Por que Dia Mundial do Rock?

Hoje o Catarse Musical celebra o Dia Mundial do Rock com diversas matérias roqueiras especialmente pra vocês. Pra começar, vamos falar sobre a data e sobre as origens do gênero, ok? Let’s go!

Mas de onde vem essa data comemorativa? O Dia Mundial do Rock nasceu em 13 de julho de 1985. Nesse dia foi realizado o Live Aid, show simultâneo que ocorreu na Inglaterra e nos Estados Unidos, organizado por Bob Geldof. Artistas como Led Zepplin, Dire Straits, Madonna, Bowie, Queen, Mick Jagger, U2, Scorpion, Black Sabbath, Paul McCartney e Eric Clapton foram ao palco representando a causa da luta contra a fome na Etiópia. O mundo inteiro acompanhou o show pela televisão.

O show teve grande repercussão e o dia 13 de julho acabou se tornando o Dia Mundial do Rock.

Quando o evento completou 20 anos, em 1005, Geldof reeditou o show e rebatizou-o: nasceu o Live 8, com o objetivo de pressionar os líderes do G8 para perdoassem a dívida externa dos pases mais pobres do mundo.

Sobre o Rock

A harmonia e a métrica do rock vieram do blues, do jazz e do country, com seus compassos quatro por quatro, blocos de poucos versos e acordes, passíveis de improvisação. A formação básica das bandas, compostas por baixo, guitarra e bateria, passou a ser difundida quase que por um acaso durante a participação de Elvis Presleu em um programa de rádio, o Lousiania Hayride, em 1954.

Na ocasião, seu empresário (Sam Phillips) só tinha um baixista e um guitarrista para acompanhar Elvis porém, ao chegarem na rádio, encontraram DJ Fontana, baterista cativo do local. O resultado do quarteto agradou tanto que o músico foi incorporado à banda em 1955 e a presença do baterista foi sendo copiada por outras bandas.

“O rock n roll é um filhote bastardo, irreverente, do country e do blues e de algumas outras formas, logo, não tem a obrigação de atender a um mercado tão limitado. Afinal de contas, os discos de blues eram considerados comerciais no início. Ninguém grava um disco para não ser ouvido ou vendido. O fato é que você quer quer alcançar o máximo de pessoas possível.

O rock não é tão sério assim, pelo menos não no que se refere à letra; musicalmente falando, não é lá muito diferente do blues. Quem canta gospel tem que falar de Deus, não é? Tem que encaixar Deus em algum momento. No rock a gente tem mais liberdade para explorar outras idéias, o que provavelmente explica seu surgimento e sua permanência. Ele não se cerca de tantas restrições” – Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones, em depoimento pucado no livro “Dentro do Rock”, de Bill Flanagan.

O primeiro grande sucesso do rock foi “Rock Around The Clock”, de Bill Halley & His Comets, em 1953. Grande parte da repercussão da música foi graças ao sucesso do filme “Sementes da Violência”, que usou a canção em sua trilha sonora e fez com que os espectadores destruíssem salas de projeção para dançar o tal de rock! A primeira polêmica roqueira foi lançada!

O furor jovem chegou ao Brasil em 1955 na voz de cantores conhecidos pelo grande público, que aproveitaram a nova onda. Nora Ney, intérprete de samba canção e jazz, cantou uma versão de “Rock Around The Clock” e Cauby Peixoto (sim, o cantor de “Conceição“), gravou o primeiro rock em português, o “Rock and Roll em Copacabana”. Dá pra imaginar o Cauby cantando rock? Não? Clique aqui e ouça! Mas o primeiro rock brasileiro com guitarras elétricas foi o “Enrolando o Rock“, de Betinho e Seu Conjunto, gravado em 1957.

Bom, mas ainda não tínhamos uma grande estrela do rock! No final dos anos 50 esse problema foi “resolvido”: Celly Campello passou a ser a primeira “rock star” tupiniquim, com os sucessos “Estúpido Cupido” e “Banho de Lua“. E os astros do rock brasileiro que enlouqueceriam multidões chegaram em seguida, com a Jovem Guarda. Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Os Terríveis, Ronnie Von e Wanderléia foram alguns dos cantores que levaram o público ao delírio com versões para músicas internacionais como “Splish, Splash” e canções dos Beatles.

Uma das primeiras versões da banda de Liverpool a estourar no Brasil foi gravada por  Ronnie Von em 1966: “Meu Bem“, versão de “Girl“, composta por John Lennon e Paul McCartney. Conhecido como “Príncipe da Jovem Guarda” (apelido dado por Hebe Camargo), Ronnie Von contou à jornalista Mariana Paes sobre suas recordações da época…

“Eu estudava economia, ouvia jazz e blues. Meu pai era diplomata e me trazia discos dos Beatles quase um ano antes de chegarem às lojas brasileiras. Assim, acabei ficando amigo de uma banda cover que, durante uma matinê no Rio de Janeiro, me chamou no palco para cantar uma música. Um diretor de gravadora (João Araújo, pai do cantor Cazuza) estava na platéia e propôs que eu gravasse um disco.

Foi difícil porque minha família é tradicional, tinha um banco e uma outra empresa financeira. Muitos me viram como um desertor. Enfrentei preconceitos, achavam que aquela música era de pessoa alienada, sem mensagem social. Mesmo assim, gravei pouco tempo depois (em 1966). Achava que ninguém gostaria, mas no mês seguinte ouvi minha música no rádio. Foram só cinco meses até eu aparecer na televisão pela primeira vez”.

O ícone da época foi Roberto Carlos, que transcendeu barreiras de tempo e gênero, sendo reconhecido pelas suas composições, peculiaridades na forma de cantar, suas manias e fé inabalável. Mas, não era só de fé e amor entre homem e mulher que falava o Rei. Ele compôs “Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos” especialmente para Caetano Veloso, que estava exilado em Londres.

Cabe ressaltar que a censura não poupou o Rei. Entre os anos 60 e 70, um disco de Roberto Carlos foi vetado pois as canções eram cantadas em espanhol. Conforme as regras impostas pelo Ato Institucional nº 5 (que vigorou de 1964 até 1984), a língua espanhola não poderia ser popularizada para evitar que o Brasil se unisse aos outros países da América Latina e assim conseguisse se desvencilhar da ditadura. O disco “Roberto Carlos canta la juventud” só foi lançado após o fim da ditadura.

A ebulição de “novidades musicais” foi reflexo do início do movimento de profissionalização da música como produto que deve ser comercializado em larga escala. Nos anos 70 isso ficou mais evidente, mas na década de 60 os primeiros sinais desse fenômeno puderam ser observados, com o crescimento das gravadoras e de sua influência sobre a produção e reprodução de canções.

Àquela época, dois fatores foram determinantes para a história da música: era novidade ter um gênero feito por jovens para jovens e, como “agravante”, as fusões das gravadoras começaram nesse período e os grandes conglomerados iniciaram a transformação do meio musical. “O rock foi a primeira manifestação cultural feita de jovem para jovem, falando de suas angústias e problemas. A galera estava no pós-guerra e queria se manifestar contra essa futilidade que é a violência”, explicou o jornalista e pesquisador musical Roberto Maia.

*Texto extraído do livreto “Rock Camaleão – Um resumo da histaória das guitarras na terra dos batuques”, trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da editora do Catarse Musical, Mariana Paes.

Bom, após essa breve viagem histórica, acompanhe notícias atuais sobre o rock, selecionadas especialmente para comemorarmos o rock da maneira mais roqueira possível: colocando opiniões em pauta, democratizando informações, sem medos nem pudores!

Aproveitem!

Beijo e dia cheio de riffs pra vocês.
Mariana Paes
Jornalista, Professora de Canto e Gestora Cultural
Editora do Blog Catarse Musical
catarsemusical@gmail.com

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