As novas cantoras antigas

por Thales de Menezes

A top model inglesa Karen Elson, que se casou com o guitarrista Jack White (White Stripes), resolveu cantar. Afinada com os tempos modernos, passou a integrar o time das novas cantoras que buscam inspiração no passado.
“The Ghost Who Walks”, seu primeiro e até agora único álbum, acaba de sair no Brasil pelo selo Lab 344. Trata-se de um disco belíssimo, de canções pop encharcadas de tristeza. Uma curiosidade: poderia ter sido gravado e lançado em, digamos, 1959.
Ter algum conhecimento sobre nomes de sucesso na história das intérpretes brancas de música popular americana e britânica tornam impossível ouvir o trabalho da moça sem pensar nas divas que encantavam multidões nas décadas de 1950 e 1960.
A comparação pode levar, por exemplo, a Julie London. Apesar do nome, foi uma lindíssima atriz e cantora americana de standards (temas de jazz que se tornaram conhecidos a ponto de ocupar as paradas de música popular).
Outra referência clara no disco de Karen Elson é Rosemary Clooney, mas ela não está sozinha na predileção.
Zooey Deschanel, mais famosa no Brasil como a atriz gracinha do filme “500 Dias com Ela”, é vocalista do duo She & Him. Ela declarou que Rosemary Clooney é sua cantora favorita. Os dois álbuns já lançados pela dupla de Zooey também lembram as músicas gravadas pela tia-avó do ator George Clooney.
Amy Winehouse bebe na fonte de cantoras do chamado blue-eyed soul (astros brancos ingleses dedicados ao gênero nos anos 1960), como Dusty Springfield e Petula Clark. Mas adora cantar em seus shows o maior sucesso de Rosemary, “Tenderly”.
Duffy, a loirinha galesa com voz de patinha que surgiu como uma possível versão comportada de Amy, é outra a construir seu som com ecos do passado.
Bernard Butler, ex-guitarrista do britpop Suede e produtor da moça, liberou para ela uma coleção de compactos de cantoras como Nancy Sinatra, Lulu e Sandie Shaw. Os álbuns de Duffy dão recibo da apropriação sonora.
Para completar um time de novas cantoras “antigas” só falta a que hoje se mostra a mais bem-sucedida delas: Adele. A inglesa fofa de 21 anos conseguiu rapidamente o que todas as suas conterrâneas querem: ganhar as paradas americanas.
Capa de uma recente edição da “Rolling Stone”, praticamente um atestado de aceitação nos Estados Unidos, ela consegue equilibrar temas melancólicos, de paixões arrebatadoras e mal resolvidas, com hits animados. A crítica que a compara a Peggy Lee acerta em cheio.
As mocinhas deste século têm competência. Mas, em tempos de discos de qualquer época numa amazon.com, vale ouvir as originais.

Fonte: Folha de S. Paulo

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