Dança em Foco – Festival Internacional de Video e Dança no Sesc

O Sesc Pinheiros confirma mais uma vez sua crescente vocação de estimulador da busca por novos caminhos para a dança contemporânea com o início, na terça-feira (19), da sexta edição do Dança em Foco – Festival Internacional de Video e Dança. Diversos espaços do prédio serão literalmente tomados por trabalhos, experimentos, oficinas e encontros. O evento terá seis instalações de dança, assinadas por dois criadores: o coreógrafo escocês Billie Cowie (com trabalhos em 3D) e a videomaker e coreógrafa carioca Celina Portella. Na noite da inauguração, das 19h às 21h, Cowie e Celina vão realizar uma visita guiada por suas criações.

A parte principal da extensa programação é a exibição de vídeos. A curadoria selecionou 187 trabalhos oriundos de 31 países. São ao todo 25 horas de material inédito, apresentados em diversos programas. Esse material foi trazido em parte por conta de parcerias com outros festivais internacionais do gênero, como o ‘Agite Y Sirva’, do México, e os portugueses ‘Fábrica de Movimentos’ e ‘FRAME’. Há atrações previstas até o fim do mês.

O palco do Teatro Municipal também tem a dança como protagonista em julho. O Mês da Dança conta com apresentações de grupos como a São Paulo Companhia de Dança (20 e 21) e a Cisne Negro (23 e 24), e traz da França a Compangnie Philippe Genty. Hoje (15) e amanhã (16), o grupo francês apresenta ‘Voyageurs Immobiles’, espetáculo que mergulha no universo do ilusionismo para acompanhar as viagens de um mágico. O costumeiro poder visual dos trabalhos da companhia empresta vida e alma a objetos e bonecos com uma sensibilidade muito particular.

No próximo mês, entre os dias 23 e 28, o Teatro Municipalrecebe ainda o Ballet Kirov, do Teatro Mariinsky, de São Petersburgo.

SERVIÇO

Dança em Foco

ONDE: Sesc Pinheiros. R. Paes Leme, 195, 3095-9400. QUANDO: Mostra: 3ª, 5ª e 6ª, 18h/21h; sáb., 10h30/15h; dom., 10h30/18h. Videoinstalações: 3ª a 6ª, 13h30/21h; sáb. e dom., 10h30/18h. Até 31/7. QUANTO: Grátis.

Cia. Philippe Genty

ONDE: Teatro Municipal (1.530 lug.). Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, 3397-0327, metrô Anhangabaú. QUANDO: Hoje (15), 21h; sáb. (16), 20h. QUANTO: R$ 10/R$ 40.

Fonte: O Estado de S. Paulo

CNPC aprova contribuições ao projeto de lei que institui o ProCultura

por Mônica Herculano

Os conselheiros que integram o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) se reuniram nesta semana, em Brasília,  para a 5ª Reunião Extraordinária, com uma missão especial: debaterem e votarem artigos e proposições ao substutivo do projeto de lei (6.722/07) que tramita no Congresso Nacional e institui o ProCultura.

O encontro, que aconteceu nesta quinta (14) e sexta-feira (15/7), contou, no seu primeiro dia, com a presença do secretário de Fomento e Incentivo  à Cultura, Henilton Menezes, que contribuiu com esclarecimentos que auxiliaram os conselheiros nas proposições e votação das propostas.

Algumas dessas propostas já haviam sido aprovadas na última reunião ordinária realizada nos últimos dias 7 e 8 de junho. O secretário-geral do CNPC, João Roberto Peixe, afirmou que as contribuições feitas pelo Conselho contribuem para que o projeto de lei torne-se cada vez mais eficaz. Foram debatidos ao todo 26 propostas de alterações, ratificações ou supressão de artigos ao texto da deputada.

“Já encaminhamos oficio ao relator do projeto de lei, o deputado Pedro Eugênio, com as propostas da última reunião. As contribuições, aqui acordadas, são fundamentais para aperfeiçoar o texto e corrigir possíveis distorções que tenham ocorrido ao longo do projeto. Sem dúvida, isso o tornará mais adequado aos anseios de todo segmento”, disse Peixe.

Uma das alterações aprovadas é que o calendário anual para apresentação de propostas culturais à Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) começará no dia 1° de fevereiro de cada ano e terminará no dia 30 de novembro. Pelo texto apresentado por Alice Portugal, as propostas poderiam ser enviadas a qualquer tempo. O secretário Henilton Menezes defendeu a alteração.

“É preciso de um tempo para que possamos rever e fazer a manutenção em nossas bases de dados, além de ser necessário dar um prazo para que nossa equipe da Sefic faça seu planejamento para o ano subsequente”, afirmou Henilton.

Também foram aprovados as propostas que estabelece o prazo de 30 dias para que a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura analise as propostas culturais e a proibição do uso de recursos federais no momento de conceder a contrapartida de um projeto, entre outros. As contribuições do Conselho serão apresentados ao relator, deputado Pedro Eugênio (PT-PE) ainda na semana que vem.

*Com informações do site do MinC

MinC anuncia R$ 100 milhões em fomento às artes

Na próxima segunda-feira, 18, será anunciada a liberação de R$ 100 milhões do Ministério da Cultura no programa de fomento às artes de 2011, coordenado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte). Serão contemplados projetos de teatro, dança, circo, música e artes visuais.

Segundo o MinC, a verba será destinada a formação de público, pesquisa, residências artísticas e produção crítica sobre arte, entre outras atividades. Antonio Grassi, presidente da Funarte, também deverá anunciar o lançamento de prêmios de incentivo à produção teatral e à dança.

Um dos maiores projetos, o Microprojetos Mais Cultura Rio São Francisco, responsável por R$ 16 milhões de incentivos do total de R$ 100 milhões, vai destinar fundos às artes visuais e cênicas, e também para os campos de música, literatura e cinema.

Fonte: Folha de S. Paulo

Os túneis ”quase secretos” da cidade

por Vitor Hugo Brandalise

São espaços escondidos, localizados até 15 metros sob a superfície, que serviram de passagem secreta a artistas famosos, ou rota de fuga em tempos de guerra. Hoje despertam a curiosidade. Os túneis que cruzam o subsolo de São Paulo – um deles pode até ser visitado – guardam histórias que ajudam a contar a trajetória de algumas instituições da cidade.

A Expedição Metrópole circulou por três desses caminhos subterrâneos “quase secretos”. E ouviu de casos pitorescos a histórias assustadoras.

Nos dois túneis do Teatro Municipal, por exemplo, hoje circulam apenas funcionários. Mas já houve dias em que serviram para ajudar divas e galãs a escapar de tietes. Com 32 metros de extensão, ligam a casa de espetáculos à Praça Ramos de Azevedo por baixo da Rua Coronel Xavier de Toledo. Foram criados para ventilar a sala de concertos com ar natural. Atualmente fechadas com grades, abrigam dutos de ar-condicionado.

Mas existe uma terceira passagem, o verdadeiro mistério do teatro: é o túnel que o ligava ao antigo Hotel Esplanada, atualmente sede da Votorantim. Nem mesmo os arquitetos que trabalharam no recente restauro do prédio sabem onde começa. A única entrada que resta fica no subsolo da Votorantim.

Por esse túnel, passaram despercebidos do público o tenor Beniamino Gigli, a soprano Bidú Sayão, a pianista Magdalena Tagliaferro, para citar alguns artistas que costumavam ficar semanas hospedados no antigo hotel. “Não estava previsto no projeto original do teatro. Sabemos que existiu porque há passagem do outro lado, mas não achamos resquícios da ligação com o teatro”, conta a arquiteta Rafaela Bernardes, responsável pelo restauro. “Provavelmente foi aterrado na reforma dos anos 1950.”

O que nunca deixou de habitar os túneis do Municipal foram as histórias de fantasmas, repassadas há décadas de funcionário a funcionário. Na “fase” atual, a alma penada é de criança. “É uma menina que cruza os túneis e circula pelos subterrâneos. As faxineiras até se acostumaram com ela. E tem muito machão que já se assustou aqui embaixo”, conta o responsável pela manutenção do teatro, Joaquim Nunes, de 64 anos, no Municipal há 23. “Não acredito e nunca vi, mas prefiro não arriscar. Se alguém puder circular pelos túneis e o Salão dos Arcos (também no subterrâneo) comigo, tanto melhor.”

Fuga. No subsolo do quartel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na Luz, a rede de túneis já teve três quilômetros. Ligava o prédio – a exemplo do Municipal, também projetado por Ramos de Azevedo – aos outros quartéis e à antiga penitenciária da Avenida Tiradentes. A maior parte foi aterrada para obras do Metrô. Mas ainda restam 100 metros, transformados em memorial, com fotos e objetos antigos do batalhão. Restam também dois morcegos, que mesmo após a reforma continuam no local. “Antigamente, eram revoadas de morcegos, que atrapalhavam os soldados em treinamento nos túneis. Agora sobraram só esses dois, que servem pra assustar visitantes”, conta o sargento Cristiano Bauer, de 35 anos, responsável por visitas semanais ao local (informações no 11 3315-0188).

Os túneis – usados para locomoção de soldados na Revolução de 1924 – serviram também como cadeia de presos políticos na ditadura militar. No ano passado, as duas celas foram abertas à visitação e abrigam arquivo morto da Rota. Mesmo com melhorias, o ambiente é pesado, úmido, com teias de aranha e grades de metal enferrujadas. A rede de túneis foi construída com tijolos franceses e levou 20 anos para ficar pronta. O chão é de terra batida e a luz, bastante fraca. “É um clima que não poderia ser modificado, para ser fiel às funções originais”, diz o sargento Bauer. “Por mais obscuras que sejam.”

Indesejado. Os 90 metros mais indesejados da capital. É um título que caberia ao túnel que liga o Instituto Central do Hospital das Clínicas ao Instituto Médico Legal (IML), em Pinheiros, na zona oeste. Por lá, ninguém quer passar. “É usado para transportar até o Serviço de Verificação de Óbito ou ao IML pessoas que morrem no hospital”, explica a diretora de administração do hospital, Rita de Cássia Peres. O aspecto sóbrio – pintado de branco, pontilhado de manchas de umidade – e silencioso aumenta a atmosfera pesada. Por ali, há apenas barulho de passos e arrastar de macas. A não ser debaixo dos dois respiros que ligam o túnel à superfície, onde se ouvem vozes de pedestres. “É o maior susto para desavisados. Na hora, pensam que são “vozes do além””, conta a diretora, que trabalha no hospital desde 1980.

Mortes de famosos, às vezes, interrompem a quieta rotina do “túnel do IML”. “Quando Elis Regina morreu, tivemos de pôr seguranças nas portas do túnel. Muita gente queria acompanhar”, lembra Rita de Cássia. “Mas aqui não é lugar para cortejo.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

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