Dentro de uma Master Class: Respirem, Pontuem e Esqueçam do Led Zepplin

por Erik Piepenburg para The New York Times
tradução Mariana Paes

Na peça “Master Class”, de Terrance McNally, a estrela da ópera Maria Callas (interpretada por Tyne Caly) entende que pedagogia deve ser como limpar o chão com as ambições dos alunos.

“Tentar não é bom o bastante”, Callas repreende. “Faça”.

Uma exigente professora-dragão talvez possa funcionar para fins de entretenimento dramático, mas a atmosfera de uma master class não é sempre tão cheia de “calos” quanto Callas. Felizmente para os aspirantes a estrelas de teatro musical de Nova Iorque, não é raro que grandes nomes da Broadway os encoragem. Tudo isso em 10 minutos de aprendizado oferecidos à cantores que não se importam em parecerem bobos na frente de estranhos.

Na semana passada, o ator Raúl Esparza ministrou um curso de uma noite, como parte de uma nova série de master class de teatro musical organizada pelo BroadwaySpace.com, uma mídia social para fãs de teatro, criada pelo produtor Ken Davenport. A experiência de Esparza em musicais da Broadway inclui a remontagem de “Company” (2006), e, em 2011, uma apresentação na montagem American Songbook, no Lincoln Center.

“Você pode aprender a cantar com técnica”, explicou Esparza antes de iniciar a aula. “Mas isso não significa que você saiba atuar”.

O professor disse que sua abordagem não deveria se chocar com o talento dos alunos, mas “para tentar fazer com que alguém saia da aula melhor do que quando entrou”.

“Há muito envolvido quando tentamos ensinar alguém a cantar rapidamente através de uma música”, ele disse. “Espero que isso os leve a um ponto onde tenham uma ou duas novas habilidades que possam ser úteis futuramente”.

Vestido casualmente – jeans, camisa e sandálias -, Esparza parecia alguém que se apressou rapidamente para não perder a aula, e não um respeitado profissional indicado quatro vez ao Tony Award. Assim ele iniciou a aula, ao lado de seu pianista e diretor musical Mary-Mitchell Campbell, em frente a aproximadamente 60 pessoas. Enquanto cada um se apresentava, o professor andava pela sala, ouvindo atentamente. Suas reações eram educadas, mesmo sendo pontuais.

“Para quem você está cantando?”, perguntou no meio da canção de um dos alunos.

“Pense no sorriso”, sugeriu a uma mulher que sorria muito amplamente.

“Preste atenção nas divisões e na respiração”, disse a outro aluno.

Seu conselho para testes e audições? “Led Zepplin não vai funcionar”.

O desempenho das performances feitas ao final de uma breve interação com Esparza foram, em alguns casos, versões muito melhores do que as inicialmente apresentadas pelos cantores.

“Me apresentar e ser criticado por ele foi assustador, então eu tive de fazer”, disse Elyse Beyer, que cantou“Another Hundred People”, do musical “Company”. “Obtive ótimos feedbacks, algumas boas histórias, e devo dizer que não deixei o medo tomar conta de mim”.

Master classes são oportunidades de curtos mas intensivos treinamentos, diferentes dos cursos regulares de atuação, que podem levar semanas ou meses. A atriz Betty Buckley, que ministrará um workshop de quatro dias a partir de segunda-feira, considera a master class mais uma atualização do que uma “salvação”.

“Todos os grandes atletas tem seus instrutores/ professores particulares”, disse Buckley, vencedora de um Tony Award por sua performance em “Cats”. “Sem as observações de alguém de fora, você acaba desenvolvendo vícios. Seu professor particular ou instrutor por ajudá-lo a manter-se em boa forma”.

Muitas master classes são abertas ao públicos, não exigindo que os alunos tenham algum tipo de treinamento anterior. Os participantes podem escolher entre receber instruções individuais em frente à classe ou simplesmente observar. Geralmente há uma taxa de inscrição, e os valores podem variar, de acordo com a duração das aulas e o currículo do professor. (Nas aulas de Raúl Esparza, os participantes pagaram $ 250 e os ouvintes $ 30; A aula de Buckley custou $ 625 para participantes e R$ 400 para ouvintes). A professora veterana Barbara Cook é conhecida por sempre ministrar master classes.

Na peça “Master Class” os personagens são cantores de ópera formados na Julliard. Mas os alunos da master class de Esparza não eram assim. Uma das alunas, Ann Kirschner – que apresentou uma canção de “The Sound of Music” (A Noviça Rebelde) – disse: “Eu achei que faria papel de boba. Todos esses ingênuos estão iniciando suas carreiras e eu tenho 63 anos.  Mas acho que nunca somos velhos demais para novos conhecimentos”.

Outro aluno, Drew Fornarola, disse que optou por ser ouvinte da aula de Esparza para aprimorar seus conhecimentos como compositor.

“É ótimo para um escritor poder aprender mais sobre os atores e seus processos”, disse Fornarola. “Quanto mais compreendo sobre eles, melhor posso escrever para eles”.

Esparza disse que gosta de ensinar, mesmo que não se sinta uma autoridade, desconsiderando o que seus alunos podem imaginar sobre ele.

“Eu gosto de pessoas dispostas a admitir que nada sabem, e podemos descobrir as coisas juntos”, disse o professor.

Para sugestões de especialistas:

BETTY BUCKLEY – Segunda à Quinta, 6:30 to 11 p.m., Shetler Studios, 244 West 54th Street, Manhattan; (212) 777-7603, jbactors.com; $625 para participantes; $400 para ouvintes.

MARC KUDISCH – 29 de Agosto, 6:30 to 10:30 p.m., Davenport Studio, 250 West 49th Street, Suite 302, Manhattan; broadwayspace.com/masterclass; $199 para participantes; $40 para ouvintes.

Fonte: The New York Times

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