Grupo Corpo rastreia origens das culturas populares brasileiras

por Amanda Queirós

O tráfego de gente, cultura e lembranças pelas águas entre Brasil e Galícia é o mote do novo espetáculo do Grupo Corpo, que estreia no próximo dia 4 no Teatro Alfa.

Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, “Sem Mim” se debruça sobre as dores de amores perdidos e cantados naquela região da Espanha durante o período medieval.

Protagonista indireto de todos os versos, o mar se transforma, no palco, em um elo que evidencia o quão próximo esses lamentos estão da cultura popular brasileira.

Assim como em todos os trabalhos recentes do grupo, a coreografia nasceu da trilha, que sintoniza com o tipo de movimento transformado em assinatura do Corpo.

José Luiz Pederneiras/Divulgação
Apresentação de "Sem Mim", do Grupo Corpo

Neste modo de dançar, os bailarinos se deixam guiar sempre pelos quadris, desenhando linhas sinuosas e sensuais, algo que se tornou sinônimo de dança contemporânea brasileira e que ajudou a projetar a companhia de 36 anos no exterior.

Criada por José Miguel Wisnik e Carlos Núñez, a música teve origem em sete “cantigas de amigo” (ou de amor) escritas pelo poeta Martín Codax no século 13, na cidade de Vigo, na Galícia.

“Elas têm muita ornamentação melódica e são em geral interpretadas como peças eruditas. Buscamos reatá-las com a expressão da canção e com o fundo popular que existe nelas”, explica Wisnik.

Assim, instrumentos antigos, como gaita de fole e ocarina, misturam-se à viola, e o som típico dos pandeiros de Vigo torna-se o prenúncio das batidas de escolas de samba.

Para completar o toque de brasilidade, um time da MPB foi escalado para entoar os versos galegos. Estão lá Chico Buarque, Milton Nascimento, Mônica Salmaso, Jussara Silveira, Ná Ozzetti, Rita Ribeiro e o próprio Wisnik.

*LONGA PESQUISA *

Em geral, uma trilha encomendada pela companhia leva três meses para ficar pronta. A música “Sem Mim”, no entanto, precisou de dez.

“É um trabalho desenvolvido à distância, em dois países, com muitas camadas musicais e vozes”, justifica.

Fonte: Folha de S. Paulo

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