado de São Paulo).

Fonte: O Estado de S. Paulo

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