IMS reúne imagens da família imperial

por Gabriela Longman

Como acontece com quase todo mundo, dom João de Orleans e Bragança herdou de sua família uma caixa de fotos antigas.
A diferença é se tratar, neste caso, de fotos do Brasil no Segundo Império, com a família imperial retratada por fotógrafos como Félix Nadar (1820-1910) ou Marc Ferrez (1843-1923) numa época em que a fotografia dava ainda seus primeiros passos. Aproximadamente 170 imagens desta coleção estão expostas desde ontem no Instituto Moreira Salles (IMS), numa mostra que passou pelo Rio entre março e maio.
“Quando foi para o exílio, d. Pedro 2º fez questão de deixar para a Biblioteca Nacional 20 mil negativos. Mas levou com ele as fotos de família. É uma parte desse conjunto que me coube”, disse à Folha o príncipe.
Há cerca de um ano e meio ele fechou com o IMS um acordo de comodato, cabendo à instituição o processo de preservação e restauro. Agora é possível ver reproduzidas pela primeira vez algumas cenas que até então nunca haviam saído dos negativos de vidro.

LONGE DAS POMPAS
As imagens expostas são, em sua maior parte, retratos feitos em estúdio, pose formal e ar de sobriedade. “Na época se posava para uma foto como se posava para um quadro”, lembra d. João. “A fotografia era uma continuação da pintura.” Mas uma ou outra cena permite entrever traços mais espontâneos da vida no Império. Duas imagens feitas por Ferrez, por exemplo, mostram a princesa Isabel e a baronesa de Muritiba tocando piano no palácio Laranjeiras -momento de lazer longe das pompas oficialescas.
Consta que tanto a princesas Isabel quanto a princesa Leopoldina tiveram aulas de fotografia com Revert Henry Klumb e que o próprio imperador gostava de experimentar o uso da câmera.
Seu neto, Pedro de Alcântara, aparece por exemplo fotografado ao lado do cavalo Carrapato, numa imagem a atribuída a dom Pedro. Como qualquer avô de hoje, o imperador corria para retratar seu neto.

RETRATOS DO IMPÉRIO E DO EXÍLIO

QUANDO de ter. a sex., das 13h às 19h; sáb. e dom., das 13h às 18h; até 11/9
ONDE Instituto Moreira Salles (rua Piauí, 844, tel. 3825-2560
QUANTO grátis

Fonte: Folha de S. Paulo

Filme revê a origem dos Novos Baianos e seu padrinho famoso

por Thales de Menezes
“Filhos de João” se destaca na onda de documentários musicais brasileiros por dois motivos: joga luz sobre a criação do grupo Novos Baianos, não exatamente um nome popular hoje, e escolhe como fio condutor comentários de um Tom Zé inspiradíssimo.
O filme do diretor Henrique Dantas, que entra em cartaz na próxima sexta, é carinhoso, divertido e dedica boa parte da metragem a uma louvação a João Gilberto, que um dia visitou o apartamento que os ainda “roqueiros” baianos dividiam no Rio de Janeiro.
O depoimento emocionado de Moraes Moreira sintetiza o impacto de João na rapaziada. “Ele ficou ali tocando, aquela coisa perfeita, e pensei em largar a música.” Ele e os outros acharam que nunca poderiam chegar perto daquilo que o ídolo fazia.
João Gilberto mostra a eles uma “overdose” de samba, de compositores como Assis Valente, e forma a partir dali a sonoridade do grupo. O filme tem muito mais do que a bênção de João. Começa com o encontro do letrista Galvão com o músico Moraes Moreira, nos anos 1960, parceria incentivada por Tom Zé.
Paulinho Boca de Cantor, jovem mas já rodado em palcos, se junta a eles e aos poucos o grupo vai se formando. Quando se mudam para um apartamento no Rio, sua comunidade já é grandinha, com Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Dadi e muitos outros. A profissão de fé hippie é extremamente didática para as novas gerações. Unidos pela música e pelo futebol, os Novos Baianos resgataram pandeiro e cavaquinho para o público jovem e urbano.
O filme mostra como eles mudaram o Carnaval baiano, saindo em 1976 com o primeiro trio elétrico com cantores. Mesmo sem depoimentos de Baby, que não quis participar, “Filhos de João” serve como aula de MPB, retrato do sonho hippie e capítulo vital para entender o Brasil.

FILHOS DE JOÃO – O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO

PRODUÇÃO Brasil, 2011
DIREÇÃO Henrique Dantas
COM Novos Baianos, Tom Zé
QUANDO estreia nesta sexta-feira (22); circuito a definir
AVALIAÇÃO ótimo
Fonte: Folha de S. Paulo

Público lota teatros brasileiros para assistir musicais

Vale a pena conferir a matéria veiculada no programa Starte (Globo News) sobre o bom momento do teatro musical no Brasil:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1569958-7823-PUBLICO+LOTA+OS+TEATROS+BRASILEIROS+PARA+ASSISTIR+A+MUSICAIS,00.html

Joinville sedia o maior evento de dança do mundo

Começou nesta quarta-feira (dia 20) a 29ª edição do Festival de Dança de Joinville, maior encontro do gênero no mundo. O evento reunirá, durante 11 dias, cerca de 50 mil pessoas, que prestigiarão apresentações de balé clássico, dança contemporânea, jazz, danças urbanas, sapateado e danças populares. Serão 240 horas de espetáculos – 170 delas gratuitas.

 

A apresentação inaugural foi da Cia. Deborah Colker, do Rio de Janerio. O grupo mostrou o espetáculo contemporâneo “Tatyana”, baseado na obra do escritor russo Aleksandr Púchkin.

Com uma programação que inclui disputas na Mostra Competitiva, Noite de Gala, Noite dos Campeões, performances gratuitas nos palcos abertos, mostra contemporânea, seminários, cursos e oficinas, entre outras atividades, são esperados 6,5 mil bailarinos, coreógrafos, professores e pesquisadores da dança de vários países.

Na Noite de Gala, que acontece em 25 de julho, o Balé Teatro Castro Alves, de Salvador, irá apresentar o espetáculo “A Quem Possa Interessar”, dirigido por Jorge Vermelho e coreografado por Henrique Rodovalho. O trabalho surgiu a partir do conceito do questionamento individual e da busca de uma identidade dentro de um coletivo, tendo como instrumento a memória do corpo e o conteúdo de vida.

Democrática, a edição 2011 do Festival de Dança programou em grande escala – serão 374 grupos com 744 coreografias – apresentações gratuitas em 17 palcos abertos (praças, hospitais, shoppings etc.) espalhados pela cidade.

Mais: em 30 de julho, às 19h, serão conhecidos os vencedores desta 29ª edição – melhor grupo, coreógrafo revelação, melhor bailarina, melhor bailarino e bailarino revelação, que se apresentam na Noite dos Campeões.

Números

O Festival de Dança de Joinville possui números que impressionam. Até 2010, o evento:

– foi assistido por 3,3 milhões de pessoas;
– recebeu 4.700 grupos de dança;
– teve 106 mil participantes, incluindo estudantes e profissionais.

Fonte: Último Segundo

Exposição sobre Miles Davis chega ao país em agosto

Centro Cultural Banco do Brasil sedia ampla mostra sobre carreira do trompetista, que começa no Rio e depois chega a São Paulo.

“Um ano depois que eu nasci, um furacão passou por St. Louis. Talvez ele tenha deixado um pouco de sua criatividade indomável em mim, um pouco da força de seu vento”, escreveu Miles Dewey Davis III em sua autobiografia de 1989. O raciocínio supersticioso é o modo mais simples de descrever a força criativa de um trompetista que, durante 40 anos, passou diversas vezes como um Katrina pelo status quo do jazz, redefinindo conceitos de ritmo, harmonia, sonoridade e interação na música, além de deixar em seu rastro uma aura indecifrável, tão misteriosa quanto elegante.

Todas as fases do homem, do bebop ao fusion, formam a exposição “Queremos Miles”, concebida pelo instituto musical Cité de la Musique, em Paris, com data de estreia marcada para o início de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e outubro em São Paulo. Dividida em oito partes, que seguem a trajetória do trompetista desde sua infância, no Missouri, ao estrelato, “Queremos Miles” busca apresentar o trompetista para os leigos e ilustrá-lo para os fãs.


“Desde os anos 50, Miles tem uma base de fãs muito grande na França”, explica o curador da exposição Vincent Bessières, que teve ajuda da família do músico para montar a mostra. “Mas o Cité de la Musique é um lugar didático, aberto para todos, não somente os fãs. Então me esforcei para que a pessoa que não conhecesse sua obra pudesse, em uma ou duas horas de exposição, ser iniciada”, completa.

Seis das oito partes da mostra são feitas por casulos construídos na forma de uma surdina de trompete, que contém arquivos e música de todas as fases de Miles – entre elas, a fase inicial, quando, aos 18 anos, ele chegou em Nova York e se apresentou a Charlie Parker como seu novo colaborador, tendo a oportunidade de desenvolver sua música, no palco, ao lado de Bird e Dizzie Gillespie; o início do cool jazz, sua luta contra o vício em heroína e seu quinteto com o fabuloso Red Garland, nos anos 50; o icônico disco “Kind of Blue”; suas colaborações orquestrais com o arranjador Gil Evans; seu quinteto com Wayne Shorter; o parto do fusion, na fase “Bitches Brew” e o desenvolvimento do gênero nos anos 80.

“A música de Miles mudou bastante durante sua vida. Sua obra é um pouco como a de Picasso: ele não toca no final como tocava no início. Portanto, a exposição é estruturada de um modo em que o visitante possa ter a experiência audiovisual de todos esses períodos no local”, conta Bessières.

A exposição tem o foco tanto na música quanto na memorabilia de Miles. Estarão presentes sete de seus trompetes, diversos documentos de sessões em gravadoras, e instrumentos como o sax que John Coltrane tocou em “Kind of Blue”, o baixo em que Marcus Miller gravou “Tutu”, as baterias de Tony Williams e Al Foster. Um acervo de fotos com todos os belíssimos registros da gravação de “Kind of Blue” também faz parte da exposição. Para agradar os fãs assíduos, Bessières conseguiu partituras, diversos arranjos de Gil Evans, o flugelhorn em que Miles tocou “Sketches of Spain”.

A fase inicial traz pinturas de Jean Michel Basquiat, de quem Miles foi amigo nos anos 80. A mostra também traz quadros de Miles, que se aventurou pela pintura no período, entre os anos 70 e 80, em que ficou sem tocar e gravar, assim com algumas das próprias capas ilustradas pelo músico. E ainda a moda de Miles estará presente com algumas de suas jaquetas mais memoráveis.

Fonte: Último Segundo

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