Exposições de peso destacam importância das artes brasileira e latino-americana

Camila Molina – O Estado de S.Paulo

Por mais que se questione o modelo das Bienais de Arte, são essas mostras exatamente que marcam o calendário cultural para os interessados na produção artística contemporânea. Os eventos se espalham pelo mundo, são centenas – alguns com mais alcance, outros com menos -, mas setembro torna-se agora um mês privilegiado em se tratando desse tipo de mostra.

Obra de Arthur Bispo do Rosário estará na Bienal de Lyon - Rodrigo Lopes/Divulgação

Quatro exposições de peso serão inauguradas, em sequência, em apenas duas semanas. Mais do que isso, há a oportunidade de colocarem em grande destaque a arte brasileira e a latino-americana, não apenas no Brasil, como no exterior.

A rodada começa na sexta-feira, quando ocorre a cerimônia oficial de abertura da 8ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Logo em seguida, no dia 15, é inaugurada a 11ª Biennale de Lyon, na França, que tem entre seus participantes a presença de obras de criadores brasileiros como Arthur Bispo do Rosário, Lucia Koch, Jarbas Lopes e Lenora de Barros. Depois, no dia 17, abrem-se para o público a 12ª Bienal de Istambul, na Turquia, desta vez, com curadoria-geral do brasileiro Adriano Pedrosa; e a 6ªVentoSul – Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, no Paraná. Cada uma das mostras tem perfil, projeto e tema específicos e o Estado detalha, nesta página, um pouco dessas exposições.

Se a Bienal de Veneza, a mais tradicional de todas, chegou ao impasse de se tornar “conservadora” e “eurocêntrica”, como dizem muitos de seus críticos, as grandes mostras têm enfrentado o desafio de firmarem sua relevância com projetos curatoriais mais ousados ou autorais. A mesma Bienal de Veneza, neste ano, em sua 54.ª edição, não teve nenhum artista brasileiro em sua mostra principal – o que foi uma surpresa para muitos -, mas as Bienais que se iniciam agora cobrem essa lacuna.

TERRITÓRIO E POÉTICA NA MERCOSUL
“Sempre achei esquisito que uma Bienal tivesse no nome um tratado econômico que nunca deu certo”, diz o colombiano José Roca, que assina a curadoria-geral da 8.ª Bienal do Mercosul, sob o título Ensaios de Geopoética. Nada mais natural que uma temática estratégica sobre a questão de território e nacionalidade fosse tomada como mote para reunir obras de 105 artistas de 31 países na mostra que vai ser aberta na sexta-feira, em Porto Alegre, para convidados – o público terá acesso no sábado e a mostra fica em cartaz até 15 de novembro.

A Bienal, que homenageia o chileno Eugenio Dittborn, ocupará os armazéns do Cais do Porto, o Santander Cultural, o Museu de Artes do Rio Grande do Sul e locais que receberam obras específicas. Mais ainda, a edição, que tem como curadores Alexia Tala, Cauê Alves, Paola Santoscoy, Aracy Amaral, Fernanda Albuquerque e Pablo Helguera, firma-se como mostra de processo. Os segmentos Cadernos de Viagem e Além Fronteiras reúnem obras criadas a partir de viagens pelo RS. Além disso, mostras dos participantes ocorreram em outras cidades gaúchas.
EM LYON, A ‘BELEZA TERRÍVEL’
A argentina Victoria Noorthoorn assinou, em 2009, a curadoria da 7.ª Bienal do Mercosul, mas a edição não foi muito bem aceita pela crítica. “Foi uma mostra importante, não compreendida no momento”, diz José Roca, à frente da atual 8.ª edição. Agora, Victoria vai apresentar seu mais novo projeto, a curadoria da 11.ª Biennale de Lyon, na França, sob o título A Terrible Beauty Is Born.

“Nasce uma beleza terrível”, diz o verso do poema Easter, do irlandês Yeats, escrito em 1916 como “gesto de emancipação” nas lutas entre Irlanda e Inglaterra. Victoria afirma que a partir desse mote fez uma proposta curiosa aos 78 artistas que participam da Bienal de Lyon (entre 15 de setembro e 31 de dezembro): que “fossem radicais” no questionamento “do presente e da realidade”. Por sua proximidade com o Brasil, ela selecionou time de peso de criadores brasileiros, como Arthur Bispo do Rosário, Cildo Meireles, Lenora de Barros, Augusto de Campos, Lucia Koch, Jarbas Lopes, Laura Lima e Erika Verzutti.

POLÍTICA E ARTE EM ISTAMBUL
“A relação entre arte e política tem sido um foco da Bienal de Istambul pelo menos desde a 9.ª edição, curada por Dan Cameron, em 2003, sob o título de Poetic Justice”, diz Adriano Pedrosa, que, ao lado do costa-riquenho Jens Hoffmann, assina a curadoria de Sem Título (12.ª Bienal de Istambul). A mostra, em cartaz na cidade turca entre 17 de setembro e 13 de novembro, tem como “inspiração” a obra do cubano-americano Félix González-Torres (1957- 1996). Ele não está presente com trabalhos, mas como “exemplo notável de artista que articula de forma profunda e complexa conteúdos políticos, pessoais e corporais com preocupações formais, estéticas e visuais”, afirma Pedrosa. “A Bienal está ancorada em cinco exposições coletivas, todas tomando trabalhos específicos de Félix como ponto de partida: Untitled (Abstraction), Untitled (Passport), Untitled (History), Untitled (Death by Gun) e Untitled (Ross).” Não foi anunciada a lista de participantes, mas as artes latino-americana – do Brasil, sabe-se de exibição da série Marcados, de Claudia Andujar e de sala especial de Leonilson – e do Oriente Médio são forte presença.


VENTOSUL E OS SENTIDOS DA CRISE
“Os eixos tradicionais deixaram de ser hegemônicos na medida em que outras cidades com ambição cultural, entre elas, Curitiba e Porto Alegre, decidiram investir em arte. O mesmo fenômeno de descentralização se observa na Ásia e nos Emirados Árabe”, afirma o alemão Alfons Hug, curador, com o paraguaio Ticio Escobar, da 6.ª VentoSul. A mostra em Curitiba, com abertura no dia 17 e até 20 de novembro, traz obras de 70 artistas nacionais e estrangeiros. O conceito da edição se faz sob o tema Além da Crise.

Não se trata, diz Hug – que já foi curador de duas Bienais de São Paulo -, de “uma crise da arte, nem dos suportes”, mas o conceito se refere à reflexão sobre um “momento crucial que, diante de uma mudança brusca de paradigma, exige decisões, posições e imagens novas”. A fotografia, como do ucraniano Boris Mikhailov e da alemã Ricarda Roggan, e a pintura, como de Marina Rheingantz e Eduardo Berliner, são destaques. Vale dizer que a participação de criadores do Paraná foi realizada com a ajuda de Artur Freitas, Eliane Prolik e Simone Landal.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Divulgados cinemas brasileiros que exibirão documentário do Pearl Jam

No dia 20 deste mês, diversos cinemas pelo mundo exibirão o documentário ‘Pearl Jam Twenty’ (também referido como ‘PJ20’). O filme foi dirigido por Cameron Crowe e conta a história de duas décadas do grupo grunge. O público brasileiro de 17 cidades poderá conferir a novidade.

Veja a seguir a lista das salas no país, divulgada no site oficial da trupe no último sábado (3):

Norte
Manaus/AM – Cinemais Millenium
Belém/PA – Cinepolis Boulevard

Nordeste
São Luís/MA – Cinesystem Rio Anil
Salvador/BA – Cinepolis Salvador Norte

Centro-Oeste
Cuiabá/MT – Cinemais Cuiabá

Sudeste
Uberlândia/MG – Cinemais Uberlândia
Rio de Janeiro/RJ – Cinépolis Lagoon
São Paulo/SP – Cinépolis Largo Treze
Barueri/SP – Cinépolis Alphaville
São José do Rio Preto/SP – Cinemais São José do Rio Preto
São José dos Campos/SP – Cinesystem Vale Sul Shopping
Campinas/SP – Cinesystem Galleria Campinas
Ribeirão Preto/SP – Cinépolis Santa Úrsula

Sul
Maringá/PR – Cinesystem Maringá Park
Blumenau/SC – Cinépolis Blumenau Norte
Florianópolis/SC – Cinesystem Shopping Iguatemi
Porto Alegre/RS – Cinesystem Shopping Total

A exibição realizada em uma única data. Informações e venda de bilhetes podem ser conferidas aqui.

Em novembro, o Pearl Jam faz cinco shows no Brasil: São Paulo (03 e 04/11, Estádio do Morumbi), Rio de Janeiro (06/11, Apoteose), Curitiba (09/11, Estádio do Paraná Clube) e Porto Alegre (11/11, Estádio Zequinha).

Fonte: Guitar Player

Cia. Brasileira de Ballet abrirá evento com Ballet Kirov no Dia da Independência

RIO – A apresentação que o Ballet Kirov, da Rússia, fará na próxima quarta-feira, dia sete de setembro, na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio, terá uma abertura em verde e amarelo. Comemorando dez anos de direção artística de Jorge Texeira, a Cia. Brasileira de Ballet encena trechos de grandes clássicos da dança, como “Capricho Espanhol”, inspirado no elo entre o ballet e a ópera, e o romântico Grand Pas de Deux “Harlequinade”, que conta uma história de amor passada em Veneza. No palco estarão os jovens Luana Corrêa e Gustavo Carvalho, de apenas 15 anos de idade.

Eleita entre 2006 e 2010 no Festival de Joinville, em Santa Catarina, como a melhor escola de dança do Brasil, a carioca Cia. Brasileira de Ballet tem como compromisso ajudar a popularizar a dança clássica e permitir que crianças, adolescentes e jovens de baixa renda possam encontrar na dança a possibilidade de desenvolvimento pessoal e profissional. Somente no ano passado, mais de 20 bailarinos formados pela companhia conquistaram vagas em renomados corpos de dança nos EUA, na França e na Alemanha.

Os espetáculos na Quinta da Boa Vista durante o feriado da Independência serão de graça, com início a partir das 17h.

Fonte: O Globo

Pavilhão das Culturas Brasileiras abre mostra com 270 artefatos indígenas

A Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo investiu R$ 72 mil na aquisição de 270 peças encomendadas para a exposição “ArteFatos Indígenas”. As peças farão parte do acervo do Pavilhão das Culturas Brasileiras, inaugurado ano passado no antigo prédio da Podam no Parque do Ibirapuera

Os artefatos –máscaras, cerâmicas, cestos, instrumentos musicais, bancos– foram produzidos por 12 tribos do Amapá, Pará e Mato Grosso, como Wajãpi, Palikur e Karipuna.

A expoisção acontece entre 10 de setembro e 8 de janeiro do ano que vem no Pavilhão das Culturas Brasileiras (r. Pedro Álvares Cabral, s/nº; tel. 0/xx/115083-0199; grátis).

Fonte: Folha de S. Paulo

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