Transformar veneno em remédio nos negócios – #1

 

A instabilidade tem sido um componente dos cenários econômico e político há algum tempo. Mas devemos concordar que nenhuma grande ruptura de paradigma ou grande crescimento acontece sem dor, sem soltar as amarras de velhos hábitos e reinventar produtos, serviços e fórmulas. Sem um cutucão da crise batendo no nosso ombro, muitas vezes nos acomodamos em nossos louros e trabalhamos no automático.
Ultimamente, essa mãozinha sinistra da crise anda bem insistente e não se sabe até quando ela vai insistir em nos assombrar. Mas muitos empreendedores estão encontrando nesse escuro das nuvens uma nova forma de encontrar a luz, algo que costumo chamar de “transformar veneno em remédio”. Este é um conceito que aprendi no budismo, mas que podemos relacionar inclusive com saúde. As vacinas são produzidas a partir dos vírus das doenças, certo? Os antídotos são feitos a partir dos venenos dos animais peçonhentos. Tenho a boa sorte de conhecer grandes profissionais que são exemplos práticos de que isso é sim possível. Por isso, resolvi começar uma série de textos sobre estes exemplos, um sopro de inspiração pra quem está cansado de remar contra a maré. Continue remando!
Meu exemplo número um é de um grande profissional (e sua grande empresa), com quem tive o prazer de trabalhar há aproximadamente cinco anos. Por dois anos, trabalhei com projetos de relações públicas para a Sennheiser, conceituada empresa alemã de tecnologia de áudio da qual sou consumidora há mais de 10 anos. Como você deve imaginar, trazer um produto da Alemanha para o Brasil não é um caminho fácil, com taxas, intermediários mil, complicações logísticas na distribuição e um fantasma bastante conhecido do mundo tem (e da música também): pirataria. Até revendedores oficiais da marca chegaram a ser enganados por produtos falsificados com muita minúcia. Um dos executivos de vendas do Brasil e Paraguai, Renan César, que trabalha diretamente com as revendas e distribuidores, abraçou a causa junto aos demais profissionais da companhia. Com Renan e equipe, desenvolvemos uma campanha de conscientização sobre os problemas que podem ocorrer ao comprar fones de ouvido ou microfones piratas, organizamos pautas com a mídia especializadas e abrimos espaço para um assunto que até então era mais de bastidor.
Naquele momento, o mercado de áudio parou e pensou, outras empresas começaram a expor mais esse tipo de problema e a ter estratégias mais agressivas nesse sentido. Renan viajou o Brasil e Paraguay batendo na porta das lojas para mostrar abertamente as diferenças entre microfones e fones piratas e originais, o assunto ganhou as mídias sociais e os consumidores passaram a prestar mais atenção e exigir autenticidade. Um dos resultados: uma pessoa comprou um microfone sem fio, em seguida notou ser pirata e denunciou à Sennheiser, que conseguiu tomar providencias legais necessárias graças à ajuda do cliente.
Foi um trabalho de formiguinha, um longo caminho entre as primeiras situações de falsificação e a denúncia do consumidor (ocorrida em 2015), mas a perseverança e a estratégia bem desenhada, a paciência e o cuidado de tratar o problema com todos os envolvidos de forma personalizada e olho no olho, trouxeram resultados e transformaram uma situação de grande risco para a empresa em uma oportunidade de aproximação com parceiros e consumidores.
Saudações ao Renan e à toda equipe da Sennheiser pelo grande exemplo e gratidão por ter feito parte de uma história tão importante.
E você? Qual veneno está tentando transformar em remédio? Compartilhe sua história nos comentários.

#NascidaEm1985 – nº 11 – “Crazy For You”

Eu não sou a maior fã da Madonna, mas alguns hits são incontestavelmente bons! Nos anos 80, quando ela e a Cindi Lauper disputavam atenção da mídia, muita gente acreditavam que Cindi sobreviveria ao tempo e a Madonna desapareceria logo, mas, quem diria, a cantora-bailarina continua aí, sempre com novos hits e tomando sua poção da juventude (tipo aquela do filme “A Morte Lhe Cai Bem“). Um dos grandes sucessos do início da carreira da Madonna é “Crazy For You”, #NascidaEm1985 🙂

A canção estourou nos Estados Unidos, Europa, Japão… foi top da Billboard e concebida para ser trilha sonora do filme “Em busca da vitória” (Vision Quest). Mas é bem possível que você tenha passado a amar a música no mesmo momento que eu: quando aparece no filme “De repente 30“. Confesso que nunca tinha prestado muita atenção em “Crazy for You”, até embalar a história fofa que envolve Jenna Rink e Matt Flamhaff. Sou suspeita pra falar do filme, porque ele remonta tantas coisas que me lembro da minha infância no fim dos anos 80 (inclusive a memória musical), que tenho um carinho enorme por ele e, todas as 500 milhões de vezes em que passo por um canal que está exibindo a história, paro pra assistir!

Muito além do fato da música também ser #NascidaEm1985, creio que criei um vínculo com a balada da Madonna por também remeter a todas as contradições da chegada dos 30, da questão de se reconhecer ou não como alguém maduro nessa idade, sobreo que as pessoas esperam da gente quando estamos nessa fase…

Bom, já estamos no final da saga #NascidaEm1985 e está tão difícil escolher sobre quais músicas falar! Tem tanta coisa legal nos anos 80!!!!!

#NascidaEm1985 – nº 10: “Money for nothing”

Exatamente em julho de 1985, quando cheguei ao mundo, o Dire Straits estava no topo da Billboard com “Money for Nothing”, composta pelo vocalista e guitarrista Mark Knopfler em um passeio numa loja de eletrodomésticos. A sonoridade super oitentista e o poder de descrever com arte e leveza coisas cotidianas e até banais são dois grandes trunfos da canção, que ganhou Grammy nesse mesmo ano. A letra conta a história do cara que trabalhava na loja e dizia que deveria ter aprendido música para não ter que ficar trabalhando entre microondas e refrigeradores. Quem não gostaria de largar seu emprego 24×7 pra ter uma vida de rockstar, ainda mais no auge do rock and roll?

O videoclipe de “Money For Nothing”, um dos primeiros a ser feito por meio de animação em computador, inaugurou a MTV da Europa e deu um empurrãozinho na popularidade do canal como trecho “I want my MTV”, que gruda como chiclete! Dê uma olhada no vídeo e curta uma das melhores músicas dos anos 80 🙂

Privilégio ter nascido com essa música tão icônica, mais uma né… porque 1985 foi um ano muito bom pra indústria da música. Qual será a próxima #NascidaEm1985?

#NascidaEm1985 – parte 9 – Don’t you (forget about me)

Toda década tem aquela música icônica, que define a sonoridade das canções do período, que passa muito tempo no ranking da Billboard, que faz você cantar um refrão-chiclete mentalmente por longos dias. Aquela sonoridade eletrônica, o tecladinho característico dos anos 80, um refrão repetitivo que gruda na mente e uma batida que dá vontade de dançar! Assim é a #NascidaEm1985 de hoje: “Don’t you (forget about me)”, do Simple Minds. Quem nunca foi num bar cantou junto o “Hey, Hey, Hey/ Don’t you forget about me!”, ou até no carro, em casa ouvindo o rádio de dial iluminado ou até mesmo o rádio mais moderninho mesmo (porque essa música não sai de moda, tá nas “Alphas FM” da vida até hoje), afinal, música boa é eterna! Acho que essa mistura que resulta em balada dançante, que faz a gente viajar na melodia, é super a minha cara, então adorei ter nascido no mesmo ano de um dos mais legais “La, la la la la, la la la” da história 🙂

A música foi gravada para fazer parte da trilha sonora do filme “The Breakfast Club” (“Clube dos Cinco”, em português), e foi projetada com ajuda do sucesso estrondoso desse clássico do cinema. Vários outros filmes também adotaram a canção, como “American Pie” e “Pitch Perfect”, que fez uma versão sensacional dessa música, fazendo um “mash up” com outras músicas, como Price Tag, da Kesha. Aliás, o Glee também fez uma versão que amei!

Confira as várias versões:

Simple Minds: 

Glee: 

Pitch Perfect: 

Qual será a próxima #NascidaEm1985? Alguma pista? Alguma sugestão?

#NascidaEm1985 – parte 8 – “Exagerado”

Hoje a #NascidaEm1985 é de um artista nacional sensível, transgressor, um dos compositores que me inspira: Cazuza! Em 1985, ele deu o primeiro passo de sua carreira solo, após brigar com o Barão Vermelho durante a gravação de um álbum. Assim, a música “Exagerado” nasceu, em 1985, como faixa-título do primeiro álbum solo desse grande cara.

A série de documentários “Por Trás da Canção”, do Canal Bis, exibiu um episódio que fala sobre a história da composição dessa música, que contou também com a colaboração do Ezequiel Neves, empresário dele. Nessa ocasião, Leoni comentou que Cazuza pensava em fazer da música, cuja letra estava pronta, algo que lembrasse o bolero, mas o arranjador não concordou e decidiu levar para o lado do rock mesmo. E ficou incrível! Letra e melodia se complementam para levar ao público esse tom visceral e profundo do Cazuza, um grande letrista, entre meus favoritos!

Acho que essa ideia de “E por você eu largo tudo/ Vou mendigar, roubar, matar/ Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais/ Exagerado/ Jogado aos teus pés/ Eu sou mesmo exagerado/ Adoro um amor inventado” é muito leonina, cheia de drama e paixão, e também atemporal. Essa é a mágica da composição, você escrever uma obra de arte com a qual as pessoas se identifiquem, não importando a época. Isso faz de um artista o porta-voz de sua geração e também do espírito humano.

Vale a pena conferir o “Por Trás da Canção”:

#NascidaEm1985 – parte 7 – Broken Wings

Gente, alguém conhece essa banda chamada Mr. Mister? A música “Broken Wings”, #NascidaEm1985 foi gravada por eles, que sumiram alguns anos depois. Segundo a internet, eles até lançaram um álbum em 1987, mas não foi aquele sucesso que esperavam. Se você nasceu nos anos 80, 90 ou já ouviu rádios tipo Alpha FM ou qualquer uma dessas que tocam na espera do consultório médico, com certeza você vai identificar a canção logo nos primeiros acordes e delirar no refrão-chiclete! “So take these broken wings and learn to fly again, learn to live so free. When we hear the voices sing, the book of love will open up and let us in”. Muita gente certamente leu a letra cantando 🙂

Essa música é mais uma daquelas que eu lembro de ter ouvido (e muito) no três em um da casa da minha mãe (tipo esse aqui ó: http://ow.ly/PmhPQ). Meus pais ouviam muito Alpha FM, Eldorado e umas outras rádios nesse mesmo estilo, então ouvi muito desse tipo de pop-rock-new-wave americano e adoro até hoje. A sonoridade do pop rock é muito familiar e simplesmente não consigo não gostar.

Detalhe: “Broken Wings” é aquele tipo de música que você ouve em casa fazendo umas danças desconexas e dublando junto, tipo o Pablo, do Qual É A Música (programa do Silvio Santos – o Divo – que entrou no ar em 1976). Preparem o microfone improvisado (frascos de shampoo, controles de TV e escovas de cabelo são ótimas opções) e ouçam essa linda música do coração, que nasceu há 30 anos (direto do túnel do tempo):

#NascidaEm1985 – Partes 3, 4, 5 e 6 – Rock in Rio

Não é fácil manter a periodicidade das postagens em meio a um turbilhão acontecendo no trabalho e em casa rs. Mas vou me redimir e hoje a série #NascidaEm1985 não apenas vai trazer uma canção que nasceu no mesmo ano que eu, mas uma iniciativa incrível, um festival lendário, que teve sua primeira edição em 1985: o Rock in Rio! Tenho muita sorte por ter nascido no mesmo ano desse show que ocorreu no período dos primeiros passos do Brasil rumo à democracia e foi o primeiro grande festival da América do Sul.

Queria muito ter estado lá mas, como aconteceu em janeiro e eu nasci em julho, ouvi tudo da barriga da minha mãe, que viu algumas coisas pela televisão. Aos jovens que leem esse texto, há algo curioso sobre esse Rock in Rio: tinha rock e era no Rio mesmo rs. Em 10 dias, a Cidade do Rock recebeu mais de 1,3 milhão de pessoas em um espaço com sistemas de som e luz supermodernos, que inclusive iluminavam a platéia (algo inédito para a época). Era um período em que o rock começava a despontar no Brasil e os principais nomes dessa nova safra estiveram nos palcos do festival. Blitz, Paralamas, Barão, Rita Lee, Lulu Santos e Kid Abelha são alguns dos nomes.

Vendo vídeos dos shows, o coro da platéia sempre me arrepia. Todos pareciam alucinados com alto tão extraordinário, bandas nacionais super bacanas e nomes internacionais que ainda não costumavam incluir o Brasil em suas turnês. Ícones que eu amo e fizeram parte da minha formação musical estavam lá marcando presença: Queen, AC/DB, Ozzy, Iron, George Benson, James Taylor, Whistenake, Scorpions e B-52’s.

Há 30 anos, mais de um milhão de pessoas surpreendidas por shows incríveis. Hoje, quando vamos a um show, normalmente já sabemos o setlist, já vimos vídeos da mesma turnê, lemos inúmeras matérias sobre o assunto. Ou seja, de certa forma, sabemos o que esperar. Imagina há 30 anos? Sem youtube pra você dar uma espiadinha em como vai ser o show do seu artista favorito? Sem google pra você pesquisar a lista de músicas, você podia ser surpreendido por aquela canção meio “lado b” que você ama mas achou que ninguém mais gostava. Deve ter sido algo incrível e indescritível para quem esteve lá. Tanta banda que marcou época reunida em 1985, quando o show business não acabava com o limite do nosso cartão de crédito…

Pra celebrar essa grande reunião de artistas, #NascidaEm1985, o show do Queen… porque Freddie é o cara e sempre será!

Para quem quiser saber mais:

Olhem que bacana esse relato do primeiro festival: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/14/especial-rock-in-rio-festival-surgiu-em-1985-entre-calotes-enquetes-e-rejeicao-a-bob-dylan.htm

Aqui tem uma matéria bem legal com curiosidades do primeiro Rock in Rio: http://entretenimento.r7.com/pop/fotos/rock-in-rio-completa-30-anos-relembre-curiosidades-e-polemicas-do-festival-11012015#!/foto/1

#NascidaEm1985 – “Take On Me”

Uma música icônica, que também representou avanços para o mundo dos videoclipes é a segunda #NascidaEm1985 da série. “Take on Me” foi o single de lançamento do primeiro álbum de estúdio dos noruegueses do a-ha. A sonoridade dos sintetizadores, característica dos anos 80, é inesquecível e incrível! Marcou época!

A música fez um enorme sucesso e o videoclipe é um dos meus preferidos, com animação feita a lápis e usando técnicas de live-action, inovação que fez história e rendeu muitos prêmios. Sempre fico vidrada quando vejo esse vídeo e acho o desenho tão expressivo!

Para fazer esse post, fui ler a letra da música. No primeiro momento, não identifiquei algo tão ligado ao meu jeito de ser. Olhando com cuidado, encontrei uma frase muito significativa, que norteia muito da minha vida, principalmente nos últimos 10 anos: “It’s no better to be safe than sorry”, “Não é melhor estar seguro do que arrependido”. Prefiro arriscar do que me arrepender, então acho que realmente o trecho é uma tradução do meu sentimento… principalmente agora, chegando na terceira década e pensando em retomar alguns planos.

Amanhã tem mais #NascidaEm1985

#NascidaEm1985 – parte 1

Estava pesquisando as músicas que nasceram junto comigo, em 1985, e completam 30 primaveras esse ano… Reparei que adoro grande parte delas e lembro de ouvir muitas no aparelho três em um dos meus pais (aquele com o dial iluminado) (quem não souber o que é dial, joga no google). Fiquei pensando em como é que essas canções influenciaram na minha formação… e é bem interessante como algumas das frases das músicas de 1985 fazem bastante sentido pra mim e suas sonoridades e até vocabulário são bem presentes em minhas composições! Ficou no subconsciente? Será?

Até meu aniversário, postarei uma música por dia, pra celebrar 🙂

Música 1: Everybody Wants To Rule The World – Tears for Fears (porque meus pais sempre tiveram ótimo gosto musical)
Bom, eu e grande parte dos leoninos queremos “rule the world”, ou seja..

Sobre a valorização do músico…

*por Mariana Paes

Você que se revolta quando tem que trabalhar muito além das oito horas por dia, quando passa vários finais de semana trabalhando, quando não consegue tirar folga pra passear, descansar, estar com amigos e família. Você que acha cansativo trabalhar a noite mas às vezes precisa… Você que acha um absurdo precisar de mais de um emprego pra pagar suas contas, que se especializou com todo o amor para exercer sua profissão com ética, seriedade e competência. Você acha mesmo que um músico trabalha menos que você ou não merece ganhar um salário decente? Você acha mesmo que, como trabalha por amor, o músico deve se sacrificar sem ganhar bem e se sujeitando a condições de trabalho péssimas?

Vida de músico não tem hora, não tem dia da semana, muitas vezes não tem essa de horas de expediente e muitas vezes são dois, três, quatro trabalhos correndo paralelamente. Músico chega no lugar e nem sempre tem o melhor equipamento pra trabalhar… leva choque no microfone, improvisa com coisas que trouxe de casa porque infelizmente é comum não ter muita estrutura. Músico ama muito o que faz e muitas vezes se sujeita a coisas que, na sua vida de assalariado, seria passível de processo trabalhista… Semanas sem folga, sem sono, sem tempo pra refeições. Como não há certeza de que haja trabalho no dia seguinte, a pessoa abraça tudo que vem e nem pensa nos limites do seu corpo, mas na sua missão como artista. E não me diga que o sofrimento é uma opção… a opção do músico é amar e fazer música, não sofrer. O mercado, da forma que é, impõe essas condições e a gente se vira como dá… e tenta mudar o cenário quando possível.

Você vai mesmo continuar achando que é normal e ok explorar o trabalho do artista pagando uma Coca e uma porção de fritas? Ou pedindo como favor? Ou achando que não faz mais que a obrigação quando se desdobra pra dar conta da demanda? Que “sorte dele ter onde tocar e ainda ter público”? Você acha certo quando falam pra você que tem que engolir tudo no trabalho porque “pelo menos tem um emprego”?

Pense nisso antes de achar que artista optou por essa vida porque quer moleza…

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