Seleção de artistas para Theatro Municipal de São Paulo

Pessoal, o Theatro Municipal de São Paulo está pronto, após longo tempo de reformas. Então, no segundo semestre começará a temporada 2011 de óperas.

Para a realização da temporada, o Theatro está recebendo inscrições de bailarinos, atores, acrobatas e artistas circenses interessados em fazer figuração nas óperas. Os artitas selecionados pelos diretores serão chamados para testes.

Os interessados devem enviar e-mail com currículo e foto para: producaotm@yahoo.com.br
O material também pode ser entregue na portaria do Theatro Municipal de São Paulo ou enviado por correio (Praça Ramos de Azevedo, s/n – Centro – Cep: 01037-010 São Paulo – SP), aos cuidados de  Júnia Busch – Produção Executiva.

Festival recebe inscrições de bandas para apresentações em Sabará (MG)

A 4ª edição do Escambo – Festival de Experiências Culturais será realizada na cidade histórica de Sbará (MG), entre os dias 18 e 24 de julho, e recebe inscrições de bandas interessadas em tocar no evento.

As inscrições devem ser feitas até 27 de maio, no site do Toque no Brasil, e são gratuitas. A equipe do festival selecionará quatro das bandas inscritas para tocar no Escambo e oferece cachê, alimentação, hospedagem e transporte local para as selecionadas. Não há restrição em relação ao Estado de origem da bandas, mas o festival só se responsabiliza pelo transporte da banda dentro da cidade de Sabará.

Em 2009, quando foi realizada a 3ª edição do Escambo, tocaram bandas como Black Drawing Chalks, Macaco Bong, Graveola e o Lixo Polifônico, Transmissor, Dead Lover’s Twisted Heart, 4instrumental e Pequena Morte, para público de mais de 10 mil pessoas (conforme dados oficiais da Polícia Militar).

Este ano o festival integra o Conexão Vivo, programa de patrocínio no meio musical da Vivo, e sedia o Congresso do Fora do Eixo Minas.

*Com informações do blog Meio Desligado

Fonte: Cultura e Mercado

Rock com dendê – Projeto gravado no estúdio de Guilherme Arantes reúne parte da cena roqueira de Salvador, que, segundo o cantor, é ofuscada pelo axé

por Marcos Preto, enviado especial a Camaçari (BA)

No final dos anos 1970, já bebendo da fama de “hitmaker”, Guilherme Arantes lançou dois álbuns de nenhuma repercussão.
“A Cara e a Coragem” (1978) e “Coração Paulista” (1980) eram discos de rock. E suas canções espelhavam um jovem artista em crise: com o próprio ofício, com a cena musical e com os rumos que tomava a sua geração.
O público do cantor, que consagrara baladas como “Meu Mundo e Nada Mais” (1976), “Amanhã” (1977) e “Êxtase” (1979), não se identificou com esses temas. E desprezou os dois discos.
Pois é justamente a reunião das 20 canções dos dois discos que, agora, compõem “A Cara e o Coração”.
Produzido por Pedro Arantes e Gabriel Martini, o álbum traz recriações desses não sucessos do compositor paulista feitas por nove bandas da nova cena roqueira baiana.
O disco deve chegar às lojas em julho. As gravações aconteceram no estúdio Coaxo do Sapo, construído por Guilherme em Camaçari, na Bahia, onde vive há dez anos.
“A cena roqueira de Salvador é altamente criativa e precisa explodir para o público”, diz o cantor. “Isso só não aconteceu ainda porque esses músicos foram eclipsados pela “indústria da alegria” que a Bahia se tornou.” A intenção, segundo o compositor, é servir de veículo para que essas bandas possam tentar cruzar fronteiras regionais e, quem sabe, atingir o público do Sudeste.
“Fazer música autoral na Bahia é uma provação diária”, diz Roy, da banda O Círculo. “Desde o empresário até a sua mãe, todo o mundo quer te levar ao mau caminho. ‘Cante axé, meu filho, cante axé que é melhor’.”
Não há exatamente uma unidade roqueira nas bandas que integram o disco. Algumas pendem para o soul, outras para o blues, outras para a psicodelia à brasileira, entre o tropicalismo de Caetano e Gilberto Gil e o pós-tropicalismo dos Novos Baianos.
“E nós aqui somos só uma parte do que acontece na cena baiana fora do Carnaval”, diz o paulistano Enio, do projeto Enio e a Maloca, radicado em Salvador há 20 anos. Ele cita o Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz, o Baiana System e outros artistas, não necessariamente ligados ao rock, como parte fundamental da nova fase da música da cidade.
“Seria impossível alcançar toda a grande cena de musica independente de Salvador em único disco”, diz Pedro Arantes, filho de Guilherme e idealizador do projeto.
“Esse trabalho tenta sintetizar o que está acontecendo agora na capital baiana e valorizar o que acaba ficando de fora dos grandes eventos até da própria da cidade.”
É a eterna busca do jovem músico por seu lugar no espaço e no tempo. Talvez por isso o tema dos dois álbuns “malditos” de Guilherme Arantes soe tão atual.

Fonte: Folha de S. Paulo

Governo e Ecad divergem sobre supervisão na arrecadação de direitos autorais

O jornal da Câmara divulgou nesta quarta-feira (25/5) notícia que governo e Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) divergem sobre a supervisão estatal da arrecadação de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras.

Atualmente, a arrecadação e a distribuição é exercida pelo Ecad, entidade privada de gestão coletiva que reúne associações de profissionais como autores, produtores e intérpretes. No entanto, um projeto em estudo no Ministério da Cultura prevê a criação de um órgão para supervisionar a atividade.

Durante audiência da Comissão de Ciência e Tecnologia realizada ontem, o coordenador de Regulação em Direitos Autorias do Ministério da Cultura (MinC), Cristiano Lopes, defendeu a necessidade do controle que, segundo ele, é uma demanda dos próprios autores.

“Os autores querem uma supervisão para que haja um mínimo de resposta do que está sendo feito dentro da gestão coletiva. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, já declarou várias vezes que haverá supervisão estatal para que se tenha essas respostas, principalmente no que se refere à distribuição dos direitos autorais”, disse Lopes.

O coordenador do MinC afirmou que o anteprojeto que altera a Lei dos Direitos Autorais isenta as microempresas da cobrança por parte do Ecad. No texto atual, a isenção é concedida caso a transmissão da música “não seja um meio para a atração de clientela”, como no caso de consultórios médicos.

Lopes acrescentou ainda que a criação de uma entidade, ligada ao MinC, para supervisionar a arrecadação de direitos autorais deverá ser tratada em lei própria, já que a medida atinge o Orçamento. O anteprojeto, cuja consulta pública acaba no próximo dia 30, deve ser encaminhado pelo Ministério da Cultura à Casa Civil no dia 15 de julho.

Já a superintendente do Ecad, Glória Braga, afirmou que o Estado não deveria interferir sobre a administração de bens particulares. “Precisamos saber claramente qual é a proposta. Não podemos dizer que discordamos ou concordamos. Queremos saber como será”, disse.

No entendimento de Glória Braga, em princípio a supervisão jamais poderia ser feita pelo poder público. “São bens de natureza privada, o direito autoral é um bem privado do compositor”, disse.

Apoio – A supervisão estatal das atividades do Ecad foi bem recebida pela maioria dos integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia. Para o deputado Marcelo Aguiar (PSC-SP), um dos autores do requerimento para a realização da audiência, deve, sim, haver um órgão fiscalizador da cobrança, da arrecadação e da distribuição dos direitos autorais.

“Para onde vai o dinheiro retido no Ecad? O que é feito com este recurso? Este é um momento importante para que possamos dar uma orientação para o que tem de ser mudado no Ecad”, afirmou, referindo-se ao debate na Câmara.

Durante a audiência, Marcelo Aguiar questionou a superintendente do Ecad sobre denúncias publicadas pela imprensa, segundo as quais R$ 127 mil teriam sido pagos irregularmente a pessoas que nunca compuseram músicas.

Glória Braga respondeu que a quantia representa apenas uma pequena parte dos mais de R$ 300 milhões distribuídos no ano passado pela entidade. Segundo ela, o dinheiro já foi devolvido aos verdadeiros titulares das obras.

*Com informações do Jornal da Câmara

Fonte: Cultura e Mercado

Seminário “A dança se move em São Paulo”

Os núcleos de dança da cidade de São Paulo estão convidados/convocados a participarem do Seminário “A Dança se Move: Debates sobre as Políticas Públicas para a dança nas esferas municipal, estadual e federal”, a ser realizado nos dias 27 e 28 de maio (6a feira das 18 às 21 h e Sábado das 9 às 17 h), na Câmara Municipal de São Paulo.

Convidados para Mesa de abertura do dia 27 de maio às 18h.

Carlos Augusto Calil (Secretário de Cultura da Cidade de São Paulo) – convidado.

José Américo (Vereador da Cidade de São Paulo) – confirmado.

Simão Pedro (Deputado Estadual) – convidado

Judas Tadeu de Souza (coordenador regional da FUNARTE São Paulo)- confirmado.

Tadeu di Pietro (representante MINC estado de São Paulo) – convidado

Sofia Cavalcanti (Executiva do Movimento Mobilização Dança) – confirmado.

Sandro Borelli (Presidente da Cooperativa de Dança) – confirmado.

Ana Francisca Ponzio (Jornalista Mediadora) – confirmado.

1. Programa Municipal de Fomento à Dança (Princípios e Critérios norteadores no processo de criação e consolidação da Lei).

2. Debates sobre a necessidade de elaboração de novos programas para a dança na Cidade de São Paulo, nas esferas municipal, estadual e federal

SUA PRESENÇA É MUITO IMPORTANTE

Câmara Municipal de São Paulo

Palácio Anchieta

Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista – São Paulo – SP – CEP 01319-900

Telefone: 3396-4000

REALIZAÇÃO:

COOPERATIVA PAULISTA DE DANÇA E MOVIMENTO MOBILIZAÇÃO DANÇA

O crime de Lady Gaga – Marcia Tiburi analisa o pós-feminismo pop de Lady Gaga

Queridos leitores, li o texto “O crime da Lady Gaga” no site da Revista Cult e lembrei de algumas discussões tidas com amigos, colegas de pós-graduação e faculdade. A questão é: o que é arte?
Pessoal, li esse texto no site da Revista Cult e lembrei das discussões da aula da Ilana sobre o que é cultura, arte… Algumas pessoas falam da “da morte da arte”, por pensar arte como algo relacionado ao sentido sociológico da cultura, algo produzido para ser arte! Mas, se pensarmos que a arte é inerente ao ser humano, podemos refazer esse raciocínio apocalíptico, chegando à conclusão de que talvez a arte contemporânea nada mais é do que a arte em seu estado mais puro e menos pretencioso. Esse contraponto entre o sentido sociológico e antropológico da cultura, e consequentemente da arte, é onde os artistas contemporâneos pretendem cutucar os espectadores! Nem toda obra de arte foi feita para ser uma obra de arte, algumas obras (como móveis, sapatos, jóias, prédios, gravuras) adquirem esse significado devido ao olhar do espectador.
Bom, leiam abaixo um pouco mais sobre a reflexão sobre arte e indústria cultural!
O crime de Lady Gaga
por Marcia Tiburi

Lady Gaga é o mais recente ídolo pop da cena internacional. Entenda-se por ídolo pop um indivíduo que encanta as massas com a habilidade artística de que é capaz sendo seu autor ou o mero representante de uma estética inventada por publicitários e estrategistas de produtos culturais. Nesse sentido, todo ídolo pop age como o flautista de Hamelin conduzindo por certo efeito de hipnose uma quantidade sempre impressionante de pessoas. Ele é também um guia estético e moral das massas. A propósito, entenda-se por massa um grupo de indivíduos que, ao se encontrar com outros, perde justamente a individualidade, tornando-se sujeito de sua própria dessubjetivação. Em outras palavras, ele é hipnotizado como se estranhamente desejasse sê-lo. A Indústria Cultural depende desse mecanismo, por meio do qual oferece ao indivíduo a oportunidade de se perder com a sensação de que está ganhando. O ídolo pop é a humana mercadoria que permite o gozo pelo logro que o espectador logrado aplica a si mesmo.

Lady Gaga certamente veio para nos lograr. Mas, como disse Walter Benjamin sobre livros (e também putas), muitas vezes a mercadoria vale muito mais do que o dinheirinho que pagamos por ela.

O paradoxal desejo das massas
Antes de mais nada, é preciso ver que Lady Gaga, a despeito da qualidade boa ou má de si mesma e do que ela produz, vem a nós com números impressionantes. Se na internet seus vídeos são vistos por milhões de pessoas (certamente, quando você ler este artigo, os números serão ainda maiores) é porque ela mesma sabe – ou o diretor e roteirista de seus belos videoclipes nos quais a quantidade aparece, seja na nota de dólar com o rosto de Gaga como no vídeo de “Paparazzi”, seja em “Bad Romance” nos índices na cena dos computadores – que se trata em sua obra da questão da quantidade, mais do que da qualidade. A Indústria Cultural sempre tem na quantidade uma questão mais importante do que a qualidade, mas, se Lady Gaga sabe disso e não o esconde, é porque elevou o cinismo a discurso, mas, ao mesmo tempo, lança-nos uma ironia capaz de fazer pensar.

A questão da quantidade adquire um contorno subjetivo na mentalidade dos indivíduos aniquilados no todo. Assim, uma característica expositiva da condição das massas de nosso tempo é o próprio “desejo de ser massa”. Trata-se da ânsia de adesão ao todo que se disfarça no desejo de saber o que todo mundo sabe, ver o que todo mundo vê. Complicado falar de desejo das massas, quando a “massa” remonta à possibilidade de se deixar moldar pela ação exterior justamente por ausência de desejo. Podemos, no entanto, entendê-lo usando uma imagem gasta como a da ovelha a participar do rebanho. Um modo de ter lugar desaparecendo mimeticamente no todo. Nesse sentido, o desejo de ser massa é o mesmo que nos coloca na situação de fazer parte da audiência fazendo com que liguemos a televisão no programa mais visto, que queiramos ver o filme com a maior bilheteria, que, caso cheguemos a desejar um livro, seja da lista dos mais vendidos. Fazer parte da audiência é a garantia de que em algum momento estaremos juntos, que faremos parte de uma comunidade mesmo que ela seja apenas “espectro”. A angústia da solidão, da separação e da própria individuação desaparece por um passe de mágica da imagem do ídolo pop.

Uma estética pop para o pós-feminismo?
A obra da jovem Lady Gaga não é objeto descartável como a maioria das mercadorias promovidas no contexto da indústria e do mercado cultural. Se nos detivermos em sua música, em sua dança ou em sua imagem isoladamente, não entenderemos o todo da mercadoria. Portanto, é preciso estar atento à performance que ela realiza. A apreciação disto que devemos hoje chamar de obra-produto ou produto-obra deve começar por aí, tendo em vista que, acima de tudo, Lady Gaga é uma performer que agrega em seus vídeos diversas formas artísticas que vão da música ao cinema, passando pela dança e chegando a uma relação curiosa com um aspecto inusitado da produção contemporânea nas artes visuais. Lady Gaga tange em seus vídeos mais famosos questões que estão presentes na obra de artistas contemporâneas que podemos chamar de vanguardistas por falta de expressão melhor, tais como Cindy Sherman, Daniela Edburg e Chantal Michel. No Brasil, Karine Alexandrino, Paola Rettore ou o pernambucano Bruno Vilella praticam a mesma suave ironia até o mais cáustico deboche com trabalhos sobre mulheres mortas.

O tema da mulher morta torna-se quase um lugar-comum na arte contemporânea, como foi no século 19. Naquele tempo, ele representava o impulso próprio do romantismo que via na mulher falecida e inválida um ideal agora retomado de modo irônico por diversas artistas contemporâneas. Lady Gaga vai, no entanto, muito além dessas artistas em termos de coragem feminista. Enquanto elas zombam das mulheres estereotipadas que morrem como Ofélias por um homem, Lady Gaga, de modo mais surpreendente e corajoso do que importantes artistas cultas, dá um passo adiante.

No vídeo de “Paparazzi” fica exposto o amor-ódio que um homem nutre por uma mulher, a invalidez à qual ela é temporariamente condenada por sua violência e, por fim, uma vingança inesperada com o assassinato desse mesmo homem. “Incitação à violência”, pensarão as mentes mais simples; “feminismo como ódio aos homens”, dirá a irreflexão sexista acomodada, quando na verdade se trata de uma irônica inversão no cerne mesmo do jogo simbólico que separa mulheres e homens. Se em “Paparazzi” o deboche beira o perverso autorizado psicanaliticamente (a mulher sai da posição deprimida ou melancólica e aprende a gozar com seu algoz, que ela transforma em vítima), em “Bad Romance”, “o vídeo mais visto de todos os tempos”, mulheres de branco – como noivas dançantes – surgem de dentro de esquifes futuristas para curar uma louca que chora querendo ter um “mau romance” com um homem. Um contraponto é criado no vídeo entre a imagem do rosto da própria Gaga levissimamente maquiado, demarcando o caráter angelical de sua personagem, em contraposição ao caráter doentio da personagem da mesma Gaga de cabelos arrepiados e olhos esbugalhados. Entre eles a bailarina sensual junto de suas companheiras faz o elogio do corpo que é obrigado a se erotizar diante de um grupo de homens.

A noiva é queimada. Sobre a cama, no fim, a noiva como um robô um pouco avariado, mas ainda viva, contempla o noivo cadáver. A ironia é o elogio do amor-paixão, do amor-doença e morte ao qual foi reduzido o amor romântico pela estética pop da ninfa pós-feminista. O feminismo só tem a agradecer.

Em “Telephone”, a estética eleita é a da lésbica e da pin-up. Ambas criminosas. A primeira por ser uma forma de vida feminina que dispensa os homens, a segunda por ameaçá-los com uma estética da captura (a mulher-imagem-de-papel, a mulher “cromo”, a mulher-desenho-animado que configura o conceito do “broto”, do “pitéu”). No mesmo vídeo o personagem de Gaga compartilha com Beyoncé uma cumplicidade incomum entre mulheres.

Esse sinal é dado no meio do vídeo, quando Beyoncé vai resgatar Gaga na prisão e ambas mordem um pedaço de pão, que logo é lançado fora como algo desprezível. A comida mostra-se aí como o objeto do crime. O vídeo é mais que um elogio ao assassinato do mau romance, ou da vingança contra o evidente amor bandido de quem a personagem de Beyoncé quer se vingar. Trata-se de uma profanação da comida pelo veneno que nela é depositado. O amor bandido é morto pela comida, uma arma simbólica muito poderosa associada à imagem da mulher-mãe, da mulher-doação, dedicada a alimentar seu homem na antipolítica ordem doméstica.

O palco é a lanchonete de beira de estrada como em Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. O assassinato é o objetivo do serviço das duas moças perversas que, no fim do vídeo, dançam vestidas com as cores da bandeira norte-americana – meio Mulher Maravilha – diante dos cadáveres de suas vítimas, já que, além do amor bandido, todos morreram. Cinismo? Sem dúvida, mas como paradoxal autodenúncia.

Mas o maior crime de Gaga, aquilo que fará com que tantos a odeiem, não será, no entanto, o feminismo sem-vergonha que ela pratica como uma brincadeira em que o crime é justamente o que compensa? E, como ídolo pop, não poderá soar aos mais conservadores como um modo de rebelar as massas de mulheres subjugadas pela perversa autorização ao gozo, doa a quem doer?

Fonte: Revista Cult

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